{"id":245222,"date":"2026-01-26T16:58:13","date_gmt":"2026-01-26T16:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/245222\/"},"modified":"2026-01-26T16:58:13","modified_gmt":"2026-01-26T16:58:13","slug":"astronomos-revelam-novo-mapa-de-como-a-materia-escura-mexe-no-universo-astrofisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/245222\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos revelam novo mapa de como a mat\u00e9ria escura mexe no universo | Astrof\u00edsica"},"content":{"rendered":"<p>Recorrendo a observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb numa \u00e1rea do c\u00e9u quase tr\u00eas vezes maior do que a da Lua cheia, os cientistas criaram o mapa c\u00f3smico mais detalhado at\u00e9 \u00e0 data da misteriosa mat\u00e9ria escura, que constitui a maior parte da mat\u00e9ria que povoa o universo.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria comum forma estrelas, planetas, pessoas e tudo o resto que conseguimos ver. No entanto, representa apenas cerca de 15% de toda a mat\u00e9ria existente no <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/04\/12\/ciencia\/noticia\/ha-novas-pistas-detectar-materia-escura-2002248\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cosmos<\/a>. O resto \u00e9 mat\u00e9ria escura, que n\u00e3o emite nem reflecte luz, tornando-a invis\u00edvel ao olho humano e aos telesc\u00f3pios.<\/p>\n<p>Os cientistas inferem a sua exist\u00eancia com base nos efeitos gravitacionais que a mat\u00e9ria escura exerce em grande escala, como a velocidade de rota\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, a coes\u00e3o dos enxames de gal\u00e1xias e a curvatura da luz proveniente de objectos distantes ao atravessar estruturas c\u00f3smicas maci\u00e7as.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>O novo mapa da distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura baseou-se neste fen\u00f3meno de curvatura da luz \u2014 que provoca distor\u00e7\u00f5es subtis na forma de aproximadamente 250 mil gal\u00e1xias distantes, observadas pelo Telesc\u00f3pio James Webb \u2014 fruto dos efeitos gravitacionais da mat\u00e9ria no horizonte.<\/p>\n<p>Um mapa anterior da mat\u00e9ria escura foi baseado em observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. O novo mapa, impulsionado pelas maiores capacidades do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/07\/13\/ciencia\/noticia\/ja-mostrou-novo-telescopio-nasa-2013461\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Telesc\u00f3pio James Webb<\/a>, oferece o dobro da resolu\u00e7\u00e3o do mapa anterior, abrange mais partes do universo e observa um per\u00edodo ainda mais remoto \u2014h\u00e1 oito mil milh\u00f5es a dez mil milh\u00f5es de anos, um per\u00edodo crucial para a forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Com quase 800.000 gal\u00e1xias, esta imagem do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb \u00e9 sobreposta a um mapa da mat\u00e9ria escura (aqui a azul)&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nNASA\/STScI\/J. DePasquale\/A. Pagan                    &#13;<\/p>\n<p>\u201cIsto permite-nos conhecer mais detalhadamente estruturas de mat\u00e9ria escura, detectar concentra\u00e7\u00f5es de massa que antes n\u00e3o eram vis\u00edveis e aumentar o mapeamento da mat\u00e9ria escura para \u00e9pocas mais antigas do universo\u201d, explica a cosm\u00f3loga observacional Diana Scognamiglio, do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jacto da NASA, na Calif\u00f3rnia (Estados Unidos), investigadora principal do trabalho publicado na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02763-9\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista Nature Astronomy<\/a>.<\/p>\n<p>O mapa revela, com uma clareza sem precedentes, novos detalhes da macroestrutura do universo, apelidada de teia c\u00f3smica \u2014 aglomerados de gal\u00e1xias, imensos filamentos de mat\u00e9ria escura ao longo dos quais se distribuem gal\u00e1xias e g\u00e1s, bem como regi\u00f5es com menor densidade de massa.<\/p>\n<p>O James Webb, um telesc\u00f3pio de infravermelhos com cerca de seis vezes o poder de capta\u00e7\u00e3o de luz do Hubble, foi lan\u00e7ado em 2021 e entrou em funcionamento em 2022.<\/p>\n<p><strong>A matura\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Telesc\u00f3pio Espacial James Webb \u00e9 como colocar um novo par de \u00f3culos para o universo\u201d, diz Diana Scognamiglio. \u201cV\u00ea gal\u00e1xias mais t\u00e9nues e distantes com detalhes muito mais n\u00edtidos do que nunca. Isto d\u00e1-nos uma grelha muito mais densa de gal\u00e1xias de fundo para trabalhar, que \u00e9 exactamente o que se pretende para este tipo de estudo. Mais gal\u00e1xias e imagens mais n\u00edtidas traduzem-se directamente num mapa mais preciso da mat\u00e9ria escura.\u201d<\/p>\n<p>O mapa cobre uma parte do c\u00e9u chamada \u201cCosmic Evolution Survey\u201d, localizada na direc\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Sextans. O mapa facilitar\u00e1 futuras investiga\u00e7\u00f5es do universo de diversas formas, indicam os investigadores.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, uma quest\u00e3o importante em astrof\u00edsica \u00e9 a forma como as gal\u00e1xias crescem e evoluem com o tempo \u2013 como \u00e9 que o universo passou de uma sopa quase perfeitamente homog\u00e9nea para a espectacular variedade de gal\u00e1xias que vemos hoje\u201d, questiona a cosm\u00f3loga observacional e co-autora do estudo, Jacqueline McCleary, da Universidade Northeastern, em Boston (Estados Unidos).<\/p>\n<p>\u201cOs halos de mat\u00e9ria escura \u2013 \u2018nuvens\u2019 autogravitantes de mat\u00e9ria escura \u2013 s\u00e3o o local de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/06\/30\/ciencia\/entrevista\/carlos-fiolhais-ha-sinais-vem-espaco-ha-qualquer-incompleta-2055247\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">forma\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias<\/a>, os ber\u00e7\u00e1rios das gal\u00e1xias, por assim dizer. Portanto, saber onde est\u00e1 a mat\u00e9ria escura, quanta mat\u00e9ria escura existe e lig\u00e1-la \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias dentro da distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura imp\u00f5e uma importante condicionante aos modelos de forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias\u201d, diz Jacqueline McCleary.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n             <a class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"0\" href=\"https:\/\/acervo.publico.pt\/25anos\/historia-do-universo-em-13-momentos\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p>O m\u00e9todo utilizado pelos investigadores, que envolve a curvatura da luz, revelou a distribui\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/07\/07\/ciencia\/noticia\/procurase-detector-materia-escura-sensivel-mundo-tambem-portugueses-2012816\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mat\u00e9ria escura<\/a> e da mat\u00e9ria comum.<\/p>\n<p>Os investigadores afirmam que as suas observa\u00e7\u00f5es est\u00e3o em sintonia com o principal modelo cosmol\u00f3gico \u2014 denominado Lambda-CDM, ou mat\u00e9ria escura fria \u2014 que explica o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/23\/ciencia\/noticia\/observatorio-vera-c-rubin-mostra-primeiras-fotografias-universo-2137511\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">in\u00edcio do universo<\/a> com o Big Bang e a sua subsequente evolu\u00e7\u00e3o e estrutura. O modelo descreve um universo dominado pela mat\u00e9ria escura e pela for\u00e7a c\u00f3smica invis\u00edvel denominada energia escura, respons\u00e1vel pela sua expans\u00e3o acelerada.<\/p>\n<p>\u201cNeste contexto, a mat\u00e9ria escura d\u00e1 a base gravitacional sobre a qual se formam gal\u00e1xias, grupos e enxames, criando a teia c\u00f3smica de grande escala. O nosso mapa oferece uma vis\u00e3o observacional muito mais precisa desta estrutura de mat\u00e9ria escura\u201d, remata Diana Scognamiglio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Recorrendo a observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb numa \u00e1rea do c\u00e9u quase tr\u00eas vezes maior do que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":245223,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[122,443,109,107,108,1008,124,1149,32,33,105,103,104,106,110,2077],"class_list":{"0":"post-245222","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-astrofisica","9":"tag-astronomia","10":"tag-ciencia","11":"tag-ciencia-e-tecnologia","12":"tag-cienciaetecnologia","13":"tag-espaco","14":"tag-materia-escura","15":"tag-nasa","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-science","19":"tag-science-and-technology","20":"tag-scienceandtechnology","21":"tag-technology","22":"tag-tecnologia","23":"tag-universo"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115962465648238117","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245222\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/245223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}