{"id":24588,"date":"2025-08-11T09:23:09","date_gmt":"2025-08-11T09:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/24588\/"},"modified":"2025-08-11T09:23:09","modified_gmt":"2025-08-11T09:23:09","slug":"bonitoes-lendo-gzh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/24588\/","title":{"rendered":"Bonit\u00f5es lendo | GZH"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"w-fit lg:w-full\" loading=\"eager\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/5383537_ebec3bbd696e8ac.jpg\" title=\"Fxquadro \/ adobe.stock.com\" alt=\"Fxquadro \/ adobe.stock.com\" width=\"700\" height=\"477\"\/>A crise do \u201chomem liter\u00e1rio\u201d tem sido assunto na imprensa norte-americana nos \u00faltimos meses.Fxquadro \/ adobe.stock.com<\/p>\n<p>Uma turma de amigas re\u00fane-se uma vez por m\u00eas para conversar sobre um livro de fic\u00e7\u00e3o. Nada de excepcional. Se voc\u00ea \u00e9 mulher e gosta de ler, \u00e9 prov\u00e1vel que j\u00e1 tenha participado de um grupo de leitura desse tipo. Mas experimente trocar \u201camigas\u201d por \u201camigos homens\u201d e a pr\u00f3pria frase come\u00e7a a soar como fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o me entendam mal. Tenho muitos amigos que s\u00e3o grandes leitores (a maioria deles, pensando bem, relacionados profissionalmente com a literatura de alguma forma), mas nenhum, que eu saiba, costuma discutir livros de fic\u00e7\u00e3o com seus camaradas. Discutir n\u00e3o por qualquer motiva\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica (uma prova, por exemplo) ou compromisso de trabalho, mas pelo simples prazer de ouvir o que outros homens t\u00eam a dizer sobre uma hist\u00f3ria que acabaram de ler.<\/p>\n<p><strong>A crise do \u201chomem liter\u00e1rio\u201d<\/strong> tem sido assunto na imprensa norte-americana nos \u00faltimos meses. Fato: mulheres l\u00eaem mais. J\u00e1 se disse que a goleada pode chegar a 8&#215;2, ou seja, mulheres seriam respons\u00e1veis por 80% das compras de livros de fic\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos. Um levantamento mais confi\u00e1vel aponta que 50% das mulheres norte-americanas leram pelo menos um romance ou conto no ano que passou, contra 33% dos homens. Nas oficinas de literatura, elas tamb\u00e9m levam vantagem, respondendo por cerca de 60% das inscri\u00e7\u00f5es em cursos de forma\u00e7\u00e3o de escritores \u2014 um desequil\u00edbrio que j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel inclusive na lista dos livros mais vendidos. Em 2004, dava empate. Em 2025, 75% dos best-sellers de fic\u00e7\u00e3o s\u00e3o assinados por mulheres.<\/p>\n<p>Alguns dias atr\u00e1s, a colunista Maureen Dowd, do New York Times, escreveu que achou a coisa mais sexy do mundo quando um homem que ela conhecia contou que estava lendo os romances de Jane Austen. Te entendo, amiga. <strong>Ver um homem absorto na leitura de algo que n\u00e3o seja o feed da rede social ou a se\u00e7\u00e3o de esportes do jornal tem l\u00e1 seu apelo er\u00f3tico<\/strong> \u2014 principalmente porque vem se tornando raro. (N\u00e3o por acaso, h\u00e1 um perfil no Instagram dedicado exatamente a essa prefer\u00eancia feminina: \u201cHot dudes reading\u201d ou \u201cbonit\u00f5es lendo\u201d. Fica a dica.).<\/p>\n<p>Toda essa conversa sobre o quanto os homens andam lendo ou deixando de ler parece estar relacionada a uma discuss\u00e3o mais ampla sobre a <strong>crise da subjetividade masculina<\/strong>. Enquanto os mais velhos penam para se situar em um mundo em que as piadas de vesti\u00e1rio sa\u00edram de moda e o papel de provedor perdeu relev\u00e2ncia, os mais novos sofrem para encontrar modelos masculinos que despertem o melhor que existe neles \u2014 e n\u00e3o o mais abjeto (misoginia, radicalismo, viol\u00eancia).<\/p>\n<p>Em ambos os casos, bons livros (e bons amigos) podem ajudar. Se os homens, bonit\u00f5es ou n\u00e3o, pelo menos derem uma chance.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A crise do \u201chomem liter\u00e1rio\u201d tem sido assunto na imprensa norte-americana nos \u00faltimos meses.Fxquadro \/ adobe.stock.com Uma turma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24589,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,879,170,32,33],"class_list":{"0":"post-24588","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-leitura","12":"tag-livros","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24588\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}