{"id":245934,"date":"2026-01-27T01:39:08","date_gmt":"2026-01-27T01:39:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/245934\/"},"modified":"2026-01-27T01:39:08","modified_gmt":"2026-01-27T01:39:08","slug":"os-microplasticos-ja-estao-no-corpo-humano-ou-sera-que-nao-microplasticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/245934\/","title":{"rendered":"Os micropl\u00e1sticos j\u00e1 est\u00e3o no corpo humano. Ou ser\u00e1 que n\u00e3o? | Micropl\u00e1sticos"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo do \u00faltimo ano, cientistas estudaram amostras de tecido cerebral, art\u00e9rias e at\u00e9 mesmo articula\u00e7\u00f5es em busca da presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos. Os investigadores descobriram que essas min\u00fasculas part\u00edculas est\u00e3o omnipresentes no corpo humano, contaminando test\u00edculos, a placenta, o sangue e at\u00e9 o c\u00e9rebro. Ou ser\u00e1 que n\u00e3o?<\/p>\n<p>No in\u00edcio desta semana, um investigador na Alemanha, Dusan Materic, questionou a ci\u00eancia dos micropl\u00e1sticos no corpo humano num longo artigo publicado no di\u00e1rio brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2026\/jan\/13\/microplastics-human-body-doubt\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Guardian<\/a>, argumentando que \u201cmais de metade dos artigos de grande impacto\u201d na \u00e1rea levantam s\u00e9rias d\u00favidas.<\/p>\n<p>Muitos cientistas responderam rapidamente, dizendo que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as min\u00fasculas part\u00edculas est\u00e3o a entrar no corpo humano. Mas os coment\u00e1rios de Dusan Materic sublinharam que ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre a quantidade de pl\u00e1stico que se est\u00e1 a acumular nos \u00f3rg\u00e3os humanos \u2014 em grande parte, devido \u00e0s cr\u00edticas a um m\u00e9todo espec\u00edfico de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Acumula\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o \u00e9 contest\u00e1vel\u201d <\/p>\n<p>O artigo foi publicado quando centenas de cientistas que estudam micropl\u00e1sticos se reuniram em Santa F\u00e9, no Novo M\u00e9xico, nos Estados Unidos, para aperfei\u00e7oar t\u00e9cnicas e partilhar estudos num campo em expans\u00e3o. Os investigadores enfatizaram que, apesar das incertezas, est\u00e3o confiantes de que os tecidos humanos cont\u00eam micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>\u201cO conjunto de evid\u00eancias em todos os organismos apoia que micro e nanopl\u00e1sticos est\u00e3o a acumular-se em animais e seres humanos\u201d, disse Susanne Brander, ecotoxicologista da Universidade Estadual de Oregon, nos EUA, e directora de projectos cient\u00edficos para produtos qu\u00edmicos mais seguros da Pew Charitable Trusts. \u201cTalvez ainda n\u00e3o tenhamos todos os detalhes, mas isso n\u00e3o \u00e9 contest\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Os investigadores apontaram para o facto de que v\u00e1rios m\u00e9todos demonstraram que o pl\u00e1stico entrou em \u00f3rg\u00e3os do corpo humano \u2014 desde a espectroscopia de infravermelhos, em que os investigadores fazem incidir luz infravermelha sobre as part\u00edculas para identificar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, at\u00e9 um sistema chamado cromatografia gasosa de pir\u00f3lise, em que os investigadores queimam a amostra e depois testam as part\u00edculas restantes.<\/p>\n<p>Por exemplo, foram encontrados micropl\u00e1sticos no c\u00e9rebro, tanto no c\u00f3rtex frontal, usando o m\u00e9todo de pir\u00f3lise, quanto no bulbo olfact\u00f3rio \u2014 a parte do c\u00e9rebro que processa os odores \u2014, usando espectroscopia infravermelha. O mesmo se aplica ao f\u00edgado e a outros \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cOs factos b\u00e1sicos da exposi\u00e7\u00e3o ao micropl\u00e1stico s\u00e3o incontest\u00e1veis, independentemente das t\u00e9cnicas de medi\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou em comunicado Megan Wolff, directora executiva da P-SNAP, um grupo de m\u00e9dicos e cientistas que examina as liga\u00e7\u00f5es entre o pl\u00e1stico e a sa\u00fade. \u201cOs micropl\u00e1sticos est\u00e3o presentes em todo o corpo humano, desde o sangue at\u00e9 o c\u00e9rebro e os ossos.\u201d<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de pir\u00f3lise<\/p>\n<p>No entanto, ao longo do \u00faltimo ano, este campo de investiga\u00e7\u00e3o tem debatido quest\u00f5es sobre o m\u00e9todo de pir\u00f3lise. Esse m\u00e9todo foi utilizado de forma mais proeminente no in\u00edcio deste ano, quando investigadores da Universidade do Novo M\u00e9xico encontraram altas concentra\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/02\/05\/azul\/noticia\/cientistas-encontraram-niveis-alarmantes-fragmentos-plasticos-cerebro-humano-2121203\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pl\u00e1stico no c\u00e9rebro humano<\/a>. (Os investigadores estimaram que, em todo o c\u00e9rebro, os pl\u00e1sticos poderiam ser equivalentes ao peso de uma colher de pl\u00e1stico, mas enfatizaram na altura que o resultado era muito preliminar.)<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>A ci\u00eancia \u00e9 absolutamente clara: estamos expostos a micro e nanopl\u00e1sticos todos os dias atrav\u00e9s do ar que respiramos e dos alimentos que ingerimos<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nChristos Symeonides, pediatra                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>No m\u00e9todo de pir\u00f3lise, os investigadores queimam o tecido e, em seguida, examinam os vapores resultantes para detectar v\u00e1rios produtos qu\u00edmicos. Pdem comparar a assinatura dos produtos qu\u00edmicos dos pl\u00e1sticos com os vapores que encontram.<\/p>\n<p>Esta abordagem tem muitos pontos positivos, incluindo o facto de poder fornecer uma estimativa da massa de pl\u00e1sticos num determinado \u00f3rg\u00e3o \u2014 ao contr\u00e1rio de muitos outros m\u00e9todos. Mas alguns cientistas, incluindo Materic, argumentaram que outras subst\u00e2ncias no c\u00e9rebro \u2014 gorduras, por exemplo \u2014 poderiam criar falsos positivos.<\/p>\n<p>As gorduras podem dar resultados que imitam o polietileno, um dos pl\u00e1sticos mais usados no mundo. Um estudo realizado por investigadores australianos, no in\u00edcio deste ano, descobriu que testar tanto o polietileno quanto o cloreto de polivinila pode causar estimativas exageradas no m\u00e9todo de pir\u00f3lise. (Dusan Materic n\u00e3o respondeu aos pedidos de coment\u00e1rios do The Post.)<\/p>\n<p>Melhoria dos m\u00e9todos?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/07\/azul\/noticia\/estudo-associa-microplasticos-sintomas-semelhantes-doenca-alzheimer-ratos-2146111\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Matthew Campen<\/a>, professor de toxicologia da Universidade do Novo M\u00e9xico e um dos autores do artigo sobre o c\u00e9rebro, disse que \u00e9 o primeiro a reconhecer que o m\u00e9todo pode ser melhorado. Mas, ressaltou, os resultados tamb\u00e9m mostraram muitos outros pl\u00e1sticos no c\u00e9rebro que n\u00e3o podem ser confundidos com gordura cerebral. O estudo, por exemplo, tamb\u00e9m encontrou part\u00edculas de nylon e polipropileno no c\u00e9rebro, dois outros tipos de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>\u201cConcordo que o polietileno provavelmente est\u00e1 sobrerrepresentado\u201d, disse Matthew Campen. \u201cEstamos constantemente a trabalhar em maneiras melhores de fazer isso. Mas os resultados mant\u00eam-se em estudos com animais e estudos de \u00f3rg\u00e3os. As observa\u00e7\u00f5es reais desse artigo s\u00e3o muito mais profundas do que quaisquer pontos fracos discutidos.\u201d<\/p>\n<p>Os investigadores apontaram para o facto de que estudos em animais mostram claramente que pequenos pl\u00e1sticos podem chegar ao c\u00e9rebro. Os cientistas expuseram roedores a alimentos com nanopl\u00e1sticos marcados com fluoresc\u00eancia e, depois, encontraram esses mesmos pequenos pl\u00e1sticos nas profundezas do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A quantidade n\u00e3o \u00e9 clara<\/p>\n<p>V\u00e1rios investigadores disseram ter acolhido com agrado a discuss\u00e3o sobre os m\u00e9todos \u2014 e acrescentaram que, embora seja certo que os micropl\u00e1sticos est\u00e3o presente no corpo humano, a quantidade exacta ainda n\u00e3o est\u00e1 clara.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia \u00e9 absolutamente clara: estamos expostos a micro e nanopl\u00e1sticos todos os dias atrav\u00e9s do ar que respiramos e dos alimentos que ingerimos\u201d, escreveu Christos Symeonides, pediatra do Royal Children&#8217;s Hospital de Melbourne (Austr\u00e1lia) e investigador da Minderoo Foundation, num e-mail. \u201cO que n\u00e3o sabemos \u00e9 quanta quantidade de micro e nanopl\u00e1sticos atravessa as membranas dos nossos pulm\u00f5es e intestinos e entra no nosso corpo.\u201d<\/p>\n<p>Os investigadores temem que, com o aumento da produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico, as pessoas possam ficar expostas a quantidades cada vez maiores dessas min\u00fasculas part\u00edculas. \u201cSabemos que os n\u00edveis de micropl\u00e1sticos e nanopl\u00e1sticos est\u00e3o a aumentar drasticamente no planeta\u201d, disse Elizabeth Ryznar, professora de medicina da St. George\u2019s University que estuda micropl\u00e1sticos no c\u00e9rebro. \u201cPortanto, \u00e9 razo\u00e1vel supor que nossa dose de exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumentar\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m afirmaram que o que parece ser uma controv\u00e9rsia \u00e9, na verdade, o processo normal da ci\u00eancia. \u201c\u00c9 exactamente assim que a ci\u00eancia funciona ao abordar um novo problema\u201d, escreveu Symeonides.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao longo do \u00faltimo ano, cientistas estudaram amostras de tecido cerebral, art\u00e9rias e at\u00e9 mesmo articula\u00e7\u00f5es em busca&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":245935,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[785,27,28,15,16,14,25,26,21,22,5630,62,12,13,19,20,542,8990,119,23,24,6267,117,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-245934","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-microplasticos","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-para-redes","tag-plasticos","tag-poluicao","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-residuos","tag-saude","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115964514317768242","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245934\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/245935"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}