{"id":246587,"date":"2026-01-27T13:25:05","date_gmt":"2026-01-27T13:25:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/246587\/"},"modified":"2026-01-27T13:25:05","modified_gmt":"2026-01-27T13:25:05","slug":"o-mestre-da-guitarra-portuguesa-antonio-chainho-morre-aos-88-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/246587\/","title":{"rendered":"&#8220;O mestre da guitarra portuguesa&#8221;. Ant\u00f3nio Chainho morre aos 88 anos"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<br \/>\n<b>&#13;<br \/>\nO &#8220;mestre da guitarra portuguesa&#8221;, como era referido pela cr\u00edtica especializada internacional, encerrou a carreira de 60 anos em setembro de 2024, tendo nesse ano editado o derradeiro \u00e1lbum, &#8220;O Abra\u00e7o da Guitarra&#8221;<\/b>, no qual homenageou os que atrav\u00e9s da r\u00e1dio foram os seus mestres.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nAnt\u00f3nio Chainho nasceu em S. Francisco da Serra, no distrito de Set\u00fabal, a 27 de janeiro de 1938, e come\u00e7ou a tocar no meio fadista na d\u00e9cada de 1960.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nChainho, o compositor de &#8220;Uma Pequenina Luz&#8221;, come\u00e7ou a tocar no meio fadista, na d\u00e9cada de 1960, terminado o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, durante o qual deu a conhecer os seus dotes musicais numa digress\u00e3o por Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p><b>&#8220;Vim da minha aldeia, S. Francisco da Serra [no concelho de Santiago do Cac\u00e9m, distrito de Set\u00fabal], para Lisboa, em finais do ano de 1965, para tocar no restaurante t\u00edpico A Severa, no Bairro Alto [em Lisboa]&#8221;<\/b>, recordou \u00e0 Lusa o m\u00fasico, que assinalava esta data como o in\u00edcio da sua carreira art\u00edstica.<\/p>\n<p>\nAnteriormente, tinha tocado no caf\u00e9 de seu pai, datando de 1960 o seu primeiro contacto com o meio fadista, numa taberna na pra\u00e7a do Chile, em Lisboa, quando se apresentou ao servi\u00e7o militar na capital, para o qual entrou em 1961.<\/p>\n<p>Nesse dia, recordou \u00e0 Lusa, tocou o Fado Lopes, de M\u00e1rio Jos\u00e9 Lopes, e saiu de l\u00e1 em ombros, tal foi o sucesso.<\/p>\n<p>Ao abandonar os palcos e est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o, em finais de 2024, o guitarrista e compositor garantiu que estava &#8220;em paz\u201d consigo mesmo e \u201ccontente\u201d com o percurso art\u00edstico que teve a \u201csorte\u201d de fazer.\u201cDei a volta ao mundo, toquei em todos os continentes, e acho que me sinto feliz\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOlhando para tr\u00e1s, acho que tive a sorte de chegar aos 85 anos e gravar este disco\u201d, afirmou, real\u00e7ando que &#8220;nenhum guitarrista&#8221; de fado &#8220;gravou um disco depois dos 60 anos&#8221;, em nome pr\u00f3prio. &#8220;Foi dif\u00edcil, mas eu consegui aos 85\u201d.<\/p>\n<p><b>O \u00e1lbum &#8220;O Abra\u00e7o da Guitarra&#8221; (2024) \u00e9 uma homenagem aos compositores &#8220;c\u00e9lebres&#8221; da guitarra portuguesa como Jos\u00e9 Nunes, Francisco Carvalhinho, Armandinho e Jaime Santos, assim como aos \u201cviolas\u201d com os quais partilhou o palco, como Jos\u00e9 Elmiro, Carlos Silva, Carlos Manuel Proen\u00e7a e Tiago Oliveira<\/b>.A revista brit\u00e2nica Songlines referiu-se a Ant\u00f3nio Chainho, compositor de &#8220;Notas em Movimento&#8221;, como \u201cembaixador da guitarra portuguesa\u201d.<\/p>\n<p>Do seu percurso discogr\u00e1fico, Chainho real\u00e7ou \u00e0 Lusa o \u00e1lbum \u201cGuitarra e Outras Mulheres\u201d (1998), que gravou com Teresa Salgueiro, Adriana Calcanhotto, Ana Sofia Varela e Elba Ramalho, entre outras int\u00e9rpretes, e o que gravou, em 1996, com a Orquestra Filarm\u00f3nica de Londres, sob a dire\u00e7\u00e3o do maestro Jos\u00e9 Calv\u00e1rio (1951-2009), que lhe \u201cabriu caminhos por todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Chainho dividiu a sua carreira em tr\u00eas fases: <b>\u201cA primeira foi aquela em que acompanhei todos os fadistas, profissionais ou amadores, a segunda quando me liguei a dois int\u00e9rpretes, durante cerca de 30 anos, Carlos do Carmo (1939-2021) e Frei Hermano da C\u00e2mara, e, finalmente, a carreira como solista\u201d<\/b>.<\/p>\n<p>Apontado como &#8220;um dos virtuosos da guitarra portuguesa&#8221; pela &#8220;Enciclop\u00e9dia da M\u00fasica em Portugal no S\u00e9culo XX&#8221;, Ant\u00f3nio Chainho acompanhou nomes como Jos\u00e9 Afonso, R\u00e3o Kyao, Gal Costa, Maria Beth\u00e2nia, Saky Kubota, Hideco Tchokyba, Jos\u00e9 Carreras, Maria Dolores Pradera, Paco de Luc\u00eda, Kepa Junkera, Sara Tavares, Pedro Abrunhosa, Ana Bacalhau, Rui Veloso, Paulo Flores e John Williams.<\/p>\n<p>Da sua discografia, que se iniciou em 1975 com \u201cGuitarradas\u201d, fazem ainda parte os \u00e1lbuns &#8220;Guitarra Portuguesa\u201d (1977), \u201cAo vivo no CCB\u201d (2003), com Marta Dias, \u201cLisGoa\u201d (2010), que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Natasha Lewis, Sonia Shirsat e Remo Fernandes, \u201cEntre Amigos\u201d (2012), com int\u00e9rpretes como Caman\u00e9, Ney Matogrosso e Fernando Alvim, e \u201cCumplicidades\u201d (2015), \u00e1lbum que assinalou os 50 anos de carreira e conta com as participa\u00e7\u00f5es de Paulo de Carvalho, Fernando Ribeiro, H\u00e9lder Moutinho, Pedro Abrunhosa, Paulo Flores, Filipa Pais, Ana Vieira e Vanessa da Mata.<\/p>\n<p>Em 2015, atuou no seu concelho natal, na igreja matriz, no \u00e2mbito do Festival Terras Sem Sombra, com o guitarrista alem\u00e3o J\u00fcrgen Ruck, apresentando o programa \u201cO Tempo e o Modo: Di\u00e1logos entre Guitarras&#8221;.Em Santiago do Cac\u00e9m est\u00e1 instalada uma escola de guitarra portuguesa, um sonho que o compositor de &#8220;Ch\u00e3o do Destino&#8221; realizou.<\/p>\n<p>Em 2023, foi publicada a sua biografia, \u201cO Abra\u00e7o da Guitarra\u201d, de autoria da jornalista Moema Silva, que definiu a obra \u00e0 Lusa como \u201co di\u00e1rio de uma viagem pela [sua] vida e pela m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p><b>&#13;<br \/>\nEm 2022, o presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou Ant\u00f3nio Chainho com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique<\/b>, que distingue os que prestaram \u201cservi\u00e7os relevantes a Portugal, no pa\u00eds e no estrangeiro, assim como servi\u00e7os na expans\u00e3o da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua Hist\u00f3ria e dos seus valores\u201d.<\/p>\n<p>Referindo-se \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o musical, o tamb\u00e9m compositor disse \u00e0 Lusa que reflete \u201cmesti\u00e7agens, fruto dos contactos com as m\u00fasicas do mundo\u201d. Por isso tamb\u00e9m, procurou \u201ctra\u00e7ar novos caminhos para guitarra portuguesa&#8221;.<\/p>\n<p><b>&#8220;A minha m\u00fasica reflete as muitas viagens que fiz, os m\u00fasicos com quem contactei e com quem trabalhei. Procura o respirar as m\u00fasicas do mundo\u201d<\/b>, disse \u00e0 Lusa.&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; &#13; O &#8220;mestre da guitarra portuguesa&#8221;, como era referido pela cr\u00edtica especializada internacional, encerrou a carreira de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":246588,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[46381,1564,27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-246587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-alfragide","tag-beja","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115967290506391089","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246587\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/246588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}