{"id":247005,"date":"2026-01-27T20:51:07","date_gmt":"2026-01-27T20:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/247005\/"},"modified":"2026-01-27T20:51:07","modified_gmt":"2026-01-27T20:51:07","slug":"fmi-critica-economia-interna-do-canada-e-sugere-reformas-para-aumentar-competitividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/247005\/","title":{"rendered":"FMI critica economia interna do Canad\u00e1 e sugere reformas para aumentar competitividade"},"content":{"rendered":"<p>O Canad\u00e1, o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos (a seguir ao M\u00e9xico) e principal vizinho e aliado territorial do pa\u00eds liderado por Donald Trump, est\u00e1 a ser alvo de fortes cr\u00edticas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) por ter uma economia interna pouco integrada e at\u00e9 desigual, o que faz com que a produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds seja demasiado cara, prejudicando o seu desempenho no atual ambiente de guerra comercial e reduzindo a sua capacidade de resposta aos ataques do governo dos Estados Unidos que \u00e9 presidido por Trump.<\/p>\n<p>A ideia do FMI \u2013 <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/news\/articles\/2026\/01\/27\/canada-can-grow-faster-by-unlocking-its-own-market\" rel=\"nofollow noopener\">divulgada, esta ter\u00e7a-feira, no blog da institui\u00e7\u00e3o<\/a>, num estudo da s\u00e9rie &#8220;Country Focus&#8221; assinado pelos economistas Federico D\u00edez e Yuanchen Yang \u2013 \u00e9 que a economia canadiana, a d\u00e9cima maior do mundo (com um PIB &#8211; Produto Interno Bruto na ordem dos dois bili\u00f5es de d\u00f3lares ou 1,7 bili\u00f5es de euros ao c\u00e2mbio atual), ainda tem muita margem para fazer grandes reformas estruturais e, assim, reduzir barreiras internas que, pelas contas dos investigadores, correspondem a tarifas equivalentes a 40%.<\/p>\n<p>Um custo proibitivo que arrasa com a capacidade competitiva do pa\u00eds e que o amarra na capacidade de resposta a um agente hostil, como hoje se tornou Trump em rela\u00e7\u00e3o ao Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Como referido, este fardo, argumentam os peritos, prejudica de forma severa a competitividade do Canad\u00e1. Ato cont\u00ednuo, tamb\u00e9m acaba por dar argumentos a Donald Trump, que tem dito que o Canad\u00e1 \u00e9 um parceiro comercial oportunista, desleal e altamente subsidiado pelos EUA via importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o \u00faltimo ataque de Trump ao vizinho canadiano (foi neste \u00faltimo fim-de-semana de 24 e 25 de janeiro) passa pela amea\u00e7a de impor tarifas de 100% (em cima das que j\u00e1 existem) em jeito de retalia\u00e7\u00e3o contra o acordo comercial que o governo do primeiro-ministro Mark Carney fez recentemente com a China.<\/p>\n<p>De acordo com o novo artigo publicado pelo FMI, \u00e9 verdade que o Canad\u00e1 &#8220;\u00e9 uma das economias mais abertas do mundo&#8221; e que &#8220;ao longo de d\u00e9cadas, construiu la\u00e7os profundos e resilientes com os mercados globais, ancorados na abertura, na previsibilidade e no com\u00e9rcio baseado em regras&#8221;.<\/p>\n<p>Ou seja, baseado em regras, mas esta realidade terminou em mar\u00e7o do ano passado, quando Trump abriu fogo, anunciado tarifas sobre dezenas de pa\u00edses do mundo, muitos deles seus grandes aliados e amigos.<\/p>\n<p>Segundo o artigo do Fundo, &#8220;no entanto, internamente, a economia canadiana continua muito menos integrada do que a sua presen\u00e7a global sugere&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os bens, os servi\u00e7os e os trabalhadores enfrentam barreiras significativas ao transitarem entre prov\u00edncias e territ\u00f3rios \u2013 uma fragmenta\u00e7\u00e3o que afecta a produtividade, a competitividade e a resili\u00eancia geral&#8221;, alertam os economistas.<\/p>\n<p>Ou seja, &#8220;o mercado interno do Canad\u00e1 reflete h\u00e1 muito a sua estrutura federal, com as prov\u00edncias a exercerem autoridade constitucional sobre muitas das pol\u00edticas que moldam o com\u00e9rcio&#8221;, agravando custos dom\u00e9sticos e de contexto atrav\u00e9s de um rol de &#8220;licenciamentos, normas, compras e regulamenta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo do tempo, estas diferen\u00e7as regulamentares e os atritos administrativos foram-se acumulando, atuando como barreiras \u00e0 escala, \u00e0 concorr\u00eancia e \u00e0 mobilidade \u2013 especialmente nos servi\u00e7os, onde as oportunidades econ\u00f3micas e os custos s\u00e3o mais elevados&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, &#8220;com o crescimento global sob press\u00e3o e as restri\u00e7\u00f5es de produtividade a tornarem-se mais vinculativas, a necessidade de integrar o mercado interno do Canad\u00e1 eventualmente nunca foi t\u00e3o premente&#8221;.<\/p>\n<p>Tarifas elevad\u00edssimas geradas por disfun\u00e7\u00f5es internas<\/p>\n<p>As &#8220;novas evid\u00eancias&#8221; trabalhadas e analisadas pelos autores levam a estimar &#8220;que as barreiras n\u00e3o geogr\u00e1ficas e relacionadas com pol\u00edticas dentro do Canad\u00e1 equivalem, em m\u00e9dia, a uma tarifa de cerca de 9% a n\u00edvel nacional&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Estes custos concentram-se sobretudo nos servi\u00e7os \u2014 que representam a maior parte do com\u00e9rcio interprovincial \u2014, com barreiras em alguns setores, incluindo os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, que ultrapassam o equivalente a uma tarifa de 40%&#8221;.<\/p>\n<p>Uma base de custos desproporcionalmente elevada como esta compromete ou inviabiliza o sucesso do pa\u00eds no com\u00e9rcio internacional. &#8220;Tal n\u00edvel seria proibitivo na maioria dos acordos comerciais internacionais&#8221;, avisam os economistas.<\/p>\n<p>O \u00f3nus interno que estes custos implicam &#8220;tamb\u00e9m \u00e9 desigual&#8221;, observam. &#8220;As prov\u00edncias maiores, com economias diversificadas e redes densas, enfrentam custos de com\u00e9rcio interno relativamente baixos&#8221;, mas &#8220;as prov\u00edncias mais pequenas e os territ\u00f3rios do norte [como Terra Nova, Labrador, Nova Esc\u00f3cia, etc.] enfrentam custos muito mais elevados, especialmente em servi\u00e7os como com\u00e9rcio de retalho, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os profissionais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O resultado \u00e9 uma economia fragmentada, onde a geografia e a regulamenta\u00e7\u00e3o moldam conjuntamente as oportunidades \u2014 e onde as vantagens normalmente associadas \u00e0 escala s\u00e3o atenuadas&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, para o FMI, fazer grandes reformas trar\u00e1 &#8220;grandes benef\u00edcios&#8221; aos canadianos. T\u00eam \u00e9 de se avan\u00e7ar j\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;A elimina\u00e7\u00e3o completa das barreiras comerciais internas n\u00e3o geogr\u00e1ficas poder\u00e1 aumentar o PIB real do Canad\u00e1 em quase 7% a longo prazo \u2014 aproximadamente 210 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares canadianos [cerca de 130 mil milh\u00f5es de euros] em valores atuais&#8221;.<\/p>\n<p>Para os autores, &#8220;estes ganhos s\u00e3o impulsionados n\u00e3o pelos efeitos da procura a curto prazo, mas por uma maior produtividade: aloca\u00e7\u00e3o mais eficiente de capital e trabalho, concorr\u00eancia mais feroz e uma maior escala para as empresas de alto desempenho&#8221;.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o. &#8220;As evid\u00eancias s\u00e3o claras: as barreiras internas continuam a ser grandes, economicamente dispendiosas e cada vez mais incompat\u00edveis com as necessidades de uma economia moderna, vibrante e com uma forte presen\u00e7a no sector dos servi\u00e7os. Elimin\u00e1-las oferece uma das alavancas mais poderosas \u2014 e menos dispendiosas em termos or\u00e7amentais \u2014 para aumentar a produtividade, refor\u00e7ar a resili\u00eancia e apoiar o crescimento inclusivo. A oportunidade \u00e9 agora. A recompensa \u00e9 grande. Transformar 13 economias [13 prov\u00edncias e territ\u00f3rios do Canad\u00e1] numa s\u00f3 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas uma aspira\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 um imperativo econ\u00f3mico&#8221;, remata o estudo.<\/p>\n<p>O segundo maior parceiro, agora inimigo<\/p>\n<p>Como referido, o Canad\u00e1 \u00e9 o segundo maior parceiro comercial dos EUA (bens ou mercadorias)<\/p>\n<p>Segundo <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.census.gov\/foreign-trade\/balance\/c1220.html\" rel=\"nofollow noopener\">dados oficiais do gabinete de estat\u00edsticas norte-americano (Census Bureau)<\/a>, o Canad\u00e1 importou em 2024 (\u00faltimo ano completo) cerca de 350 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (295 mil milh\u00f5es de euros) em mercadorias dos EUA. E exportou 412 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (347 mil milh\u00f5es de euros) para o vizinho norte-americano.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 deficit\u00e1ria e desfavor\u00e1vel aos EUA, mas o d\u00e9fice anda muito longe dos 200 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares que Trump tem vindo a brandir.<\/p>\n<p>O d\u00e9fice anual foi de 61 mil milh\u00f5es. De janeiro a outubro de 2025, esse d\u00e9fice ia em 39 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O Canad\u00e1 \u00e9 assim o segundo maior parceiro comercial dos EUA: somando exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es estas correspondem a 13% do total. O M\u00e9xico est\u00e1 em primeiro lugar, com 16% do com\u00e9rcio total entre os EUA e o resto do mundo.<\/p>\n<p>Paul Krugman, o reputado economista do MIT e pr\u00e9mio Nobel da Economia, <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/paulkrugman.substack.com\/p\/how-canada-became-an-enemy\" rel=\"nofollow noopener\">escreveu esta ter\u00e7a no seu Substack<\/a> num artigo titulado &#8220;Como o Canad\u00e1 se tornou num inimigo&#8221; que Trump tem vindo a criticar o pa\u00eds vizinho &#8220;desde o in\u00edcio do ano passado, quando falsamente afirmou que o Canad\u00e1 tinha um excedente comercial de 200 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e, de forma bizarra, insistiu que a importa\u00e7\u00e3o de energia e pe\u00e7as autom\u00f3veis com origem no Canad\u00e1 constitu\u00eda, de alguma forma, um subs\u00eddio dos EUA ao nosso vizinho do norte&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Para que fique claro, o com\u00e9rcio entre os EUA e o Canad\u00e1 \u00e9 praticamente equilibrado, e a sua interrup\u00e7\u00e3o seria extremamente prejudicial para ambas as economias&#8221;, defende Krugman.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, o que \u00e9 que irritou Trump outra vez? O Canad\u00e1, que vinha impondo tarifas de 100% sobre as importa\u00e7\u00f5es de autom\u00f3veis el\u00e9tricos chineses, fechou um acordo que permite a entrada de um n\u00famero limitado destes autom\u00f3veis com tarifas muito mais baixas em troca da compra, por parte da China, de alguns produtos agr\u00edcolas canadianos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Numa publica\u00e7\u00e3o na sua rede Truth Social, amea\u00e7ando com tarifas proibitivas, Trump declarou que o Canad\u00e1 se tornar\u00e1 um porto de desembarque para a entrada de mercadorias chinesas no mercado americano e que a China vai devorar o Canad\u00e1 vivo, consumi-lo por completo, destruindo os seus neg\u00f3cios, tecido social e modo de vida em geral&#8221;.<\/p>\n<p>Para Krugman, o acordo ter\u00e1 na verdade consequ\u00eancias m\u00ednimas para os EUA. &#8220;O acordo China-Canad\u00e1 \u00e9 limitado: a China s\u00f3 pode vender 49 mil autom\u00f3veis com a tarifa reduzida, o que representa cerca de 3% do total das vendas de autom\u00f3veis no Canad\u00e1 e 0,3% do total das vendas nos EUA&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Canad\u00e1, o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos (a seguir ao M\u00e9xico) e principal vizinho e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":227972,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,2965,92,89,90,7618,14182,26225,93,4406,32,33,8379],"class_list":["post-247005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-canada","tag-donald-trump","tag-economy","tag-empresas","tag-estados-unidos-da-america","tag-fmi","tag-fundo-monetario-internacional","tag-guerra-comercial","tag-mark-carney","tag-portugal","tag-pt","tag-tarifas-comerciais"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115969044254434963","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=247005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247005\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/227972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=247005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=247005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=247005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}