{"id":249052,"date":"2026-01-29T12:38:07","date_gmt":"2026-01-29T12:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/249052\/"},"modified":"2026-01-29T12:38:07","modified_gmt":"2026-01-29T12:38:07","slug":"revolucionario-portugal-sera-o-primeiro-pais-da-ue-a-ter-um-porta-drones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/249052\/","title":{"rendered":"&#8220;Revolucion\u00e1rio&#8221;: Portugal ser\u00e1 o primeiro pa\u00eds da UE a ter um porta-drones"},"content":{"rendered":"<p>A din\u00e2mica da seguran\u00e7a mar\u00edtima tem sido largamente influenciada pelo desenvolvimento da tecnologia de drones, os quais <strong>evolu\u00edram de simples sistemas de reconhecimento para instrumentos de ataque armado<\/strong>, havendo j\u00e1 quem profetize que acabar\u00e3o por transformar-se em ca\u00e7as a\u00e9reos. <\/p>\n<p>Gra\u00e7as a estes sistemas n\u00e3o tripulados, as for\u00e7as militares de pa\u00edses de pequeno e m\u00e9dio porte, privadas do or\u00e7amento necess\u00e1rio para recorrer aos porta-avi\u00f5es tradicionais, podem agora <strong>alargar o seu alcance operacional a custos reduzidos<\/strong>. Como observa o especialista em Defesa, Michael Peck, num <a href=\"https:\/\/www.19fortyfive.com\/2025\/03\/drone-carries-could-make-aircraft-carriers-obsolete\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">artigo na 19FortyFive<\/a>, publica\u00e7\u00e3o digital de refer\u00eancia neste setor, um porta-avi\u00f5es nuclear da classe Ford dos Estados Unidos (EUA), por exemplo, com 100 mil toneladas, custa cerca de 13 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. E mesmo o Queen Elizabeth, do Reino Unido, com 65 mil toneladas, tem um pre\u00e7o acima dos mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. <\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da vantagem financeira<\/strong>, <strong>as solu\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas revelam-se mais \u00e1geis<\/strong>: ao contr\u00e1rio dos porta-avi\u00f5es, cujo destacamento implica um enorme esfor\u00e7o log\u00edstico com reflexo negativo no tempo de tr\u00e2nsito, os drones possibilitam uma <strong>concentra\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o de for\u00e7a mais r\u00e1pidas, com riscos menores para quem os opera. &#8220;Num planeta que \u00e9 71% \u00e1gua, h\u00e1 muitas vantagens em ter um aer\u00f3dromo m\u00f3vel que pode navegar perto de qualquer zona de conflito ou crise&#8221;,<\/strong> vincaMichael Peck, para quem os porta-drones poder\u00e3o mesmo vir a tornar os porta-avi\u00f5es obsoletos. <\/p>\n<p>O <strong>primeiro esbo\u00e7o documentado de um porta-drones de raiz<\/strong> <strong>foi o UXV Combatant, proposto pela empresa brit\u00e2nica BVT Surface Fleet em 2007.<\/strong> Consistia num navio de guerra multifuncional, de 8.000 toneladas, que corporizava o conceito de nave-m\u00e3e para sistemas n\u00e3o tripulados. Ainda assim, \u00e0 \u00e9poca, aspetos como a autonomia da embarca\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o no lan\u00e7amento de drones a\u00e9reos n\u00e3o estavam suficientemente consolidados e o projeto nunca saiu do papel. <\/p>\n<p>Hoje em dia, pelo menos tr\u00eas marinhas j\u00e1 adquiriram ou est\u00e3o a desenvolver navios de conv\u00e9s plano destinados ao transporte de sistemas a\u00e9reos aut\u00f3nomos: China, Ir\u00e3o e Turquia, estes dois \u00faltimos atrav\u00e9s da reconfigura\u00e7\u00e3o de um casco comercial e de um navio anf\u00edbio, respetivamente. Na Uni\u00e3o Europeia (UE), <strong>Portugal, fazendo valer a sua experi\u00eancia e conhecimento na \u00e1rea dos drones, \u00e9 o primeiro pa\u00eds a dar este passo<\/strong>. <\/p>\n<p><strong>Plataforma Naval Multifuncional<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Navio da Rep\u00fablica Portuguesa (NRP) D. Jo\u00e3o II<\/strong> \u00e9 batizado em homenagem ao <strong>rei portugu\u00eas do s\u00e9culo XV, o &#8220;pr\u00edncipe perfeito&#8221;<\/strong> que, investindo numa pol\u00edtica de explora\u00e7\u00e3o atl\u00e2ntica, <strong>impulsionou a expans\u00e3o mar\u00edtima de Portugal<\/strong>, contribuindo decisivamente para fazer do pa\u00eds uma pot\u00eancia global. <strong>O nome carrega a ambi\u00e7\u00e3o de um projeto sa\u00eddo da cabe\u00e7a de Henrique Gouveia e Melo<\/strong>, ex-chefe do Estado-Maior da Armada e <a href=\"https:\/\/pt.euronews.com\/my-europe\/2025\/05\/14\/gouveia-e-melo-confirma-candidatura-a-presidencia-da-republica\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/a> nas elei\u00e7\u00f5es deste ano, que o amadureceu desde o final da \u00faltima d\u00e9cada para criar o que a Marinha designa como Plataforma Naval Multifuncional (PNM).<\/p>\n<p>Com um custo total de 132 milh\u00f5es de euros, assegurado maioritariamente por fundos europeus do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (94,5 milh\u00f5es), que foi lan\u00e7ado para apoiar os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia no p\u00f3s-COVID, e correspondendo o restante a investimento do Estado portugu\u00eas (37,5 milh\u00f5es), a embarca\u00e7\u00e3o, <strong>com entrega aprazada para o segundo semestre deste ano, est\u00e1 a ser constru\u00edda pela neerlandesa Damen nos estaleiros da empresa em Galati na Rom\u00e9nia<\/strong>, onde foi feito o corte da primeira chapa em outubro de 2024.<\/p>\n<p>Bem antes, em novembro de 2023, aquando da <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2l0XNh4ZSk0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">cerim\u00f3nia de assinatura do contrato<\/a>, em Lisboa, Gouveia e Melo <a href=\"https:\/\/www.marinha.pt\/conteudos%5Fexternos\/Revista%5FArmada\/PDF\/2024\/RA%5F592.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">anunciava<\/a> <strong>\u201cum ponto de n\u00e3o retorno para a modernidade\u201d,<\/strong> referindo-se a um navio \u201ctransformador\u201d, inserido na estrat\u00e9gia de uma <strong>\u201cMarinha hol\u00edstica, tecnologicamente avan\u00e7ada, disruptiva e robotizada\u201d.<\/strong> <\/p>\n<p>Apesar de ter desenvolvido integralmente o conceito, a Marinha portuguesa n\u00e3o ficou com a patente, o que implicaria um investimento adicional de milh\u00f5es de euros, tendo a empresa que ganhou o concurso para a constru\u00e7\u00e3o do navio j\u00e1 recebido manifesta\u00e7\u00f5es de interesse vindas de marinhas de outros pa\u00edses europeus. <strong>\u00c9 algo \u201crevolucion\u00e1rio\u201d<\/strong> para responder \u00e0 \u201cforma de estar e atuar no ambiente militar do s\u00e9culo XXI\u201d, <strong>afirmou Gouveia e Melo<\/strong> em novembro do ano passado, <a href=\"https:\/\/pt.euronews.com\/my-europe\/2025\/11\/26\/entrevista-euronews-ha-mais-de-20-anos-que-estamos-estagnados-alerta-gouveia-e-melo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>numa entrevista exclusiva \u00e0 Euronews<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Incorporando os atributos de um porta-drones, com condi\u00e7\u00f5es para operar sistemas n\u00e3o tripulados a\u00e9reos e mar\u00edtimos, incluindo \u00e0 superf\u00edcie da \u00e1gua e subaqu\u00e1ticos, o NRP D. Jo\u00e3o II n\u00e3o deixa de apresentar uma <strong>grande facilidade para, num curto per\u00edodo de tempo, se adaptar a diferentes miss\u00f5es<\/strong>. \u201cEm uma semana podemos tirar muitos sistemas que est\u00e3o implementados e troc\u00e1-los por outros, dando novas capacidades para que ele consiga sair\u201d, disse \u00e0 Lusa, em 2024, o engenheiro naval Barbosa Rodrigues, chefe da equipa de acompanhamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o do navio.<\/p>\n<p>\u201cEsta abordagem permite que o navio mantenha <strong>elevada flexibilidade funciona<\/strong>l, alternando entre diferentes perfis de miss\u00e3o sem compromissos estruturais significativos\u201d, <strong>clarifica \u00e0 Euronews Ricardo S\u00e1 Granja, porta-voz da Marinha de Portugal<\/strong>, sublinhando que a embarca\u00e7\u00e3o \u201cconstitui um marco significativo no percurso de moderniza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o\u201d, o que reflete \u201cuma mudan\u00e7a estrutural na forma como s\u00e3o concebidas e empregues as capacidades navais\u201d, num enquadramento &#8220;sustentado por um ecossistema de inova\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente na Marinha&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Por dentro do navio<\/strong><\/p>\n<p>Com 107,6 metros de comprimento, o NRP D. Jo\u00e3o II atingir\u00e1 uma velocidade de 15,5 n\u00f3s e contar\u00e1 com uma <strong>guarni\u00e7\u00e3o de 48 elementos<\/strong>, tendo espa\u00e7o para transportar <strong>42 especialistas<\/strong>, entre cientistas e operadores de sistemas n\u00e3o tripulados. Em caso de aux\u00edlio ou emerg\u00eancia, <strong>poder\u00e1 alojar temporariamente mais 100 a 200 pessoas<\/strong>.<\/p>\n<p>O <strong>conv\u00e9s amplo e corrido, com cerca de 94 metros de comprimento, possibilita a aterragem e lan\u00e7amento de drones a\u00e9reos<\/strong>, estando ainda dotado de um hangar destinado \u00e0 montagem, prepara\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o destes ve\u00edculos. Para a opera\u00e7\u00e3o dos drones de superf\u00edcie e subsuperf\u00edcie, al\u00e9m de hangares, haver\u00e1 sistemas e equipamentos, nomeadamente uma rampa \u00e0 popa, para lan\u00e7amento, recolha e posterior comunica\u00e7\u00e3o do respetivo posicionamento.<\/p>\n<p>A PNM estar\u00e1 equipada com um <strong>conv\u00e9s de voo<\/strong>, e correspondente hangar, <strong>para helic\u00f3pteros m\u00e9dios<\/strong> (tipo NH90 ou SH60), sendo que a configura\u00e7\u00e3o desta estrutura lhe confere tamb\u00e9m <strong>capacidade para aterrar e fazer descolar um helic\u00f3ptero pesado baseado em terra<\/strong> (tipo EH-101).<\/p>\n<p>Neste navio, ser\u00e1 poss\u00edvel colocar <strong>18 contentores de 20 p\u00e9s, incluindo c\u00e2maras hiperb\u00e1ricas e estrutura hospitalar<\/strong>, <strong>18 viaturas ligeiras<\/strong>, entre as quais <strong>ambul\u00e2ncias<\/strong>, bem como dez embarca\u00e7\u00f5es para al\u00e9m da sua dota\u00e7\u00e3o normal. Est\u00e1 ainda prevista a inclus\u00e3o de uma grua \u201cque p\u00f5e 30 toneladas a 14 metros\u201d, o que garante autossufici\u00eancia, e do <a href=\"https:\/\/www.emepc.pt\/projeto-rov-luso\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">ROV Luso<\/a>, um <strong>ve\u00edculo de opera\u00e7\u00e3o remota capaz de alcan\u00e7ar uma profundidade de 6.000 metros.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Da ci\u00eancia \u00e0 seguran\u00e7a e soberania<\/strong><\/p>\n<p>O NRP D. Jo\u00e3o II foi projetado para assegurar uma <strong>autonomia de at\u00e9 45 dias<\/strong>, &#8220;o que lhe permite operar por longos per\u00edodos sem necessidade de apoio log\u00edstico pr\u00f3ximo&#8221;, nota Ricardo S\u00e1 Granja. &#8220;Esta capacidade, aliada \u00e0 sua arquitetura modular, <strong>amplia significativamente o raio de a\u00e7\u00e3o nacional<\/strong> e permite a execu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de um vasto conjunto de miss\u00f5es&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter cient\u00edfico contemplam a <strong>recolha, processamento, tratamento e transmiss\u00e3o de dados em tempo real sobre o mar portugu\u00eas<\/strong>, al\u00e9m de tarefas de observa\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o ambiental. Desde a fase de projeto, est\u00e1 prevista a instala\u00e7\u00e3o de <strong>laborat\u00f3rios permanentes<\/strong>, numa l\u00f3gica de estreita colabora\u00e7\u00e3o com as universidades e de &#8220;elevada interoperabilidade entre entidades civis e militares&#8221;. A seguran\u00e7a \u00e9 outro dos eixos de atua\u00e7\u00e3o do navio, que levar\u00e1 a cabo opera\u00e7\u00f5es de <strong>busca e salvamento,<\/strong> prestando <strong>assist\u00eancia em caso de cat\u00e1strofes<\/strong>, em articula\u00e7\u00e3o com as autoridades de Prote\u00e7\u00e3o Civil. O navio estar\u00e1 igualmente ao servi\u00e7o da <strong>prote\u00e7\u00e3o da soberania do pa\u00eds<\/strong>, ao proporcionar a vigil\u00e2ncia, inspe\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o no mar portugu\u00eas. A este n\u00edvel, ser\u00e1 ainda usado para <strong>retirar cidad\u00e3os de zonas perigosas ou de conflito.<\/strong><\/p>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o <strong>est\u00e1 apta a operar m\u00faltiplos ve\u00edculos n\u00e3o tripulados em simult\u00e2neo, &#8220;em n\u00fameros compat\u00edveis com miss\u00f5es de m\u00e9dia e longa dura\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong>, sendo que os drones a\u00e9reos e de superf\u00edcie ser\u00e3o acionados na monitoriza\u00e7\u00e3o ambiental, vigil\u00e2ncia mar\u00edtima, assim como no apoio \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es e recolha de dados oceanogr\u00e1ficos, &#8220;em conformidade com a regulamenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo&#8221;, das &#8220;regras de seguran\u00e7a operacional&#8221;, e da &#8220;legisla\u00e7\u00e3o mar\u00edtima em vigor&#8221;. <\/p>\n<p>Quanto aos ve\u00edculos subaqu\u00e1ticos n\u00e3o tripulados, incluindo os drones e o ROV Luso, servir\u00e3o para atividades de <strong>inspe\u00e7\u00e3o, dete\u00e7\u00e3o e mapeamento do fundo marinho,<\/strong> &#8220;incluindo a caracteriza\u00e7\u00e3o do meio marinho e o apoio a atividades t\u00e9cnicas especializadas&#8221;. O uso destes sistemas, observa o porta-voz da Marinha, &#8220;assenta num conceito modular e escal\u00e1vel, permitindo <strong>diferentes combina\u00e7\u00f5es de meios conforme a natureza cient\u00edfica, civil ou militar das miss\u00f5es atribu\u00eddas<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p>O <strong>alcance dos diferentes drones varia mediante o tipo de ve\u00edculo, a miss\u00e3o em causa e as condi\u00e7\u00f5es operacionais<\/strong>, &#8220;sendo definido, caso a caso, de acordo com par\u00e2metros t\u00e9cnicos, regulamentares e de seguran\u00e7a&#8221;. Os sistemas n\u00e3o tripulados a bordo da PNM ser\u00e3o, <strong>&#8220;sempre que poss\u00edvel solu\u00e7\u00f5es de fabrico nacional&#8221;<\/strong>, tendo a Marinha estabelecido protocolos de coopera\u00e7\u00e3o com empresas portuguesas que produzem ve\u00edculos destes e as tecnologias associadas. <\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o est\u00e3o exclu\u00eddas parcerias internacionais: no final do ano passado, na sua primeira visita a Kiev como chefe do governo portugu\u00eas, Lu\u00eds Montenegro participou na celebra\u00e7\u00e3o de um <a href=\"https:\/\/pt.euronews.com\/2025\/12\/20\/portugal-e-ucrania-assinam-acordo-para-producao-conjunta-de-drones\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">acordo entre Portugal e Ucr\u00e2nia para a produ\u00e7\u00e3o conjunta de drones subaqu\u00e1ticos<\/a>. \u201cPortugal e a Ucr\u00e2nia t\u00eam, ao n\u00edvel dos ve\u00edculos n\u00e3o tripulados, um conhecimento que \u00e9 hoje a vanguarda do mundo**\u201d**, declarou, na ocasi\u00e3o, Montenegro. <\/p>\n<p>Uma coopera\u00e7\u00e3o que &#8220;pode constituir uma mais-valia do ponto de vista t\u00e9cnico e concetual, na medida em que permite a partilha de li\u00e7\u00f5es aprendidas, boas pr\u00e1ticas e do conhecimento acumulado sobre a opera\u00e7\u00e3o de sistemas n\u00e3o tripulados em ambientes exigentes&#8221;, frisa o porta-voz da Marinha, que coloca Portugal <strong>&#8220;entre os pa\u00edses europeus mais ativos na \u00e1rea do lan\u00e7amento, recupera\u00e7\u00e3o e emprego integrado de ve\u00edculos n\u00e3o tripulados em ambiente mar\u00edtimo<\/strong>&#8220;. <\/p>\n<p>O NRP D. Jo\u00e3o II foi concebido \u00e0 luz de uma arquitetura &#8220;baseada em princ\u00edpios de sistemas abertos&#8221;, o que facilita a <strong>&#8220;integra\u00e7\u00e3o gradual e controlada de tecnologias emergentes&#8221; como as aplica\u00e7\u00f5es de Intelig\u00eancia Artificial (IA)<\/strong>, indica Ricardo S\u00e1 Granja. Estas val\u00eancias poder\u00e3o ser aplicadas &#8220;<strong>no processamento e na an\u00e1lise de grandes volumes de dados, na navega\u00e7\u00e3o assistida ou aut\u00f3noma, na fus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o proveniente de m\u00faltiplos sensores e no apoio \u00e0 decis\u00e3o<\/strong>&#8220;, prossegue. Uma aposta em que ser\u00e3o sempre salvaguardadas a &#8220;supervis\u00e3o humana, rastreabilidade dos processos e conformidade com os requisitos \u00e9ticos, legais e de seguran\u00e7a operacional&#8221;.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Resposta aos desafios comuns&#8221; no mar<\/strong><\/p>\n<p>Pelas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, Portugal beneficia de uma longa tradi\u00e7\u00e3o naval e tem no mar um ativo estrat\u00e9gico. Na totalidade, o chamado <strong>espa\u00e7o mar\u00edtimo nacional abrange cerca de 4 milh\u00f5es de km2<\/strong>, o que d\u00e1 ao pa\u00eds o estatuto de <strong>maior Estado costeiro da UE e um dos maiores do mundo.<\/strong> <\/p>\n<p>Com a <strong>terceira maior Zona Econ\u00f3mica Exclusiva (ZEE) da Europa, 18 vezes superior ao territ\u00f3rio continental<\/strong>, Portugal tem obriga\u00e7\u00f5es acrescidas no ecossistema azul. Neste sentido, segundo Ricardo S\u00e1 Granja, o NRP D. Jo\u00e3o II &#8220;foi <strong>projetado para assegurar presen\u00e7a sustentada no mar&#8221;,<\/strong> desempenhando um papel preponderante para defender a posi\u00e7\u00e3o portuguesa <strong>&#8220;tanto no Atl\u00e2ntico como noutras \u00e1reas estrat\u00e9gicas de interesse nacional&#8221;<\/strong>. <\/p>\n<p>&#8220;Portugal \u00e9 hoje amplamente reconhecido, no contexto europeu e aliado, como um <strong>interveniente relevante no dom\u00ednio da experimenta\u00e7\u00e3o, valida\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o operacional de sistemas n\u00e3o tripulados a partir de plataformas navais<\/strong>&#8220;, lembra S\u00e1 Granja. <\/p>\n<p>Para este reconhecimento contribuiu o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NYM%5FVvKUHW8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">REPMUS<\/a>, descrito pela Marinha como o <strong>maior exerc\u00edcio de experimenta\u00e7\u00e3o operacional de sistemas n\u00e3o tripulados do mundo.<\/strong> Foi iniciado em 2010, na sequ\u00eancia de um protocolo entre a Marinha Portuguesa e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), e, desde ent\u00e3o, atrai anualmente a solo nacional mais de mil pessoas, assim como dezenas de institui\u00e7\u00f5es, entre empresas e universidades. O saber a\u00ed adquirido tamb\u00e9m ajudou a desenvolver o porta-drones portugu\u00eas, que se reveste de especial relev\u00e2ncia num <a href=\"https:\/\/pt.euronews.com\/video\/2025\/10\/07\/nato-esta-a-responder-atempadamente-aos-desafios-da-guerra-moderna-diz-manfred-boudreaux-d\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mundo cada vez mais inst\u00e1vel e hostil<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma &#8220;melhor compreens\u00e3o do ambiente mar\u00edtimo&#8221;, a informa\u00e7\u00e3o obtida a partir de v\u00e1rios sensores, incluindo sistemas n\u00e3o tripulados, tornar\u00e1 poss\u00edvel &#8220;a <strong>identifica\u00e7\u00e3o atempada de padr\u00f5es ou atividades an\u00f3malas&#8221;<\/strong>, refere S\u00e1 Granja. <\/p>\n<p><strong>Os n\u00edveis de atividade naval da R\u00fassia no Atl\u00e2ntico t\u00eam aumentado nos \u00faltimos anos.<\/strong> A Marinha acompanhou 143 navios russos ao longo da costa portuguesa entre 2022 e 2024, e em 2025, foram detetados pelo menos oito em \u00e1guas sob jurisdi\u00e7\u00e3o de Portugal, nomeadamente submarinos equipados com m\u00edsseis de longo alcance e navios-espi\u00f5es capazes de destruir cabos submarinos. <\/p>\n<p>A <strong>recolha de dados, feita a bordo da PNM, ser\u00e1 &#8220;relevante&#8221; para contrariar as &#8220;amea\u00e7as h\u00edbridas contempor\u00e2neas&#8221;<\/strong> identificadas pela Marinha, como sejam a sabotagem de infraestruturas cr\u00edticas submersas ou a\u00e7\u00f5es encobertas. O navio ter\u00e1 interven\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional e no quadro da Uni\u00e3o Europeia, <strong>&#8220;refor\u00e7ando a capacidade de resposta aos desafios comuns no dom\u00ednio mar\u00edtimo&#8221;<\/strong>, salienta o representante do ramo das for\u00e7as armadas portuguesas dedicado ao mar. <\/p>\n<p><strong>O comando e controlo de frotas dispersas de ve\u00edculos n\u00e3o tripulados s\u00e3o tarefas dif\u00edceis e dependem de liga\u00e7\u00f5es de dados seguras que podem sofrer interfer\u00eancias<\/strong>. Ricardo S\u00e1 Granja reconhece que se trata de um &#8220;desafio t\u00e9cnico exigente&#8221; e adianta que a Marinha tem vindo a desenvolver &#8220;arquiteturas&#8221; baseadas em princ\u00edpios como a &#8220;redund\u00e2ncia de liga\u00e7\u00f5es de dados, a utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos robustos de encripta\u00e7\u00e3o, a segmenta\u00e7\u00e3o de redes e a capacidade de opera\u00e7\u00e3o degradada ou aut\u00f3noma&#8221; para garantir &#8220;<strong>a continuidade das miss\u00f5es dentro de par\u00e2metros aceit\u00e1veis de risco e de controlo humano, mesmo em ambientes complexos<\/strong>&#8220;. <\/p>\n<p>Independentemente destas preocupa\u00e7\u00f5es, os sistemas n\u00e3o tripulados no contexto mar\u00edtimo trazem muitas vantagens, desde logo por viabilizarem destacamentos simult\u00e2neos prolongados, com ganhos evidentes na capacidade de vigil\u00e2ncia e recolha de dados. De resto, at\u00e9 as for\u00e7as navais dos principais pa\u00edses do mundo, que tendem a privilegiar os meios tradicionais mais pesados, est\u00e3o a seguir este caminho. <\/p>\n<p>Numa confer\u00eancia, este m\u00eas, em Washington D.C., Christopher Alexander, contra-almirante da marinha norte-americana,<a href=\"https:\/\/breakingdefense.com\/2026\/01\/no-longer-experimental-navy-to-deploy-drone-boats-this-year-official-says\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\"> estimou<\/a> que, at\u00e9 2045, perto de 45% da for\u00e7a de superf\u00edcie dos EUA ser\u00e1 composta por sistemas n\u00e3o tripulados. <\/p>\n<p>A Marinha portuguesa quer manter-se no rumo da tecnologia, e, perante &#8220;o crescente peso do software, da automa\u00e7\u00e3o e da gest\u00e3o avan\u00e7ada de dados nas opera\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas&#8221;, admite que o NRP D. Jo\u00e3o II, em fun\u00e7\u00e3o da sua &#8220;modularidade&#8221;, poder\u00e1, no futuro, <strong>atualizar os conceitos operacionais e integrar &#8220;novas val\u00eancias ou capacidades<\/strong>, caso tal seja decidido pelas autoridades competentes&#8221;, mas <strong>sem colocar em causa a voca\u00e7\u00e3o primordial da plataforma enquanto navio multifun\u00e7\u00f5es.<\/strong> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A din\u00e2mica da seguran\u00e7a mar\u00edtima tem sido largamente influenciada pelo desenvolvimento da tecnologia de drones, os quais evolu\u00edram&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":249053,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,2537,837,15,16,14,25,26,21,22,4490,12,13,19,20,32,23,24,33,110,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-249052","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-defesa","11":"tag-drones","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-marinha","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-tecnologia","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115978430325058248","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249052\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/249053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}