{"id":249131,"date":"2026-01-29T13:47:17","date_gmt":"2026-01-29T13:47:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/249131\/"},"modified":"2026-01-29T13:47:17","modified_gmt":"2026-01-29T13:47:17","slug":"brasil-declara-acai-como-fruto-nacional-para-travar-biopirataria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/249131\/","title":{"rendered":"Brasil declara a\u00e7a\u00ed como fruto nacional para travar \u201cbiopirataria\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Consumido h\u00e1 s\u00e9culos pelas popula\u00e7\u00f5es amaz\u00f3nicas, o a\u00e7a\u00ed sempre integrou a dieta local, tradicionalmente servido como uma pasta espessa acompanhada de peixe e farinha de mandioca. Apenas no in\u00edcio dos anos 2000 o pequeno fruto roxo ultrapassou as fronteiras da regi\u00e3o, ap\u00f3s ser transformado num doce gelado, frequentemente servido com granola e fruta fresca, e ganhar\u00a0<a href=\"https:\/\/sapo.pt\/artigo\/acai-o-fruto-amazonico-que-conquistou-o-mundo-08e2-6928770b627647040bd277f7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">fama internacional<\/a> pelas alegadas propriedades antioxidantes.<\/p>\n<p>Durante os debates parlamentares, foi recordado o caso de uma empresa japonesa que, em 2003, registou a marca \u201ca\u00e7a\u00ed\u201d. O Brasil demorou quatro anos a anular o registo. Estes casos impulsionaram a iniciativa de declarar o a\u00e7a\u00ed como fruto nacional, proposta apresentada pela primeira vez em 2011 e finalmente promulgada no in\u00edcio deste m\u00eas.\u00a0<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1769694436_777_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"A\u00e7a\u00ed, o fruto amaz\u00f3nico que conquistou o mundo\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      A\u00e7a\u00ed, o fruto amaz\u00f3nico que conquistou o mundo<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura afirmou \u00e0 AFP que a decis\u00e3o refor\u00e7a o estatuto do a\u00e7a\u00ed como \u201cproduto genuinamente brasileiro\u201d, fonte de rendimento para milhares de fam\u00edlias amaz\u00f3nicas. No entanto, especialistas sublinham que a nova lei tem sobretudo car\u00e1ter simb\u00f3lico e procura chamar a aten\u00e7\u00e3o para o crescente interesse internacional numa vasta gama de frutos nativos da floresta.\u00a0<\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 um dos que mais manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com a chamada \u201cbiopirataria\u201d, a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos gen\u00e9ticos sem autoriza\u00e7\u00e3o ou sem partilha dos benef\u00edcios.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA lei ajuda a colocar o tema na agenda p\u00fablica\u201d, disse Bruno Kato, fundador da Horta da Terra, empresa dedicada ao desenvolvimento de ingredientes amaz\u00f3nicos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Kato recordou o caso \u201cemblem\u00e1tico\u201d do cupua\u00e7u, fruto cremoso semelhante ao cacau e usado em sobremesas e cosm\u00e9ticos. No final da d\u00e9cada de 1990, uma empresa japonesa registou a marca \u201ccupua\u00e7u\u201d e exigia o pagamento de 10 mil d\u00f3lares pela utiliza\u00e7\u00e3o do nome. O registo s\u00f3 foi anulado duas d\u00e9cadas depois.\u00a0<\/p>\n<p>Sheila de Souza Correa de Melo, analista de propriedade intelectual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), afirmou \u00e0 AFP que a nova lei \u00e9 \u201cprincipalmente simb\u00f3lica e uma afirma\u00e7\u00e3o cultural\u201d e lembrou que o Brasil, um dos pa\u00edses mais biodiversos do mundo, possui in\u00fameros frutos com propriedades \u00fanicas, enfrentando \u201cenorme risco\u201d de apropria\u00e7\u00e3o por empresas estrangeiras que desenvolvem novos produtos e patentes a partir desses recursos.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a especialista, v\u00e1rias patentes j\u00e1 foram pedidas no estrangeiro para aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de ingredientes ativos do a\u00e7a\u00ed na alimenta\u00e7\u00e3o e na cosm\u00e9tica.<\/p>\n<p>Para Ana Costa, vice\u2011presidente da \u00e1rea de sustentabilidade da grande marca brasileira de cosm\u00e9ticos Natura, conhecida pelo uso de ingredientes amaz\u00f3nicos, a lei sublinha a necessidade de \u201cregras claras que garantam a partilha justa dos benef\u00edcios\u201d.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, desde 2014, do <a href=\"https:\/\/www.cbd.int\/abs\/default.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Protocolo de Nagoya<\/a>, um acordo internacional que regula a partilha de benef\u00edcios provenientes de recursos gen\u00e9ticos. Contudo, o tratado enfrenta novos desafios com a crescente digitaliza\u00e7\u00e3o de dados gen\u00e9ticos, que permite a investigadores de outros pa\u00edses descarregar sequ\u00eancias de ADN e utiliz\u00e1\u2011las para desenvolver produtos sem recolher fisicamente plantas ou sementes.\u00a0<\/p>\n<p>Sheila de Souza Correa de Melo afirmou que o principal desafio para o Brasil \u00e9 que mat\u00e9rias-primas como a polpa de a\u00e7a\u00ed s\u00e3o frequentemente exportadas para pa\u00edses que depois realizam a investiga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para criar produtos de alto valor acrescentado. A respons\u00e1vel afirmou que o Brasil deveria concentrar-se em investir na investiga\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento tecnol\u00f3gico na Amaz\u00f3nia para gerar riqueza localmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Consumido h\u00e1 s\u00e9culos pelas popula\u00e7\u00f5es amaz\u00f3nicas, o a\u00e7a\u00ed sempre integrou a dieta local, tradicionalmente servido como uma pasta&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":249132,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-249131","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115978701580514836","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249131\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/249132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}