{"id":249687,"date":"2026-01-30T00:59:26","date_gmt":"2026-01-30T00:59:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/249687\/"},"modified":"2026-01-30T00:59:26","modified_gmt":"2026-01-30T00:59:26","slug":"refinarias-europeias-lutam-pela-sobrevivencia-contra-o-resto-do-mundo-avisa-co-ceo-da-galp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/249687\/","title":{"rendered":"Refinarias europeias lutam pela sobreviv\u00eancia contra o resto do mundo, avisa co-CEO da Galp"},"content":{"rendered":"<p>        \u201cVamos construir na Ib\u00e9ria uma plataforma\u201d que vai contribuir para a \u201cindepend\u00eancia energ\u00e9tica europeia\u201d, disse Maria Jo\u00e3o Carioca sobre o neg\u00f3cio com os espanh\u00f3is da Moeve.    <\/p>\n<p>As refinarias europeias est\u00e3o a lutar por sobreviver perante a feroz concorr\u00eancia do resto do mundo, numa altura em que as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o apertam e colocam press\u00e3o sobre o setor refinador.<\/p>\n<p>O alerta foi deixado esta quarta-feira pela Galp semanas depois de ter anunciado a fus\u00e3o da sua refinaria de Sines com as da Moeve, que conta com duas refinarias na Andaluzia.<\/p>\n<p>\u201cA cria\u00e7\u00e3o deste cluster ib\u00e9rico permite ganhar escala e capacidade de otimizar investimentos. As refinarias na Europa lutam contra outras refinarias em todo o mundo. E lutam para sobreviver na pr\u00f3xima d\u00e9cada, de forma sustent\u00e1vel e com os retornos certos\u201d, disse a co-CEO da petrol\u00edfera Maria Jo\u00e3o Carioca, esta quarta-feira, 27 de janeiro.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a diversificar no nosso portf\u00f3lio: ainda h\u00e1 crescimento na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo&amp;g\u00e1s, mas vamos construir na Ib\u00e9ria uma plataforma\u201d que vai contribuir para a \u201cindepend\u00eancia energ\u00e9tica europeia\u201d, afirmou a gestora em entrevista \u00e0 \u201cCNBC\u201d.<\/p>\n<p>As tr\u00eas refinarias v\u00e3o ser colocadas numa sociedade, onde a Galp vai deter 20% e os espanh\u00f3is os restantes 80%, segundo o acordo n\u00e3o-vinculativo. A expetativa das empresas \u00e9 fechar a opera\u00e7\u00e3o este ano.<\/p>\n<p>Maria Jo\u00e3o Carioca destacou a vantagem do \u201cuso da costa Atl\u00e2ntica\u201d para \u201cchegar ao mercado americano\u201d, com o neg\u00f3cio a dar \u201cescala\u201d, mas tamb\u00e9m um maior \u201calcance\u201d.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio ai permitir \u201cjuntar for\u00e7as\u201d o que \u00e9 \u201ccrucial para o futuro\u201d, defendendo a necessidade de estabilidade no \u201ccontexto regulat\u00f3rio\u201d, pois tratam-se de \u201cinvestimentos de longo prazo\u201d.<\/p>\n<p>O futuro \u00e9 feito de \u201cequil\u00edbrio\u201d entre os combust\u00edveis f\u00f3sseis e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, defendeu. \u201cContinua a haver procura de hidrocarbonetos e estamos focados em entregar crescimento na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo&amp;g\u00e1s, com bons projetos no Brasil, com uma nova bacia com boa qualidade na Nam\u00edbia, e equilibrar isso com foco no crescimento em renov\u00e1veis e mol\u00e9culas verdes. \u00c9 preciso ter muitas op\u00e7\u00f5es. N\u00e3o somos ing\u00e9nuos, isso faz-se com um portf\u00f3lio equilibrado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Refinaria de Sines portuguesa? \u201c\u00c9 melhor\u201d, defende ministra do Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>A 23 de janeiro, a ministra do Ambiente e da Energia disse que seria \u201cmelhor\u201d ter a refinaria de Sines controlada por Portugal.<\/p>\n<p>\u201cEstamos coordenados ao n\u00edvel do Governo. Do ponto de vista de independ\u00eancia energ\u00e9tica, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o melhor. Vamos ver os mecanismos que existem\u201d, disse Maria da Gra\u00e7a Carvalho na sexta-feira passada.<\/p>\n<p>A governante foi questionada sobre a posi\u00e7\u00e3o do ministro da Economia que disse na semana passada que era \u201cmelhor\u201d que a refinaria de Sines fosse \u201ctotalmente controlada\u201d a partir de Portugal.<\/p>\n<p>Agora, Maria da Gra\u00e7a Carvalho destacou o tema da independ\u00eancia energ\u00e9tica do pa\u00eds. \u201c[Vamos ]ver as ferramentas que existem. Claro que \u00e9 melhor [refinaria controlada por Portugal]. Estamos a estudar os assuntos, ser\u00e1 comunicado em conjunto com todo o Governo. Os ministros coordenam-se\u201d, afirmou a ministra \u00e0 margem de um evento organizado pela ATIC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cimento.<\/p>\n<p>\u201cEstamos num mercado interno com as suas regras, na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). Isso \u00e9 algo que est\u00e1 a ser estudado com o acompanhamento do primeiro-ministro, ministro das Finan\u00e7as, ministro da Economia e eu\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo o acordo n\u00e3o-vinculativo assinado recentemente, a refinaria de Sines vai pertencer a uma sociedade em que a Galp fica com 20% e os restantes 80% ficam nas m\u00e3os da espanhola Moeve, que \u00e9 controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi (Mubadala), com mais de 61%, e pelo fundo norte-americano Carlyle Group, com 38%.<\/p>\n<p>Governo procura condicionar neg\u00f3cio da refinaria de Sines<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornaleconomico.sapo.pt\/noticias\/governo-procura-condicionar-negocio-da-refinaria-de-sines\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Tal como o JE revelou a 23 de janeiro<\/a>, h\u00e1 um cen\u00e1rio em cima da mesa que passa pela exig\u00eancia de garantias por parte do Governo \u00e0s duas petrol\u00edferas, que pode passar pela exig\u00eancia de cl\u00e1usulas a garantir que a refinaria n\u00e3o ser\u00e1 vendida no futuro ou que as empresas continuam a investir no desenvolvimento desta unidade, numa esp\u00e9cie de acordo parassocial.<\/p>\n<p>Mais. Portugal tem uma \u2018bomba at\u00f3mica\u2019 que d\u00e1 armas ao Governo em fun\u00e7\u00f5es para travar a venda de ativos estrat\u00e9gicos do pa\u00eds. Visa impedir que investidores de fora da Uni\u00e3o Europeia metam a m\u00e3o em setores cruciais, como a energia. Foi criada h\u00e1 12 anos, mas nunca foi usada. A d\u00favida agora \u00e9 saber se pode vir a ser usada no neg\u00f3cio Galp\/Moeve.<\/p>\n<p>H\u00e1 condi\u00e7\u00f5es a cumprir para usar esta \u2018bomba at\u00f3mica\u2019, como provar a exist\u00eancia de amea\u00e7as, neste caso, ao funcionamento da refinaria de Sines, ao pipeline que vai at\u00e9 Aveiras (para abastecer a regi\u00e3o de Lisboa) e ao abastecimento de combust\u00edvel ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo o que se sabe at\u00e9 agora, a refinaria de Sines vai pertencer a uma sociedade em que a Galp fica com 20% e os restantes 80% ficam nas m\u00e3os da espanhola Moeve. A quest\u00e3o aqui \u00e9 que a Moeve \u00e9 controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi (Mubadala), com mais de 61%, e pelo fundo norte-americano Carlyle Group, com 38%.<\/p>\n<p>Esta semana, o ministro da Economia, Castro Almeida, disse que seria \u201cmelhor\u201d ter \u201cuma refinaria totalmente controlada a partir de Lisboa.\u201d<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente contr\u00e1ria \u00e0 da ministra do Ambiente e da Energia (que tutela o setor) que aplaudiu o neg\u00f3cio, considerando que a Galp fica a ganhar com a participa\u00e7\u00e3o numa sociedade que fica com tr\u00eas refinarias, uma em Portugal, duas em Espanha. Curiosamente, o minist\u00e9rio da Economia demorou quase uma semana ap\u00f3s o neg\u00f3cio ser revelado para reagir em comunicado, apesar de nem deter a tutela da refinaria.<\/p>\n<p>Para a \u2018bomba at\u00f3mica\u2019 ser usada h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es a cumprir. No cen\u00e1rio de o Governo decidir cancelar o neg\u00f3cio, uma decis\u00e3o mal fundamentada ser\u00e1 previsivelmente contestada em tribunal e revertida.<\/p>\n<p>A refinaria de Sines abastece 90% dos combust\u00edveis consumidos em Portugal, sendo crucial para a independ\u00eancia energ\u00e9tica do pa\u00eds. \u00c9 a maior empresa exportadora a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura do contrato, o Governo tem 30 dias para dar \u201cin\u00edcio a um procedimento de avalia\u00e7\u00e3o, mediante decis\u00e3o fundamentada, a fim de avaliar o risco de tal opera\u00e7\u00e3o para a defesa e seguran\u00e7a nacional ou para a seguran\u00e7a do aprovisionamento do Pa\u00eds em servi\u00e7os fundamentais para o interesse nacional\u201d.<\/p>\n<p>O regime de salvaguarda de ativos estrat\u00e9gicos estabelece que o Conselho de Ministros \u201cpode opor-se (\u2026) \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es das quais resulte, direta ou indiretamente, a aquisi\u00e7\u00e3o de controlo, direto ou indireto, por uma pessoa ou pessoas de pa\u00edses terceiros \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (\u2026) nos casos em que se determine que possam p\u00f4r em causa, de forma real e suficientemente grave, a defesa e seguran\u00e7a nacional ou a seguran\u00e7a do aprovisionamento do Pa\u00eds em servi\u00e7os fundamentais para o interesse nacional\u201d.<\/p>\n<p>Espanha conta com oito refinarias: quatro da Repsol, duas da Moeve e uma da BP. O pa\u00eds foi o terceiro maior produtor europeu de produtos petrol\u00edferos em 2023.<\/p>\n<p>Quais as amea\u00e7as visadas pela lei? Amea\u00e7as \u00e0 \u201cseguran\u00e7a f\u00edsica e integridade dos ativos estrat\u00e9gicos\u201d; \u00e0 \u201cpermanente disponibilidade e operacionalidade\u201d.<\/p>\n<p>Mas o poder est\u00e1 l\u00e1: \u201cO Conselho de Ministros (\u2026) pode decidir opor-se \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de decis\u00e3o fundamentada (\u2026) e no respeito pelos princ\u00edpios legais aplic\u00e1veis, em particular o princ\u00edpio da proporcionalidade\u201d. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea que a empresa compradora possa solicitar ao Governo a \u201cconfirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o ser\u00e1 adotada uma decis\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mesma\u201d.<\/p>\n<p>O Estado det\u00e9m 8% da Galp, com a fam\u00edlia Amorim a deter 20% e a Sonangol a ter 16%. O neg\u00f3cio deve ser fechado este ano, mas tem de ser aprovado por reguladores.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cVamos construir na Ib\u00e9ria uma plataforma\u201d que vai contribuir para a \u201cindepend\u00eancia energ\u00e9tica europeia\u201d, disse Maria Jo\u00e3o Carioca&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":249688,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,89,90,445,4851,46802,42664,32,33,24419,27213],"class_list":["post-249687","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-economy","tag-empresas","tag-europa","tag-galp","tag-maria-joao-carioca","tag-moeve","tag-portugal","tag-pt","tag-refinarias","tag-sobrevivencia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115981343953743608","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249687\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/249688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}