{"id":2498,"date":"2025-07-26T13:26:08","date_gmt":"2025-07-26T13:26:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/2498\/"},"modified":"2025-07-26T13:26:08","modified_gmt":"2025-07-26T13:26:08","slug":"nunca-mais-cartas-de-avos-aos-netos-da-revolucao-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/2498\/","title":{"rendered":"Nunca mais \u2014 cartas de av\u00f3s aos netos da Revolu\u00e7\u00e3o | Livro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Queridas Am\u00e9lia e Ol\u00edvia<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTinha 22 anos e estava h\u00e1 dois anos a cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio. Encontrava-me na fragata Jo\u00e3o Belo, em viagem de Cabo Verde para Angola. Eu e os meus camaradas s\u00f3 soubemos da Revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma comunica\u00e7\u00e3o militar francesa, que foi interceptada pelas comunica\u00e7\u00f5es do navio por volta das 19h do 25 de Abril.<\/p>\n<p>(\u2026) Mais tarde, fomos enviados para uma pris\u00e3o pol\u00edtica em Mo\u00e7\u00e2medes para libertar os presos pol\u00edticos. A\u00ed apercebi-me de que a ditadura tinha mesmo acabado.\u201d<\/p>\n<p>Beijinhos dos av\u00f3s Ant\u00f3nio e Rosa, e viva o 25 de Abril<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Embarque&#13;<br \/>\nMaria Rem\u00e9dio                    &#13;<\/p>\n<p><strong>Meu querido netinho Pedro,<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO 25 de Abril de 1974 foi o primeiro grande acontecimento na vida dos teus av\u00f3s, que, com apenas 18 e 16 anos de idade, passaram a viver num pa\u00eds livre.<\/p>\n<p>No dia 25 de Abril de 1974, o av\u00f4 foi trabalhar para a f\u00e1brica de vidro \u00e0s quatro horas da manh\u00e3 \u2014 coisa que fazia desde os 11 anos \u2014 e come\u00e7ou a ouvir que havia uma revolu\u00e7\u00e3o em Lisboa.<\/p>\n<p>A av\u00f3, tamb\u00e9m ao ir trabalhar, come\u00e7ou a ouvir algo na r\u00e1dio. Fic\u00e1mos muito atentos \u00e0s not\u00edcias, que nos davam a ideia de que, finalmente, caminh\u00e1vamos para a liberdade.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, sempre dissemos: \u2018Viva o 25 de Abril, viva a liberdade! Fascismo nunca mais!\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Av\u00f4 Rui e av\u00f3 Maria Lurdes<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Ana Gamito&#13;<br \/>\nAna Gamito                    &#13;<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria futura para as minhas netas Camila e Carolina, <\/strong><\/p>\n<p>\u201cTinha ent\u00e3o 13 anos feitos em Janeiro e os dias eram todos iguais.<\/p>\n<p>(&#8230;) Mor\u00e1vamos numas \u00e1guas furtadas, 4.\u00ba andar, de um pr\u00e9dio sem elevador. Das janelas, tinha uma vista soberba sobre Lisboa: as Amoreiras, o Hotel Ritz, a Penitenci\u00e1ria e o Hospital Militar. (&#8230;) Passei o dia \u00e0 janela do 4.\u00ba andar. Cada vez mais pessoas na rua gritavam palavras de ordem: \u2018Vit\u00f3ria\u2019, \u2018Fascismo nunca mais\u2019, \u2018Abaixo a ditadura\u2019<\/p>\n<p>(\u2026) O sonho tinha come\u00e7ado.\u201d<\/p>\n<p>Av\u00f4 V\u00edtor <\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Povo&#13;<br \/>\nHelen Gruber                    &#13;<\/p>\n<p><strong>Queridas Ol\u00edvia e Am\u00e9lia,<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNo dia 25 de Abril de 1974, acordei de manh\u00e3 em Amesterd\u00e3o com o telefone a tocar. Era um amigo holand\u00eas a dizer-me que estava a acontecer uma revolu\u00e7\u00e3o em Portugal. Sim, o av\u00f4 n\u00e3o estava em Portugal nesse grande dia.<\/p>\n<p>Portugal era um pa\u00eds pobre e triste governado por ditadores que faziam uma guerra contra os povos de Angola, Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9 e Cabo Verde.<\/p>\n<p>(\u2026) Ainda fui militar, mas s\u00f3 por tr\u00eas meses. Desertei. Fui-me embora \u201ca salto\u201d para Paris no in\u00edcio de 1972, atravessando a Espanha, que \u00e9 um pa\u00eds muito grande, onde passei rios com \u00e1gua pela cintura e grandes montanhas como os Piren\u00e9us sempre a p\u00e9. (\u2026) Cheguei a Portugal no dia 9 de Junho de 1974 (\u2026)\u201d<\/p>\n<p>Beijinhos, av\u00f4 Ant\u00f3nio, em \u00c9vora<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Disparo&#13;<br \/>\nMattia Denisse                    &#13;<\/p>\n<p><strong>Meu muito querido sobrinho Henrique,<\/strong><\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Nesse dia, sa\u00ed muito cedo de casa. Eram para a\u00ed umas sete horas da manh\u00e3. Morava eu ent\u00e3o em Almada. Apanhei o barco em Cacilhas. Atravessei o rio Tejo e cheguei ao Terreiro do Pa\u00e7o.<\/p>\n<p>Depois de sair do barco, reparei que a pra\u00e7a estava cheia de soldados e n\u00e3o se podia passar. Dei meia volta e regressei a casa para ouvir as not\u00edcias na r\u00e1dio e tentar saber o que se passava.<\/p>\n<p>Ao ouvir as not\u00edcias, percebi que havia um golpe de Estado para derrubar a ditadura e dar liberdade aos portugueses.<\/p>\n<p>(\u2026) De novo regressei ao Terreiro do Pa\u00e7o. Desta vez, consegui sair do cais e ir at\u00e9 ao Largo do Carmo, onde sabia que estava escondido o primeiro-ministro. Pelo caminho, vi um pide, que era uma esp\u00e9cie de pol\u00edcia que perseguia, prendia e torturava quem n\u00e3o gostava do governo, dar um tiro a um jovem que estava perto de mim. Ainda hoje vejo a camisa branca deste rapaz vermelha de sangue.<\/p>\n<p>Toda a gente que estava na rua correu para apanhar o pide, que fugiu para dentro de um pr\u00e9dio, onde acabou por ser preso por marinheiros (\u2026)\u201d<\/p>\n<p>Espero que gostes desta carta. Um beijinho muito grande do tio Z\u00e9<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Analfabetismo&#13;<br \/>\nMaria Freitas                    &#13;<\/p>\n<p><strong>Maria Rita,<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO 25 de Abril comemora 50 anos. Os teus av\u00f3s maternos esperaram 70 anos, que \u00e9 mais ou menos a nossa idade, para te enviarem uma carta que esperamos que guardes especialmente no teu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(\u2026) O pa\u00eds era muito diferente nessa altura. E era um pa\u00eds muito pobre. Havia muita gente que n\u00e3o sabia ler nem escrever e havia crian\u00e7as que n\u00e3o iam \u00e0 escola e que come\u00e7avam a trabalhar muito novas. Neste contexto, os teus av\u00f3s foram privilegiados, porque puderam estudar.<\/p>\n<p>(\u2026) A Revolu\u00e7\u00e3o abriria portas \u00e0 liberdade, \u00e0 democracia, ao fim da guerra, entre muitas outras conquistas, como escolas, iguais a esta, abertas para todos os meninos e meninas, sem distin\u00e7\u00f5es de qualquer esp\u00e9cie e respeitando a inf\u00e2ncia (\u2026)\u201d<\/p>\n<p>Beijos da tua av\u00f3 Nela e do teu av\u00f4 Jorge<\/p>\n<p><strong>Querido neto Jaime,<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO av\u00f4, no 25 de Abril, estava em plena zona de combate no Norte de Angola, a cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p>(\u2026) Digo-te: todos temos de ser dignos da liberdade e democracia conquistadas, cumprindo cada um os seus deveres de cidad\u00e3o, com dedica\u00e7\u00e3o e honestidade, sempre com esperan\u00e7a, alegria e solidariedade (\u2026)\u201d<\/p>\n<p>O av\u00f4 que te ama, Jaime <\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o de pais e encarregados de educa\u00e7\u00e3o da Escola B\u00e1sica Sampaio Garrido disponibiliza um email para informa\u00e7\u00f5es e partilhas \u00e0 volta do tema do livro: <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/26\/sociedade\/noticia\/mailto:cartasdosavos.25abril@gmail.com\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cartasdosavos.25abril@gmail.com<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Queridas Am\u00e9lia e Ol\u00edvia \u201cTinha 22 anos e estava h\u00e1 dois anos a cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2499,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[1695,1696,169,1615,114,115,237,170,32,33,58],"class_list":{"0":"post-2498","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-50-anos-do-25-de-abril","9":"tag-avos","10":"tag-books","11":"tag-dia-dos-avos","12":"tag-entertainment","13":"tag-entretenimento","14":"tag-livro","15":"tag-livros","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-sociedade"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2498\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}