{"id":250067,"date":"2026-01-30T10:27:14","date_gmt":"2026-01-30T10:27:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/250067\/"},"modified":"2026-01-30T10:27:14","modified_gmt":"2026-01-30T10:27:14","slug":"apesar-do-degelo-ha-ursos-polares-que-estao-a-engordar-arctico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/250067\/","title":{"rendered":"Apesar do degelo, h\u00e1 ursos polares que est\u00e3o a engordar | \u00c1rctico"},"content":{"rendered":"<p>As reservas de gordura dos ursos polares que vivem ao redor do arquip\u00e9lago noruegu\u00eas de Svalbard aumentaram, \u00e0 medida que os n\u00edveis de gelo marinho em todo o \u00c1rctico diminu\u00edram, conclui um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Scientific Reports, do grupo da Nature. Segundo os autores, as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas destes animais estar\u00e3o relacionadas com uma maior disponibilidade e mais f\u00e1cil acesso a presas. Por\u00e9m, no futuro, a perda de gelo pode dificultar a vida aos ursos de Svalbard.<\/p>\n<p>Os autores deste<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-025-33227-9\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> novo estudo<\/a> admitem que as suas descobertas \u201cdiferem das observa\u00e7\u00f5es publicadas anteriormente sobre o decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o de ursos polares, coincidindo com a perda de gelo marinho em todo o \u00c1rctico\u201d.<\/p>\n<p>Outras investiga\u00e7\u00f5es registaram aumentos de temperatura na regi\u00e3o do mar de Barents, ao redor de<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/08\/01\/azul\/foto-legenda\/cinco-graus-acima-normal-degelo-acelera-arquipelago-svalbard-2015795\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> Svalbard<\/a>, de at\u00e9 dois graus Celsius por d\u00e9cada desde 1980. Mas, por outro lado, ap\u00f3s \u201cum censo de 2004, a popula\u00e7\u00e3o de ursos polares do mar de Barents era de aproximadamente 2650 indiv\u00edduos e, at\u00e9 recentemente, n\u00e3o parecia ter diminu\u00eddo em tamanho\u201d. Porqu\u00ea? As raz\u00f5es desta estranha estabilidade em condi\u00e7\u00f5es adversas n\u00e3o eram claras.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Investigadores registam as medidas da boca de um urso polar sedado. A recaptura de ursos marcados em anos anteriores \u00e9 importante para obter dados precisos sobre sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o&#13;<br \/>\nJon Aars \/ Instituto Polar Noruegu\u00eas                    &#13;<\/p>\n<p>Aumento de peso ap\u00f3s o ano de 2000<\/p>\n<p>Jon Aars, do Instituto Polar Noruegu\u00eas, Centro FRAM, Troms\u00f8, na Noruega, liderou a equipa que trabalhou com dados de 1188 registos de medi\u00e7\u00f5es corporais de 770 ursos polares adultos (Ursus maritimus), recolhidos em <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/09\/07\/ciencia\/noticia\/cidade-norte-mundo-linha-frente-alteracoes-climaticas-1885833\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Svalbard<\/a>, Noruega (parte ocidental do mar de Barents), entre 1992 e 2019. \u201cCompararam as mudan\u00e7as no \u00edndice de massa corporal (IMC) dos ursos, um indicador das reservas de gordura e da condi\u00e7\u00e3o corporal, com o n\u00famero de dias sem gelo na regi\u00e3o do mar de Barents ao longo de um per\u00edodo de 27 anos\u201d, refere o comunicado de imprensa sobre o estudo.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 se encontram ursos polares em \u00e1reas \u00e1rcticas com acesso suficiente ao gelo marinho e \u00e0s focas, suas presas. Estudos destacaram efeitos negativos nas condi\u00e7\u00f5es e na demografia em \u00e1reas onde a cobertura de gelo marinho est\u00e1 a diminuir devido ao clima mais quente, mas as condi\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o de ursos polares do mar de Barents ainda n\u00e3o foram examinadas\u201d, escrevem os autores no artigo.<\/p>\n<p>No estudo, calcula-se que durante o per\u00edodo de 27 anos, o n\u00famero de dias sem gelo ter\u00e1 aumentado em aproximadamente para 100 \u2014 a uma taxa de cerca de quatro dias por ano. \u201cA taxa de perda de gelo marinho tem sido consideravelmente mais alta aqui do que em outras \u00e1reas onde vivem ursos polares\u201d, escrevem os cientistas. Mas, por outro lado, o IMC m\u00e9dio dos ursos polares adultos estudados aumentou ap\u00f3s o ano 2000.<\/p>\n<p>Foi avaliado o IMC intr\u00ednseco (estado reprodutivo feminino, idade) e viu-se tanto em machos como em f\u00eameas que esse indicador diminuiu at\u00e9 2000, mas aumentou posteriormente, durante um per\u00edodo de r\u00e1pida perda de gelo marinho. \u201cIsso indica que as reservas de gordura aumentaram \u00e0 medida que os n\u00edveis de gelo marinho diminu\u00edram\u201d, concluem.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Um urso polar fotografado em p\u00e9 sobre o gelo marinho &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nTrine Lise Sviggum Helgerud \/ Instituto Polar Noruegu\u00eas                    &#13;<\/p>\n<p>Menos gelo, mas mais gordos<\/p>\n<p>Identificada a aparente incoer\u00eancia, fica ainda por responder a principal quest\u00e3o. Porque \u00e9 que os ursos est\u00e3o a engordar num ambiente que ser\u00e1 mais hostil? \u201cOs autores sugerem que as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas dos ursos polares de Svalbard podem ser atribu\u00eddas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de presas terrestres, que antes eram muito exploradas pelos seres humanos, como renas (Rangifer tarandus) e morsas (Odobenus rosmarus)\u201d, adianta o comunicado de imprensa.<\/p>\n<p>Em resposta por e-mail ao Azul, Jon Aars comenta os resultados da investiga\u00e7\u00e3o: \u201cFoi inesperado, pois o acesso reduzido ao gelo marinho normalmente limita as oportunidades de ca\u00e7a \u00e0s focas, a sua principal presa. A explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel \u00e9 que os ursos conseguiram compensar essa perda fazendo maior uso dos recursos alimentares em terra, incluindo renas, ovos de aves, aves marinhas, carca\u00e7as de morsas e focas-comuns (que n\u00e3o precisam de gelo marinho)\u201d.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 considerada um indicador precoce de futuras mudan\u00e7as populacionais, portanto, estes resultados sugerem que a popula\u00e7\u00e3o tem sido capaz, at\u00e9 agora, de lidar com as mudan\u00e7as ambientais em curso<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nJon Aars                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Mas a explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser uma poss\u00edvel diminui\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia? Ou seja, se a popula\u00e7\u00e3o de ursos diminuir, h\u00e1 menos animais a competir pelas presas. O principal autor do artigo responde ao Azul taxativamente: \u201cN\u00e3o h\u00e1 menos ursos em Svalbard do que antes de 2000\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 considerada um indicador precoce de futuras mudan\u00e7as populacionais, portanto, esses resultados sugerem que a popula\u00e7\u00e3o tem sido capaz, at\u00e9 agora, de lidar com as mudan\u00e7as ambientais em curso\u201d, resume o cientista.<\/p>\n<p>A equipa de investigadores tamb\u00e9m admite que \u201ca perda do gelo marinho pode levar animais de presa, como focas-aneladas (Pusa hispida), a concentrarem-se em \u00e1reas menores de gelo marinho, o que pode aumentar a efici\u00eancia da ca\u00e7a dos ursos polares\u201d.<\/p>\n<p>Uma boa not\u00edcia, mas&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, conseguimos encontrar uma boa not\u00edcia no meio do preocupante degelo nesta regi\u00e3o? Calma, os cientistas p\u00f5em um trav\u00e3o no entusiasmo. \u00c9 que, se o degelo continuar como se prev\u00ea, esta situa\u00e7\u00e3o pode afectar negativamente as popula\u00e7\u00f5es de Svalbard. A perda de gelo marinho pode aumentar as dist\u00e2ncias que estes animais precisam de percorrer para chegar at\u00e9 \u00e0s \u00e1reas de ca\u00e7a, como j\u00e1 foi observado em outras popula\u00e7\u00f5es de ursos polares.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Um urso polar numa rocha, observa um bando de gaivotas e p\u00e1ssaros em seus ninhos &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nGeir Wing Gabrielsen \/ Instituto Polar Noruegu\u00eas                    &#13;<\/p>\n<p>\u201cEm modelos que inclu\u00edam m\u00e9tricas do gelo marinho e clima (Oscila\u00e7\u00e3o \u00c1rctica), n\u00e3o houve suporte para o efeito negativo previsto do clima mais quente e da perda de habitat. Isso indica uma rela\u00e7\u00e3o complexa entre habitat, estrutura do ecossistema, ingest\u00e3o de energia e gasto de energia\u201d, confirmam.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo passo? \u201cOs pr\u00f3ximos passos s\u00e3o continuar a acompanhar a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, a sobreviv\u00eancia e a reprodu\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que a perda de gelo marinho avan\u00e7a, e compreender melhor onde est\u00e3o os limites dessa capacidade compensat\u00f3ria \u2014 em outras palavras, quanta perda de gelo marinho os ursos polares podem tolerar antes que os efeitos demogr\u00e1ficos negativos se tornem evidentes\u201d, responde Jon Aars.<\/p>\n<p>Por isso, cuidado com conclus\u00f5es definitivas. \u00c9 preciso perceber melhor como as diferentes popula\u00e7\u00f5es de ursos se adaptar\u00e3o ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/21\/azul\/noticia\/degelo-marinho-arctico-desacelerou-apenas-tregua-temporaria-2144487\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">aquecimento do \u00c1rctico<\/a> no futuro. Mas, para j\u00e1, a vida dos ursos polares de Svalbard n\u00e3o parece estar a correr nada mal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As reservas de gordura dos ursos polares que vivem ao redor do arquip\u00e9lago noruegu\u00eas de Svalbard aumentaram, \u00e0&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":250068,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[2335,1353,5291,11267,785,27,28,2271,15,16,12114,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,13492,63,64,65],"class_list":["post-250067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alteracoes-climaticas","tag-animais","tag-aquecimento-global","tag-arctico","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-clima","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-gelo","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-urso","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115983577413630212","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250067\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/250068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}