{"id":25044,"date":"2025-08-11T16:00:07","date_gmt":"2025-08-11T16:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/25044\/"},"modified":"2025-08-11T16:00:07","modified_gmt":"2025-08-11T16:00:07","slug":"ucrania-enfrenta-nova-fase-da-guerra-estradas-blindadas-contra-enxames-de-drones-russos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/25044\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia enfrenta nova fase da guerra: estradas &#8216;blindadas&#8217; contra enxames de drones russos"},"content":{"rendered":"<p>  <a href=\"https:\/\/www.euromaster.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">&#13;<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754928007_113_Automonitor_900x150-1.jpg\" alt=\"Euromaster\" style=\"max-width: 900px; width: 100%; height: auto; display: block; margin: 0 auto;\"\/>&#13;<br \/>\n  <\/a><\/p>\n<p>O som dominante na frente de combate ucraniana j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o das explos\u00f5es ou da artilharia pesada, mas sim o zumbido insistente de \u201cdrones, drones, drones\u201d. Estes ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados representam hoje cerca de 85% das baixas humanas no conflito e est\u00e3o a for\u00e7ar mudan\u00e7as radicais nas t\u00e1ticas de combate e defesa ao longo de toda a linha da frente.<\/p>\n<p>Se em 2022 as trincheiras do Donbass eram comparadas \u00e0s da II Guerra Mundial, o cen\u00e1rio atual aproxima-se mais de um campo de batalha futurista, onde tecnologias de ponta convivem com m\u00e9todos rudimentares, como redes de pesca ou arame de galinheiro, para criar barreiras f\u00edsicas contra os ataques.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos sistemas n\u00e3o tripulados tem sido veloz nos \u00faltimos dois anos, mas 2025 marcou uma viragem decisiva: a introdu\u00e7\u00e3o massiva de drones com controlo por fibra \u00f3tica alterou profundamente a forma como se combate na Ucr\u00e2nia. Estes novos modelos tornaram obsoletos os sistemas de guerra eletr\u00f3nica que bloqueavam sinais de r\u00e1dio, obrigando as for\u00e7as no terreno a recorrerem a obst\u00e1culos f\u00edsicos para travar ataques.<\/p>\n<p>Quando os combates decorrem em campo aberto, e n\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o natural, a \u00fanica alternativa \u00e9 tentar abater estes aparelhos de pequena dimens\u00e3o com espingardas ou ca\u00e7adeiras \u2014 uma imagem que evoca o \u201cvelho oeste\u201d em pleno s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Atualmente, o momento mais perigoso para os soldados ucranianos \u00e9 o trajeto at\u00e9 \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de combate e o regresso a zonas seguras. Os ataques durante estas desloca\u00e7\u00f5es multiplicaram-se, e a perda de efic\u00e1cia das contramedidas eletr\u00f3nicas aumentou significativamente o n\u00famero de baixas antes mesmo de se chegar \u00e0s trincheiras.<\/p>\n<p>Para reduzir a frequ\u00eancia destas viagens mortais, as unidades ucranianas prolongaram as rota\u00e7\u00f5es na frente de combate: operadores de drones, que antes ficavam tr\u00eas ou quatro dias no terreno, permanecem agora entre oito e doze. Na infantaria, h\u00e1 casos em que soldados passam mais de um m\u00eas sem sair das posi\u00e7\u00f5es, recebendo muni\u00e7\u00f5es, \u00e1gua e alimentos lan\u00e7ados por drones ucranianos do tipo \u201cVampiro\u201d.<\/p>\n<p>Mas mesmo com esta redu\u00e7\u00e3o nas desloca\u00e7\u00f5es, ve\u00edculos militares continuam a ter de circular. As medidas de prote\u00e7\u00e3o mais eficazes, segundo os militares, t\u00eam sido as redes de pesca instaladas sobre tro\u00e7os estrat\u00e9gicos de estrada, especialmente ao longo do eixo Kostiantynivka\u2013Pokrovsk. Estes \u201ctectos\u201d improvisados, suspensos por postes de madeira, impedem que drones FPV (vista em primeira pessoa) atinjam os seus alvos, ficando presos nas malhas.<\/p>\n<p>Circular sob estas redes cria um ambiente invulgar, mas tamb\u00e9m um raro momento de menor tens\u00e3o para as tropas a caminho da frente de combate. Em algumas trincheiras, entradas e acessos s\u00e3o ainda protegidos com arame de galinheiro, prevenindo que drones carregados com explosivos se infiltrem por aberturas.<\/p>\n<p><strong>Evacua\u00e7\u00e3o de feridos com drones terrestres<\/strong><br \/>No Donbass, retirar militares feridos tornou-se uma das tarefas mais perigosas. Equipas m\u00e9dicas correm risco extremo de serem atingidas durante o trajeto, e muitas sofreram baixas significativas. Esta situa\u00e7\u00e3o levou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de drones terrestres para evacuar feridos e corpos em v\u00e1rios pontos da frente leste.<\/p>\n<p>Embora estes dispositivos ainda ofere\u00e7am pouca estabilidade \u2014 causando dor adicional devido \u00e0s irregularidades do terreno \u2014, s\u00e3o prefer\u00edveis a permanecer sob fogo inimigo. Outro fator que impulsionou a sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a escassez de ve\u00edculos convencionais: ambul\u00e2ncias militares s\u00e3o frequentemente alvos deliberados das for\u00e7as russas, e muitas j\u00e1 foram destru\u00eddas, obrigando as equipas m\u00e9dicas a deslocar-se em autom\u00f3veis civis, igualmente visados.<\/p>\n<p><strong>Ataques massivos e escassez de meios<\/strong><br \/>A fragilidade do material ucraniano \u00e9 explorada pela R\u00fassia com ataques de drones FPV baratos, armados com cerca de um quilo de explosivo. Por aproximadamente 500 euros, \u00e9 poss\u00edvel destruir uma viatura que custa dezenas de milhares. Lan\u00e7amentos simult\u00e2neos podem inutilizar ambul\u00e2ncias blindadas ou at\u00e9 tanques.<\/p>\n<p>O aumento da quantidade destes aparelhos eleva exponencialmente a sua capacidade destrutiva. S\u00f3 este ano, na regi\u00e3o de Donetsk, estes drones estiveram envolvidos na maioria dos quase 700 mil ataques russos registados.<\/p>\n<p>Ambos os ex\u00e9rcitos tentam proteger viaturas valiosas com estruturas met\u00e1licas semelhantes a jaulas ou blindagem reativa explosiva, mas para ve\u00edculos ligeiros como \u201cpick-ups\u201d pouco h\u00e1 a fazer al\u00e9m de contar com condutores experientes capazes de manobras evasivas r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>Do lado russo, os drones tamb\u00e9m s\u00e3o usados para abrir caminho a ataques de motociclistas armados, uma t\u00e1tica de assalto e sabotagem cada vez mais vis\u00edvel, sobretudo na frente de Pokrovsk, ainda que frequentemente termine em opera\u00e7\u00f5es suicidas.<\/p>\n<p><strong>Bombardeamentos na retaguarda e destrui\u00e7\u00e3o calculada<\/strong><br \/>Longe da linha de combate, cidades ucranianas t\u00eam sofrido bombardeamentos cada vez mais intensos contra alvos civis. Estes ataques, considerados crimes de guerra, s\u00e3o realizados com impunidade, segundo v\u00e1rias fontes.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da invas\u00e3o, o objetivo russo era capturar e manter territ\u00f3rios estrat\u00e9gicos. Mas ap\u00f3s a batalha de Bakhmut \u2014 que caiu em maio de 2023, ap\u00f3s dez meses de combates e dezenas de milhares de mortos \u2014, Moscovo adotou uma estrat\u00e9gia de \u201cterra queimada\u201d, destruindo deliberadamente cidades antes de tentar avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Bombas planeadoras, muni\u00e7\u00e3o incendi\u00e1ria, f\u00f3sforo e diversos tipos de drones, incluindo Shahed e Orlan, t\u00eam sido utilizados para devastar \u00e1reas como Kostiantynivka e Pokrovsk. Se n\u00e3o forem obtidos novos meios de defesa, localidades como Druzhkivka, Kramatorsk e Sloviansk poder\u00e3o ser as pr\u00f3ximas a enfrentar destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto a aten\u00e7\u00e3o internacional se concentra no encontro marcado para 15 de agosto entre Donald Trump e Vladimir Putin, no Alasca, as For\u00e7as Armadas ucranianas preparam-se para um outono que consideram potencialmente o mais devastador da guerra.<\/p>\n<p>Prev\u00ea-se um aumento da intensidade dos ataques contra grandes cidades distantes da frente de combate, colocando press\u00e3o extrema sobre a defesa antia\u00e9rea. \u201cSe a R\u00fassia chegar aos mil drones por noite, n\u00e3o teremos capacidade para os travar\u201d, advertiu o comandante Gris, da Defesa A\u00e9rea Territorial de Kiev, recordando o ataque massivo de julho, o maior desde o in\u00edcio da invas\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda receios quanto ao aumento do poder destrutivo dos drones. \u201cUm \u00fanico Shahed poderia destruir um pr\u00e9dio de cinco andares se os russos aumentarem a carga explosiva para 80 ou 90 quilos\u201d, alertou o comandante de reconhecimento Denys Yaroslavskyi.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a mais inquietante envolve o uso de Intelig\u00eancia Artificial. Segundo o comandante Gris, j\u00e1 existem drones Shahed com capacidade de reconhecimento e seguimento autom\u00e1tico de alvos. Ele alerta para um cen\u00e1rio em que \u201cdrones-m\u00e3e\u201d transportem aparelhos mais pequenos, capazes de identificar e atacar sozinhos soldados, ve\u00edculos blindados ou instala\u00e7\u00f5es industriais. \u201cEstamos a caminhar para uma guerra de m\u00e1quinas\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; &#13; O som dominante na frente de combate ucraniana j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o das explos\u00f5es ou da&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25045,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-25044","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-portugal","12":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25044\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}