{"id":25053,"date":"2025-08-11T16:06:17","date_gmt":"2025-08-11T16:06:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/25053\/"},"modified":"2025-08-11T16:06:17","modified_gmt":"2025-08-11T16:06:17","slug":"acesso-a-livros-de-autores-com-deficiencia-ainda-enfrenta-barreiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/25053\/","title":{"rendered":"Acesso a livros de autores com defici\u00eancia ainda enfrenta barreiras"},"content":{"rendered":"<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Artistas com defici\u00eancia sempre existiram, mas por muito tempo o capacitismo os manteve exclu\u00eddos da cultura brasileira. Ainda hoje, poucos deles s\u00e3o conhecidos ou reconhecidos no pa\u00eds e, no caso da literatura, poucos deles s\u00e3o lidos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cA principal dificuldade dentro da discuss\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/educacao\/literatura-mec-tem-curso-gratuito-para-quem-quer-se-aprofundar-no-tema\/\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">literatura<\/a> \u00e9 reconhecer o sujeito com defici\u00eancia como um sujeito produtor\u201d, destacou a pesquisadora, fil\u00f3loga e escritora Amanda Soares, 25 anos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Criadora do perfil no Instagram chamado PCD Perigosa, Amanda refor\u00e7a que a <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/entretenimento\/dia-da-literatura-brasileira-5-livros-de-autores-nacionais-para-conhecer\/\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">literatura<\/a> \u00e9 um caminho para que as hist\u00f3rias de vida dessas pessoas com defici\u00eancia sejam conhecidas. No entanto, destaca ela, essas narrativas ainda s\u00e3o pouco acess\u00edveis no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cA literatura \u00e9 respons\u00e1vel por fazer com que a gente guarde a mem\u00f3ria do mundo e com que a gente tamb\u00e9m reflita sobre um tempo espec\u00edfico do mundo. Ela \u00e9 respons\u00e1vel por documentar cada tempo. Mas o que a gente sabe sobre pessoas com defici\u00eancia para al\u00e9m de acessibilidade e inclus\u00e3o? Por isso \u00e9 preciso estudar as narrativas de pessoas com defici\u00eancia, principalmente aquelas que s\u00e3o criadas sobre elas\u201d, disse ela \u00e0 Ag\u00eancia Brasil antes de dar uma oficina sobre Liter Def \u2014 literatura produzida por e para pessoas com defici\u00eancia \u2014 na Festa Liter\u00e1ria Internacional do Pelourinho, a Flipel\u00f4, que acontece no centro hist\u00f3rico de Salvador.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Uma dificuldade encontrada por esses escritores, exemplificou Amanda, \u00e9 conseguir participar de festas liter\u00e1rias, como a Flipel\u00f4, onde poderiam divulgar seus trabalhos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cPouqu\u00edssimos autores conseguem chegar aqui por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es financeiras ou estruturais porque o corpo com defici\u00eancia precisa de muito mais para conseguir se estabelecer. E a arte no Brasil \u00e9 complicada, insalubre para qualquer corpo. Ent\u00e3o, para um corpo que precisa demais, \u00e9 bem complicado falar sobre essa visibilidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Participar dessas festas liter\u00e1rias, defende Amanda, seria extremamente importante tanto para os escritores Liter Def quanto para seus leitores. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que a gente esteja presente fisicamente porque a literatura PCD [pessoa com defici\u00eancia], em geral, acaba se propagando no digital, que \u00e9 muito importante, mas o contato f\u00edsico ou o contato humano \u00e9 muito significativo para a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria porque \u00e9 a partir dele que a gente entende as caracter\u00edsticas de humanidade. Eu me reconhe\u00e7o em voc\u00ea e voc\u00ea, mesmo sendo uma jornalista que n\u00e3o tem uma defici\u00eancia, se reconhece em mim em v\u00e1rios pontos porque a gente se atravessa. Esse tipo de contato \u00e9 primordial para um autor com defici\u00eancia, inclusive para uma rede de contatos de trabalhos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Mapeamento<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O universo desses escritores PCD ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido no Brasil. Mas, no ano passado, o Minist\u00e9rio da Cultura e a Universidade Federal da Bahia come\u00e7aram a fazer um levantamento para mapear artistas, agentes culturais e profissionais com ou sem defici\u00eancia que atuam na \u00e1rea da acessibilidade cultural. Chamado de Mapeamento Acessa Mais, o projeto busca identificar esses profissionais em todo o territ\u00f3rio brasileiro com o objetivo de fomentar a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que possam tornar a cultura brasileira mais acess\u00edvel e inclusiva.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Esses dados, diz o minist\u00e9rio, ser\u00e3o fundamentais para garantir que o setor cultural seja inclusivo e atenda \u00e0s necessidades e demandas de artistas e profissionais com defici\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O mapeamento, destaca Amanda, vai ajudar a dimensionar a <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/entretenimento\/de-biblia-a-50-tons-de-cinza-veja-os-livros-mais-marcantes-para-brasileiros\/\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">produ\u00e7\u00e3o<\/a> e, principalmente, ajudar a conhecer os autores PCD do pa\u00eds. \u201cAcho que falta uma profundidade para trabalhar pessoas com defici\u00eancia dentro da literatura e dentro dos demais assuntos. N\u00f3s ficamos sempre [focando] no ponto da acessibilidade e inclus\u00e3o, s\u00f3 que eu acredito que a acessibilidade e a inclus\u00e3o s\u00e3o [apenas] ferramentas. Mas quem usa essas ferramentas? Se a gente soubesse mais sobre o sujeito, a gente defenderia melhor as ferramentas, justamente porque a gente saberia o por qu\u00ea que ele as utiliza. \u00c9 a partir do sujeito que se estuda todas as outras coisas\u201d.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Ela tamb\u00e9m defende que esse levantamento poder\u00e1 ajudar a desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficientes para essa popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode ser baseada somente em cotas. \u201cO fato de haver cota n\u00e3o necessariamente garante que a pessoa vai conseguir acessar a cota\u201d, diz ela.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">As cotas s\u00e3o super importantes mas, muitas vezes, a gente est\u00e1 definindo qual corpo vai conseguir acessar essa cota porque o corpo que tem defici\u00eancia intelectual, por exemplo, vai precisar de um terceiro para conseguir chegar at\u00e9 l\u00e1. Talvez falte uma pol\u00edtica p\u00fablica voltada a como preencher esses formul\u00e1rios e a identificar esses artistas e conseguir direcion\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A programa\u00e7\u00e3o da Flipel\u00f4 se encerrou no domingo (10).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Artistas com defici\u00eancia sempre existiram, mas por muito tempo o capacitismo os manteve exclu\u00eddos da cultura brasileira. 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