{"id":25171,"date":"2025-08-11T17:31:09","date_gmt":"2025-08-11T17:31:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/25171\/"},"modified":"2025-08-11T17:31:09","modified_gmt":"2025-08-11T17:31:09","slug":"estudo-sobre-impacto-do-clima-no-pib-mundial-tinha-um-erro-basta-corrigi-lo-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/25171\/","title":{"rendered":"Estudo sobre impacto do clima no PIB mundial tinha um erro. Basta corrigi-lo? | Clima"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, um artigo publicado na revista cient\u00edfica Nature fazia uma afirma\u00e7\u00e3o radical: a economia mundial j\u00e1 estava a caminho de perder 19% do Produto Interno Bruto (PIB) global at\u00e9 2050, em compara\u00e7\u00e3o com o que teria sido sem as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em 2100, num cen\u00e1rio de emiss\u00f5es elevadas, previa-se que o PIB mundial seria 62% inferior ao que seria sem altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Mas uma nova an\u00e1lise encontrou um problema nos dados que distorcia essa conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o mundo estivesse mesmo j\u00e1 a caminho da <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09320-4\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">perda de 19% do PIB mundial<\/a>, o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ser\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/04\/18\/azul\/noticia\/estragos-alteracoes-climaticas-custam-seis-vezes-reduzir-emissoes-2087377\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">tr\u00eas vezes superiores \u00e0s estimativas <\/a>anteriores. \u00c9 compreens\u00edvel que isto tenha desencadeado o alarme de que o aquecimento global estivesse j\u00e1 a prejudicar muito mais do que se pensava a economia mundial.<\/p>\n<p>O estudo do reputado Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Clima de Potsdam, na Alemanha, teve grande impacto nas redes sociais; de acordo com uma an\u00e1lise efectuada pela ag\u00eancia brit\u00e2nica Carbon Brief, foi o segundo documento mais citado nos media em 2024. A an\u00e1lise e o conjunto de dados do documento, entretanto, foram utilizados para planeamento financeiro pelo Governo dos Estados Unidos (EUA), Banco Mundial e por outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um problema, de acordo com uma nova an\u00e1lise, feita por cientistas norte-americanos, e publicado tamb\u00e9m na revisa <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09320-4\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Nature<\/a>: os resultados do estudo tinham ficado distorcidos porque estavam errados os dados provenientes de um pa\u00eds da \u00c1sia Central &#8211; o Uzbequist\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o novo c\u00e1lculo, os efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sobre a economia devem ser tr\u00eas vezes mais reduzidos, adianta a AFP. Mas os autores do estudo inicial contestam tamb\u00e9m esta conclus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Se o Uzbequist\u00e3o for retirado do conjunto de dados, as previs\u00f5es diminuem substancialmente &#8211; de 62% de perda de PIB em 2100 para 23% e de 19% em 2050 para 6%<\/strong>, disse ao Washington Post Solomon Hsiang, director do Laborat\u00f3rio de Pol\u00edticas Globais da Universidade de Stanford e um dos autores do novo coment\u00e1rio, publicado na semana passada, que corrige os dados do artigo publicado h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>\u201cToda a gente que trabalha com dados tem a responsabilidade de os analisar e de se certificar de que s\u00e3o adequados \u00e0 sua finalidade\u201d, afirmou Solomon \u200bHsiang.<\/p>\n<p>Erros sim, mas ainda \u00e9 v\u00e1lido<\/p>\n<p>Os autores do artigo original defendem, contudo, que a <a href=\"https:\/\/www.pik-potsdam.de\/en\/news\/latest-news\/nature-study-on-economic-damages-from-climate-change-revised\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">an\u00e1lise continua a ser v\u00e1lida<\/a>, apenas precisa de ser corrigida, dizem em comunicado. O erro relativo ao Uzbequist\u00e3o, dizem, deveu-se a problemas com a forma como os dados originais foram processados. Numa an\u00e1lise adicional, corrigiram os dados do Uzbequist\u00e3o e alteraram tamb\u00e9m a forma como o modelo controlava as tend\u00eancias econ\u00f3micas subjacentes.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos que, ao fazer isso, as nossas estimativas tornam-se mais robustas\u201d, disse \u00e0 ag\u00eancia noticiosa AFP Maximilian Kotz, do Instituto de Potsdam.<\/p>\n<p>As contas, uma vez feitas com nova metodologia, divergem das dos cientistas norte-americanos. <strong>Utilizando este m\u00e9todo alterado, obtiveram resultados que coincidem de perto com as suas conclus\u00f5es originais. Em vez de 19% de danos at\u00e9 2050, por exemplo, a nova an\u00e1lise mostra 17%.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEstamos gratos, e penso que \u00e9 uma boa parte do processo cient\u00edfico o facto de terem apontado estas quest\u00f5es\u201d, disse Leonie Wenz, professora de Economia Ambiental na Universidade T\u00e9cnica de Berlim e co-autora do estudo inicial. \u201cMas o mais importante \u00e9 que as principais <a href=\"http:\/\/www.pik-potsdam.de\/en\/news\/latest-news\/nature-study-on-economic-damages-from-climate-change-revised\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">conclus\u00f5es do estudo se mant\u00eam<\/a> e as estimativas sofreram apenas ligeiras altera\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs preju\u00edzos econ\u00f3micos causados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas at\u00e9 meados deste s\u00e9culo v\u00e3o ser substanciais e ultrapassam os custos da mitiga\u00e7\u00e3o [redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa]. Estes preju\u00edzos s\u00e3o causados sobretudo pelas mudan\u00e7as de temperatura e afectam mais as regi\u00f5es com baixos rendimentos e que historicamente s\u00e3o respons\u00e1veis por emitir menos gases de estufa\u201d, diz o Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Clima de Potsdam, em comunicado.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Muitos outros estudos confirmam que os preju\u00edzos causados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o maiores do que reduzir as emiss\u00f5es de gases de estufa&#13;<br \/>\nLINDSEY PARNABY\/EPA                    &#13;<\/p>\n<p>Estes resultados, agora revistos, s\u00e3o consistentes com o que outros cientistas t\u00eam conclu\u00eddo relativamente aos impactos econ\u00f3micos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, frisam os cientistas da institui\u00e7\u00e3o alem\u00e3.<\/p>\n<p>Altos e baixos no Uzbequist\u00e3o<\/p>\n<p>Solomon Hsiang e os co-autores, os estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Tom Bearpark e Dylan Hogan, descobriram o erro removendo um pa\u00eds de cada vez do conjunto de dados. Todos os outros pa\u00edses que retiraram apenas alteraram ligeiramente as previs\u00f5es do PIB. Mas quando o Uzbequist\u00e3o foi retirado, os resultados mudaram drasticamente.<\/p>\n<p>De seguida, analisaram mais de perto os dados do Uzbequist\u00e3o. E perceberam que houve uma verdadeira montanha-russa com o PIB deste pa\u00eds. Caiu drasticamente no ano 2000, quase 90%. Em 2010, o PIB registou um aumento de mais de 90% em algumas regi\u00f5es. Noutros anos, registaram-se tamb\u00e9m grandes oscila\u00e7\u00f5es. De acordo com o Banco Mundial, o crescimento do Uzbequist\u00e3o nos \u00faltimos 40 anos tem sido bastante modesto. Varia entre uma perda de 0,2% e um crescimento de 7,7%.<\/p>\n<p>Essas oscila\u00e7\u00f5es foram t\u00e3o dr\u00e1sticas que dominaram o modelo usado para os c\u00e1lculos do artigo, que relacionava as altera\u00e7\u00f5es de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o com o crescimento econ\u00f3mico. O resultado foi um modelo que mostrava que o PIB sofreria fortes impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Mas as altera\u00e7\u00f5es feitas pela equipa do Instituto de Potsdam exigiram mudan\u00e7as na metodologia do trabalho, pelo que os cr\u00edticos continuam c\u00e9pticos. \u201cA ci\u00eancia n\u00e3o funciona alterando a configura\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia para obter a resposta que se pretende\u201d, disse Hsiang ao Washington Post. \u201cEsta abordagem \u00e9 anti\u00e9tica e contr\u00e1ria ao m\u00e9todo cient\u00edfico\u201d.<\/p>\n<p>Nature prepara resposta<\/p>\n<p>O que \u00e9 que pode resultar desta pol\u00e9mica em torno de dados cient\u00edficos? Karl Ziemelis, editor-chefe de ci\u00eancias f\u00edsicas e aplicadas da revista Nature, disse tanto \u00e0 AFP como ao di\u00e1rio norte-americano que os estudos est\u00e3o a ser analisados, e que ser\u00e3o \u201ctomadas medidas editoriais adequadas assim que o assunto fosse resolvido\u201d. Ou seja, pode vir a ser emitida uma correc\u00e7\u00e3o oficial em breve.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia tem funcionado, e sempre funcionar\u00e1, atrav\u00e9s de um processo de constante interroga\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o, quer seja durante o curso da investiga\u00e7\u00e3o, na revis\u00e3o por pares ou na avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-publica\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescentou <a href=\"https:\/\/masterclasses.nature.com\/karl--ziemelis\/16285442\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Karl Ziemelis<\/a> ao Washington Post.<\/p>\n<p>Frances Moore, professora de Economia Ambiente na Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, que n\u00e3o esteve envolvida em nenhum dos estudos, concorda que a correc\u00e7\u00e3o alterou as implica\u00e7\u00f5es da investiga\u00e7\u00e3o inicial. As projec\u00e7\u00f5es s\u00e3o de um desaceleramento \u201cmuito grande, que excede em muito os custos de reduzir as emiss\u00f5es de fases cm efeito de estufa\u201d, disse \u00e0 AFP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 pouco mais de um ano, um artigo publicado na revista cient\u00edfica Nature fazia uma afirma\u00e7\u00e3o radical: a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25172,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[2335,785,27,28,8654,109,2271,15,16,14,541,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-25171","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alteracoes-climaticas","9":"tag-azul","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-carbono","13":"tag-ciencia","14":"tag-clima","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-investigacao-cientifica","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-world","36":"tag-world-news","37":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}