{"id":252843,"date":"2026-02-01T17:49:09","date_gmt":"2026-02-01T17:49:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/252843\/"},"modified":"2026-02-01T17:49:09","modified_gmt":"2026-02-01T17:49:09","slug":"joana-venceu-premio-da-melhor-jovem-agricultora-da-europa-porque-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/252843\/","title":{"rendered":"Joana venceu pr\u00e9mio da melhor jovem agricultora da Europa. Porqu\u00ea? | Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Com a voz da sua experi\u00eancia, fala para os agricultores de Portugal: \u201cV\u00e3o em frente, mas adaptem-se ao que n\u00e3o conseguimos controlar.\u201d \u00c9 preciso pensar no que nos pode dar a nossa terra, sem pressa nem press\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, conclui, \u201cn\u00e3o h\u00e1 futuro\u201d.<\/p>\n<p>Joana Vacas Freixa tem 38 anos e est\u00e1 j\u00e1 a aproximar-se do limite da idade para ser considerada uma jovem agricultora. Apesar de ter atr\u00e1s de si quatro gera\u00e7\u00f5es de agricultores na Herdade da Torre, com 22 hectares, na regi\u00e3o de Alc\u00e1cer do Sal, no <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/alentejo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alentejo<\/a>, as mudan\u00e7as que fez nas suas terras s\u00e3o recentes.<\/p>\n<p>Licenciada e mestre em Gest\u00e3o de Empresas pela Nova SBE, a jovem agricultora apresentou no in\u00edcio de 2025 uma candidatura ao Plano Estrat\u00e9gico da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum (PEPAC), que a levou a ser distinguida como Jovem Agricultora do Ano no Concurso Nacional de Jovens Agricultores, uma iniciativa da Confedera\u00e7\u00e3o dos Agricultores de Portugal (CAP).<\/p>\n<p>No final de 2025, venceu o Pr\u00e9mio de Melhor Jovem Agricultora da Europa, na categoria de Desenvolvimento Rural e Sustentabilidade, durante a 11.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Congresso Europeu de Jovens Agricultores, onde representou Portugal.<\/p>\n<p>Procur\u00e1mos perceber a raz\u00e3o desta distin\u00e7\u00e3o. Joana Vacas Freixa explica o que mudou para a gest\u00e3o sustent\u00e1vel de montado de sobro e fala no novo ciclo, iniciado em 2024, com a reactiva\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de gado ovino, apostando na valoriza\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a aut\u00f3ctone do merino preto.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que o seu projecto tem de diferente?<\/strong><br \/>O projecto consiste em tr\u00eas grandes \u00e1reas de actua\u00e7\u00e3o. A primeira passa por reintroduzir na explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, na zona de Alc\u00e1cer do Sal, uma ra\u00e7a aut\u00f3ctone de gado ovino que \u00e9 o merino preto. At\u00e9 aqui a aposta era na ovelha merina branca.<\/p>\n<p><strong>Porqu\u00ea esta ra\u00e7a? Foi por se adequar melhor \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/strong><br \/>Adequa-se muito bem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da regi\u00e3o. \u00c9 uma ra\u00e7a aut\u00f3ctone, r\u00fastica e as ra\u00e7as r\u00fasticas s\u00e3o normalmente animais mais rijos e mais fortes. \u00c9 tamb\u00e9m uma ra\u00e7a hist\u00f3rica, que tem estado um pouco esquecida no mercado portugu\u00eas.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Joana Freixa apostou na ra\u00e7a aut\u00f3ctone de gado ovino que \u00e9 o merino preto&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p><strong>Por que \u00e9 que tem sido esquecida? N\u00e3o d\u00e1 lucro? \u00c9 mais exigente em termos de cuidados?<\/strong><br \/>N\u00e3o, \u00e9 o contr\u00e1rio. D\u00e1 at\u00e9 mais lucro do que as outras. \u00c9 verdade que os animais s\u00e3o mais caros, a compra de efectivo que s\u00e3o as ovelhas reprodutoras. Mas estes animais s\u00e3o muito r\u00fasticos, duram muito tempo, s\u00e3o animais que produzem, fazem filhos muito facilmente.<\/p>\n<p><strong>Quantos t\u00eam agora?<\/strong><br \/>Neste momento, aproximadamente 300. Tamb\u00e9m tenho alguns borregos. Comecei com zero no Ver\u00e3o de 2024, quando comprei o primeiro lote de 70, e em dois ou tr\u00eas anos gostaria de ter mil.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da reintrodu\u00e7\u00e3o desta ra\u00e7a, que mudan\u00e7as fizeram nesta herdade com 400 hectares?<\/strong><br \/>Consegui a autoriza\u00e7\u00e3o ambiental, que \u00e9 obrigat\u00f3ria, para a execu\u00e7\u00e3o de dois furos para capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, que ser\u00e3o explorados com energia solar. A ideia \u00e9 canalizar toda esta \u00e1gua por toda a explora\u00e7\u00e3o de forma a maximizar a actividade extensiva, melhorar as pastagens e, nomeadamente, a zona de sobreiros.<\/p>\n<p><strong>E a terceira \u00e1rea de actua\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>A terceira \u00e9 uma forma de planear o pastoreio de uma maneira mais eficiente, sustent\u00e1vel. No fundo, \u00e9 ter cercas mais pequenas, em que o gado passa per\u00edodos mais curtos. Desta forma, conseguimos dar mais descanso ao solo para haver uma regenera\u00e7\u00e3o mais eficiente e sustent\u00e1vel da pastagem. Isto \u00e9 um bocadinho t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A Herdade da Torre, em Alc\u00e1cer do Sal&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o, \u00e9 importante. Explique-me melhor essa op\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\u00c9 a ideia do descanso do solo, que normalmente n\u00e3o \u00e9 feita dessa forma. No Alentejo, estes animais s\u00e3o levados e deixados durante mais tempo em \u00e1reas grandes, largados no campo. O que eu e outros agricultores pretendemos, nomeadamente os agricultores mais jovens, \u00e9 ter o gado em pequenas parcelas durante um per\u00edodo curto, e roda. Assim, aquele solo tem mais descanso e consegue-se regenerar a pastagem de uma maneira mais natural.<\/p>\n<p><strong>Tem quantas pequenas \u00e1reas destas?<\/strong><br \/>Neste momento temos apenas 14 ou 15, mas a ideia \u00e9 duplic\u00e1-las. Ou triplic\u00e1-las.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e pol\u00edtica em que n\u00f3s vivemos, acho que devemos perceber que o tema da soberania alimentar \u00e9 cada vez mais relevante. O mundo pode dar as voltas que vai dar, mas n\u00f3s precisamos de todos de comer, comida na mesa, n\u00e3o \u00e9? <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nJoana Vacas Freixa                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p><strong>Mas isso requer a aquisi\u00e7\u00e3o de mais terra?<\/strong><br \/>N\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 fazer cercas. Cercas fixas ou m\u00f3veis.<\/p>\n<p><strong>Em que fase est\u00e1 o projecto a n\u00edvel geral?<\/strong><br \/>Estou a finalizar os furos da parte da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. E a instala\u00e7\u00e3o da energia solar tamb\u00e9m est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p><strong>Mas teve que avan\u00e7ar dinheiro para isso ou n\u00e3o?<\/strong><br \/>Tive que avan\u00e7ar dinheiro, que depois ser\u00e1 a parte reembolsada.<\/p>\n<p><strong>Acha que os agricultores portugueses est\u00e3o a ser apoiados para mudar as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas?<\/strong><br \/>Pela minha experi\u00eancia, que passa por um projecto de jovem agricultora, acho que os apoios que temos s\u00e3o uma mais-valia no mercado portugu\u00eas (que vai sendo definido por regras comunit\u00e1rias) para pessoas que querem iniciar ou reiniciar uma actividade no sector agr\u00edcola. \u00c9 fundamental que continuem. \u00c9 realmente importante ter incentivos \u00e0 instala\u00e7\u00e3o para iniciar a actividade agr\u00edcola, porque \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais desafios?<\/strong><br \/>\u00c9 um sector de rentabilidades baixas e, muitas vezes, s\u00e3o precisos muitos anos at\u00e9 se conseguir o equil\u00edbrio e o retorno do investimento feito. Se n\u00e3o houver estas ajudas, \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m cultiva cereais e arroz para alimentar o gado, para uma maior autonomia. Porque \u00e9 que a sustentabilidade foi importante para o seu projecto?<\/strong><br \/>Por v\u00e1rios motivos. Acredito que se consegue fazer muitas vezes o mesmo de uma forma diferente e gastando menos. A agricultura que conheci no passado era muito \u00e0 base de passar m\u00e1quinas, gastar combust\u00edvel, gradar, mexer a terra, e, no fundo, os benef\u00edcios, com os anos, n\u00e3o eram assim tantos. Por outro lado, vivemos num pa\u00eds que est\u00e1 geograficamente numa zona em que a escassez de \u00e1gua \u00e9 um problema, apesar de que a verdade \u00e9 que neste \u00faltimo ano e meio tem sido uma excep\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p><strong>Sim, segundo os dados do IPMA do boletim sobre 2025, j\u00e1 n\u00e3o chovia tanto em Portugal h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.<\/strong><br \/>\u00c9 verdade. Agora, aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sabemos se isso vai permanecer, n\u00e3o \u00e9? Provavelmente n\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil fazer essas previs\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Por\u00e9m, na regi\u00e3o do Alentejo tudo indica que a falta de \u00e1gua vai continuar a ser um problema grave\u2026<\/strong><br \/>O Alentejo e o Algarve s\u00e3o regi\u00f5es onde <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/04\/azul\/noticia\/seca-vender-animais-nao-perder-dilema-alentejo-sequeiro-2055501\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a falta de \u00e1gua \u00e9 um problema<\/a> e ser\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos, \u00e9 evidente. Portanto, o que \u00e9 que temos de fazer? Temos que conseguir continuar a ter recursos saud\u00e1veis, neste caso \u00e1rvores, pastagens e solos. Com Ver\u00f5es mais de extremos no que se refere ao calor, por exemplo, temos de conseguir manter o equil\u00edbrio. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es que nenhum de n\u00f3s controla directamente. E foi isso que procurei fazer.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Temos de fazer mais com menos \u00e1gua, mas tamb\u00e9m com menos agress\u00e3o ao ambiente. Temos de deixar que a pr\u00f3pria natureza desenvolva o que tem de bom<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nJoana Vacas Freixa                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p><strong>Adaptar-se?<\/strong><br \/>Sim, temos de fazer mais com menos \u00e1gua, mas tamb\u00e9m com menos agress\u00e3o ao ambiente. Temos de deixar que a pr\u00f3pria natureza desenvolva o que tem de bom.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m temos de contar com fen\u00f3menos mais extremos mais frequentes. Como vai gerir estes problemas? <\/strong><br \/>Com preven\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o, pensando uma vis\u00e3o mais de m\u00e9dio a longo prazo, e tamb\u00e9m tentar procurar uma agricultura que requer menos \u00e1gua. \u00c9 uma forma de proteger os nossos recursos naturais, fomentar o que a pr\u00f3pria biodiversidade nos d\u00e1 de maneira natural. No fundo, tentar tirar o melhor do que temos, porque n\u00e3o vamos conseguir mudar as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Temos de perceber se as culturas que estamos a fazer s\u00e3o adequadas. Acho que houve alguns erros no passado. Tent\u00e1mos p\u00f4r certos produtos, neste caso, produtos lucrativos, em zonas onde a terra terra e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcias ou que consomem muitos recursos. Temos casos \u00f3bvios em Portugal e no Alentejo em particular.<\/p>\n<p>Se a nossa terra d\u00e1 para este g\u00e9nero de produtos, porque \u00e9 que estou a procurar uma que n\u00e3o \u00e9 claramente adaptada \u00e0s minhas condi\u00e7\u00f5es? N\u00e3o vou produzir anan\u00e1s em Alc\u00e1cer do Sal, certo?<\/p>\n<p><strong>V\u00ea esse esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>Isso n\u00e3o tem acontecido. A agricultura em Portugal tem sido muito explorada <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/04\/06\/azul\/opiniao\/agricultura-intensiva-alentejo-continua-dar-maus-resultados-2086038\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">de forma intensiva<\/a>. Tirar o m\u00e1ximo e o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Isso tem de mudar, porque temos de preservar e manter aquilo que \u00e9 a nossa terra de uma maneira sustent\u00e1vel e equilibrada. Daqui a 100 anos, n\u00e3o vamos ter como o fazer.<\/p>\n<p><strong>Sem adapta\u00e7\u00e3o, a agricultura em Portugal n\u00e3o tem futuro?<\/strong><br \/>N\u00e3o h\u00e1 futuro. Mas tamb\u00e9m penso que esta mudan\u00e7a de mentalidade \u00e9 algo que j\u00e1 est\u00e1 a acontecer. Acho que as novas gera\u00e7\u00f5es pensam de maneira diferente.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>A agricultura em Portugal tem sido muito explorada de forma intensiva, a explorar o m\u00e1ximo que se pode. Tirar o m\u00e1ximo e o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Isso tem que mudar, porque temos que preservar e manter aquilo que \u00e9 a nossa terra de uma maneira sustent\u00e1vel e equilibrada<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nJoana Vacas Freixa                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p><strong>Uma vez que est\u00e1 a passar por esta experi\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 algum conselho que possa dar a quem est\u00e1 a arrega\u00e7ar as mangas, queira mudar a agricultura e esteja a tentar singrar?<\/strong><br \/>Antes de mais, diria que acho que n\u00e3o devemos desistir do sector agr\u00edcola em Portugal. Come\u00e7a por a\u00ed. Somos um pa\u00eds com uma \u00e1rea agr\u00edcola muito relevante. E tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e pol\u00edtica em que vivemos, devemos perceber que o tema da soberania alimentar \u00e9 cada vez mais relevante. O mundo pode dar as voltas que der, mas todos precisamos de comer, comida na mesa, n\u00e3o \u00e9? Comida que temos condi\u00e7\u00f5es \u00f3ptimas para produzir.<\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9 um desafio\u2026<\/strong><br \/>Sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil iniciar uma actividade em que a rentabilidade \u00e9 baixa, em que os benef\u00edcios s\u00e3o baixos e demoram muito tempo a vir. Portanto, isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas acho que n\u00e3o devemos desistir. Ao longo deste ano, tenho tido muitas oportunidades de estar com muitos jovens, vejo que h\u00e1 cada vez mais vontade de entrar e vejo que h\u00e1 pessoas com muita forma\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea, que t\u00eam realmente capacidade de trazer uma vis\u00e3o diferente para a agricultura.<\/p>\n<p><strong>E tratar as nossas terras de uma forma diferente, com outro respeito?<\/strong><br \/>Com outro respeito, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida. Com outro respeito e de uma maneira eficiente, porque \u00e9 assim: no final do dia, vamos ser sinceros, a agricultura \u00e9 um neg\u00f3cio como outro qualquer. Portanto, temos que conseguir fazer mais com menos. Por \u00faltimo, acho que \u00e9 importante haver projectos que realmente tornem esta actividade aliciante e atractiva. E, em particular, projectos para jovens, abaixo dos 40 anos. Caso contr\u00e1rio, \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a parte inovadora da sua abordagem?<\/strong><br \/>Sinceramente n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto \u00e9 que \u00e9 mais inovador. O pr\u00e9mio que ganhei foi sobre desenvolvimento rural e sustentabilidade. At\u00e9 diria que o meu projecto passa sobretudo por reintroduzir uma esp\u00e9cie aut\u00f3ctone, a preocupa\u00e7\u00e3o pela soberania alimentar, e depois a tal gest\u00e3o de uma forma eficiente e sustent\u00e1vel da terra e do solo. Acho que h\u00e1 outros projectos no sector muito mais inovadores.<\/p>\n<p><strong>No meio da nossa conversa, n\u00e3o ficou claro o conselho a quem quer investir neste sector. Apesar de tudo, \u00e9 \u201cv\u00e3o em frente\u201d?<\/strong><br \/>Sim, v\u00e3o em frente, mas adaptem-se ao que n\u00e3o conseguimos controlar. T\u00eam que tomar decis\u00f5es racionais pensando naquilo que nos pode dar a terra onde estamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com a voz da sua experi\u00eancia, fala para os agricultores de Portugal: \u201cV\u00e3o em frente, mas adaptem-se ao&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":252844,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[562,1467,288,964,785,27,28,15,16,14,25,26,352,21,22,12,13,19,20,4907,32,23,24,33,3204,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-252843","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-agricultura","9":"tag-agua","10":"tag-alentejo","11":"tag-ambiente","12":"tag-azul","13":"tag-breaking-news","14":"tag-breakingnews","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-local","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-pecuaria","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-sustentabilidade","33":"tag-top-stories","34":"tag-topstories","35":"tag-ultimas","36":"tag-ultimas-noticias","37":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115996640172343202","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=252843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252843\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/252844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=252843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=252843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=252843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}