{"id":255009,"date":"2026-02-03T08:32:08","date_gmt":"2026-02-03T08:32:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/255009\/"},"modified":"2026-02-03T08:32:08","modified_gmt":"2026-02-03T08:32:08","slug":"exclusivo-maior-apreensao-de-cocaina-em-portugal-semi-submersivel-pode-ser-da-principal-organizacao-criminosa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/255009\/","title":{"rendered":"Exclusivo. Maior apreens\u00e3o de coca\u00edna em Portugal: semi\u2011submers\u00edvel pode ser da principal organiza\u00e7\u00e3o criminosa brasileira"},"content":{"rendered":"<p>\t                Pol\u00edcias investigam poss\u00edvel envolvimento do PCC. Perito explica o funcionamento desta esp\u00e9cie de m\u00e1fia brasileira do crime que domina toda a log\u00edstica do tr\u00e1fico de droga desde a selva amaz\u00f3nica at\u00e9 ao consumidor europeu<\/p>\n<p>O semi-submers\u00edvel que transportava 9 toneladas de coca\u00edna &#8211; a maior apreens\u00e3o de droga alguma vez feita em Portugal -, detectado no final de janeiro nos A\u00e7ores, podia pertencer a uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras. O Exclusivo da TVI apurou que esta \u00e9 uma das suspeitas da investiga\u00e7\u00e3o, bem como que o alerta recebido inicialmente dizia que estariam a caminho duas embarca\u00e7\u00f5es do mesmo g\u00e9nero.\u00a0<\/p>\n<p>A suspeita de que a droga pertence ao Primeiro Comando da Capital (PCC) &#8211; a maior organiza\u00e7\u00e3o criminosa brasileira &#8211; tamb\u00e9m existe do outro lado do Atl\u00e2ntico.\u00a0<\/p>\n<p>Rodrigo Duton, pol\u00edcia no Rio de Janeiro e pesquisador na \u00e1rea do crime organizado transnacional explica que \u201co PCC \u00e9 o grande hub log\u00edstico desse tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de coca\u00edna\u201d, com capacidade de \u201cpegar as drogas nos pa\u00edses andinos e fazer chegar aos consumidores\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Normalmente o PCC tem brasileiros nas suas opera\u00e7\u00f5es e neste caso os quatro tripulantes detidos tinham nacionalidades colombiana e venezuelana, mas isso n\u00e3o impede Rodrigo Duton de acreditar que a droga seria desta organiza\u00e7\u00e3o: \u201cTemos sempre de considerar que os criminosos n\u00e3o s\u00e3o bobos. Se \u00e9 mais do que sabido que o PCC usa nacionais brasileiros, porque n\u00e3o \u2018batizar\u2019 um colombiano ou um venezuelano e traz\u00ea-lo para a organiza\u00e7\u00e3o? Temos de investigar isso\u201d, diz o especialista, que recorda que o PCC tem caracter\u00edsticas da m\u00e1fia italiana, nomeadamente atrav\u00e9s de ritos de passagem &#8211; chamados de \u2018baptismos\u2019 &#8211; que permitem aos criminosos entrar na organiza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Tr\u00eas semi-submers\u00edveis em menos de um ano <\/p>\n<p>Apesar de ser um m\u00e9todo de tr\u00e1fico com d\u00e9cadas do outro lado do Oceano Atl\u00e2ntico para levar droga da Am\u00e9rica do Sul para a Am\u00e9rica Central e depois para os EUA, na Europa o primeiro semi-submers\u00edvel apenas foi detectado em 2019 na Galiza, Espanha.\u00a0<\/p>\n<p>Em Portugal a primeira embarca\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero foi detectada em mar\u00e7o de 2025, mas desde a\u00ed j\u00e1 foi encontrada outra em novembro e agora uma terceira no final deste janeiro de 2026 &#8211; sendo imposs\u00edvel saber se outros semi-submers\u00edveis passaram sem ser detectados pelas autoridades.\u00a0<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o do final de janeiro teve a colabora\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria com autoridades dos Estados Unidos da Am\u00e9rica e do Reino Unido, num trabalho conjunto entre a PJ, Marinha e For\u00e7a A\u00e9rea.\u00a0<\/p>\n<p>Produzidas no meio da selva para enfrentar o oceano <\/p>\n<p>De constru\u00e7\u00e3o rudimentar, Rodrigo Duton explica que estas embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas de forma camuflada na selva Amaz\u00f3nica, algures entre o Brasil e a Col\u00f4mbia. Cada piloto pode receber cerca de 35 mil euros por viagem, enquanto que um tripulante poder\u00e1 rondar os 8 mil euros.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOperar uma embarca\u00e7\u00e3o rudimentar e atravessar um oceano\u2026 n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil&#8221;, afirma o pol\u00edcia e acad\u00e9mico brasileiro que tem estudado as organiza\u00e7\u00f5es criminosas transnacionais.<\/p>\n<p>Fibra de vidro e madeira <\/p>\n<p>Apesar de muitos lhes chamarem \u201csubmarinos\u201d, os especialistas preferem identific\u00e1-los como \u201csemi-submers\u00edveis\u201d tendo em conta que n\u00e3o t\u00eam capacidade para ficar totalmente submersos com \u00e1gua.\u00a0<\/p>\n<p>A sua constru\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com fibra de vidro e madeira para escapar aos radares e detectores t\u00e9rmicos, num formato que permite ficar quase ao n\u00edvel da \u00e1gua &#8211; camuflados pelas ondas -, apenas com uma pequena parte de fora para que o motor possa funcionar e para que os gases emitidos pela coca\u00edna num espa\u00e7o fechado n\u00e3o sejam insuport\u00e1veis para os tripulantes.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O semi-submers\u00edvel encontrado no final de janeiro no mar dos A\u00e7ores transportava 300 fardos de coca\u00edna &#8211; cerca de 9 toneladas &#8211; que valiam centenas de milh\u00f5es de euros no mercado Europeu.<\/p>\n<p>Coca\u00edna para lanchas r\u00e1pidas <\/p>\n<p>As embarca\u00e7\u00f5es semi-submers\u00edveis navegam normalmente longe da costa para evitar que sejam detectadas. O transbordo da droga costuma ser feito em alto mar para um barco de pesca ou para uma lancha r\u00e1pida como aquelas que t\u00eam sido cada vez mais encontradas na costa de Portugal Continental.\u00a0<\/p>\n<p>O PCC, que a investiga\u00e7\u00e3o suspeita que pode estar na origem da droga agora apreendida,\u00a0 tem sido identificado como uma das principais amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a nacional, levando as pol\u00edcias portuguesas a falar e colaborar com as autoridades brasileiras.\u00a0<\/p>\n<p>O \u00faltimo n\u00famero conhecido apontava para perto de uma centena de membros desta multinacional do crime a viver em territ\u00f3rio portugu\u00eas.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos l\u00edderes do PCC foi preso h\u00e1 dois meses em Cascais, onde vivia num condom\u00ednio de luxo que custaria 7 mil euros de renda por m\u00eas.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pol\u00edcias investigam poss\u00edvel envolvimento do PCC. 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