{"id":255152,"date":"2026-02-03T10:51:08","date_gmt":"2026-02-03T10:51:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/255152\/"},"modified":"2026-02-03T10:51:08","modified_gmt":"2026-02-03T10:51:08","slug":"robos-humanoides-saem-dos-laboratorios-e-transformam-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/255152\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4s humanoides saem dos laborat\u00f3rios e transformam neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p>        J\u00e1 est\u00e3o a integrar ambientes de trabalho humanos, transportando caixas, inspecionando produtos e realizando tarefas repetitivas. O mercado global avaliado em 2,77 mil milh\u00f5es de euros em 2024, projeta atingir 55,7 mil milh\u00f5es de euros at\u00e9 2032, impulsionado por inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, redu\u00e7\u00e3o de custos e escassez de m\u00e3o de obra.    <\/p>\n<p>A quest\u00e3o se os rob\u00f4s v\u00e3o tirar os empregos aos humanos ainda n\u00e3o \u00e9 clara, apesar de um <a href=\"http:\/\/local\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estudo da Universal Robotics<\/a> intitulado Relat\u00f3rio sobre o Estado da Automa\u00e7\u00e3o Industrial 2025, que envolveu oito pa\u00edses europeus, e mais de dois mil profissionais, revelar que 86% dos inquiridos s\u00e3o a favor da implementa\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s no local de trabalho. S\u00f3 3% manifestaram resist\u00eancia. De facto, os entrevistados acreditam que estes criar\u00e3o mais empregos do que os que ser\u00e3o eliminados at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Da ind\u00fastria autom\u00f3vel \u00e0s cozinhas industriais, a automa\u00e7\u00e3o, processo ou uso da tecnologia para realizar tarefas humanas era muitas vezes vista como uma amea\u00e7a a manter o posto de trabalho. Afinal, os rob\u00f4s n\u00e3o fazem greve, n\u00e3o tiram folgas, nem f\u00e9rias. Est\u00e3o sempre bem-dispostos, a n\u00e3o ser quando falha a eletricidade ou ocorre uma avaria. Este \u00e9 um cen\u00e1rio que parece sa\u00eddo de um filme de Hollywood. \u00c9 caso para dizer, parafraseando a s\u00e9tima arte: em breve, numa sala perto de si, poder\u00e1 ter um rob\u00f4 como colega de trabalho. A realidade \u00e9 que estes j\u00e1 est\u00e3o a sair dos laborat\u00f3rios e a entrar nas empresas.<\/p>\n<p><strong>Cada vez mais humanos\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto os rob\u00f4s industriais, como bra\u00e7os mec\u00e2nicos e m\u00e1quinas fixas, continuam a dominar as f\u00e1bricas, os rob\u00f4s humanoides representam a nova fronteira dos neg\u00f3cios. A sua forma semelhante \u00e0 humana permite-lhes operar em ambientes concebidos para pessoas, circular em espa\u00e7os estreitos e executar tarefas variadas, algo que os rob\u00f4s tradicionais ainda n\u00e3o conseguem fazer sem adapta\u00e7\u00f5es dispendiosas. \u00c9 a primeira vez que competem com humanos. Est\u00e3o a ser utilizados para movimento de caixas, manuseamento de materiais, trabalho em linhas de montagem e inspe\u00e7\u00e3o da qualidade do trabalho.<\/p>\n<p>Um dos exemplos mais citados \u00e9 o do Digit, um rob\u00f4 humanoide com cerca de 1,75 metros de altura, desenvolvido pela Agility Robotics. Desde 2024, que este opera num armaz\u00e9m da Spanx, na Ge\u00f3rgia (Estados Unidos), onde transporta caixas entre tapetes rolantes e prateleiras de armazenamento. Com joelhos que se dobram para tr\u00e1s, uma solu\u00e7\u00e3o de engenharia pouco convencional, este move-se em ambientes desenhados para humanos, sem necessidade de infraestruturas totalmente novas. Mais do que uma demonstra\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, trata-se do primeiro caso amplamente reconhecido de um rob\u00f4 humanoide a gerar receita direta numa opera\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que ainda s\u00e3o beb\u00e9s gigantes de tit\u00e2nio, caem, s\u00e3o lentos, e hesitam perante algumas tarefas, mas j\u00e1 est\u00e3o nas empresas a ser testados. Um dos maiores produtores chineses, a UBTech, admitiu ao Finantial Times (FT) que os seus rob\u00f4s Walker S2 conseguem atingir apenas uma efici\u00eancia de 30% a 50% comparado com um trabalhador humano, mas apenas em tarefas pontuais como empilhar caixas ou fazer controlo de qualidade. \u201cA empresa espera alcan\u00e7ar 80% de efici\u00eancia humana at\u00e9 2027, o que seria um salto consider\u00e1vel e um sinal de progresso, mas ainda longe da autonomia total. Estes n\u00fameros refletem os desafios t\u00e9cnicos e log\u00edsticos de dotar um rob\u00f4 com capacidade para \u201cpensar, mover-se e agir\u201d como um ser humano, incluindo energia pr\u00f3pria, coordena\u00e7\u00e3o de movimentos complexos e versatilidade de tarefas\u201d, explica o FT.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o do<a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/mgi\/our-research\/agents-robots-and-us-skill-partnerships-in-the-age-of-ai\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"> McKinsey Global Institute intitulada Agents, robtos, and us: Skill partnerships in the age of AI<\/a>, indica que, em teoria, as tecnologias atuais poderiam automatizar cerca de 57% das horas de trabalho nos Estados Unidos. Por\u00e9m, o estudo sublinha que este valor representa apenas o potencial t\u00e9cnico de automatiza\u00e7\u00e3o das tarefas e n\u00e3o a elimina\u00e7\u00e3o direta de postos de trabalho. O relat\u00f3rio afirma que as organiza\u00e7\u00f5es s\u00f3 obter\u00e3o ganhos econ\u00f3micos reais se permitirem que pessoas e rob\u00f4s trabalhem em conjunto de forma eficaz, o que exige a revis\u00e3o de processos, fun\u00e7\u00f5es, cultura organizacional e m\u00e9tricas de desempenho.<\/p>\n<p><strong>Mercado e proje\u00e7\u00f5es: crescimento gigantesco (mas com cautela)<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos desafios t\u00e9cnicos ainda existentes, as perspetivas de mercado s\u00e3o impressionantes. O\u00a0mercado global de rob\u00f4s humanoides passou de 3,28 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 2,77 mil milh\u00f5es de euros) em 2024 para uma proje\u00e7\u00e3o de 66 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (\u2248 55,7 mil milh\u00f5es de euros) at\u00e9 2032. A Goldman Sachs aponta para um valor interm\u00e9dio de cerca de 38 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 32,1 mil milh\u00f5es de euros) em 2035, sinalizando uma trajet\u00f3ria de crescimento agressiva, impulsionada tanto por avan\u00e7os t\u00e9cnicos como por press\u00f5es econ\u00f3micas no mercado de trabalho.<\/p>\n<p data-start=\"2174\" data-end=\"2606\">A escassez de m\u00e3o de obra, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o em economias desenvolvidas e o aumento dos custos salariais t\u00eam levado muitas empresas a reconsiderar a automa\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio dos rob\u00f4s industriais tradicionais, normalmente fixos e altamente especializados, os rob\u00f4s humanoides prometem versatilidade: podem trabalhar em espa\u00e7os existentes, executar tarefas variadas e adaptar-se mais facilmente a mudan\u00e7as nos processos.<\/p>\n<p data-start=\"2656\" data-end=\"3059\">Outro fator determinante para a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 a descida acentuada dos custos, cerca de 40%. Em 2023, o pre\u00e7o de fabrico de um rob\u00f4 humanoide variava entre 50.000 e 250.000 d\u00f3lares (entre 42.000 a 211.000 euros por unidade). Em 2024, esses valores ca\u00edram para uma faixa entre 30.000 e 150.000 d\u00f3lares (entre 25.000 a 127.000 euros), com alguns modelos a surgirem no mercado por cerca de 16.000 d\u00f3lares (cerca de 13.500 euros).<\/p>\n<p data-start=\"3061\" data-end=\"3475\">Esta redu\u00e7\u00e3o deve-se a v\u00e1rios fatores: baterias mais baratas, economias de escala e a reutiliza\u00e7\u00e3o de componentes provenientes da ind\u00fastria dos ve\u00edculos el\u00e9tricos. Paralelamente, est\u00e3o a surgir novos modelos de comercializa\u00e7\u00e3o, que permite \u00e0s empresas pagar uma mensalidade ou um valor por hora de utiliza\u00e7\u00e3o, em vez de um investimento inicial elevado.<\/p>\n<p data-start=\"3061\" data-end=\"3475\"><strong>Reconvers\u00e3o de neg\u00f3cios e planos ambiciosos<\/strong><\/p>\n<p>Elon Musk, uma figura central no mundo da tecnologia, sem d\u00favida estudou o potencial de mercado e conhece os n\u00fameros. Talvez, por isso, a Tesla, l\u00edder global em autom\u00f3veis el\u00e9tricos seja um bom exemplo desta mudan\u00e7a estrat\u00e9gica. Ap\u00f3s uma queda de 46% no lucro anual em 2025, a empresa anunciou que est\u00e1 a afastar-se dos seus modelos el\u00e9tricos mais antigos (Model S e Model X) para apostar num futuro centrado em IA, autonomia e rob\u00f3tica.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o destes ve\u00edculos est\u00e1 a ser convertido numa f\u00e1brica dedicada ao rob\u00f4 humanoide Optimus, que a Tesla espera produzir em larga escala at\u00e9 ao final de 2026 e comercializar a partir de 2027. J\u00e1 construiu 1000 prot\u00f3tipos que j\u00e1 est\u00e3o a operar dentro da sua pr\u00f3pria f\u00e1brica. O rob\u00f4 est\u00e1 a ser pensado para realizar tarefas dom\u00e9sticas e industriais e o pre\u00e7o estimado \u00a0\u00e9 de 30 mil d\u00f3lares (cerca de 25 mil euros).<\/p>\n<p>Mas, apesar dos avan\u00e7os, o \u201crob\u00f4 independente\u201d continua a necessitar de uma interven\u00e7\u00e3o humana, mesmo que n\u00e3o seja met\u00e1lica. As evid\u00eancias apontam que a substitui\u00e7\u00e3o total dos humanos por rob\u00f4s \u00e9 improv\u00e1vel no futuro pr\u00f3ximo. O que est\u00e1 em curso \u00e9 uma redefini\u00e7\u00e3o do trabalho: os rob\u00f4s assumem tarefas perigosas, repetitivas ou indesejadas, enquanto os humanos se concentram na criatividade, na supervis\u00e3o e na tomada de decis\u00e3o. Mais, a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da bateria \u00e9 de 2 a 8 horas, obrigando a fazer pausas, os padr\u00f5es de seguran\u00e7a ainda est\u00e3o em desenvolvimento e a maioria dos rob\u00f4s n\u00e3o possui certifica\u00e7\u00e3o de \u201cseguran\u00e7a cooperativa\u201d para trabalhar diretamente com humanos, pelo que est\u00e3o sob vigil\u00e2ncia rigorosa.<\/p>\n<p>A pergunta mudou. Agora \u00e9 como \u00e9 que os rob\u00f4s ser\u00e3o integrados no trabalho. O verdadeiro diferencial competitivo j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em quem automatiza mais depressa, mas em quem consegue combinar tecnologia e pessoas para criar valor sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Quantos rob\u00f4s j\u00e1 operam nas empresas?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.robot-forum.com\/article\/40-world-robotics-report-2025-summary\/?utm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">World Robotics 2025,<\/a> foram instalados 542 mil rob\u00f4s em f\u00e1bricas de todo o mundo em 2024, o segundo valor mais elevado de sempre. O n\u00famero total de rob\u00f4s operacionais ultrapassou os 4,66 milh\u00f5es de unidades a n\u00edvel mundial, o que representa um crescimento de cerca de 9% face ao ano anterior, apesar das press\u00f5es macroecon\u00f3micas. \u201cA transi\u00e7\u00e3o para a era digital e automatizada est\u00e1 a ser marcada por um aumento muito significativo da procura\u201d, sublinha Takayuki Ito, presidente da International Federation of Robotics (IFR), num comunicado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1374564 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-4.png\" alt=\"\" width=\"791\" height=\"315\"  \/><\/p>\n<p>Um estudo do Barclays, citado pela TechRadar, refere que os avan\u00e7os na perce\u00e7\u00e3o, controlo de movimentos e redu\u00e7\u00e3o de custos tornaram estes rob\u00f4s vi\u00e1veis para tarefas industriais, log\u00edsticas e de armaz\u00e9m. \u201cO custo, que h\u00e1 uma d\u00e9cada chegava aos milh\u00f5es de d\u00f3lares, ronda atualmente os 100 mil d\u00f3lares, cerca de 92 mil euros.\u201d<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o continente mais robotizado?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a<a href=\"https:\/\/ifr.org\/ifr-press-releases\/news\/global-robot-demand-in-factories-doubles-over-10-years?ut\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"> IFR<\/a>, \u00a0\u00c1sia domina o mercado mundial, concentrando 74% das novas instala\u00e7\u00f5es em 2024, muito \u00e0 frente da Europa (16%) e das Am\u00e9ricas (9%).<\/p>\n<p>No centro desta din\u00e2mica est\u00e1 a China, que se afirma de forma clara como a principal pot\u00eancia mundial da rob\u00f3tica industrial. Em 2024, instalou cerca de 295 mil rob\u00f4s industriais, representando, 54% do total mundial, e j\u00e1 tem mais de dois milh\u00f5es de rob\u00f4s industriais em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mesma fonte afirma n\u00e3o haver sinais de abrandamento neste mercado. \u201cA automa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria chinesa continua a abrir novos mercados e existe margem para um crescimento m\u00e9dio anual de cerca de 10% at\u00e9 2028.\u201d<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o, ocupa o segundo lugar. Em 2024, instalou 44 500 rob\u00f4s, o que representa uma ligeira descida de 4%, mas mant\u00e9m um stock operacional de 450 500 unidades. A Coreia do Sul registou 30.600 instala\u00e7\u00f5es, mantendo uma trajet\u00f3ria est\u00e1vel desde 2019. A \u00cdndia, por sua vez, continua a crescer: com 9.100 unidades instaladas, subindo para o sexto lugar mundial, impulsionada sobretudo pelo setor autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Na Europa, as instala\u00e7\u00f5es diminu\u00edram 8%, cifrando-se nas 85 mil unidades, o que ainda assim constitui o segundo melhor resultado da hist\u00f3ria. A Alemanha manteve-se como o maior mercado europeu e o quinto maior a n\u00edvel mundial, com 26.982 unidades instaladas, uma quebra de 5% face ao recorde de 2023. It\u00e1lia e Fran\u00e7a registaram descidas mais acentuadas, enquanto Espanha subiu para o terceiro lugar europeu, impulsionada pela ind\u00fastria autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>No Reino Unido, as instala\u00e7\u00f5es ca\u00edram 35%, para 2500 unidades, ap\u00f3s um pico excecional em 2023 associado a incentivos fiscais tempor\u00e1rios. O pa\u00eds ocupa agora a 19.\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial. J\u00e1 nas Am\u00e9ricas, foram instalados 50 100 rob\u00f4s em 2024, o que representa uma queda de 10% face ao ano anterior, mas mantendo-se acima das 50 mil unidades pelo quarto ano consecutivo.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos concentraram 68% do total regional, com 34.200 unidades. O dinamismo do mercado norte-americano continua a assentar nos integradores de sistemas e na automa\u00e7\u00e3o do setor autom\u00f3vel. A IFR considera que o setor da rob\u00f3tica industrial mant\u00e9m um trajeto estruturalmente positivo. As instala\u00e7\u00f5es globais dever\u00e3o ultrapassar a marca das 700 mil unidades anuais at\u00e9 2028., com uma taxa m\u00e9dia de crescimento na ordem dos 7%.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1374557 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1770115868_142_image-1.png\" alt=\"\" width=\"761\" height=\"302\"  \/><\/p>\n<p>Em 2024, a ind\u00fastria eletr\u00f3nica tornou-se o principal destino dos rob\u00f4s industriais, ultrapassando pela primeira vez o setor autom\u00f3vel. Os dados do relat\u00f3rio de rob\u00f3tica de 2025 indicam tamb\u00e9m que o n\u00famero de unidades instaladas neste segmento foi 7% inferior ao registado em 2023. O crescimento mais significativo verificou-se na ind\u00fastria alimentar, com um aumento not\u00e1vel de 42% nas novas instala\u00e7\u00f5es. Seguiram-se os setores dos pl\u00e1sticos e da qu\u00edmica, com uma subida de 18%, e o metal\u00fargico, com um crescimento de 16%.<\/p>\n<p data-start=\"570\" data-end=\"737\">Os rob\u00f4s colaborativos mantiveram a sua popularidade, com 64.542 unidades instaladas ao longo do ano, o que corresponde a um aumento de 12% face ao per\u00edodo anterior. No universo dos rob\u00f4s de servi\u00e7o, as aplica\u00e7\u00f5es em log\u00edstica e transporte destacaram-se claramente, concentrando cerca de 52% do total das instala\u00e7\u00f5es em 2024, num total de 102.925 unidades. O setor hoteleiro surgiu em segundo lugar, com 21% (42.030 unidades), seguido do setor da limpeza profissional, com 13% (25.527 unidades), e do setor da agricultura, com 10% (19.487 unidades).<\/p>\n<p>Os rob\u00f4s m\u00e9dicos foram analisados \u00e0 parte e apresentaram um crescimento particularmente acentuado: foram instaladas 16.700 novas unidades, o que representa um aumento excecional de 91%. Dentro deste segmento, os rob\u00f4s cir\u00fargicos cresceram 41%, os de reabilita\u00e7\u00e3o duplicaram (+106%) e os destinados ao diagn\u00f3stico e \u00e0 an\u00e1lise laboratorial registaram um impressionante aumento de 610%.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1374558 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-3.png\" alt=\"\" width=\"818\" height=\"443\"  \/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Mais transforma\u00e7\u00e3o do que substitui\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1?<\/b><\/p>\n<p data-start=\"4007\" data-end=\"4575\">H\u00e1, contudo, uma linha de pensamento que acredita na colabora\u00e7\u00e3o homem-rob\u00f4. No estudo Human Capital Robotic Integration and Value Creation for Organizations, publicado por investigadores da <a href=\"https:\/\/www.binghamton.edu\/news\/story\/6025\/replacing-human-workers-robots-collaboration-new-study-binghamton\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Universidade de Binghamton<\/a>, os autores defendem que os rob\u00f4s tendem a ser complementares ao trabalho humano, sobretudo em contextos complexos e intensivos em conhecimento, como a sa\u00fade, a engenharia, a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. \u201cNestes setores, os rob\u00f4s n\u00e3o eliminam fun\u00e7\u00f5es humanas, mas ampliam capacidades, aumentam a precis\u00e3o e reorganizam a forma como o trabalho \u00e9 realizado\u201d, destaca o estudo.<\/p>\n<p data-start=\"5015\" data-end=\"5721\">Este modelo assenta em dois processos centrais. O primeiro \u00e9 a amplifica\u00e7\u00e3o, em que os trabalhadores utilizam melhor as compet\u00eancias que j\u00e1 t\u00eam, com maior efici\u00eancia, precis\u00e3o ou criatividade. O segundo processo \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o, em que a intera\u00e7\u00e3o com sistemas inteligentes conduz \u00e0 aprendizagem de novas compet\u00eancias, ao desenvolvimento de novas formas de pensar e \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio profissional. Um exemplo recorrente \u00e9 o da cirurgia assistida por rob\u00f4s, em que a tecnologia n\u00e3o substitui os cirurgi\u00f5es, mas amplia a sua destreza, melhora a visualiza\u00e7\u00e3o e exige novas formas de coordena\u00e7\u00e3o entre equipas m\u00e9dicas, resultando em melhores resultados cl\u00ednicos e num capital humano mais especializado.<\/p>\n<p data-start=\"5723\" data-end=\"6048\">A investiga\u00e7\u00e3o deixa um aviso claro; as empresas que utilizam rob\u00f4s apenas para substituir trabalhadores podem perder vantagem competitiva, j\u00e1 que a estrat\u00e9gia pode ser facilmente replic\u00e1vel pelos concorrentes. Em contrapartida, as organiza\u00e7\u00f5es que adotam uma vis\u00e3o complementar, promovendo a colabora\u00e7\u00e3o entre humanos e rob\u00f4s, tendem a melhorar a coordena\u00e7\u00e3o, o trabalho de equipa e o compromisso dos colaboradores, transformando o capital humano num recurso dif\u00edcil de imitar.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/mgi\/our-research\/agents-robots-and-us-skill-partnerships-in-the-age-of-ai\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">McKinsey Global Institute intitulada Agents, robtos, and us: Skill partnerships in the age of AI<\/a>, destaca tamb\u00e9m que, em vez de eliminar profiss\u00f5es inteiras, a IA tende a reconfigurar atividades no \u00e2mbito das fun\u00e7\u00f5es existentes, libertando tempo humano para tarefas de maior valor acrescentado, como julgamento, supervis\u00e3o, criatividade, relacionamento interpessoal e tomada de decis\u00e3o em contextos complexos. Talvez por este motivo, a compet\u00eancia cuja procura tem vindo a crescer mais \u00e9 a flu\u00eancia em IA, entendida como a capacidade de utilizar, supervisionar e integrar ferramentas de IA no trabalho quotidiano.<\/p>\n<p data-start=\"5723\" data-end=\"6048\">Em apenas dois anos, a procura por esta compet\u00eancia aumentou sete vezes, superando qualquer outra categoria nos an\u00fancios de emprego. Este crescimento n\u00e3o se fica pelas profiss\u00f5es tecnol\u00f3gicas, estendendo-se a setores como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os financeiros, ind\u00fastria e com\u00e9rcio. Em paralelo, cresce tamb\u00e9m a procura de compet\u00eancias complementares, como otimiza\u00e7\u00e3o de processos, controlo de qualidade, ensino e supervis\u00e3o de sistemas inteligentes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"J\u00e1 est\u00e3o a integrar ambientes de trabalho humanos, transportando caixas, inspecionando produtos e realizando tarefas repetitivas. 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