{"id":256827,"date":"2026-02-04T18:00:20","date_gmt":"2026-02-04T18:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/256827\/"},"modified":"2026-02-04T18:00:20","modified_gmt":"2026-02-04T18:00:20","slug":"tarifas-dos-eua-podem-ter-impacto-negativo-de-300-milhoes-por-ano-na-regiao-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/256827\/","title":{"rendered":"Tarifas dos EUA podem ter impacto negativo de 300 milh\u00f5es por ano na regi\u00e3o norte"},"content":{"rendered":"<p>        Estudo da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Porto alerta para o impacto da \u2018guerra comercial\u2019 dos Estados Unidos na economia portuguesa em geral \u2013 mas que ser\u00e1 mais sentido a norte, uma vez que \u00e9 a regi\u00e3o mais exportadora: 300 milh\u00f5es no volume de neg\u00f3cios e 121 milh\u00f5es no VAB.    <\/p>\n<p>Workers walk past stacked shipping containers at a commercial port in Vladivostok, Russia October 22, 2021. REUTERS\/Tatiana Meel<\/p>\n<p>Um estudo da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Porto (ACP-CCIP), desenvolvido pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), conclui que o aumento das tarifas aduaneiras impostas pelos Estados Unidos \u00e0 Uni\u00e3o Europeia \u201cter\u00e1 um impacto global moderado na economia portuguesa, mas fortemente concentrado em determinados setores e regi\u00f5es, com especial incid\u00eancia na regi\u00e3o norte\u201d. De facto, o norte \u00e9, enquanto regi\u00e3o NUTS II (distritos do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragan\u00e7a), a maior exportadora do pa\u00eds, representando cerca de 35% do valor total das exporta\u00e7\u00f5es nacionais, com uma forte presen\u00e7a de empresas exportadoras (42% do total regional), sendo um motor crucial da economia portuguesa, especialmente nos setores industriais e de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio central, que admite uma tarifa geral de 15% sobre as exporta\u00e7\u00f5es europeias para os EUA, \u201cestima-se que as exporta\u00e7\u00f5es portuguesas de bens para aquele mercado possam diminuir entre 300 e 370 milh\u00f5es de euros num ano, o que corresponde a uma quebra de cerca de 7% face a 2024\u201d. Esta redu\u00e7\u00e3o, refere ainda o estudo, \u201cpoder\u00e1 traduzir-se numa diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional entre 680 e 840 milh\u00f5es de euros, numa perda de 215 a 270 milh\u00f5es de euros de VAB e na elimina\u00e7\u00e3o de 4.500 a seis mil postos de trabalho, acompanhada por uma diminui\u00e7\u00e3o significativa do montante global das remunera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O estudo indica que, no cen\u00e1rio analisado, a regi\u00e3o Norte vai concentrar \u201cmais de 36% do impacto negativo na produ\u00e7\u00e3o (acima dos 302 milh\u00f5es de euros para o pior cen\u00e1rio de uma quebra de 840 milh\u00f5es), mais de 45% ao n\u00edvel do VAB (121 milh\u00f5es de euros para o mesmo cen\u00e1rio), quase metade no que respeita \u00e0s remunera\u00e7\u00f5es (mais de 50 milh\u00f5es de euros) e mais de metade (quase 55%) no que se refere ao emprego (uma quebra de quase 3.300 postos de trabalho)\u201d.<\/p>\n<p>Os setores mais afetados s\u00e3o os dos produtos petrol\u00edferos e derivados, ferro e a\u00e7o, t\u00eaxteis, produtos de borracha e equipamento el\u00e9trico, registando-se, em termos relativos, quebras particularmente expressivas em atividades industriais com elevada exposi\u00e7\u00e3o ao mercado norte-americano.<\/p>\n<p>O estudo, intitulado \u2018Altera\u00e7\u00f5es Geopol\u00edticas e Guerra Comercial: Cen\u00e1rios, Impactos e Recomenda\u00e7\u00f5es de Pol\u00edtica\u2019, analisa os efeitos econ\u00f3micos da nova orienta\u00e7\u00e3o protecionista da Administra\u00e7\u00e3o norte-americana, considerando diferentes cen\u00e1rios tarif\u00e1rios e avaliando o impacto nas exporta\u00e7\u00f5es, na produ\u00e7\u00e3o, no emprego e no valor acrescentado bruto (VAB) da economia portuguesa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Regi\u00e3o Norte particularmente vulner\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise evidencia uma forte heterogeneidade geogr\u00e1fica dos impactos. \u201cA regi\u00e3o norte surge como a mais vulner\u00e1vel, concentrando mais de metade da perda estimada de emprego, bem como uma parcela substancial das quebras em produ\u00e7\u00e3o, VAB e remunera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para Nuno Botelho, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Porto, \u201ceste estudo confirma, com base cient\u00edfica rigorosa, aquilo que muitas empresas j\u00e1 come\u00e7am a sentir no terreno: a crescente instabilidade do com\u00e9rcio internacional tem efeitos assim\u00e9tricos e penaliza de forma particular regi\u00f5es com forte base industrial e exportadora, como o Norte do pa\u00eds\u201d. O presidente da ACP-CCIP destaca ainda que \u201cantecipar estes impactos \u00e9 essencial para que empresas e decisores pol\u00edticos possam reagir atempadamente e com medidas eficazes\u201d.<\/p>\n<p>O estudo alerta para o facto de os impactos estimados refletirem apenas os efeitos diretos do aumento das tarifas, n\u00e3o incorporando riscos adicionais, como um eventual abrandamento econ\u00f3mico da Uni\u00e3o Europeia, o desvio de investimento produtivo para os EUA ou o aumento da concorr\u00eancia internacional nos mercados europeus.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os servi\u00e7os, embora n\u00e3o sujeitos a tarifas, poder\u00e3o ser afetados pelas tens\u00f5es geopol\u00edticas, com destaque para o turismo, os transportes e os servi\u00e7os de base tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Segundo \u00d3scar Afonso, Diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, \u201capesar de o impacto agregado poder ser classificado como moderado, a sua concentra\u00e7\u00e3o setorial e regional amplifica os riscos econ\u00f3micos e sociais, o que exige uma leitura prudente e pol\u00edticas p\u00fablicas bem calibradas\u201d.<\/p>\n<p>O acad\u00e9mico acrescenta que \u201ca principal mensagem do estudo \u00e9 a necessidade de refor\u00e7ar a resili\u00eancia da economia portuguesa, reduzindo depend\u00eancias excessivas e apostando na diversifica\u00e7\u00e3o de mercados e no aumento do valor acrescentado das exporta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Perante este contexto, o estudo defende uma resposta coordenada, ao n\u00edvel europeu e nacional, apontando v\u00e1rias prioridades: aprofundamento do Mercado \u00danico europeu; celebra\u00e7\u00e3o e ratifica\u00e7\u00e3o c\u00e9lere de novos acordos comerciais; refor\u00e7o dos instrumentos de financiamento ao investimento; apoios seletivos aos setores e regi\u00f5es mais expostos, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o norte; promo\u00e7\u00e3o ativa da diversifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das exporta\u00e7\u00f5es, identificando oportunidades em mercados de \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e \u00c1sia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Porto alerta para o impacto da \u2018guerra comercial\u2019 dos Estados Unidos na economia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":256828,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,47799,89,90,413,8376,988,32,33,47800],"class_list":["post-256827","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-economia-do-norte","tag-economy","tag-empresas","tag-eua","tag-exportacoes","tag-norte","tag-portugal","tag-pt","tag-tarifas-dos-eua"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116013670722374561","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256827"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256827\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/256828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}