{"id":260054,"date":"2026-02-07T08:44:14","date_gmt":"2026-02-07T08:44:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260054\/"},"modified":"2026-02-07T08:44:14","modified_gmt":"2026-02-07T08:44:14","slug":"quando-os-continentes-tentam-separar-se-sem-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260054\/","title":{"rendered":"Quando os continentes tentam separar-se (sem sucesso)"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Lake_Superior,_ISS.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">NASA\/Wikimedia Commons<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-726362 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9010b24b4aaaf47988ceb0506b94479c-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">O Lago Superior, Am\u00e9rica do Norte<\/p>\n<p><strong>Um falhan\u00e7o ajuda a explicar porque \u00e9 que alguns continentes n\u00e3o se separam.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 1,1 mil milh\u00f5es de anos, um processo capaz de redesenhar o mapa do planeta ficou a meio caminho. No centro daquilo que \u00e9 hoje os Estados Unidos, uma enorme fratura tect\u00f3nica, chamada <strong>Midcontinent Rift<\/strong>, come\u00e7ou a abrir-se, numa tentativa de dividir a Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Se tivesse avan\u00e7ado at\u00e9 ao fim, explica a <a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2026-02-continents.html\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Phys<\/a>, teria separado o continente em duas massas distintas. Mas o \u201crasg\u00e3o\u201d falhou: a litosfera enfraquecida cedeu sob press\u00e3o, formou uma bacia na crosta e acabou por contribuir para a configura\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que viria a acolher o<strong> Lago Superior<\/strong> \u2014 o maior dos 5 Grandes Lagos da Am\u00e9rica do Norte e maior lago de \u00e1gua doce do mundo.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma das estruturas geol\u00f3gicas mais marcantes daquele continente, especialmente por atravessar a regi\u00e3o dos Grandes Lagos e estar associada a uma faixa com cerca de 3000 km de rochas \u00edgneas e sedimentares profundamente enterradas, o motivo pelo qual este rift n\u00e3o evoluiu para uma rutura completa permaneceu durante d\u00e9cadas como um <strong>puzzle cient\u00edfico<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas agora, simula\u00e7\u00f5es computacionais de alta resolu\u00e7\u00e3o come\u00e7am a esclarecer os mecanismos que levam ao fracasso de rifts continentais.<\/p>\n<p>Um novo estudo, <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-025-19691-3\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">publicado<\/a> na Scientific Reports em outubro, descreve como cientistas usaram supercomputa\u00e7\u00e3o disponibilizada pelo programa NSF ACCESS e o sistema Stampede3 do Texas Advanced Computer Center (TACC), para executar uma s\u00e9rie de modelos num\u00e9ricos para testar, de forma sistem\u00e1tica, como e quando um rift perde o \u201cimpulso\u201d necess\u00e1rio para progredir at\u00e9 \u00e0 separa\u00e7\u00e3o total de um continente.<\/p>\n<p>Segundo os autores, o comportamento de um rift ao aproximar-se do colapso pode ser compreendido a partir de <strong>tr\u00eas par\u00e2metros-chave. <\/strong>Estes par\u00e2metros s\u00e3o: <strong>quanto<\/strong> a for\u00e7a motriz (a tra\u00e7\u00e3o que estica a placa) diminui, <strong>qu\u00e3o depressa<\/strong> essa diminui\u00e7\u00e3o acontece e <strong>qu\u00e3o maduro<\/strong> est\u00e1 o rift no momento em que come\u00e7a a perder for\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao variar estes fatores em dezenas de simula\u00e7\u00f5es, os investigadores conseguiram delimitar as condi\u00e7\u00f5es em que a extens\u00e3o continental segue para uma rutura completa e aquelas em que o processo estagna, gerando um rift falhado.<\/p>\n<p>Para reproduzir a evolu\u00e7\u00e3o tect\u00f3nica ao longo de milh\u00f5es de anos, a equipa simulou a distens\u00e3o de uma placa tect\u00f3nica a partir das margens, mas em vez de impor uma velocidade fixa de separa\u00e7\u00e3o, aplicou condi\u00e7\u00f5es de fronteira por for\u00e7a. Os modelos foram constru\u00eddos com as for\u00e7as que promovem a abertura do rift (incluindo a componente gravitacional) e com os fatores que resistem ao processo, como o arrefecimento e refor\u00e7o da litosfera, a resist\u00eancia intr\u00ednseca do rift e o arrasto do manto.<\/p>\n<p>Cada modelo bidimensional usou 128 n\u00facleos e correu durante aproximadamente <strong>dois dias para alcan\u00e7ar um tempo de simula\u00e7\u00e3o equivalente a 20 milh\u00f5es de anos<\/strong>. No total, o manuscrito inclui 23 modelos.<\/p>\n<p>Os resultados confirmam que <strong>uma redu\u00e7\u00e3o marcada da for\u00e7a motriz tende a interromper o rifting e impede a rutura continental<\/strong>, enquanto uma redu\u00e7\u00e3o pequena tem pouco efeito, permitindo que o processo siga at\u00e9 \u00e0 separa\u00e7\u00e3o. Mas o estudo revelou ainda que, se a for\u00e7a motriz diminuir muito lentamente, o rift pode ganhar tempo para amadurecer, e essa matura\u00e7\u00e3o torna-o progressivamente mais fraco, aumentando a probabilidade de o continente acabar por se partir.<\/p>\n<p>Praticamente, um rift tem mais hip\u00f3teses de completar a rutura se s\u00f3 come\u00e7ar a perder for\u00e7a numa fase suficientemente avan\u00e7ada do seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os autores defendem que esta abordagem ajuda a ligar, de forma quantitativa e test\u00e1vel, a din\u00e2mica profunda da Terra \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie, explicando porque existem tanto rifts \u201cbem-sucedidos\u201d, que levam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de oceanos, como rifts persistentes que nunca se concretizam.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1770046392_20_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"NASA\/Wikimedia Commons O Lago Superior, Am\u00e9rica do Norte Um falhan\u00e7o ajuda a explicar porque \u00e9 que alguns continentes&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":260055,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[109,107,108,17286,5541,7833,32,33,105,103,104,106,110,1151],"class_list":["post-260054","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-computacao","tag-geografia","tag-geologia","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-terra"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116028470973583979","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260054\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/260055"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}