{"id":260510,"date":"2026-02-07T15:54:07","date_gmt":"2026-02-07T15:54:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260510\/"},"modified":"2026-02-07T15:54:07","modified_gmt":"2026-02-07T15:54:07","slug":"saiba-porque-seus-genes-parecem-ser-mais-importantes-para-sua-longevidade-hoje-do-que-seriam-ha-um-seculo-07-02-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260510\/","title":{"rendered":"Saiba porque seus genes parecem ser mais importantes para sua longevidade hoje do que seriam h\u00e1 um s\u00e9culo &#8211; 07\/02\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 que ponto os seus genes determinam quanto tempo voc\u00ea viver\u00e1? Est\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o que nos fascina e tem sido debatida h\u00e1 d\u00e9cadas. Durante anos, a resposta parecia estar definida: os genes s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 20% a 25% da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2023\/06\/como-genetica-influencia-nossas-escolhas-de-vida.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">varia\u00e7\u00e3o na expectativa de vida humana<\/a>, sendo o restante atribu\u00eddo ao estilo de vida e ao ambiente.<\/p>\n<p>Mas um novo estudo publicado na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adz1187\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Science<\/a> desafia essa vis\u00e3o, sugerindo que a contribui\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/genetica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">gen\u00e9tica<\/a> pode ser <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/01\/genetica-pode-ter-maior-papel-do-que-imaginado-em-longevidade-humana.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">consideravelmente maior<\/a>.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o, de acordo com os pesquisadores, \u00e9 que as estimativas anteriores n\u00e3o levaram em conta como as <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/04\/desde-2000-mortalidade-de-criancas-abaixo-de-5-anos-caiu-52-diz-unicef.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">causas de morte<\/a> mudaram ao longo do tempo. H\u00e1 um s\u00e9culo, muitas pessoas morriam do que os cientistas chamam de causas extr\u00ednsecas \u2014acidentes, infec\u00e7\u00f5es e outras <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/08\/jovens-sao-maioria-das-vitimas-de-violencias-e-acidentes-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">amea\u00e7as externas<\/a>.<\/p>\n<p>Hoje, pelo menos nos pa\u00edses desenvolvidos, a maioria das mortes resulta de causas intr\u00ednsecas: o desgaste gradual de nossos corpos devido ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/envelhecimento\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">envelhecimento <\/a>e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/01\/cinco-mudancas-de-estilo-de-vida-para-ajuda-lo-a-viver-mais-e-melhor.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">doen\u00e7as relacionadas \u00e0 idade<\/a>, como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/late-conheca-a-condicao-que-muda-entendimento-sobre-demencia-em-idosos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">dem\u00eancia <\/a>e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/07\/doenca-cardiaca-os-fatores-de-risco-menos-conhecidos-e-como-reduzi-los.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">doen\u00e7as card\u00edacas<\/a>.<\/p>\n<p>Para obter uma imagem mais clara, a equipe de pesquisa analisou grandes grupos de g\u00eameos escandinavos, excluindo cuidadosamente as mortes por causas externas. Eles tamb\u00e9m estudaram g\u00eameos que foram criados separadamente e irm\u00e3os de centen\u00e1rios nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Quando exclu\u00edram as mortes por acidentes e infec\u00e7\u00f5es, a contribui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica estimada aumentou drasticamente \u2014dos conhecidos 20-25% para cerca de 50-55%.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o faz sentido quando se analisa doen\u00e7as individuais. A gen\u00e9tica explica grande parte da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/06\/variante-genetica-pode-duplicar-risco-de-demencia-para-homens-idosos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">varia\u00e7\u00e3o no risco de dem\u00eancia<\/a>, tem um efeito intermedi\u00e1rio nas doen\u00e7as card\u00edacas e desempenha um papel relativamente modesto no<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/cancer-avanca-no-brasil-e-deve-atingir-781-mil-casos-anuais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> c\u00e2ncer<\/a>. \u00c0 medida que os ambientes se tornam mais favor\u00e1veis, as popula\u00e7\u00f5es envelhecem e as doen\u00e7as causadas pelo pr\u00f3prio processo de envelhecimento se tornam mais comuns, o componente gen\u00e9tico naturalmente parece maior.<\/p>\n<p>Nossos genes n\u00e3o ficaram mais poderosos<\/p>\n<p>Mas \u00e9 aqui que a interpreta\u00e7\u00e3o se torna crucial. Uma estimativa mais alta n\u00e3o significa que os genes de repente se tornaram mais poderosos, nem significa que voc\u00ea s\u00f3 pode influenciar metade de suas chances de chegar \u00e0 velhice. O que mudou foi o ambiente, n\u00e3o nosso DNA.<\/p>\n<p>Considere a altura humana como exemplo. Cem anos atr\u00e1s, a altura que voc\u00ea alcan\u00e7ava dependia muito de voc\u00ea ter comida suficiente e de doen\u00e7as infantis atrapalharem seu crescimento.<\/p>\n<p>Hoje, em na\u00e7\u00f5es ricas, quase todo mundo recebe nutri\u00e7\u00e3o adequada. Como essas diferen\u00e7as ambientais diminu\u00edram, a maior parte da varia\u00e7\u00e3o restante na altura agora \u00e9 explicada por diferen\u00e7as gen\u00e9ticas \u2014n\u00e3o porque a nutri\u00e7\u00e3o deixou de ser importante, mas porque a maioria das pessoas agora atinge seu potencial gen\u00e9tico. Mas uma crian\u00e7a desnutrida ainda n\u00e3o conseguir\u00e1 crescer, independentemente de seus genes.<\/p>\n<p>O mesmo princ\u00edpio se aplica \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/11\/expectativa-de-vida-no-brasil-chega-a-766-anos-diz-ibge.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">expectativa de vida<\/a>. \u00c0 medida que melhoramos a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/07\/por-que-o-brasil-voltou-ao-ranking-de-criancas-sem-vacina-mesmo-com-melhora-na-cobertura.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">vacina\u00e7\u00e3o<\/a>, reduzimos a polui\u00e7\u00e3o, aprimoramos a dieta e adotamos estilos de vida mais saud\u00e1veis, diminu\u00edmos o impacto geral dos fatores ambientais.<\/p>\n<p>Quando a varia\u00e7\u00e3o ambiental diminui, a propor\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o restante atribu\u00edda \u00e0 gen\u00e9tica \u2014o que os cientistas chamam de &#8220;herdabilidade&#8221;\u2014 aumenta por necessidade matem\u00e1tica. As estimativas anteriores n\u00e3o estavam erradas; elas simplesmente refletiam circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas diferentes.<\/p>\n<p>Isso revela algo fundamental: a herdabilidade n\u00e3o \u00e9 uma propriedade biol\u00f3gica fixa, mas uma medida que depende inteiramente da popula\u00e7\u00e3o e das circunst\u00e2ncias que voc\u00ea est\u00e1 observando. O n\u00famero tradicional de 20% a 25% descrevia a expectativa de vida como era realmente vivida nas popula\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, onde as amea\u00e7as externas eram grandes.<\/p>\n<p>A nova estimativa de 50% a 55% descreve um cen\u00e1rio diferente, onde essas amea\u00e7as foram amplamente removidas \u2014essencialmente descrevendo uma caracter\u00edstica diferente.<\/p>\n<p>O n\u00famero principal da expectativa de vida ser cerca de <a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/health\/ageing\/lifespan-may-be-50-percent-heritable-study-suggests\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">&#8220;50% heredit\u00e1ria&#8221;<\/a> corre o risco de ser mal interpretado como significando que os genes determinam metade das chances de vida de uma pessoa. Na realidade, a contribui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para qualquer indiv\u00edduo pode variar de muito pequena a muito grande, dependendo de suas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/06\/5-dicas-de-longevidade-para-pessoas-ocupadas-segundo-especialistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Existem in\u00fameras maneiras de se ter uma vida longa<\/a>: algumas pessoas <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/09\/super-idosa-conta-como-viver-bem-aos-90-anos-dar-festas-em-casa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">t\u00eam perfis gen\u00e9ticos robustos<\/a> que as protegem mesmo em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, enquanto outras compensam uma gen\u00e9tica menos favor\u00e1vel por meio de excelente nutri\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcios e cuidados com a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a>. Cada pessoa representa uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica, e muitas combina\u00e7\u00f5es diferentes podem resultar em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/como-sao-os-cerebros-dos-superidosos-e-qual-a-probabilidade-de-termos-um-como-o-deles.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">longevidade excepcional<\/a>.<\/p>\n<p>Quais combina\u00e7\u00f5es se mostram mais comuns depende inteiramente da popula\u00e7\u00e3o e das condi\u00e7\u00f5es em que as pessoas vivem e envelhecem. \u00c0 medida que as causas externas de morte continuam a diminuir no mundo real \u2014embora n\u00e3o venham a desaparecer totalmente\u2014, ser\u00e1 fascinante ver como esses padr\u00f5es evoluem.<\/p>\n<p>Os autores deste recente estudo admitem que cerca de metade da varia\u00e7\u00e3o da expectativa de vida ainda depende do ambiente, estilo de vida, cuidados de sa\u00fade e processos biol\u00f3gicos aleat\u00f3rios, como a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2021\/09\/pessoas-com-numero-anormal-de-cromossomos-sao-mais-propensas-a-cancer.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">divis\u00e3o descontrolada das c\u00e9lulas no c\u00e2ncer<\/a>. Eles argumentam que seu trabalho deve renovar os esfor\u00e7os para identificar os mecanismos gen\u00e9ticos envolvidos no envelhecimento e na longevidade. Compreender como diferentes fatores gen\u00e9ticos interagem com diferentes ambientes \u00e9 provavelmente a chave para explicar por que algumas pessoas vivem muito mais do que outras.<\/p>\n<p>O estudo oferece insights valiosos sobre como diferentes tipos de mortalidade moldaram nossa compreens\u00e3o da expectativa de vida. Mas seus resultados s\u00e3o melhor compreendidos como mostrando como a herdabilidade muda em diferentes contextos, em vez de estabelecer uma contribui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00fanica e universal para o tempo que vivemos.<\/p>\n<p>No final das contas, tanto os genes quanto o ambiente s\u00e3o importantes. E, talvez mais importante, eles s\u00e3o importantes juntos. Portanto, quer isso pare\u00e7a uma boa ou uma m\u00e1 not\u00edcia, voc\u00ea provavelmente nunca ter\u00e1 uma resposta simples para quanto da sua expectativa de vida \u00e9 determinada apenas pelos genes.<\/p>\n<p>Este texto foi publicado no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/the-conversation\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>. Clique <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/your-genes-matter-more-for-lifespan-now-than-they-did-a-century-ago-heres-why-274796\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui <\/a>para ler a vers\u00e3o original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"At\u00e9 que ponto os seus genes determinam quanto tempo voc\u00ea viver\u00e1? 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