{"id":260722,"date":"2026-02-07T19:29:09","date_gmt":"2026-02-07T19:29:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260722\/"},"modified":"2026-02-07T19:29:09","modified_gmt":"2026-02-07T19:29:09","slug":"astronomos-suspeitam-que-descobriram-objeto-que-pode-desvendar-um-dos-maiores-misterios-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260722\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos suspeitam que descobriram objeto que pode desvendar um dos maiores mist\u00e9rios do Universo"},"content":{"rendered":"<p>\t                Chama-se Cloud-9<\/p>\n<p>Os astr\u00f3nomos podem ter descoberto um tipo de objeto astron\u00f3mico at\u00e9 agora desconhecido, apelidado &#8220;Cloud-9&#8221;, que pode lan\u00e7ar luz sobre a mat\u00e9ria negra, um dos maiores mist\u00e9rios do Universo.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria negra \u00e9 uma subst\u00e2ncia enigm\u00e1tica que molda o cosmos e lhe d\u00e1 estrutura. Embora nunca tenha sido diretamente observada, acredita-se que a mat\u00e9ria escura constitui 85% da mat\u00e9ria total do Universo e pode ser detetada devido aos seus efeitos gravitacionais.<\/p>\n<p>A Cloud-9 \u00e9 considerada uma nuvem de mat\u00e9ria escura que pode ser um resqu\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias dos prim\u00f3rdios do Universo, de acordo com uma nova investiga\u00e7\u00e3o publicada no Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n<p>&#8220;Esta nuvem \u00e9 uma janela para o Universo escuro&#8221;, diz o coautor do estudo Andrew Fox, astr\u00f3nomo do Space Telescope Science Institute, em Baltimore, num comunicado.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos pela teoria que a maior parte da massa do Universo deve ser mat\u00e9ria escura, mas \u00e9 dif\u00edcil detetar esta mat\u00e9ria escura porque n\u00e3o emite luz. A Cloud-9 d\u00e1-nos uma vis\u00e3o rara de uma nuvem dominada por mat\u00e9ria escura&#8221;, acrescenta Fox, que est\u00e1 ligado \u00e0 Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA) e \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Universidades para a Investiga\u00e7\u00e3o em Astronomia (AURA).<\/p>\n<p>Tem-se teorizado que a mat\u00e9ria escura teve origem no Big Bang, que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Universo h\u00e1 13,8 mil milh\u00f5es de anos, e constitui nuvens c\u00f3smicas que nunca acumularam g\u00e1s suficiente para formar estrelas.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es recentes efetuadas com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble revelaram que a Cloud-9 n\u00e3o tem estrelas.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 o conto de uma gal\u00e1xia falhada&#8221;, diz o coautor do estudo Alejandro Benitez-Llambay, astrof\u00edsico e professor assistente no departamento de f\u00edsica da Universidade de Milano-Bicocca em Mil\u00e3o, It\u00e1lia. &#8220;Na ci\u00eancia, normalmente aprendemos mais com os fracassos do que com os sucessos. Neste caso, n\u00e3o ver estrelas \u00e9 o que prova que a teoria est\u00e1 correta. Diz-nos que encontr\u00e1mos no universo local um bloco de constru\u00e7\u00e3o primordial de uma gal\u00e1xia que ainda n\u00e3o se formou.&#8221;<\/p>\n<p>Futuras observa\u00e7\u00f5es da nuvem, e a descoberta de mais objetos como a Cloud-9, podem levar a uma maior compreens\u00e3o da mat\u00e9ria escura, da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias e dos prim\u00f3rdios do Universo.<\/p>\n<p>A procura de objetos fantasma<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das estrelas brilhantes ou das gal\u00e1xias cheias de estrelas, as gal\u00e1xias falhadas s\u00e3o escuras, o que as torna dif\u00edceis de encontrar.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, a Cloud-9 pode ter sido confundida com uma gal\u00e1xia an\u00e3 t\u00e9nue ou uma pequena gal\u00e1xia composta por cerca de 1.000 a v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de estrelas, diz a equipa de investiga\u00e7\u00e3o. Estas gal\u00e1xias s\u00e3o pequenas quando comparadas com a nossa Via L\u00e1ctea, que cont\u00e9m centenas de milhares de milh\u00f5es de estrelas.<\/p>\n<p>A Cloud-9 foi descoberta h\u00e1 tr\u00eas anos durante um estudo do g\u00e1s hidrog\u00e9nio perto da gal\u00e1xia Messier 94 pelo Telesc\u00f3pio Esf\u00e9rico de Abertura de Quinhentos Metros, ou FAST, na prov\u00edncia chinesa de Guizhou. O Telesc\u00f3pio Green Bank e o observat\u00f3rio Very Large Array foram utilizados para observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento e as \u00faltimas descobertas do Hubble confirmaram a natureza sem estrelas da gal\u00e1xia falhada.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1770492549_992_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>A gal\u00e1xia Messier 94 est\u00e1 localizada a 16 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra<\/strong> imagem NASA <\/p>\n<p>&#8220;As teorias da forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias previam a exist\u00eancia de um limiar m\u00ednimo de mat\u00e9ria escura necess\u00e1rio para desencadear a forma\u00e7\u00e3o de estrelas e transformar uma nuvem escura numa gal\u00e1xia luminosa&#8221;, afirma Fox. &#8220;Com a Cloud-9, temos um exemplo de um objeto logo abaixo deste limiar, que n\u00e3o cont\u00e9m estrelas.&#8221;<\/p>\n<p>O objeto recebeu a designa\u00e7\u00e3o Cloud-9 porque \u00e9 a nona nuvem de g\u00e1s encontrada na periferia da gal\u00e1xia espiral Messier 94. Ligeiras distor\u00e7\u00f5es do g\u00e1s sugerem que pode haver intera\u00e7\u00f5es entre a nuvem e a gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>Embora os astr\u00f3nomos j\u00e1 tenham observado nuvens de hidrog\u00e9nio anteriormente, a Cloud-9 destaca-se por ser compacta e esf\u00e9rica, em vez de ter um tamanho irregular. Mas isso n\u00e3o significa que a Cloud-9 n\u00e3o seja grande.<\/p>\n<p>O n\u00facleo \u00e9 composto por hidrog\u00e9nio neutro e tem um di\u00e2metro de 4.900 anos-luz. Um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz percorre num ano, que \u00e9 de 9,46 trili\u00f5es de quil\u00f3metros. A quantidade de hidrog\u00e9nio dentro da nuvem \u00e9 cerca de 1 milh\u00e3o de vezes a massa do Sol. Astr\u00f3nomos estimam que cerca de 5 mil milh\u00f5es de massas solares de mat\u00e9ria escura constituem o resto da nuvem.<\/p>\n<p>&#8220;Deve haver uma quantidade enorme de gravidade &#8216;invis\u00edvel&#8217; a mant\u00ea-la unida&#8221;, aponta a coautora do estudo, Rachel Beaton, astr\u00f3noma assistente no Space Telescope Science Institute. &#8220;O hidrog\u00e9nio neutro que vemos simplesmente n\u00e3o fornece massa suficiente; tem de haver um halo de mat\u00e9ria negra que forne\u00e7a o suporte gravitacional&#8221; e que atue como um andaime invis\u00edvel para a nuvem.<\/p>\n<p>Atualmente, a Cloud-9 encontra-se num estado de equil\u00edbrio, acrescenta Beaton.<\/p>\n<p>&#8220;Tem apenas massa suficiente para manter o g\u00e1s, mas n\u00e3o o suficiente para for\u00e7ar esse g\u00e1s a formar estrelas&#8221;, escreve num e-mail. &#8220;Esta raridade explica porque n\u00e3o encontr\u00e1mos muitos destes objetos no universo local \u2014 a maioria dos halos ou perde completamente o g\u00e1s ou torna-se gal\u00e1xias de pleno direito&#8221;.<\/p>\n<p>Definir a verdadeira natureza da Cloud-9 <\/p>\n<p>A Cloud-9 ainda pode transformar-se numa gal\u00e1xia, observa a equipa. Se o objeto acumular mais massa, o g\u00e1s no interior da nuvem entrar\u00e1 em colapso e fragmentar-se-\u00e1, levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estrelas \u2014 o que transformaria a Cloud-9 numa gal\u00e1xia de florescimento tardio.<\/p>\n<p>&#8220;No entanto, a outra possibilidade \u00e9 que a nuvem perca massa, o que pode acontecer se cair mais perto de M94&#8221;, diz Fox, referindo-se a Messier 94, &#8220;e o seu g\u00e1s seja despojado como uma nuvem num t\u00fanel de vento at\u00e9 que a nuvem deixe de existir&#8221;.<\/p>\n<p>Futuras observa\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o podem dar uma vis\u00e3o mais clara do n\u00facleo da Cloud-9, um &#8220;Santo Graal&#8221; que pode revelar quanta mat\u00e9ria escura est\u00e1 contida no centro do objeto.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos excluir certos candidatos \u00e0 mat\u00e9ria escura \u2014 um passo importante para restringir a natureza da pr\u00f3pria part\u00edcula de mat\u00e9ria escura usando dados astrof\u00edsicos&#8221;, refere Beaton.<\/p>\n<p>Embora a Cloud-9 seja uma nuvem intrigante, n\u00e3o \u00e9 a primeira a ser discutida em cen\u00e1rios de &#8220;gal\u00e1xias escuras&#8221; &#8211; e n\u00e3o se podem excluir explica\u00e7\u00f5es mais mundanas, diz Jacco van Loon, professor associado de astrof\u00edsica e diretor do Observat\u00f3rio Keele da Universidade de Keele, em Inglaterra.<\/p>\n<p>Por exemplo, uma outra nuvem de hidrog\u00e9nio referida no estudo, designada FAST J0139+4328, foi recentemente descoberta como sendo uma gal\u00e1xia muito t\u00e9nue, aponta van Loon.<\/p>\n<p>&#8220;A massa das estrelas que se descobriu pertencerem \u00e0 FAST J0139+4328 \u00e9 dez vezes superior ao que eles pensavam ser poss\u00edvel, por isso \u00e9 conceb\u00edvel que na sua pr\u00f3pria nuvem, que cont\u00e9m quase cem vezes menos hidrog\u00e9nio do que a FAST J0139+4328, exista uma gal\u00e1xia ainda mais t\u00e9nue do que aquela que eles esperavam detetar mesmo com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble&#8221;, escreve num e-mail. &#8220;Pode especular-se, mas para afirmar que uma nuvem de g\u00e1s oticamente escura \u00e9 uma rel\u00edquia de mat\u00e9ria escura s\u00e3o necess\u00e1rias provas mais fortes e inequ\u00edvocas.&#8221;<\/p>\n<p>Van Loon n\u00e3o esteve envolvido na investiga\u00e7\u00e3o, mas contactou a equipa e expressou cautela sobre as afirma\u00e7\u00f5es de que a Cloud-9 era uma nuvem de mat\u00e9ria escura quando viu o an\u00fancio da investiga\u00e7\u00e3o antes da sua publica\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 mencionado nos agradecimentos do estudo.<\/p>\n<p>Entretanto, a equipa continua a procurar objetos semelhantes para determinar se a Cloud-9 \u00e9 um caso isolado ou se faz parte de um grupo maior de rel\u00edquias.<\/p>\n<p>As \u00faltimas observa\u00e7\u00f5es do Hubble acrescentam uma pe\u00e7a importante ao puzzle deste objeto intrigante, disse Kristine Spekkens, professora de astronomia, astrof\u00edsica e relatividade na Queen&#8217;s University em Kingston, Ont\u00e1rio. Spekkens n\u00e3o esteve envolvida no novo estudo, mas observou anteriormente a Cloud-9 usando o Telesc\u00f3pio Green Bank.<\/p>\n<p>&#8220;Um estudo mais aprofundado deste g\u00e1s sem estrelas, tal como a sua forma invulgar, ajudar\u00e1 a desvendar a sua origem como uma gal\u00e1xia sem estrelas ou uma nuvem flutuante&#8221;, considera Spekkens. &#8220;Seja qual for a sua natureza, a Cloud-9 \u00e9 um exemplo fant\u00e1stico do futuro brilhante deste campo de estudo, ajudando os investigadores a desvendar os mist\u00e9rios do universo.&#8221;<\/p>\n<p>Assine a newsletter da CNN <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/newsletters\/wonder-theory?source=nl-acq_article\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Teoria da Maravilha<\/a>. 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