{"id":260854,"date":"2026-02-07T21:33:08","date_gmt":"2026-02-07T21:33:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260854\/"},"modified":"2026-02-07T21:33:08","modified_gmt":"2026-02-07T21:33:08","slug":"casamentos-adaptados-crescem-entre-neurodivergentes-07-02-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/260854\/","title":{"rendered":"Casamentos adaptados crescem entre neurodivergentes &#8211; 07\/02\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Ryookyung Kim sempre foi fascinado por <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/12\/brasil-tem-mais-casamentos-e-menos-divorcios-em-2024-diz-ibge.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">casamentos<\/a>. Quando crian\u00e7a, Kim, que se identifica como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/07\/nao-binarios-relatam-falta-de-entendimento-ate-por-alguns-psicologos-sobre-identidade-de-genero.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">g\u00eanero fluido<\/a> e usa os pronomes neutros, se interessava mais pela estrutura dos casamentos do que pelo romance. &#8220;Era menos sobre encontrar uma pessoa para casar e mais sobre os detalhes e o fluxo de um evento&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No entanto, tinha dificuldades com os est\u00edmulos de grandes eventos. Quando crian\u00e7a, flashes de c\u00e2mera faziam Kim chorar, e o som de bal\u00f5es estourando era uma fonte de extremo desconforto. Era considerado &#8220;apenas muito sens\u00edvel&#8221;, lembrou Kim.<\/p>\n<p>Anos depois, Kim, agora com 33 anos, foi diagnosticado com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/07\/no-dia-mundial-de-conscientizacao-do-tdah-entenda-que-nem-toda-desatencao-e-transtorno.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade, o que, segundo ele, combinava com &#8220;a forma como eu vivi minha vida&#8221;.<\/a><\/p>\n<p>Quando conheceu seu parceiro, Philip Chan, 33, que tamb\u00e9m \u00e9 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/12\/mascarar-comportamentos-e-estrategia-comum-entre-neurodivergentes-mas-pode-prejudicar-saude-mental.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">neurodivergente<\/a>, recebeu o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2022\/09\/estimulacao-do-cerebro-reduziu-47-dos-sintomas-de-toc-em-pacientes-severos-aponta-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">diagn\u00f3stico<\/a> de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/livrariadafolha\/2015\/08\/1674787-o-toc-fixa-a-presenca-do-individuo-no-centro-de-sua-mente-escreve-jornalista.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">TOC (transtorno obsessivo compulsivo<\/a> e TDAH, sabia que uma celebra\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/casamento\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">casamento<\/a> convencional \u2014longa, barulhenta e lotada\u2014 seria desconfort\u00e1vel. Ent\u00e3o fizeram do jeito deles.<\/p>\n<p>Kim e Chan, que moram em um sub\u00farbio perto de Toronto, no Canad\u00e1, dividiram o casamento de junho de 2022 em v\u00e1rias partes para reduzir a superestimula\u00e7\u00e3o. Primeiro, optaram por fazer uma cerim\u00f4nia \u00edntima apenas com a fot\u00f3grafa, Aisha Keita, e o marido dela, Maxwell Step, &#8220;sem a press\u00e3o de performar&#8221;, diz Kim, sobre a celebra\u00e7\u00e3o realizada no Good Northern, uma casa de campo \u00e0 beira-mar em Ont\u00e1rio. Assinaram os documentos legais em outubro de 2022 com cerca de uma d\u00fazia de familiares imediatos, o que pareceu \u00edntimo.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2022, organizaram uma recep\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o de fotos e eventos administrado por pessoas queer em Toronto para cerca de 50 pessoas \u2014o n\u00famero m\u00e1ximo com o qual se sentiam confort\u00e1veis. Na recep\u00e7\u00e3o, adicionaram uma sala silenciosa para descompress\u00e3o, optaram por n\u00e3o ter DJ em favor de um sistema de som que pudessem controlar e pularam a tradicional primeira dan\u00e7a. &#8220;N\u00e3o quer\u00edamos ser o centro das aten\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma Kim.<\/p>\n<p>As escolhas deles refletem uma crescente <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/07\/e-a-voz-mais-empatica-na-minha-vida-como-a-ia-esta-transformando-a-vida-de-pessoas-neurodivergentes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">conscientiza\u00e7\u00e3o sobre neurodiverg\u00eancia <\/a>(como autismo, TDAH e dislexia) na \u00faltima d\u00e9cada, incluindo como ela se relaciona com o amor (veja a s\u00e9rie de sucesso da Netflix &#8220;Amor no Espectro&#8221;) e experi\u00eancias como casamentos. Agora, mais fornecedores est\u00e3o acomodando essas necessidades no processo de planejamento.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 existe tanto estigma em ser neurodivergente&#8221;, diz Mona Kay, assistente social e apresentadora do podcast &#8220;Neurodiverse Love&#8221;. &#8220;Este \u00e9 o seu dia especial. Voc\u00ea quer torn\u00e1-lo o mais feliz, divertido e tranquilo poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Quando os casamentos se tornam mais humanos<\/p>\n<p>Ariel Meadow Stallings acompanhou essa mudan\u00e7a se desenrolar por mais de 20 anos.<\/p>\n<p>Ela fundou o Offbeat Wed, anteriormente Offbeat Bride, uma plataforma digital voltada ao mercado de casamentos, em 2007 e acompanhou como cada gera\u00e7\u00e3o usa casamentos para expressar identidade e individualidade. Enquanto no in\u00edcio dos anos 2000 os casamentos tinham temas de subculturas, em meados dos anos 2010 eram mais sobre fandoms e refer\u00eancias culturais.<\/p>\n<p>Agora, ela disse, nos anos 2020, essa express\u00e3o de identidade se voltou para dentro. &#8220;Passamos de &#8216;Vou ter um casamento punk&#8217; para &#8216;Vou ter um casamento de Harry Potter&#8217; para &#8216;Quero ter um casamento que honre que estou no espectro, e meu parceiro tem TDAH e ansiedade social'&#8221;.<\/p>\n<p>Para Stallings, casamentos sensorialmente amig\u00e1veis representam mais do que apenas uma mudan\u00e7a de estilo. &#8220;Tantos casais e convidados aprendem que exaust\u00e3o, sobrecarga e ansiedade s\u00e3o apenas parte do que \u00e9 um casamento&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Os casais est\u00e3o questionando essa l\u00f3gica. Est\u00e3o perguntando quanto tempo uma cerim\u00f4nia precisa durar, qu\u00e3o alta uma festa precisa ser e quanta demanda social os convidados podem realisticamente suportar. Stallings disse que quando os casamentos se tornam mais sobre sentimento do que apar\u00eancia, &#8220;\u00e9 quando os casamentos se tornam mais humanos&#8221;.<\/p>\n<p>Em julho de 2025, em Salem, Massachusetts, Amanda Paterson, 38, renovou seus votos com James Paterson, 41, em um pequeno local com tema sat\u00e2nico com seis convidados. O casal havia se casado pela primeira vez em uma cerim\u00f4nia simples no Dia dos Namorados de 2023. Amanda Paterson tem TDAH e uma forte sensibilidade a texturas. Seu vestido inclu\u00eda uma estrutura de arma\u00e7\u00e3o por baixo para manter o tecido longe de sua pele.<\/p>\n<p>Ela carregava um buqu\u00ea pesado com uma pedra de sangue. A pedra a ancorava e dava algo para focar. &#8220;Em vez de andar de um lado para o outro, eu brincava com a pedra, mantinha minhas m\u00e3os ocupadas&#8221;, diz ela. James Paterson n\u00e3o compartilha suas sensibilidades sensoriais, mas ficou feliz em planejar o dia em torno das dela. &#8220;A \u00faltima coisa que algu\u00e9m quer no pr\u00f3prio casamento \u00e9 ficar desconfort\u00e1vel&#8221;, afirma Peterson.<\/p>\n<p>Precisamos mesmo?<\/p>\n<p>Jake Taylor, 36, fundou a empresa de planejamento Functions and Gatherings em 2017 para ajudar casais queer a escapar de tradi\u00e7\u00f5es r\u00edgidas. &#8220;Eu realmente comecei minha empresa para empoderar pessoas, especialmente pessoas queer, a terem o casamento que querem e n\u00e3o o casamento que \u00e9 esperado delas&#8221;, diz. Com o tempo, percebeu que muitos de seus clientes eram neurodivergentes (e disse que recebeu o diagn\u00f3stico de TDAH).<\/p>\n<p>A pergunta que ele ouve com mais frequ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sobre or\u00e7amentos ou flores, mas permiss\u00e3o. &#8220;A maior pergunta que me fazem \u00e9: &#8216;Precisamos mesmo?'&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Para algumas pessoas, a pior parte do dia \u00e9 o momento em que s\u00e3o o centro das aten\u00e7\u00f5es&#8221;, acrescenta Taylor. Ele sugeriu mudan\u00e7as estruturais como entrar juntos em vez de serem apresentados, aparecer pelo lado em vez de caminhar pelo corredor, fazer votos privados antes de uma cerim\u00f4nia p\u00fablica ou pular as dan\u00e7as completamente.<\/p>\n<p>Maya Lovro, fot\u00f3grafa com autismo e TDAH que se identifica como n\u00e3o-bin\u00e1rio e usa pronomes neutros, trata os dias de casamento como longos exerc\u00edcios de flexibilidade. &#8220;Dias de casamento s\u00e3o dif\u00edceis, e cronogramas s\u00e3o brutais&#8221;, diz. Estando com o casal o dia todo, frequentemente v\u00ea a sobrecarga antes dos outros. &#8220;Consigo ver quando as pessoas est\u00e3o come\u00e7ando a se desligar&#8221;, diz Lovro.<\/p>\n<p>Quando isso acontece, interv\u00e9m sutilmente. &#8220;Posso mentir por eles e dizer que preciso deles por 10 minutos&#8221;, afirma Lovro. Tamb\u00e9m evita poses r\u00edgidas para deixar o casal mais confort\u00e1vel. Mais importante, prioriza as necessidades neurodiversas. &#8220;Sempre pergunto antes dos dias de casamento: do que voc\u00eas precisam em termos de suporte de acessibilidade?&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado originalmente no <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/01\/24\/style\/wedding-planning-neurodiversity-autism.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The New York Times<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ryookyung Kim sempre foi fascinado por casamentos. 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