{"id":26291,"date":"2025-08-12T13:46:10","date_gmt":"2025-08-12T13:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/26291\/"},"modified":"2025-08-12T13:46:10","modified_gmt":"2025-08-12T13:46:10","slug":"panico-estamos-numa-das-cidades-controladas-pela-ucrania-que-putin-quer-para-acabar-com-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/26291\/","title":{"rendered":"&#8220;P\u00e2nico&#8221;: estamos numa das cidades controladas pela Ucr\u00e2nia que Putin quer para acabar com a guerra"},"content":{"rendered":"<p>\t                Se isso acontecer, &#8220;temos todos de ir embora&#8221;. Kremlin entregou documento aos EUA no qual prop\u00f5e ficar com alguns territ\u00f3rios controlados pela Ucr\u00e2nia &#8211; \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para aceitar um cessar fogo<\/p>\n<p>P\u00e2nico no leste da Ucr\u00e2nia com Trump a ponderar ideia de ceder territ\u00f3rios \u00e0 R\u00fassia <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">por\u00a0<strong>Nick Paton Walsh<\/strong>, <strong>Natalie Wright<\/strong>, <strong>Kosta Gak<\/strong> e\u00a0<strong>Brice Laine<\/strong>, CNN<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Nas praias do pequeno lago salgado de Sloviansk, onde as \u00e1guas medicinais permitem um momento de descanso que contrasta com a constante viol\u00eancia das linhas da frente a poucos quil\u00f3metros, parece sombria e surreal a conversa sobre um acordo de ced\u00eancia de territ\u00f3rios na cimeira do Alasca, marcada para esta sexta-feira.<\/p>\n<p>&#8220;Sinto-me como se estivesse a flutuar para longe desta realidade&#8221;, diz Mykhailo, jornalista local, entre mergulhos na \u00e1gua. Nas areias do lago, a vista \u00e9 a de um grande abrigo antia\u00e9reo de bet\u00e3o. Perto daqui, desta cidade a que, em tom de brincadeira, Mykhailo chama &#8220;a Cidade do Lago Salgado de Sloviansk\u201d, os bombardeamentos s\u00e3o frequentes.<\/p>\n<p>Contudo, a proposta do Kremlin entregue ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que consiste em trocar um cessar-fogo pelas partes do Donbass que a R\u00fassia ainda n\u00e3o conquistou, significaria que esta cidade e as outras que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximas, podem tornar-se subitamente territ\u00f3rio de Moscovo. E, mesmo nesta praia tranquila, esse cen\u00e1rio provoca aquilo a que Mykhailo chama &#8220;p\u00e2nico&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos dos meus amigos querem ficar aqui. Mas, se acontecer, temos todos de ir embora\u201d, diz. \u201cMas, para ser franco, n\u00e3o acho que isso v\u00e1 acontecer.\u201d H\u00e1 o reconhecimento de que a diplomacia de alto risco, como a que Donald Trump est\u00e1 a manter com o presidente russo Vladimir Putin, pode falhar.<\/p>\n<p>\u201cTrump agiu de forma errada. Foi tirar Putin do lama\u00e7al. Tirou-o de l\u00e1 e disse \u2018Vladimir, quero falar contigo, eu gosto de ti\u2019\u201d, reage Mykailo. \u201cEle n\u00e3o se importa que haja ucranianos a morrer todos os dias.\u201d<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/gettyimages-2228346490.jpg\" width=\"800\"\/><br \/>\n  <strong>Banhistas saem do Veysovo, um lago de \u00e1gua salgada conhecido pelas suas propriedades terap\u00eauticas em Sloviansk, na Ucr\u00e2nia. Imagem tirada a 8 de agosto <\/strong>foto Pierre Crom\/Getty Images <\/p>\n<p>Para Ludmila, que se desloca at\u00e9 \u00e0s \u00e1guas numa cadeira de rodas, o lago salgado \u00e9 sin\u00f3nimo de al\u00edvio. Por breves momentos, o ato de flutuar proporciona um al\u00edvio dos ferimentos causados quando pisou uma mina terrestre h\u00e1 dois anos. Esta dor di\u00e1ria deixa-a pouco impressionada com a diplomacia.<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1 est\u00e3o eles a mentir&#8221;, afirma com desd\u00e9m. &#8220;Para eles \u00e9 tudo um espet\u00e1culo. Decidem uma coisa, dizem outra, fazem outra. A pol\u00edtica sempre foi assim.\u201d<\/p>\n<p>Por toda a regi\u00e3o de Donetsk, a not\u00edcia do emergente acordo de Witkoff com o Kremlin &#8211; confuso nos pormenores e imediatamente recusado por Kiev &#8211; agravou ainda mais as vidas j\u00e1 devastadas pela guerra.<\/p>\n<p>A cidade de Sloviansk foi tomada pela primeira vez pelos &#8220;separatistas&#8221; de Moscovo em 2014, antes de as for\u00e7as ucranianas retomarem o controlo. Foram cavadas novas valas a oeste, \u00e0 pressa, preparando-se a possibilidade de a ofensiva russa em curso amea\u00e7ar a cidade outra vez. Contudo, por estas bandas, poucos imaginavam que o principal aliado, os Estados Unidos, pudesse ponderar a ideia de doar aquela que \u00e9 a sua casa.<\/p>\n<p>Na maternidade da cidade, a \u00fanica unidade do g\u00e9nero a funcionar num raio de quil\u00f3metros, Taisiya acaricia a filha Assol. A beb\u00e9 nasceu no domingo, num mundo onde, de repente, os riscos de estar em Sloviansk parecem ter-se multiplicado.<\/p>\n<p>&#8220;Vi as not\u00edcias&#8221;, diz. &#8220;Ia ser muito mau, mas n\u00e3o temos qualquer influ\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o nossa. As pessoas v\u00e3o, pura e simplesmente, doar as suas casas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA guerra apanhou-os l\u00e1\u201d <\/p>\n<p>Os nascimentos continuam, as mortes tamb\u00e9m. A de Sofia Lamekhova \u00e9 particularmente angustiante. Os pais, Natalia e Sviatoslav, ficaram felizes quando ela e o marido, Mykyta, decidiram ir viver para Kiev com o filho r\u00e9cem-nascido, Lev. \u201cQuer\u00edamos que eles se mantivessem longe da linha da frente. Aqui, em Sloviansk, todos os dias h\u00e1 ataques de drones e bombardeamentos\u201d, conta Sviatoslav.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Contudo, esta fam\u00edlia foi encontrada nos escombros de um ataque a\u00e9reo russo feito a 31 de julho a um pr\u00e9dio residencial em Kiev. Morreram durante o desabamento do edif\u00edcio. Sofia estava gr\u00e1vida de tr\u00eas meses e ia deslocar-se a Sloviansk para contar a not\u00edcia aos amigos.<\/p>\n<p>&#8220;Eles sa\u00edram da guerra. L\u00e1 era tranquilo, mas a guerra apanhou-os l\u00e1&#8221;, diz Natalia. Sviatoslav acrescenta: &#8220;\u00c9 imposs\u00edvel aceitar isto, \u00e9 imposs\u00edvel aceitar a perda de um filho\u201d.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/gettyimages-2224295224.jpg\" width=\"800\"\/><br \/>\n  <strong>Bombeiros trabalham num local atingido por m\u00edsseis russos em Sloviansk, na Ucr\u00e2nia, a 12 de julho <\/strong>foto Vincenzo Circosta\/Anadolu\/Getty Images <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/gettyimages-2228440366.jpg\" width=\"800\"\/><br \/>\n  <strong>Os servi\u00e7os de emerg\u00eancia apagam um inc\u00eandio ap\u00f3s um ataque com um drone russo a um armaz\u00e9m em Sloviansk, na Ucr\u00e2nia, a 9 de agosto <\/strong>foto Pierre Crom\/Getty Images <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Na noite anterior \u00e0 morte de Sofia tinham conversado todos. \u201cEla disse que queria muito vir a Sloviansk. Para contar a not\u00edcia a toda a gente, espalhar a alegria. Mas n\u00e3o voltaram. Voltaram juntos, de uma forma diferente\u201d, recorda Natalia.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Sofia refere-se ao funeral da fam\u00edlia nos arredores de Sloviansk. Um jato ucraniano sobrevoa a cidade enquanto ambos cuidam das flores que se cobriram de poeiras nas campas. Este casal n\u00e3o pode deixar Sloviansk. \u00c9 aqui a sua casa, onde tamb\u00e9m d\u00e3o comida e \u00e1gua a muitos outros habitantes \u2013 muitas vezes idosos que vivem sozinhos e sobrevivem de esmolas.<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o de comboios mais pr\u00f3xima \u00e9 Kramatorsk, a capital de Donetsk, controlada pela Ucr\u00e2nia. \u00c9 uma cidade movimentada, onde a vida civil se mant\u00e9m, entre os militares que ali est\u00e3o sediados. Um grande ataque a\u00e9reo derrubou um edif\u00edcio central, destruindo quatro andares e chegando \u00e0 cave. Os ataques de drones russos s\u00e3o regulares. A cidade dorme com a urgente quest\u00e3o da sobreviv\u00eancia em contexto de guerra \u2013 e da pr\u00f3pria guerra.<\/p>\n<p>O comboio de Kiev chega ao som das sirenes de ataque a\u00e9reo. H\u00e1 dezenas sentadas na plataforma, seja para cumprimentar ou para substituir os que chegam da capital. Tetyana est\u00e1 a chorar. O marido, Serhiy, luta desde o segundo dia da invas\u00e3o total da R\u00fassia. Recebeu dois dias de folga da unidade de tanques nos arredores de Kostiantynivka, de forma a poder celebrar o anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Enquanto a mulher chora, o soldado avisa-a sobre a sua agita\u00e7\u00e3o com gentileza. &#8220;Tinha sido melhor que ela n\u00e3o tivesse vindo&#8221;, diz. &#8220;Calma.&#8221; Tetyana tem pouco interesse nos meandros da diplomacia de Trump. &#8220;Sabe qual \u00e9 o meu sonho? Que o meu marido volte para casa. N\u00e3o me importo com territ\u00f3rios. S\u00f3 quero que ele esteja vivo e volte para casa.\u201d<\/p>\n<p>O comboio parte para regressar \u00e0 capital. H\u00e1 homens a colar as m\u00e3os nas janelas de vidro que se movem. H\u00e1 uma rapariga a gravar um cora\u00e7\u00e3o numa porta que se fecha. As sirenes continuam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se isso acontecer, &#8220;temos todos de ir embora&#8221;. 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