{"id":263601,"date":"2026-02-09T23:19:08","date_gmt":"2026-02-09T23:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/263601\/"},"modified":"2026-02-09T23:19:08","modified_gmt":"2026-02-09T23:19:08","slug":"portugal-viveu-um-dos-comboios-de-tempestades-mais-longo-de-que-ha-memoria-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/263601\/","title":{"rendered":"Portugal viveu um dos comboios de tempestades mais longo de que h\u00e1 mem\u00f3ria | Clima"},"content":{"rendered":"<p>Portugal testemunhou ao longo das \u00faltimas semanas uma combina\u00e7\u00e3o ins\u00f3lita de factores que criou \u201cas condi\u00e7\u00f5es quase perfeitas\u201d para \u201co comboio de tempestades talvez mais longo\u201d de que se tem mem\u00f3ria, afirmou Pedro Matos Soares, f\u00edsico da atmosfera, durante uma videoconfer\u00eancia sobre o clima organizada segunda-feira pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa.<\/p>\n<p>Matos Soares procurou estabelecer uma ponte entre conceitos distintos \u2013 o clima e o olhar imediato para a atmosfera da meteorologia \u2013, sublinhando que o pa\u00eds est\u00e1 a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/07\/azul\/noticia\/cheias-ja-sao-historicas-nao-sabemos-sao-cheias-100-anos-2163921\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">viver algo fora do comum<\/a>. Segundo o investigador, a combina\u00e7\u00e3o de uma corrente de jacto mais a sul, uma <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/09\/azul\/noticia\/paciencia-chuva-persistente-prevista-semana-2164157\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">persist\u00eancia an\u00f3mala do anticiclone<\/a> na Escandin\u00e1via e a um rio atmosf\u00e9rico vindo das Cara\u00edbas criou \u201ccondi\u00e7\u00f5es quase perfeitas\u201d para a intensidade e dura\u00e7\u00e3o das tempestades que est\u00e3o a marcar o Inverno portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma conjun\u00e7\u00e3o quase perfeita para termos, pelo menos na minha mem\u00f3ria, o comboio de tempestades mais longo, em muitos anos\u201d, afirmou o investigador.<\/p>\n<p>Este alinhamento excepcional de factores n\u00e3o s\u00f3 explica a repeti\u00e7\u00e3o de tempestades \u2014 Ingrid, Joseph, Kristin e Leonardo \u2014 como a sua severidade. Sobre a <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/tempestade-kristin\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">devastadora Kristin<\/a>, Matos Soares sublinhou que se tratou de um fen\u00f3meno que, do ponto de vista clim\u00e1tico \u00e9 \u201cins\u00f3lito, singular em Portugal\u201d. Foi agravado pela presen\u00e7a de um <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/29\/azul\/noticia\/ciclonebomba-ferrao-vento-208-kmh-marcaram-desastre-chamado-kristin-2162892\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sting jet, um jacto descendente<\/a> de vento raro na costa portuguesa, mas capaz de amplificar danos.<\/p>\n<p>O aumento da energia dispon\u00edvel na atmosfera devido ao aquecimento global pode tornar epis\u00f3dios semelhantes mais frequentes no futuro, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Intitulada \u201cAfinal, o que se passa com o Tempo?\u201d, a sess\u00e3o online reuniu cinco investigadores do Instituto Dom Luiz para explicar esta sucess\u00e3o de epis\u00f3dios extremos. Al\u00e9m de Matos Soares, participaram Alexandre Ramos, Carlos da C\u00e2mara, Gil Lemos e Rita Cardoso.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltar\u00e1 \u00e1gua no Ver\u00e3o?<\/p>\n<p>Com tanta \u00e1gua acumulada, continuar\u00e1 o pa\u00eds a enfrentar problemas de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/seca\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">seca <\/a>no Ver\u00e3o? A resposta de Gil Lemos procurou distinguir entre seca meteorol\u00f3gica e disponibilidade de recursos h\u00eddricos. Embora admita que nada impe\u00e7a uma reviravolta r\u00e1pida rumo a um per\u00edodo seco \u2014 como j\u00e1 aconteceu em anos recentes \u2014, para j\u00e1, o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cTemos as<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/02\/azul\/noticia\/albufeiras-pais-estao-atingir-capacidade-maxima-armazenamento-2163403\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> barragens bastante cheias<\/a>, tivemos muita infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua para os aqu\u00edferos do subsolo e, portanto, o mero facto de n\u00e3o chover n\u00e3o quer dizer que nos traga uma grande problem\u00e1tica, pelo menos este ano\u201d, explicou o investigador do Instituto Dom Luiz.<\/p>\n<p>Gil Lemos insistiu, por\u00e9m, que a incerteza permanece elevada. \u201cNada nos garante que n\u00e3o possamos entrar nas pr\u00f3ximas semanas ou meses num per\u00edodo seco\u201d, afirmou. Os modelos sazonais ainda n\u00e3o oferecem uma imagem clara da Primavera e do Ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, h\u00e1 um optimismo moderado: \u201cMesmo que haja um per\u00edodo mais seco daqui para a frente, felizmente temos ainda \u00e1gua, pelo menos para este ano.\u201d<\/p>\n<p>Portugal, regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Os investigadores insistiram na import\u00e2ncia de compreender Portugal como uma regi\u00e3o \u201cde transi\u00e7\u00e3o\u201d, especialmente sens\u00edvel a oscila\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es atmosf\u00e9ricos de larga escala. Isso explica por que a anos muito secos se podem suceder invernos excepcionalmente chuvosos, e por que \u00e9 que a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que \u201cj\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 esta\u00e7\u00f5es do ano\u201d nem sempre coincide com o que se observa nos dados.<\/p>\n<p>Por ser um pa\u00eds exposto a extremos, os investigadores sublinharam a import\u00e2ncia de haver uma <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/07\/opiniao\/opiniao\/reconstruir-repetir-erros-catastrofes-territorio-2164036\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">prepara\u00e7\u00e3o mais robusta<\/a> para enfrentar riscos clim\u00e1ticos. Pedro Matos Soares sublinhou uma falha profunda na forma como Portugal avalia, regista e gere impactos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o conhecemos os danos das cat\u00e1strofes em Portugal. Temos epis\u00f3dios ap\u00f3s epis\u00f3dios extremos e quando se pede ao Estado quais foram os danos destas tempestades, ningu\u00e9m sabe. N\u00e3o existe um sistema central que nos permita dizer \u00e0s pessoas que vale a pena prevenir\u201d, afirmou. Esta aus\u00eancia compromete a capacidade de planear e reduzir perdas materiais e humanas, defendeu.<\/p>\n<p>Matos Soares insistiu que a preven\u00e7\u00e3o depende n\u00e3o s\u00f3 da ci\u00eancia ou da tecnologia, mas sobretudo de governa\u00e7\u00e3o e de pol\u00edticas p\u00fablicas coerentes. \u201cS\u00f3 conseguimos enfrentar [estes problemas] com um sistema centralizado de avalia\u00e7\u00e3o do risco clim\u00e1tico em todas as vertentes e a fazer pol\u00edtica \u00e0 escala nacional, regional e municipal em fun\u00e7\u00e3o disso. S\u00f3 assim conseguimos proteger as pessoas e a economia\u201d, disse o f\u00edsico da atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos preparados para o clima presente, nem para o clima passado, quanto mais para o futuro\u201d, afirmou. Em Portugal continua a tomar-se decis\u00f5es de ordenamento do territ\u00f3rio \u201cpensando no clima do s\u00e9culo XIX ou de 1942 ou 43\u201d, ignorando que as infra-estruturas actuais \u2014 de pontes a saneamento, de urbaniza\u00e7\u00e3o a redes energ\u00e9ticas \u2014 t\u00eam horizontes de vida de 50 a 100 anos. \u201cTemos de perceber como \u00e9 o clima agora e como \u00e9 que ser\u00e1 no horizonte temporal das nossas infra-estruturas cr\u00edticas. Caso contr\u00e1rio, teremos um problema.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Portugal testemunhou ao longo das \u00faltimas semanas uma combina\u00e7\u00e3o ins\u00f3lita de factores que criou \u201cas condi\u00e7\u00f5es quase perfeitas\u201d&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":263602,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[2335,785,27,28,2271,15,16,14,25,26,21,22,8532,606,12,13,19,20,48766,32,23,24,33,46659,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-263601","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-alteracoes-climaticas","9":"tag-azul","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-clima","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mau-tempo","21":"tag-meteorologia","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-ordenamento-do-territorio","27":"tag-portugal","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-pt","31":"tag-tempestade-kristin","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116043236302641675","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263601\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/263602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}