{"id":266795,"date":"2026-02-12T11:10:09","date_gmt":"2026-02-12T11:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/266795\/"},"modified":"2026-02-12T11:10:09","modified_gmt":"2026-02-12T11:10:09","slug":"estatina-contra-colesterol-e-mais-seguro-do-que-diz-bula-12-02-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/266795\/","title":{"rendered":"Estatina, contra colesterol, \u00e9 mais seguro do que diz bula &#8211; 12\/02\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Quando a bula te deixa doente&#8221; \u2014esse poderia ser o t\u00edtulo da nova meta-an\u00e1lise sobre os efeitos colaterais das <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/07\/uso-de-remedio-para-colesterol-e-baixo-em-brasileiros-com-maior-risco-aponta-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">estatinas<\/a> publicada nesta semana na revista cient\u00edfica The Lancet. O estudo foi realizado por um coletivo de pesquisa chamado Colabora\u00e7\u00e3o de Pesquisadores de Tratamento do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/09\/como-colesterol-e-vilao-silencioso-e-fator-de-risco-para-doencas-cardiovasculares.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Colesterol<\/a>.<\/p>\n<p>As estatinas reduzem os n\u00edveis de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/colesterol-tem-papel-decisivo-na-saude-do-cerebro-apontam-estudos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">colesterol<\/a> no sangue, principalmente a quantidade do chamado colesterol &#8220;ruim&#8221;, o LDL. N\u00edveis elevados de LDL podem causar o ac\u00famulo de colesterol nas paredes dos vasos sangu\u00edneos, aumentando o risco de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/11\/medo-de-infarto-entenda-quais-sao-os-fatores-de-risco-que-voce-pode-controlar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ataque card\u00edaco<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/05\/avc-principal-causa-de-morte-cardiaca-no-brasil-tem-deficiencia-em-prevencao-e-em-atendimento-rapido-no-sus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">acidente vascular cerebral<\/a>.<\/p>\n<p>As estatinas t\u00eam sido usadas por centenas de milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas e comprovadamente reduzem<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/11\/medo-de-infarto-entenda-quais-sao-os-fatores-de-risco-que-voce-pode-controlar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> ataques card\u00edacos<\/a>, derrames e mortes por <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/07\/brasileiros-desconhecem-e-nao-controlam-doencas-cardiovasculares-revelam-estudos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">doen\u00e7as cardiovasculares<\/a>.<\/p>\n<p>Embora os cientistas geralmente concordem que os efeitos positivos das estatinas superam os riscos potenciais, os pacientes muitas vezes interrompem o tratamento ou sequer o iniciam por medo de efeitos colaterais, j\u00e1 que as bulas listam dezenas de poss\u00edveis efeitos colaterais.<\/p>\n<p>Muito mais benef\u00edcios que riscos<\/p>\n<p>Esse medo \u00e9 quase sempre infundado, de acordo com os resultados da an\u00e1lise. Nela, os autores examinaram um total de 19 estudos para determinar se os efeitos colaterais listados nas bulas eram realmente atribu\u00edveis ao uso de estatinas.<\/p>\n<p>Em todos os 19 estudos, um grupo de pacientes recebeu um medicamento da classe das estatinas e outro grupo recebeu apenas um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/03\/o-efeito-placebo-pode-ser-um-bom-remedio-tanto-para-dor-quanto-para-outros-problemas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">placebo<\/a>. Nem os pacientes nem os pesquisadores sabiam a qual grupo pertenciam durante os estudos \u2014isso \u00e9 chamado de &#8220;duplo-cego&#8221;. Os estudos examinaram um total de cinco medicamentos da classe das estatinas.<\/p>\n<p>O resultado foi que, al\u00e9m dos efeitos leves j\u00e1 conhecidos das estatinas sobre os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/musculo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">m\u00fasculos<\/a> e a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/diabetes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">diabetes<\/a>, apenas quatro efeitos colaterais puderam ser comprovados de um total de 66 poss\u00edveis descritos na bula.<\/p>\n<p>Apenas altera\u00e7\u00f5es em edemas, n\u00edveis anormais de enzimas hep\u00e1ticas, composi\u00e7\u00e3o da urina e anormalidades na fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica puderam ser documentadas. E mesmo com esses quatro efeitos colaterais, as diferen\u00e7as entre as pessoas que tomavam os medicamentos para baixar o colesterol e aquelas que recebiam apenas um placebo foram geralmente bastante pequenas.<\/p>\n<p>&#8216;Estatinas n\u00e3o aumentam risco de c\u00e2ncer ou dem\u00eancia&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Esses potenciais efeitos colaterais geralmente aparecem logo no in\u00edcio do tratamento \u2014ou n\u00e3o aparecem nunca&#8221;, afirma Oliver Weing\u00e4rtner, m\u00e9dico-s\u00eanior do Hospital Universit\u00e1rio de Jena, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/alemanha\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Alemanha<\/a>, que n\u00e3o participou do estudo. Portanto, verificar a fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica nas primeiras semanas de tratamento ajudar\u00e1 a esclarecer se alguma altera\u00e7\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos poss\u00edveis efeitos sobre os m\u00fasculos e o risco de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/diabetes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">diabetes<\/a>, os resultados mostraram que &#8220;as estatinas est\u00e3o associadas apenas a um leve aumento absoluto nos n\u00edveis de enzimas hep\u00e1ticas, mas n\u00e3o a nenhum dos outros in\u00fameros sintomas listados na bula&#8221;, resume Ulrich Laufs, diretor do departamento de cardiologia do Hospital Universit\u00e1rio de Leipzig, que tamb\u00e9m n\u00e3o participou da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Estudos de longo prazo tamb\u00e9m demonstraram que o risco de efeitos colaterais graves, como degrada\u00e7\u00e3o muscular ou danos ao f\u00edgado, \u00e9 extremamente baixo \u2013e mesmo o uso prolongado de estatinas &#8220;n\u00e3o causa aumento no risco de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">c\u00e2ncer<\/a> ou dem\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Por que medo h\u00e1 tanto medo de estatinas?<\/p>\n<p>Mesmo com o conhecido aumento do risco de diabetes devido \u00e0s estatinas, meta-an\u00e1lises mostraram que o diabetes ocorreu principalmente quando os pacientes j\u00e1 estavam predispostos a desenvolv\u00ea-lo antes de tomar os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicamentos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">medicamentos<\/a> para baixar o colesterol, relata o grupo de pesquisa CTT.<\/p>\n<p>O \u00fanico problema real com as estatinas \u00e9 a dor muscular, afirma Stefan Blankenberg, presidente da Sociedade Alem\u00e3 de Pesquisa de Cardiologia. &#8220;Essa dor \u00e9 dose-dependente e desaparece ap\u00f3s a suspens\u00e3o das estatinas.&#8221; Mas muitos pacientes &#8220;esperam&#8221; a dor muscular. &#8220;Isso est\u00e1 de acordo com a ocorr\u00eancia de dor muscular no grupo placebo nos estudos.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Laufs, cerca de 90% de todos os efeitos colaterais relatados associados \u00e0s estatinas est\u00e3o relacionados ao chamado efeito nocebo. Em resumo, isso significa que, se esperarmos certos efeitos negativos, iremos experiment\u00e1-los.<\/p>\n<p>Por que bulas mencionam tantos efeitos colaterais?<\/p>\n<p>&#8220;Muitos efeitos colaterais aparecem nas bulas principalmente por quest\u00f5es de responsabilidade legal&#8221;, explica o m\u00e9dico Oliver Weing\u00e4rtner.<\/p>\n<p>Os fabricantes de medicamentos s\u00e3o legalmente obrigados a fornecer informa\u00e7\u00f5es completas sobre poss\u00edveis efeitos colaterais, intera\u00e7\u00f5es medicamentosas e contraindica\u00e7\u00f5es na bula. Caso contr\u00e1rio, podem ser responsabilizados por quaisquer danos resultantes. Para evitar isso, \u00e9 listado um grande n\u00famero de poss\u00edveis efeitos colaterais.<\/p>\n<p>&#8220;Embora uma suspeita bem fundamentada seja muitas vezes suficiente para a inclus\u00e3o de um efeito colateral, sua remo\u00e7\u00e3o exige comprova\u00e7\u00e3o definitiva (&#8230;) em grupos muito grandes de pacientes&#8221;, afirma Ulrich Laufs. Este \u00e9 um processo longo, complexo e caro.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>&#8220;O tamanho das bulas que vemos atualmente causa consider\u00e1vel incerteza e faz com que medicamentos altamente eficazes deixem de ser usados&#8221;, lamenta Weing\u00e4rtner. Ele sugere que os medicamentos tamb\u00e9m incluam resultados de estudos randomizados e duplo-cegos.<\/p>\n<p>Stefan Blankenberg tamb\u00e9m defende a mudan\u00e7a das bulas. Ele prop\u00f5e que seja feita uma esp\u00e9cie de resumo: &#8220;Algumas linhas que, al\u00e9m da bula legalmente exigida, reflitam a realidade e apontem os benef\u00edcios e riscos reais&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Quando a bula te deixa doente&#8221; \u2014esse poderia ser o t\u00edtulo da nova meta-an\u00e1lise sobre os efeitos colaterais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":266796,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[6642,7277,1027,21847,48051,236,116,5676,3083,32,33,2418,117],"class_list":["post-266795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-colesterol","tag-deutsche-welle","tag-diabetes","tag-dw","tag-estatinas","tag-folha","tag-health","tag-infarto","tag-medicamentos","tag-portugal","tag-pt","tag-remedios","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116057356664078983","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266795\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}