{"id":267233,"date":"2026-02-12T17:36:10","date_gmt":"2026-02-12T17:36:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/267233\/"},"modified":"2026-02-12T17:36:10","modified_gmt":"2026-02-12T17:36:10","slug":"tempestades-fazem-desaparecer-peixe-nacional-do-mercado-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/267233\/","title":{"rendered":"Tempestades fazem desaparecer peixe nacional do mercado \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Tempestade no mar, barcos em terra. Tem sido assim, pelo menos, nas \u00faltimas tr\u00eas semanas. Os temporais que t\u00eam varrido o continente desde o final de janeiro est\u00e3o j\u00e1 a ter impacto na alimenta\u00e7\u00e3o dos portugueses. Com v\u00e1rias barras mar\u00edtimas fechadas ou condicionadas, as embarca\u00e7\u00f5es de pesca n\u00e3o podem sair para o mar. Nos mercados e supermercados de todo o pa\u00eds n\u00e3o falta peixe. Mas ou \u00e9 de aquacultura ou foi pescado noutras \u00e1guas. E \u00e9, por isso, mais caro. O setor fala em preju\u00edzos \u201ccolossais\u201d e diz que n\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3ria de um per\u00edodo t\u00e3o longo de paragem.<\/p>\n<p>Foi a 20 de janeiro, oito dias antes da depress\u00e3o Kristin, que as embarca\u00e7\u00f5es sa\u00edram para o mar pela \u00faltima vez, revela ao Observador Paulo Jorge Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI). \u201cRegra geral, os que est\u00e3o em Aveiro, na Figueira da Foz, e mesmo os que est\u00e3o em barras que n\u00e3o estiveram totalmente fechadas, n\u00e3o sa\u00edram porque o mau tempo era tanto\u2026\u201d.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es adversas afetam sobretudo as embarca\u00e7\u00f5es locais, por serem mais pequenas, mas, nas \u00faltimas semanas, tamb\u00e9m as costeiras, de maiores dimens\u00f5es, ficaram encostadas. \u201cOu porque a barra estava mesmo fechada e a capitania daquele porto disse que era proibido sair ou, mesmo que n\u00e3o fosse proibido, o tempo era mau demais para navegar e lan\u00e7ar redes\u201d, corrobora Lu\u00eds Vicente, secret\u00e1rio-geral da mesma associa\u00e7\u00e3o. Alguns, em zonas como Peniche e Nazar\u00e9, regressaram ao mar esta semana, apesar dos riscos. Esta quarta-feira ainda havia 12 barras fechadas, sobretudo nas zonas norte e centro, e uma condicionada, mas 34 estavam j\u00e1 abertas.<\/p>\n<p>\u201cO peixe fresco \u00e9, essencialmente, capturado pelas nossas embarca\u00e7\u00f5es aqui nas \u00e1guas territoriais, com desembarque di\u00e1rio em lota. E as lotas estiveram praticamente sem funcionar durante tr\u00eas semanas. S\u00f3 pontualmente funcionou a de Peniche. De resto, de norte a sul, com as barras fechadas, n\u00e3o houve atividade. Foram praticamente tr\u00eas semanas sem faturar\u201d, resume Paulo Jorge Silva.<\/p>\n<p>Os pescadores est\u00e3o habituados a per\u00edodos de mau tempo todos os anos, constatam os respons\u00e1veis da associa\u00e7\u00e3o dos armadores. Mas n\u00e3o t\u00eam mem\u00f3ria de uma temporada t\u00e3o dif\u00edcil como o final de 2025 e o in\u00edcio de 2026. \u201cEst\u00e1 a ser um per\u00edodo anormalmente longo de paragem. E \u00e9 mais dif\u00edcil para a pesca costeira, porque s\u00e3o embarca\u00e7\u00f5es maiores e raramente param. N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tenham existido per\u00edodos compar\u00e1veis na pequena pesca, mas na costeira n\u00e3o me lembro de alguma vez termos visto um per\u00edodo de paragem consecutiva t\u00e3o grande por causa do mau tempo\u201d, vinca Lu\u00eds Vicente.<\/p>\n<p>Na pesca mais tradicional o sentimento \u00e9 o mesmo. \u201cContinua tudo parado\u201d, diz Humberto Jorge, presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es da Pesca (ANOP) do Cerco, um tipo de pesca local que utiliza redes para capturar peixe. \u201cN\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3ria nos anos mais recentes, neste s\u00e9culo e no final do anterior, de uma sequ\u00eancia de temporais t\u00e3o grande que obrigasse as embarca\u00e7\u00f5es a ficar em terra tanto tempo. Nem os mais antigos se lembram\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Humberto Jorge, \u201cgrande parte da pesca tem sido fortemente atingida pelas intemp\u00e9ries, n\u00e3o s\u00f3 deste comboio de tempestades mas j\u00e1 desde o final de novembro. H\u00e1 praticamente tr\u00eas meses que algumas embarca\u00e7\u00f5es est\u00e3o altamente condicionadas na sua atividade, para algumas est\u00e1 completamente inviabilizada\u201d. Pelas contas da ANOP Cerco, \u201ca pesca costeira est\u00e1 com menos de 50% quer em volume de desembarques quer em volume de vendas\u201d nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Com os armadores industriais em terra, fica em causa o abastecimento de todas as esp\u00e9cies que \u201cos portugueses comem em fresco\u201d, como carapaus, pescada, robalo, lulas, gambas ou lagostins. No caso da pesca de cerco, e n\u00e3o sendo \u00e9poca de apanhar sardinha, s\u00e3o tamb\u00e9m os carapaus, o biqueir\u00e3o ou a cavala de \u00e1guas nacionais que n\u00e3o est\u00e3o a chegar \u00e0 mesa dos portugueses. \u201cO que n\u00e3o ser\u00e1 afetado s\u00e3o esp\u00e9cies como o atum, o espadarte\u2026 n\u00e3o por os barcos estarem a trabalhar mas por terem ciclos de produ\u00e7\u00e3o mais longos. Muitos saem para o Atl\u00e2ntico sul e n\u00e3o desembarcam todas as semanas\u201d, explica Lu\u00eds Vicente. J\u00e1 o bacalhau n\u00e3o \u00e9 afetado \u201cporque a pesca tem ciclos de viagens de meses\u201d. J\u00e1 os pre\u00e7os, t\u00eam vindo a subir.<\/p>\n<p>\u201c<strong>O peixe nacional que h\u00e1 ser\u00e1 mais caro, pela lei da oferta e da procura.<\/strong> Portugal importa muito do seu peixe, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que imediatamente se torne dr\u00e1stica, mas o efeito vai sentir-se. Ainda para mais quando Espanha, que seria a principal alternativa, est\u00e1 a ter mais ou menos o mesmo problema com o tempo. Quem estar\u00e1 a beneficiar ser\u00e3o os importadores ou quem tivesse peixe congelado\u201d, aponta Lu\u00eds Vicente.<\/p>\n<p>Uma consulta ao <a href=\"https:\/\/observatorioagroalimentar.gov.pt\/setor\/peixes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">observat\u00f3rio<\/a> de pre\u00e7os agroalimentar, a ferramenta do Minist\u00e9rio da Agricultura que monitoriza a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de alguns bens alimentares essenciais, permite concluir que o peixe tem vindo a aumentar de forma constante desde outubro do ano passado. No entanto, o observat\u00f3rio ainda s\u00f3 tem dados at\u00e9 ao final de dezembro de 2025. Nesse per\u00edodo, entre o in\u00edcio de outubro e o final de dezembro, um quilo de peixe passou de um pre\u00e7o m\u00e9dio de 8,80 euros no consumidor para 10,48 euros por quilo, uma subida de 19%. Ao longo de todo o ano passado, como \u00e9 poss\u00edvel ver no gr\u00e1fico, os pre\u00e7os mantiveram-se mais ou menos est\u00e1veis, e at\u00e9 desceram em junho. Alargando o per\u00edodo da consulta at\u00e9 2019, o m\u00e1ximo que o observat\u00f3rio de pre\u00e7os permite, conclui-se que o pre\u00e7o do peixe, que regista sempre picos anuais em dezembro, nunca esteve t\u00e3o elevado como agora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tempestade no mar, barcos em terra. Tem sido assim, pelo menos, nas \u00faltimas tr\u00eas semanas. Os temporais que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":267234,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[562,964,1353,27,28,442,4212,1431,476,15,16,14,25,26,21,22,8532,606,19235,1009,12,13,19,20,6612,9868,302,32,23,24,33,58,17,18,29,30,31],"class_list":["post-267233","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-agricultura","tag-ambiente","tag-animais","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-ciu00eancia","tag-consumo","tag-desastres-naturais","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mau-tempo","tag-meteorologia","tag-ministu00e9rio-da-agricultura","tag-natureza","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-peixe","tag-pesca","tag-polu00edtica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-sociedade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=267233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267233\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/267234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=267233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=267233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=267233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}