{"id":26789,"date":"2025-08-12T21:28:17","date_gmt":"2025-08-12T21:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/26789\/"},"modified":"2025-08-12T21:28:17","modified_gmt":"2025-08-12T21:28:17","slug":"scuderie-le-cocq-como-e-a-serie-sobre-esquadrao-da-morte-12-08-2025-cinema-e-series","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/26789\/","title":{"rendered":"Scuderie Le Cocq: como \u00e9 a s\u00e9rie sobre esquadr\u00e3o da morte &#8211; 12\/08\/2025 &#8211; Cinema e S\u00e9ries"},"content":{"rendered":"<p>\n<strong class=\"c-signature__location\">S\u00e3o Paulo<\/strong>\n<\/p>\n<p>O Brasil ouviu por d\u00e9cadas a frase &#8220;<a href=\"https:\/\/m.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2015\/10\/1690176-metade-do-pais-acha-que-bandido-bom-e-bandido-morto-aponta-pesquisa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">bandido bom \u00e9 bandido morto<\/a>&#8220;. O que poucos sabem \u00e9 que ela nasceu dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o real, t\u00e3o controversa quanto emblem\u00e1tica: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u34494.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">a Scuderie Le Cocq<\/a>. Dirigida por Jos\u00e9 Tapaj\u00f3s, a s\u00e9rie documental &#8220;Homens Sem Lei&#8221;(A&amp;E), resgata a hist\u00f3ria do grupo com rigor jornal\u00edstico e riqueza de detalhes.<\/p>\n<p>Mais do que recontar crimes, a produ\u00e7\u00e3o revela como uma associa\u00e7\u00e3o formada por policiais e apoiada por setores da imprensa e parte da popula\u00e7\u00e3o, se <a href=\"https:\/\/m.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2011\/07\/952328-camiseta-de-esquadrao-da-morte-e-vendida-nos-jardins-em-sp.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">tornou s\u00edmbolo de um per\u00edodo de viol\u00eancia urbana institucionalizada<\/a> no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rio-de-janeiro\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Rio de Janeiro<\/a>.<\/p>\n<p>Tapaj\u00f3s diz que, conforme ia pesquisando em arquivos, entrevistas e registros da \u00e9poca sobre o esquadr\u00e3o da morte carioca, mais ia ficando impressionado. &#8220;Era uma associa\u00e7\u00e3o que, de fato, funcionou, que tinha milhares de associados com carteirinha&#8221;, conta. &#8220;E quando eu, enfim, me deparei com a hist\u00f3ria toda, ela explicava algumas coisas, ligava muitos pontos em uma mesma narrativa&#8221;.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio parte de um epis\u00f3dio-chave de 1964: o confronto entre o traficante Cara de Cavalo e o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff2805200610.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">detetive Milton Le Cocq<\/a>, o policial mais temido de seu tempo. Ap\u00f3s matar Le Cocq, o criminoso se tornou alvo de uma das maiores ca\u00e7adas policiais j\u00e1 registradas no Brasil. Foram 120 dias, cerca de 300 homens mobilizados e um desfecho brutal para vingar a morte do detetive: mais de 60 tiros disparados contra Cara de Cavalo, encontrado pelo esquadr\u00e3o em uma casa, em B\u00fazios.<\/p>\n<p>Sua morte deu origem ao grupo batizado em homenagem ao detetive e fundado, entre outros, pelo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fol\/geral\/ult241298066.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ex-delegado Sivuca<\/a>, autor da c\u00e9lebre frase.<\/p>\n<p>A Scuderie Le Cocq tinha estatuto, sede (cedida pelo governo), e, em seu auge, mais de sete mil membros num grupo de apoio \u00e0s suas atividades, incluindo m\u00e9dicos, advogados e at\u00e9 celebridades como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/pele\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Pel\u00e9 <\/a>(h\u00e1 fotos comprovando) e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/frank-sinatra\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Frank Sinatra<\/a> \u2014este \u00faltimo, inclusive, teria visitado a sede durante passagem pelo Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;A organiza\u00e7\u00e3o do grupo foi algo que me impressionou muito. Pagarem mensalidades, terem ajuda m\u00fatua\u2026 e ainda a participa\u00e7\u00e3o de figuras famosas. Era tudo muito estruturado&#8221;, relata o diretor.<\/p>\n<p>Antes da Scuderie, j\u00e1 existia o SDE (Servi\u00e7o de Dilig\u00eancias Especiais), um grupo de elite formado nos anos 1950 para &#8220;eliminar&#8221; criminosos. Mas o que diferenciou o novo esquadr\u00e3o foi o car\u00e1ter de clube, com s\u00edmbolos e um lema expl\u00edcito de exterm\u00ednio, representado por uma caveira sobre duas t\u00edbias e pelas iniciais E.M. (Esquadr\u00e3o da Morte).<\/p>\n<p>&#8220;A gente ouviu dos pr\u00f3prios jornalistas que eles tiveram um papel central nisso. O termo \u2018Esquadr\u00e3o da Morte\u2019 foi criado na reda\u00e7\u00e3o. O apelido \u2018Homens de Ouro\u2019 tamb\u00e9m nasceu no jornal. Ficou claro para n\u00f3s que a imprensa policial da \u00e9poca tinha um papel ativo nessa escalada de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/violencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">viol\u00eancia<\/a>&#8220;, afirma Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>O diretor conta ainda que a rela\u00e7\u00e3o entre imprensa e pol\u00edcia era t\u00e3o estreita que, em um dos epis\u00f3dios, um jornalista relata ter sido obrigado a pegar uma arma e atirar durante uma a\u00e7\u00e3o. &#8220;O que pode ser mais carnal do que um jornalista atirando? Era a imprensa e a pol\u00edcia de m\u00e3os dadas, fazendo esse jornalismo policial&#8221;, lembra. A s\u00e9rie explora essa cumplicidade, mostrando como as manchetes e reportagens ajudaram a construir o imagin\u00e1rio popular sobre crime e &#8220;justi\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Cada epis\u00f3dio de &#8220;Homens Sem Lei&#8221; \u00e9 constru\u00eddo a partir das hist\u00f3rias dos principais alvos do grupo, como o pr\u00f3prio Cara de Cavalo, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/01\/morte-de-lucio-flavio-criminoso-que-delatou-policiais-corruptos-completa-50-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">L\u00facio Fl\u00e1vio<\/a> \u2014eternizado no cinema por Hector Babenco\u2014 e o detetive <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1994\/9\/04\/tv_folha\/13.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Mariel Mariscot<\/a>, conhecido por casos amorosos com atrizes famosas e cuja filha, Marielsa, relembra passagens marcantes, incluindo a fuga a nado da Ilha Grande para assistir ao seu nascimento.<\/p>\n<p>Tapaj\u00f3s destaca que o objetivo n\u00e3o era criar uma fic\u00e7\u00e3o: &#8220;Quanto mais para a fic\u00e7\u00e3o a gente vai, mais se afasta da hist\u00f3ria. Quer\u00edamos contar os fatos pelos olhos de quem viveu, porque a carga da fic\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava presente na cobertura da imprensa da \u00e9poca.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, revisitar esse passado \u00e9 essencial para compreender a viol\u00eancia de hoje: &#8220;Fala-se muito das mil\u00edcias atuais, mas ningu\u00e9m olha para os anos 1960. Entender a Scuderie \u00e9 entender as ra\u00edzes disso tudo.&#8221; A s\u00e9rie estreia na quinta-feira (14) e \u00e9 coproduzida pela Pacto Filmes e Mescla Entretenimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"S\u00e3o Paulo O Brasil ouviu por d\u00e9cadas a frase &#8220;bandido bom \u00e9 bandido morto&#8220;. 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