{"id":26994,"date":"2025-08-13T00:52:06","date_gmt":"2025-08-13T00:52:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/26994\/"},"modified":"2025-08-13T00:52:06","modified_gmt":"2025-08-13T00:52:06","slug":"guerra-em-gaza-segundo-ozzy-osbourne-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/26994\/","title":{"rendered":"Guerra em Gaza, segundo Ozzy Osbourne | Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Morreu o &#8220;Pr\u00edncipe das Trevas&#8221;, o &#8220;Padrinho do Heavy Metal&#8221;, o &#8220;Madman&#8221;, faleceu Ozzy. A sua discografia, tanto a solo como nos Black Sabbath, est\u00e1 repleta de met\u00e1foras sobre a guerra, insanidade, desespero e perda. As suas letras, sobretudo as mais antigas, s\u00e3o um protesto contra a viol\u00eancia e a desumaniza\u00e7\u00e3o. E acho que, a partir daqui, consegue compreender a liga\u00e7\u00e3o ao conflito Hamas-Israel ou, neste momento, entre Israel e nada \u2013 nos v\u00e1rios sentidos que esse termo aqui pode tomar.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o conhecidas posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Ozzy relativamente ao conflito israelo-palestiniano. No entanto, a sua mulher, Sharon, de origem judia, declarou apoio a Israel ap\u00f3s os atentados de 7\/10. Era prov\u00e1vel, at\u00e9, <a href=\"http:\/\/www.timesofisrael.com\/ozzy-osbourne-stood-against-anti-israel-bias-and-antisemitism\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">segundo o Times of Israel<\/a>, que o seu marido tivesse desenvolvido uma forte conex\u00e3o ao juda\u00edsmo, tendo uma sensibilidade particular para o antissemitismo crescente na Europa.<\/p>\n<p>As letras de Ozzy, muitas das quais escritas pelo seu baixista, Geezer Butler \u2013 de quem tamb\u00e9m n\u00e3o se conhecem declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre o conflito, sendo conhecido, especialmente, pelo seu fanatismo pelo Aston Villa \u2013, s\u00e3o cantadas e lembradas pelo seu forte teor antiguerra e pelo cariz universal da sua cr\u00edtica social, condenando a viol\u00eancia, a desumanidade e a corrup\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n<p>Numa das minhas favoritas, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9ssDXiMLX9o\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">War Pigs<\/a> (1970), Ozzy brada contra as lideran\u00e7as pol\u00edticas e militares que planeiam a guerra \u00e0 dist\u00e2ncia, enquanto o custo humano \u00e9 pago por outros \u2013 soldados e civis. A dimens\u00e3o pict\u00f3rica de \u201ccorpos a queimar\u201d enquanto \u201ca m\u00e1quina de guerra continua\u201d entoa, com estrondo, a devasta\u00e7\u00e3o dos ataques de 7\/10 do Hamas e o ciclo de viol\u00eancia encetado por Israel na regi\u00e3o. Em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=o6HmfTdwYZg\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Hand of Doom<\/a> (1970), \u00e9-nos mostrada a forma como se entrela\u00e7am as m\u00e3os da morte e como a cegueira leva os tolos a tomar o sono dos outros \u2013 a dar-lhe o beijo da morte. Naquele que \u00e9, provavelmente, o seu maior \u00eaxito, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0qanF-91aJo\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Paranoid<\/a> (1970), os versos transportam-nos para um estado mental de insatisfa\u00e7\u00e3o incessante e contagiante. Um espa\u00e7o consumido pela tristeza e pelo ensandecimento, um lugar para quem j\u00e1 \u00e9 tarde demais.<\/p>\n<p>A solo, em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tMDFv5m18Pw\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Crazy Train<\/a> (1980), fazendo a ponte com uma ideia repetida em Hand of Doom, critica a artificialidade das regras escritas por pregadores e idiotas e os ferimentos mentais que causam e n\u00e3o saram. \u00c9 uma cr\u00edtica aos pol\u00edticos que, com os seus discursos, alimentam e s\u00e3o alimentados por ciclos de viol\u00eancia. O comboio desgovernado como met\u00e1fora para o caos e imponderabilidade de um conflito sem fim. Em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LplPi2CxNHI\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Bark at the Moon<\/a> (1983), os uivos servem para quebrar o sil\u00eancio e acordar da calada da noite \u2013 receia-se pela sede de vingan\u00e7a que matar\u00e1 a luz da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Enfim e para n\u00e3o ma\u00e7ar mais, em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CprfjfN5PRs\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">No More Tears<\/a> (1991), uma composi\u00e7\u00e3o complexa com mais de sete minutos, somos transportados para a atmosfera sombria de um serial killer que se dirige a uma das suas v\u00edtimas. O t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua resposta fria e indiferente ao choro da mesma: Verso 1 &#8211; A luz na janela \u00e9 uma fenda no c\u00e9u \/ Uma escadaria para a escurid\u00e3o num piscar de olhos (\u2026). Refr\u00e3o: Chega de l\u00e1grimas (x4). Verso 2 &#8211; Outro dia passa enquanto a noite se aproxima \/ A luz vermelha acende-se para dizer que \u00e9 tempo de come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Em todas estas can\u00e7\u00f5es viajamos para o dia 7\/10 em Israel e para todos os dias a partir desse na Faixa de Gaza. Em todos os versos h\u00e1 uma refer\u00eancia \u00e0 artificialidade da guerra, \u00e0s suas mentiras, \u00e0 sua desgra\u00e7a e a tudo aquilo que a alimenta. Visitamos a bruma da irracionalidade e viajamos na neblina de mais um conflito que nada tem a ver com a guerra atual. Percorremos o labirinto de beligerantes \u2013 praticamente s\u00f3 um, atualmente \u2013 que peleiam com base na assun\u00e7\u00e3o de que, se combaterem hoje, os custos humanos, econ\u00f3micos e geopol\u00edticos ser\u00e3o menos graves do que os dos conflitos de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Nunca saberemos a opini\u00e3o de Ozzy sobre o conflito israelo-palestiniano. Com o avan\u00e7ar da sua doen\u00e7a, talvez nem tivesse clareza sobre o ciclo de viol\u00eancia na regi\u00e3o, a quest\u00e3o dos dois Estados ou a escala b\u00edblica da destrui\u00e7\u00e3o de Gaza. Contudo, a sua voz ressoar\u00e1 no tempo. Agora, no original: It&#8217;s just a sign of the times \/ Going forward in reverse (No More Tears).<\/p>\n<p>O autor escreve segundo o acordo ortogr\u00e1fico de 1990<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Morreu o &#8220;Pr\u00edncipe das Trevas&#8221;, o &#8220;Padrinho do Heavy Metal&#8221;, o &#8220;Madman&#8221;, faleceu Ozzy. 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