{"id":272036,"date":"2026-02-16T10:24:15","date_gmt":"2026-02-16T10:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/272036\/"},"modified":"2026-02-16T10:24:15","modified_gmt":"2026-02-16T10:24:15","slug":"testes-acima-dos-150-km-h-solucoes-mais-caras-e-uma-borboleta-as-seis-licoes-que-as-tempestades-nos-deixam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/272036\/","title":{"rendered":"Testes acima dos 150 km\/h, solu\u00e7\u00f5es &#8220;mais caras&#8221; e uma borboleta. As seis li\u00e7\u00f5es que as tempestades nos deixam"},"content":{"rendered":"<p>\t                Num momento em que a comunidade cient\u00edfica alerta para a crescente frequ\u00eancia e intensidade de fen\u00f3menos extremos, a pergunta imp\u00f5e-se: faz sentido reconstruir infraestruturas pensadas para um clima que j\u00e1 mudou? Antes de qualquer impulso, dizem os especialistas ouvidos pela CNN Portugal, h\u00e1 um dado que n\u00e3o pode ser ignorado: o pre\u00e7o<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">\u201cN\u00e3o vale a pena estarmos a p\u00f4r velas no altar\u201d. A frase \u00e9 de Nuno Ribeiro da Silva, antigo secret\u00e1rio de Estado da Energia e antigo presidente da Endesa, que visitou as zonas afetadas pela tempestade Kristin em Ferreira do Z\u00eazere e chegou a uma conclus\u00e3o. \u201cH\u00e1 coisas em que, seja pelas raz\u00f5es t\u00e9cnicas e da engenharia, seja por raz\u00f5es econ\u00f3micas, n\u00e3o t\u00eam mesmo uma solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil\u201d. O que encontrou foi, nas suas palavras, \u201cuma coisa nunca vista\u201d.<\/p>\n<p>Postos de muito alta, m\u00e9dia e baixa tens\u00e3o, \u201ctudo arrasado\u201d, suportes partidos, linhas no ch\u00e3o \u201cpor todo o lado\u201d, subesta\u00e7\u00f5es \u201cmuito afetadas\u201d &#8211; um verdadeiro \u201cblitz\u201d. Isso refor\u00e7ou-lhe a convic\u00e7\u00e3o de que a discuss\u00e3o p\u00fablica precisa de sair do registo das respostas imediatas. \u201cSer\u00e3o meses at\u00e9 recuperar o sistema el\u00e9trico\u201d, afirma, sublinhando que, no momento em que a rede \u00e9 varrida, n\u00e3o h\u00e1 atalhos que valham e o processo de recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necessariamente lento, complexo e caro: \u201cAt\u00e9 posso recuperar um posto aqui e acol\u00e1 e uma linha aqui e acol\u00e1, mas como isto est\u00e1 tudo interligado, se tamb\u00e9m n\u00e3o tenho a montante ou a jusante a capacidade e as condi\u00e7\u00f5es para recuperar as linhas, mesmo uma que tenha posto de p\u00e9 n\u00e3o vai fazer nada\u201d.<\/p>\n<p>Mas com uma parte significativa da comunidade cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/videos\/cada-vez-mais-intensas-e-imprevisiveis-as-tempestades-sao-um-dos-efeitos-das-alteracoes-climaticas\/698afb450cf202aedcd573f5\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a alertar que eventos clim\u00e1ticos extremos tender\u00e3o a tornar-se mais frequentes e mais intensos<\/a>, a pergunta imp\u00f5e-se: faz sentido reconstruir exatamente como antes? Ou estaremos a reerguer infraestruturas para um clima que j\u00e1 mudou? Talvez por isso a ideia de desenvolver uma rede alargada de cabos subterr\u00e2neos tenha <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/meteorologia\/tempestades\/2026-02-02-governo-quer-mais-redes-eletricas-enterradas-em-portugal-so-20-das-linhas-estao-debaixo-do-chao-b6c173e5\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ganhado for\u00e7a nos dias seguintes \u00e0 tempestade<\/a>, quase como resposta intuitiva \u00e0 imagem de torres tombadas.\u00a0<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o 1. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser cara demais <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/69843090d34e0ec52ec3286a.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Estragos da depress\u00e3o Kristin em Leiria \/ Lusa <\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Mas para o antigo presidente da Endesa h\u00e1 um dado que trava logo o impulso. \u201cA rede el\u00e9trica subterr\u00e2nea \u00e9 muit\u00edssimo mais cara do que a rede el\u00e9trica a\u00e9rea\u201d, lembra, sublinhando que esse custo \u201ctem de ser pago na fatura dos consumidores\u201d. \u201c\u00c9 o que chamamos de pot\u00eancia contratada, portanto, a parte fixa do custo que temos na fatura el\u00e9trica, e, portanto, h\u00e1 essa quest\u00e3o de pre\u00e7o, que n\u00e3o \u00e9 negligenci\u00e1vel, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 bastante importante e pesada\u201d.<\/p>\n<p>Enterrar a rede multiplica por \u201c10 a 15 vezes o custo de instala\u00e7\u00e3o\u201d, sublinha Jo\u00e3o Pe\u00e7as Lopes, professor catedr\u00e1tico do Departamento de Engenharia Eletrot\u00e9cnica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e diretor associado do INESC TEC, lembrando tamb\u00e9m que as quest\u00f5es n\u00e3o se esgotam no pre\u00e7o.<\/p>\n<p>O professor recorda um ver\u00e3o particularmente quente em Fran\u00e7a que mostrou os limites f\u00edsicos desta solu\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea. \u201cEstava imenso calor, os cabos passavam por debaixo do tapete de asfalto, o asfalto \u00e9 negro, portanto absorve a radia\u00e7\u00e3o solar e tudo aquilo que havia por baixo do tapete de asfalto resultava numa temperatura do solo extremamente elevada. O problema foi que \u201co solo estava t\u00e3o quente que eles n\u00e3o conseguiam evacuar o calor que produziam. E, portanto, tiveram de ser cortados, porque n\u00e3o podiam alimentar a totalidade dos consumos\u201d. Leia-se: \u201c\u00c9 preciso ter muito cuidado com estas coisas, porque n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es milagrosas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, lembra que um cabo subterr\u00e2neo n\u00e3o \u00e9 como se fosse uma linha a\u00e9rea enterrada. \u201cUm cabo subterr\u00e2neo tem de passar pelas vias de comunica\u00e7\u00e3o terrestres que existem, ou seja, passa pelas estradas, pelas autoestradas, pelas ruas, porque n\u00e3o pode passar por baixo de casas, n\u00e3o pode passar por baixo de campos. Portanto, tem de seguir uma trajet\u00f3ria que \u00e9 mais extensa e todo o processo de constru\u00e7\u00e3o \u00e9 todo ele mais pesado\u201d.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o 2. Enterrar cabos em zonas cr\u00edticas <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/6979e8f7d34e92a344981c1e.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Zona de Brancanes, em Set\u00fabal. Dois cedros com mais de 30 metros de altura ca\u00edram para cima desta moradia\/ Sofia Garcia, CNN Portugal <\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que a hip\u00f3tese de enterrar cabos seja simplesmente descartada. Para Nuno Ribeiro da Silva, h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o a ser retirada dos efeitos da tempestade e, ainda que \u201cem nenhum s\u00edtio do mundo haja uma rede el\u00e9trica totalmente enterrada\u201d, \u00e9 poss\u00edvel \u201ctermos tro\u00e7os em que seja feito enterramento, porque s\u00e3o considerados e referenciados como zonas cr\u00edticas mais vulner\u00e1veis\u201d, como por exemplo, \u201cum vale que funciona muitas vezes como corredor de vento&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda assim, enterrar um tro\u00e7o n\u00e3o resolve tudo. \u201cEu posso enterrar um tro\u00e7o e refor\u00e7ar esse tro\u00e7o particularmente vulner\u00e1vel, e, no entanto, se o poste ou o cabo parte a montante ou a jusante dessa zona que est\u00e1 enterrada, tem um problema, porque os eletr\u00f5es n\u00e3o passam\u201d. \u00c9 um bocadinho como o jogador de futebol que pode p\u00f4r uma caneleira, \u201cmas se leva um pontap\u00e9 na coxa, fica tamb\u00e9m sem conseguir jogar\u201d. A tempestade, diz, mostrou precisamente isso, que h\u00e1 limites para aquilo que o dinheiro consegue resolver. \u201cH\u00e1 coisas em que, seja pelas raz\u00f5es t\u00e9cnicas e da engenharia, seja por raz\u00f5es econ\u00f3micas, n\u00e3o tem mesmo solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. N\u00e3o vale a pena estarmos a p\u00f4r velas no altar\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A solu\u00e7\u00e3o vai passar sempre por ter solu\u00e7\u00f5es de recurso, que s\u00e3o mais caras, e como tal, devemos identificar com muito cuidado as zonas onde as queremos verdadeiramente instalar&#8221;, sublinha Jo\u00e3o Pe\u00e7as Lopes.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o 3. Testar acima dos 150 km\/h e refor\u00e7ar com a\u00e7o <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"467\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/697b8620d34e92a344982fcb.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Efeitos da tempestade Kristin em Leiria \/ D.R <\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Ainda assim, de forma pr\u00e1tica, h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es que podem ser feitas. A come\u00e7ar pelos testes que s\u00e3o feitos \u00e0s infraestruturas. Hoje, as linhas de muito alta, alta e m\u00e9dia tens\u00e3o s\u00e3o dimensionadas para ventos na ordem dos 150 quil\u00f3metros por hora. Na depress\u00e3o Kristin, em alguns locais, os ventos ultrapassaram os 170 km\/h. A diferen\u00e7a pode parecer apenas num\u00e9rica, mas, como explica Jo\u00e3o Pe\u00e7as Lopes, \u00e9 a\u00ed que tudo muda: a press\u00e3o do vento sobre os cabos aumenta, transmite-se aos apoios, gera for\u00e7as que as estruturas simplesmente n\u00e3o estavam preparadas para suportar.<\/p>\n<p>\u201cTemos que rever os regulamentos de seguran\u00e7a que determinam as hip\u00f3teses de c\u00e1lculo mec\u00e2nico das infraestruturas das linhas a\u00e9reas\u201d, defende. \u201cEu acho que se devia passar a admitir ventos muito mais elevados que os 150 km por hora\u201d. Isso implica, naturalmente, \u201cuma revis\u00e3o de dimensionamentos das infraestruturas que j\u00e1 existem\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Na mesma linha, Nuno Ribeiro da Silva aponta para ajustes mais concretos no terreno. \u201cPosso ter um refor\u00e7o da engenharia em que, sobretudo em zonas cr\u00edticas, suscet\u00edveis a maiores ventanias, refor\u00e7o as estruturas\u201d. Vai custar dinheiro, admite, \u201cmas, apesar de tudo, n\u00e3o \u00e9 um aumento t\u00e3o impactante e t\u00e3o insuport\u00e1vel\u201d como enterrar a rede.<\/p>\n<p>E refor\u00e7ar significa mesmo refor\u00e7ar. \u201c\u00c9 na estrutura dos suportes, dos postes, por exemplo, ter mais a\u00e7o\u201d. Mas n\u00e3o s\u00f3. Ribeiro da Silva levanta ainda outra hip\u00f3tese t\u00e9cnica: a altura das pr\u00f3prias estruturas. \u201cVejo em muitos pa\u00edses, em Fran\u00e7a, na Su\u00ed\u00e7a, tipicamente pa\u00edses da Europa Central, Alemanha, entre outros, em que os suportes n\u00e3o est\u00e3o a uma altura t\u00e3o elevada como est\u00e3o, tipicamente, nas redes nacionais\u201d. E lembra um dado b\u00e1sico: \u201cOs ventos sopram com maior viol\u00eancia a maiores altitudes\u201d. Talvez, sugere, seja altura de estudar \u201cse, de facto, temos uma necessidade de ter os suportes e os condutores a uma altura t\u00e3o grande do solo&#8221;. Ainda assim, reconhece os limites: \u201cS\u00e3o formas de mitigar isto, mas n\u00e3o resolve, porque se \u00e9 tudo varrido, \u00e9 tudo varrido\u201d.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o 4. Evitar a met\u00e1fora da borboleta e do tuf\u00e3o <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"467\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/698520d2d34e92a344987e9e.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Cheias em Alc\u00e1cer do Sal \/ LUSA <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o professor Jo\u00e3o Pe\u00e7as Lopes converge nesse ponto essencial. \u201cUma solu\u00e7\u00e3o de refor\u00e7o das infraestruturas a\u00e9reas, das linhas a\u00e9reas, \u00e9 claramente mais barata.\u201d Mas para \u00e9 necess\u00e1rio \u201cter perfis met\u00e1licos com maior capacidade de suportar esfor\u00e7os\u201d. E n\u00e3o basta olhar para o poste: \u201cAs pr\u00f3prias funda\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser revistas, porque depois aquilo traduz-se num momento derrubante e, se a funda\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem capacidade de contrapor um momento estabilizante, aquilo vai ao ch\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de tornar o sistema mais robusto, para Nuno Ribeiro da Silva h\u00e1 outra dimens\u00e3o nesta aprendizagem: reduzir a exposi\u00e7\u00e3o do conjunto, adaptando \u00e0quilo que a tecnologia nos dias de hoje pode oferecer. \u00a0\u201cO ideal \u00e9 termos a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade mais pr\u00f3xima das zonas de consumo\u201d, sublinha apontando que a tend\u00eancia ser\u00e1 termos \u201cuma gera\u00e7\u00e3o de eletricidade disseminada no territ\u00f3rio, com parques e\u00f3licos, com parques solares, com centrais de biomassa, com geotermia\u201d. Essa dispers\u00e3o, defende, permite construir \u201credes com car\u00e1cter mais local e regional que evitem ou que mitiguem que a infe\u00e7\u00e3o, entre aspas, se estenda ao corpo todo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A imagem que Nuno Ribeiro da Silva usa para ilustrar este argumento \u00e9 simples: numa rede totalmente interligada, \u201cuma borboleta bate a asa e provoca um tuf\u00e3o no outro lado do planeta\u201d. Um sistema mais descentralizado tende a ser \u201cmenos infecioso\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o 5. Geradores e grupos de socorro m\u00f3veis <\/p>\n<p>Mas mesmo um sistema mais robusto e mais descentralizado pode falhar perante um evento extremo. Para Jo\u00e3o Pe\u00e7as Lopes, a aprendizagem aqui a retirar \u00e9 que \u00e9 preciso preparar o pa\u00eds para o cen\u00e1rio limite. \u201cComo, por exemplo, alimenta\u00e7\u00f5es de esta\u00e7\u00f5es de tratamentos de \u00e1guas, com eletrobombas para garantir que h\u00e1 \u00e1gua para distribui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, tratamentos de esgotos, hospitais, lares. Todas essas instala\u00e7\u00f5es, futuramente, t\u00eam de pensar em ter geradores\u201d.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o passa tamb\u00e9m por refor\u00e7ar os pr\u00f3prios n\u00f3s da rede e \u201cadmitir a possibilidade de alguns geradores poderem ser instalados nos postos de transforma\u00e7\u00e3o\u201d, diz, referindo-se ao \u00faltimo ponto antes da eletricidade chegar \u00e0s casas. E ir mais longe: criar \u201cgrupos de socorro\u201d m\u00f3veis que possam ser deslocados para as zonas mais afetadas. \u201cComo estes grupos de socorro normalmente s\u00e3o m\u00f3veis, se eu perceber que tenho uma zona que est\u00e1 muito afetada e que o resto do pa\u00eds n\u00e3o tem esse problema, estou a deslocar os grupos dos locais onde o problema n\u00e3o ocorreu para os locais onde eles ocorreram\u201d.<\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda uma ferramenta que j\u00e1 existe e pode ser usada em emerg\u00eancia: os contadores inteligentes. \u201cO operador da rede pode mudar a pot\u00eancia m\u00e1xima que ele consome\u201d. Em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, explica, \u201co que se tem de fazer \u00e9 limitar as pot\u00eancias desses contadores para que todas as pessoas consigam consumir alguma coisa, mas nunca consumir grandes volumes de energia el\u00e9trica.\u201d Algo que n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel, mas que permite repartir a escassez.\u00a0<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o 6. \u00c9 necess\u00e1ria uma &#8220;conven\u00e7\u00e3o&#8221; <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"467\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/69851f82d34e0ec52ec334a6.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Efeitos do mau tempo em Portalegre \/ LUSA <\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Mas a vulnerabilidade revelada pela tempestade n\u00e3o come\u00e7a nos postes nem termina nas linhas. Para o engenheiro Carlos Gaivoto, o problema \u00e9 mais fundo: est\u00e1 na forma como o territ\u00f3rio foi sendo ocupado e gerido. \u201cN\u00e3o temos essa tradi\u00e7\u00e3o\u201d, diz, referindo-se \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de planeamento estrat\u00e9gico que outros pa\u00edses foram consolidando ao longo de d\u00e9cadas. \u201cO problema \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o temos. N\u00e3o temos e o poder pol\u00edtico ignora, ou pelo menos tem-se feito desentendido relativamente \u00e0quilo que \u00e9 preciso fazer\u201d.<\/p>\n<p>E o que est\u00e1 em causa, insiste, n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnica. \u201cEstas quest\u00f5es n\u00e3o se resolvem s\u00f3 tecnicamente&#8221;, diz, sublinhando que se resolvem &#8220;a v\u00e1rios n\u00edveis, at\u00e9 ao n\u00edvel legislativo e institucional, ao n\u00edvel pol\u00edtico e ao n\u00edvel t\u00e9cnico&#8221;. Em Fran\u00e7a, recorda, depois da tempestade de 1999, houve uma resposta estruturada: \u201cEles j\u00e1 t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o de planeamento. Uma tradi\u00e7\u00e3o de planeamento, n\u00e3o s\u00f3 estrat\u00e9gico, mas tamb\u00e9m de planeamento operacional\u201d. As ag\u00eancias de urbanismo e as autoridades de transporte trabalham de forma articulada e permanente. \u201cEst\u00e3o a construir solu\u00e7\u00f5es muito mais resilientes e muito mais sustent\u00e1veis. N\u00f3s n\u00e3o temos essa tradi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Parte do problema, na sua leitura, est\u00e1 no modo como as cidades cresceram. \u201cO sistema tem-se reproduzido com esta forma especulativa, \u00e9 tudo valor de troca, n\u00e3o h\u00e1 valor social do solo, \u00e9 s\u00f3 construir e construir\u201d. E isso tem consequ\u00eancias. \u201cQuando n\u00e3o se respeitam as m\u00ednimas regras de urbanismo ecol\u00f3gico, quando n\u00e3o se respeitam princ\u00edpios de resili\u00eancia e de sustentabilidade do territ\u00f3rio e das popula\u00e7\u00f5es deixamos as popula\u00e7\u00f5es isoladas e precariamente assistidas\u201d.<\/p>\n<p>Para Carlos Gaivoto, a resposta passa por criar uma estrutura permanente de coordena\u00e7\u00e3o entre urbanismo e transportes. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio fazer um transit act em Portugal\u201d, defende. \u201cUma conven\u00e7\u00e3o que pusesse todas as autoridades a falar sobre pontos muito concretos do que \u00e9 que s\u00e3o estas redes de transporte coletivo em s\u00edtio pr\u00f3prio, como \u00e9 que elas podem ser trabalhadas\u201d. O objetivo: \u201ccome\u00e7ar a organizar institucionalmente esta articula\u00e7\u00e3o entre o urbanismo e transportes\u201d. Sem isso, avisa, \u201cestaremos sempre a intervir de uma forma reativa e muito casu\u00edstica, sem ter uma atitude estrat\u00e9gica perante esse problema\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Num momento em que a comunidade cient\u00edfica alerta para a crescente frequ\u00eancia e intensidade de fen\u00f3menos extremos, a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":272037,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[609,836,611,27,28,29568,2139,607,608,604,610,539,3118,15,16,47424,14,8624,603,25,26,570,21,22,8532,606,12,13,19,20,602,32,23,24,33,58,20982,605,17,18,29,30,31],"class_list":["post-272036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cheias","tag-chuva","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-crime","tag-direto","tag-educacao","tag-eletricidade","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-geradores","tag-headlines","tag-infraestruturas","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mau-tempo","tag-meteorologia","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-sociedade","tag-tempestade","tag-tempo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272036"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272036\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/272037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}