{"id":272538,"date":"2026-02-16T18:29:10","date_gmt":"2026-02-16T18:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/272538\/"},"modified":"2026-02-16T18:29:10","modified_gmt":"2026-02-16T18:29:10","slug":"dados-que-ajudam-aves-em-risco-nao-podem-morrer-no-computador-de-alguem-conservacao-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/272538\/","title":{"rendered":"Dados que ajudam aves em risco n\u00e3o podem \u201cmorrer no computador de algu\u00e9m\u201d | Conserva\u00e7\u00e3o da natureza"},"content":{"rendered":"<p>Em todo o mundo h\u00e1 investigadores atarefados a perceber melhor algumas esp\u00e9cies de aves aqu\u00e1ticas, o que as amea\u00e7a e o que se pode fazer para impedir que venham a sofrer um decl\u00ednio do qual j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel regressar. Mas grande parte dessa informa\u00e7\u00e3o acaba por n\u00e3o ser disponibilizada para toda a comunidade cient\u00edfica, o que prejudica n\u00e3o s\u00f3 a partilha de conhecimento, como o desenvolvimento das medidas mais adequadas de protec\u00e7\u00e3o. Um artigo cient\u00edfico agora publicado revela que, entre um conjunto de aves aqu\u00e1ticas em risco, cerca de 50% das esp\u00e9cies n\u00e3o tem informa\u00e7\u00e3o de monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e, nos casos em que houve informa\u00e7\u00e3o recolhida, menos de 30% foi introduzida online.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 algo que \u00e9 urgente mudar, defende-se no artigo Global review of shorebird tracking data to identify research gaps and conservation priorities (Revis\u00e3o global da informa\u00e7\u00e3o de monitoriza\u00e7\u00e3o de aves lim\u00edcolas para identificar falhas na pesquisa e prioridades de conserva\u00e7\u00e3o), publicado na edi\u00e7\u00e3o de Fevereiro da <a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/cobi.70211\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Conservation Biology<\/a>, e que conta, entre os seus autores, com <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/08\/06\/azul\/noticia\/procurar-respostas-desde-2006-paraiso-limicolas-2014332\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jos\u00e9 Alves<\/a>, especialista em aves lim\u00edcolas do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro, bem como cientistas da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, da Universidade da Isl\u00e2ndia e da Universidade de Montpellier (Fran\u00e7a).<\/p>\n<p>\u201cCom o artigo, quisemos explicar o que h\u00e1 em termos de monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, como est\u00e1 dispon\u00edvel, se est\u00e1 e onde essa informa\u00e7\u00e3o pode ser utilizada para conserva\u00e7\u00e3o de modo quase imediato\u201d, explica Jos\u00e9 Alves.<\/p>\n<p>Para tal, foram seleccionadas 195 esp\u00e9cies lim\u00edcolas em risco e esmiu\u00e7ados quantos estudos de monitoriza\u00e7\u00e3o existiam sobre elas. Foram consideradas 351 publica\u00e7\u00f5es, produzidas entre 1989 e Julho de 2023, \u00e0s quais foram acrescentados dados dispon\u00edveis na plataforma <a href=\"https:\/\/www.movebank.org\/cms\/movebank-main\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Movebank<\/a>, que congrega informa\u00e7\u00f5es sobre monitoriza\u00e7\u00e3o de todos os animais que existem.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es indicam que \u201cfaltava monitoriza\u00e7\u00e3o para 50% das esp\u00e9cies\u201d e que das publica\u00e7\u00f5es analisadas, apenas \u201c29,6% da informa\u00e7\u00e3o reportada foi introduzida num reposit\u00f3rio online\u201d.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que, com o avan\u00e7ar dos anos, a tend\u00eancia para disponibilizar essa informa\u00e7\u00e3o online tem vindo a aumentar \u2013 em 2022, 75% das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas com dados originais j\u00e1 estavam nessas condi\u00e7\u00f5es. A menos boa \u00e9 que h\u00e1 um claro vi\u00e9s do material produzido, com as regi\u00f5es mais ricas do globo (a Am\u00e9rica do Norte, a Europa e a Austr\u00e1lia) a concentrarem a maior parte dos estudos e algumas esp\u00e9cies, sobretudo marcadas no hemisf\u00e9rio Norte, a receberem muito mais aten\u00e7\u00e3o do que outras.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cies a precisar de mais<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise permitiu tamb\u00e9m aos autores identificarem uma lista \u201cconservadora\u201d de 16 esp\u00e9cies de lim\u00edcolas que mais podem beneficiar de monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua (atrav\u00e9s de GPS, por exemplo) e da partilha dessa informa\u00e7\u00e3o. Esp\u00e9cies que est\u00e3o muito concentradas no Sudoeste Asi\u00e1tico, Indon\u00e9sia e Austr\u00e1lia, al\u00e9m de quatro end\u00e9micas da Am\u00e9rica do Sul e uma de Madag\u00e1scar. A selec\u00e7\u00e3o inclui esp\u00e9cies como o pilrito-de-bico-comprido (Calidris ferruginea), o borrelho-de-madagascar (Charadrius thoracicus), a narceja-imperial (Gallinago imperialis) ou a galinhola-das-molucas (Scolopax rochussenii).<\/p>\n<p>\u201cA informa\u00e7\u00e3o de monitoriza\u00e7\u00e3o de lim\u00edcolas representa um recurso enorme e em crescimento para a ci\u00eancia e a conserva\u00e7\u00e3o\u201d, conclui o artigo agora publicado. \u201cDado o aumento do impacto e potencial de reutiliza\u00e7\u00e3o de dados de monitoriza\u00e7\u00e3o arquivados em reposit\u00f3rios online, enfatizamos a necessidade para melhorar a coordena\u00e7\u00e3o entre equipas de investigadores de lim\u00edcolas para colocarem <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/12\/03\/azul\/noticia\/estuario-tejo-capturamse-aves-aprender-2029228\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">tags<\/a> estrategicamente e para arquivarem dados de monitoriza\u00e7\u00e3o em estudos revistos pelos pares, para que a sua utilidade possa ser maximizada no futuro\u201d, acrescenta-se.<\/p>\n<p>\u201cEstes resultados podem ajudar a guiar o desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia global coerente para monitorizar este grupo de esp\u00e9cies entre as mudan\u00e7as globais em curso, clim\u00e1ticas e no uso dos solos, com a acelera\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/15\/azul\/noticia\/acabou-esperanca-macaricodebicofino-ave-declarada-extinta-2150945\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">perda de biodiversidade<\/a>\u201d, escrevem os cientistas.<\/p>\n<p>A plataforma<\/p>\n<p>O artigo segue-se a um trabalho precisamente nesse sentido j\u00e1 iniciado em 2023, por um grupo de investigadores que incluem Jos\u00e9 Alves, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/09\/03\/azul\/noticia\/serao-bagascorvo-segredo-migracao-seis-mil-quilometros-paragens-2014554\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Camilo Carneiro<\/a> e Hugo Ferreira \u2013 todos da Universidade de Aveiro \u2013 al\u00e9m de outros cientistas nacionais e internacionais. Foi nesse ano que lan\u00e7aram a <a href=\"https:\/\/www.globalwader.org\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Global Wader<\/a> (GW), uma plataforma em que \u00e9 poss\u00edvel perceber que esp\u00e9cies e onde est\u00e3o a ser seguidas cientificamente, permitindo a qualquer investigador do planeta solicitar informa\u00e7\u00e3o que lhe possa interessar sobre os dados ali congregados.<\/p>\n<p>\u201cTentamos partir algumas barreiras. O primeiro direito a utilizar os dados \u00e9 sempre do investigador que os recolhe, mas oferecemos a possibilidade de estabelecer contacto entre a comunidade\u201d, explica Jos\u00e9 Alves.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Jose Alves acompanhou e estudou a nidificacao de v\u00e1rias especies de limicolas na Isl\u00e2ndia&#13;<br \/>\nNuno Ferreira Santos                    &#13;<\/p>\n<p>Ou seja, um investigador que esteja, por exemplo, a estudar o ma\u00e7arico-de-bico-direito (Limosa limosa), a ave central do trabalho de Jos\u00e9 Alves, mas que n\u00e3o tenha oportunidade de seguir todo o ciclo migrat\u00f3rio da esp\u00e9cie, limitando-se \u00e0 \u00e1rea do globo onde se encontra, pode solicitar \u00e0 plataforma o contacto com colegas que estejam a estudar a mesma ave noutros pontos do planeta, permitindo um conhecimento mais abrangente do que est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>\u201cA g\u00e9nese da ideia foi pensarmos que nos nossos pr\u00f3prios trabalhos recolhemos uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es, por exemplo, sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea h\u00famida, para esp\u00e9cies que, em parte do tempo, n\u00e3o est\u00e3o aqui. Elas interagem, migram, v\u00e3o para outros espa\u00e7os e deixamos de ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o do que se passa fora da nossa \u00e1rea. Pens\u00e1mos que, se pud\u00e9ssemos potenciar o uso desses dados, criar uma plataforma onde possamos colocar toda a informa\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos todos a ganhar com isso. N\u00e3o queremos que os dados morram no computador de algu\u00e9m\u201d, explica.<\/p>\n<p>A plataforma j\u00e1 d\u00e1 frutos. Recolhe actualmente dados de 53 investigadores de todo o mundo, promove trabalhos colaborativos e \u00e9 chamada para ajudar, por exemplo, ao desenvolvimento de projectos em curso, como aconteceu com a candidatura do arquip\u00e9lago de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/14\/culturaipsilon\/noticia\/parque-nacional-maputo-bijagos-elevados-patrimonio-mundial-natural-unesco-2140133\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Bijag\u00f3s<\/a> a Patrim\u00f3nio Mundial Natural da Unesco (o que se concretizou em Julho do ano passado) ou a instala\u00e7\u00e3o de um projecto e\u00f3lico no Mar do Norte. Em ambos os casos, foi solicitado \u00e0 plataforma que fornecesse dados relacionados com as aves lim\u00edcolas migrat\u00f3rias que atravessam ou vivem parte da sua vida naquelas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Convencer os cientistas a partilhar informa\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 f\u00e1cil \u2013 h\u00e1 muito trabalho e custos avultados envolvidos \u2013, explica Jos\u00e9 Alves. Mas a expectativa \u00e9 que plataformas como a GW ajudem a desbravar esse caminho. \u201c\u00c9 isso que queremos fazer. \u00c9 muito f\u00e1cil continuarmos no nosso cantinho, a colocar tags na nossa \u00e1rea de estudo, quando para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, se calhar, era mais interessante coloc\u00e1-las noutro local. A partilha de informa\u00e7\u00e3o permite coordenar esses esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o \u00e0 escala global, e conseguir isso era espectacular\u201d, defende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em todo o mundo h\u00e1 investigadores atarefados a perceber melhor algumas esp\u00e9cies de aves aqu\u00e1ticas, o que as&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":272539,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[3699,785,2780,27,28,3697,15,16,14,541,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,14825,63,64,65],"class_list":["post-272538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-aves","tag-azul","tag-biodiversidade","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-conservacao-da-natureza","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-investigacao-cientifica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-universidade-de-aveiro","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272538\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/272539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}