{"id":273237,"date":"2026-02-17T08:17:22","date_gmt":"2026-02-17T08:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/273237\/"},"modified":"2026-02-17T08:17:22","modified_gmt":"2026-02-17T08:17:22","slug":"ha-sinais-de-um-el-nino-a-formar-se-que-pode-trazer-anos-de-calor-recorde-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/273237\/","title":{"rendered":"H\u00e1 sinais de um \u201cEl Ni\u00f1o\u201d a formar-se, que pode trazer anos de calor recorde | Clima"},"content":{"rendered":"<p>Foi a segunda vez em dois meses. Levantou-se um vento forte numa zona remota do Oeste do oceano Pac\u00edfico em Janeiro, e isso \u00e9 um sinal de que est\u00e3o aumentar as probabilidades de que vai haver uma mudan\u00e7a significativa nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos do planeta daqui a alguns meses.<\/p>\n<p>Estas rajadas de vento, t\u00e3o fortes que est\u00e3o a bater recordes, est\u00e3o a empurrar algumas das \u00e1guas oce\u00e2nicas mais quentes do mundo, no Pac\u00edfico Ocidental, a sul de Guam, para a Am\u00e9rica do Sul. O que este fen\u00f3meno assinala \u00e9 que se est\u00e1 a formar um padr\u00e3o clim\u00e1tico de El Ni\u00f1o, que marca anos de maior aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>A elevada probabilidade deste cen\u00e1rio foi confirmada por novos dados divulgados pelo Centro Europeu de Previs\u00f5es do Tempo a M\u00e9dio Prazo, que prev\u00eaem a chegada do El Ni\u00f1o j\u00e1 no Ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora este padr\u00e3o seja marcado pela subida da temperatura nas \u00e1guas superficiais do Pac\u00edfico equatorial, os seus efeitos estendem-se muito para al\u00e9m desta regi\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p>Os efeitos do El Ni\u00f1o n\u00e3o ser\u00e3o imediatos. Mas poder\u00e1 influenciar a \u00e9poca de furac\u00f5es no Atl\u00e2ntico e causar epis\u00f3dios meteorol\u00f3gicos extremos nos Estados Unidos, no final do ano.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m poder\u00e1 alterar os padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica e \u00c1sia; aumentar a probabilidade de novos epis\u00f3dios de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/11\/15\/azul\/noticia\/ondas-internas-pacifico-ajudam-prever-comportamento-el-nino-nina-2070320\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">branqueamento (morte) de corais<\/a>; e desencadear altera\u00e7\u00f5es no gelo marinho do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/04\/02\/azul\/noticia\/gelo-marinho-inverno-arctico-caiu-nivel-baixo-ja-registado-2128137\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00c1rctico <\/a>e da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/07\/31\/azul\/noticia\/mar-escavar-lagrimas-base-plataforma-gelo-antarctida-2099441\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ant\u00e1rctida<\/a>, uma vez que o calor acumulado perto do equador acaba por se deslocar &#8211; e talvez fa\u00e7a a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/14\/azul\/noticia\/temperatura-media-terra-ficou-acima-acordo-paris-ultimos-tres-anos-2161076\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">temperatura global bater novos recordes.<\/a><\/p>\n<p>At\u00e9 onde sobe o term\u00f3metro?<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/05\/14\/azul\/noticia\/verao-2023-hemisferio-norte-quente-2000-anos-2090392\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">El Ni\u00f1o que se formou em 2023<\/a> e atingiu o pico no in\u00edcio de 2024 contribuiu significativamente para que esse ano fosse mais quente jamais registado, desde que come\u00e7amos a fazer medi\u00e7\u00f5es directas.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o das anomalias da temperatura global em 2023 com as que se podem prever prever at\u00e9 Julho deste ano permite encontrar pistas sobre qu\u00e3o quente pode vir a ser 2026. E sobre esta interroga\u00e7\u00e3o: ser\u00e1 que o recorde de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/18\/azul\/noticia\/chega-fim-ano-quente-vidas-2115911\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">2024, o ano mais quente<\/a> desde que fazemos registos, poder\u00e1 em breve ser batido?<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Corais que sofreram um branqueamento, um dos efeitos poss\u00edveis do aquecimento da \u00e1gua do mar&#13;<br \/>\nOve Hoegh-Guldberg\/Universidade de Queensland\/REUTERS                    &#13;<\/p>\n<p>A partir de Fevereiro, os modelos sugerem que a temperatura global no in\u00edcio deste ano ser\u00e1 mais mais elevada do que foi em 2023. Isto significa que o per\u00edodo de 2026 a 2028 pode vir a ter novos recordes de temperatura global.<\/p>\n<p>&#8220;O calor que vem do oceano durante o El Ni\u00f1o contribui para o aquecimento global&#8221;, explicou Kevin Trenberth, investigador do Centro Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o Atmosf\u00e9rica, nos EUA.<\/p>\n<p>Esse calor oce\u00e2nico emana de um local chamado Piscina Quente do Pac\u00edfico Ocidental &#8211; onde houve recordes de calor em 2025. De facto, 2026 foi o nono ano consecutivo em que o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/09\/azul\/noticia\/oceano-absorveu-tanto-calor-aquecimento-global-2025-2160583\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">conte\u00fado de calor no oceano<\/a> global bateu recordes.<\/p>\n<p>Talvez um novo recorde em 2027<\/p>\n<p>De acordo com Trenberth, a temperatura global costuma atingir o pico mais alto passados tr\u00eas meses ap\u00f3s se come\u00e7ar a formar o padr\u00e3o clim\u00e1tico El Ni\u00f1o. Isto poder\u00e1 fazer com que 2027 venha a ser o ano com novos recordes de temperatura global.<\/p>\n<p>Eric Webb, meteorologista do Departamento de Defesa dos EUA, descreveu esta mudan\u00e7a na temperatura global durante os grandes epis\u00f3dios de El Ni\u00f1o como uma escada ascendente.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Devido ao aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gases com efeito de estufa, o sistema clim\u00e1tico n\u00e3o consegue libertar de forma eficaz o calor de um grande evento El Ni\u00f1o, antes que o pr\u00f3ximo El Ni\u00f1o apare\u00e7a. Desta forma, o ponto de partida est\u00e1 sempre a ser empurrado mais para cima <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nEric Webb                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>&#8220;Devido ao aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gases com efeito de estufa, o sistema clim\u00e1tico n\u00e3o consegue libertar de forma eficaz o calor de um grande evento El Ni\u00f1o, antes que o pr\u00f3ximo El Ni\u00f1o apare\u00e7a. Desta forma, o ponto de partida est\u00e1 sempre a ser empurrado mais para cima&#8221;, explicou Webb.<\/p>\n<p>As rajadas de Oeste<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o e a La Ni\u00f1a s\u00e3o os factores mais significativos da variabilidade clim\u00e1tica anual no planeta. Mas, em vez de interruptores de ligar e desligar, estas duas fases opostas s\u00e3o mais como reguladores de luz, aumentando ou diminuindo gradualmente a intensidade, existindo num espectro, em vez de oscilarem entre extremos.<\/p>\n<p>Isto pode tornar mais dif\u00edcil a comunica\u00e7\u00e3o dos seus potenciais impactos, especialmente quando uma fase est\u00e1 a transitar para outra &#8211; e o El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a entram numa esp\u00e9cie de jogo da corda clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        As \u00e1guas do Pac\u00edfico costumam ser\u00e3o t\u00e3o calmas que parecem mais uma pintura do que realidade&#13;<br \/>\nNOAA Office of Ocean Exploration and Research                    &#13;<\/p>\n<p>E antes de podermos medir a for\u00e7a de um El Ni\u00f1o, \u00e9 necess\u00e1rio que este se forme. \u00c9 a\u00ed que entram as rajadas de vento no Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos a falar de um vento gelado de Inverno, mas antes de um vento quente e tropical, que sopra perto da Nova Caled\u00f3nia, das Ilhas Salom\u00e3o e da Papu\u00e1sia Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p>Normalmente, os ventos sopram de Leste para Oeste no oceano Pac\u00edfico tropical, formando um padr\u00e3o previs\u00edvel, designado por Ventos Al\u00edsios. Estes ventos fazem com que perto da Papu\u00e1sia Nova Guin\u00e9 e das Filipinas se juntem das \u00e1guas mais quentes do planeta.<\/p>\n<p>No entanto, algumas vezes por ano, os ventos enfraquecem e invertem a direc\u00e7\u00e3o, soprando de Oeste para Leste a cerca de 24 km\/hora, durante algumas semanas. Temos aqui ent\u00e3o as rajadas de vento de Oeste, que costumam ser o primeiro sinal da forma\u00e7\u00e3o de um El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>\u00c0 espera das ondas Kelvin<\/p>\n<p>Estes ventos de oeste empurram a \u00e1gua quente para Leste, a partir da Piscina Quente do Pac\u00edfico Ocidental. Este fen\u00f3meno estimula a forma\u00e7\u00e3o de ondas grandes e lentas, chamadas <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/11\/15\/azul\/noticia\/ondas-internas-pacifico-ajudam-prever-comportamento-el-nino-nina-2070320\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ondas Kelvin<\/a>. &#8220;Ao contr\u00e1rio das ondas que se v\u00eaem na praia, as ondas Kelvin n\u00e3o se ondulam e depois rebentam. S\u00e3o mais parecidas com as ondas da banheira, que se agitam lentamente&#8221;, disse Michelle L&#8217;Heureux, da Administra\u00e7\u00e3o Nacional para os Oceanos e Atmosfera (NOAA) dos EUA.<\/p>\n<p>Um vento de Oeste, em Dezembro, provocou a forma\u00e7\u00e3o de uma onda Kelvin, com a \u00e1gua quente a deslizar a algumas centenas de metros abaixo da superf\u00edcie do Pac\u00edfico. A rajada de Janeiro refor\u00e7ar\u00e1 o padr\u00e3o, provavelmente formando outra onda Kelvin que deslocar\u00e1 calor &#8211; estas ondas Kelvin demoram dois a tr\u00eas meses a atravessar o Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Os modelos de previs\u00e3o a longo prazo permitem antecipar que esta \u00e1gua mais quente vai chegar perto do Peru e do Equador, na Am\u00e9rica do Sul, durante Fevereiro e Mar\u00e7o. Os impactos clim\u00e1ticos dessa onda desenvolver-se-\u00e3o gradualmente em todo o planeta depois disso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi a segunda vez em dois meses. 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