{"id":273457,"date":"2026-02-17T12:36:07","date_gmt":"2026-02-17T12:36:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/273457\/"},"modified":"2026-02-17T12:36:07","modified_gmt":"2026-02-17T12:36:07","slug":"261-mil-artigos-sobre-cancer-podem-ser-fraudulentos-17-02-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/273457\/","title":{"rendered":"261 mil artigos sobre c\u00e2ncer podem ser fraudulentos &#8211; 17\/02\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Um total de 261 mil textos cient\u00edficos sobre <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">c\u00e2ncer <\/a>que sa\u00edram entre 1999 e 2024 cont\u00e9m caracter\u00edsticas similares a publica\u00e7\u00f5es produzidas por f\u00e1bricas de artigos, de acordo com um novo estudo. Ou seja, podem ter sido feitos de forma fraudulenta. O saldo representa 10% dos trabalhos a respeito da doen\u00e7a mantidos no <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">PubMed<\/a>, que re\u00fane uma grande quantidade de literatura biom\u00e9dica.<\/p>\n<p>F\u00e1bricas de artigos referem-se a empresas que fornecem o servi\u00e7o de produzir manuscritos fraudulentos e submet\u00ea-los a peri\u00f3dicos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Publicada no peri\u00f3dico <a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">BMJ<\/a> (British Medical Journal) no fim de janeiro deste ano, a nova <a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/392\/bmj-2025-087581\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pesquisa <\/a>partiu da percep\u00e7\u00e3o de que essas f\u00e1bricas est\u00e3o expandindo sua atua\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos 20 anos, ao menos 400 mil artigos teriam sa\u00eddo dessas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um forte incentivo para a compra de artigos cient\u00edficos, principalmente na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/china\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">China<\/a>, onde muitos m\u00e9dicos s\u00e3o obrigados a fazer pesquisas e publicar seus achados, mas eles j\u00e1 trabalham muitas horas. Ent\u00e3o, existe um mercado, e as pessoas usam esse servi\u00e7o&#8221;, afirma Adrian Barnett, professor da Escola de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a> P\u00fablica e Servi\u00e7o Social da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/tecnologia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Tecnologia<\/a> de Queensland, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/australia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Austr\u00e1lia<\/a>, e um dos autores do novo artigo.<\/p>\n<p>Barnett e seus colegas treinaram um modelo de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/inteligencia-artificial\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">intelig\u00eancia artificial<\/a> para detectar quais pesquisas sobre c\u00e2ncer aparentam ter origem nessas f\u00e1bricas. Uma das raz\u00f5es do enfoque em c\u00e2ncer \u00e9 que essa \u00e9 uma das \u00e1reas em que as publica\u00e7\u00f5es fraudulentas j\u00e1 est\u00e3o disseminadas. Outras \u00e1reas em que o problema se repete s\u00e3o computa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancias do esporte, segundo o professsor.<\/p>\n<p>O treinamento da m\u00e1quina se baseou em 4.404 artigos. A metade deles eram <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/08\/producao-de-artigos-cientificos-falsos-esta-aumentando-rapidamente-segundo-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">textos retratados<\/a> \u2014ou seja, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/01\/mesmo-despublicados-285-artigos-cientificos-continuaram-sendo-citados-em-novas-pesquisas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">publica\u00e7\u00f5es invalidadas por causa de erros ou fraudes<\/a>\u2014 e relacionados a f\u00e1bricas de artigos. A outra metade reunia artigos leg\u00edtimos. As publica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram utilizadas para medir a acur\u00e1cia do modelo, que atingiu 91% para sinalizar se um manuscrito tinha caracter\u00edsticas comuns a artigos fraudulentos.<\/p>\n<p>Com o modelo consolidado, os pesquisadores o aplicaram a 2,6 milh\u00f5es de artigos sobre c\u00e2ncer listados no PubMed. O modelo apontou que em 261.245 deles havia caracter\u00edsticas parecidas com as de artigos retratados.<\/p>\n<p>A China concentrou a maior fatia de textos com essas caracter\u00edsticas, com base na afilia\u00e7\u00e3o do primeiro autor: 36% em rela\u00e7\u00e3o ao total de textos atribu\u00eddos ao pa\u00eds. Em seguida, ficaram <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ira\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ir\u00e3<\/a> (20%) e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/arabia-saudita\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ar\u00e1bia Saudita<\/a> (16%). O Brasil apareceu com 4%.<\/p>\n<p>Barnett diz que ficou chocado com a conclus\u00e3o. O docente afirma que, ao analisar alguns dos manuscritos apontados pelo modelo como similares a artigos retratados, era n\u00edtido que se tratava de publica\u00e7\u00f5es fraudulentas. H\u00e1 chances ainda de existirem artigos que foram desenvolvidos de forma mais sofisticada e, com isso, driblaram o modelo usado no novo estudo.<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese \u00e9 ainda mais fact\u00edvel porque f\u00e1bricas de manuscritos fraudulentos est\u00e3o melhorando sua produ\u00e7\u00e3o e, mais recentemente, buscam publicar esses artigos em revistas cient\u00edficas de alto impacto.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas simplesmente descartavam o problema de publica\u00e7\u00f5es vindas de f\u00e1bricas de artigos e diziam: &#8216;Esses artigos s\u00f3 aparecem em peri\u00f3dicos predat\u00f3rios ou em revistas de baixa qualidade que eu n\u00e3o leio\u2019. Mas n\u00e3o achamos mais que isso seja verdade. Acreditamos que eles est\u00e3o sendo publicados em revistas bastante respeit\u00e1veis e que as pessoas podem acabar lendo por acaso e pensar que se trata de pesquisa s\u00e9ria&#8221;, afirma Barnett.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o para o problema<\/p>\n<p>Iniciativas para detectar poss\u00edveis artigos fraudulentos, como o modelo adotado no novo estudo, ajudam a combater essas publica\u00e7\u00f5es. A solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m depende de a\u00e7\u00f5es das <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/12\/pesquisadores-brasileiros-poderao-publicar-sem-pagar-em-revistas-da-elsevier-springer-nature-e-acm.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">editoras cient\u00edficas<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um n\u00famero enorme de editoras. Milhares. Algumas delas n\u00e3o est\u00e3o fazendo nada. Outras est\u00e3o tentando, mas \u00e9 dif\u00edcil. Um dos problemas \u00e9 que a quantidade de artigos cient\u00edficos est\u00e1 aumentando drasticamente. Ent\u00e3o, h\u00e1 mais trabalho para todos: para as editoras, para suas equipes, para os revisores&#8221;, diz Barnett.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios pesquisadores tamb\u00e9m podem mudar suas pr\u00e1ticas. Um exemplo \u00e9 se comprometer a n\u00e3o contratar o servi\u00e7o de f\u00e1bricas de artigos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, uma poss\u00edvel a\u00e7\u00e3o para solucionar o problema \u00e9 observar a circunst\u00e2ncia que propiciou o surgimento de empresas que vendem manuscritos cient\u00edficos. Para Barnett, esse cen\u00e1rio est\u00e1 relacionado com a press\u00e3o de publicar constantemente artigos cient\u00edficos, ou seja, diminu\u00ed-la poderia reduzir a procura por f\u00e1bricas de artigos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um total de 261 mil textos cient\u00edficos sobre c\u00e2ncer que sa\u00edram entre 1999 e 2024 cont\u00e9m caracter\u00edsticas similares&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":273458,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[5080,2337,1776,358,109,107,108,236,933,1208,3536,32,33,2197,2198,105,103,104,106,110,3062],"class_list":{"0":"post-273457","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-artigo-cientifico","9":"tag-australia","10":"tag-cancer","11":"tag-china","12":"tag-ciencia","13":"tag-ciencia-e-tecnologia","14":"tag-cienciaetecnologia","15":"tag-folha","16":"tag-inteligencia-artificial","17":"tag-medicina","18":"tag-pesquisa-cientifica","19":"tag-portugal","20":"tag-pt","21":"tag-quimioterapia","22":"tag-radioterapia","23":"tag-science","24":"tag-science-and-technology","25":"tag-scienceandtechnology","26":"tag-technology","27":"tag-tecnologia","28":"tag-universidade"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116086006371576753","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273457\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/273458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}