{"id":273528,"date":"2026-02-17T13:34:11","date_gmt":"2026-02-17T13:34:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/273528\/"},"modified":"2026-02-17T13:34:11","modified_gmt":"2026-02-17T13:34:11","slug":"museu-britanico-elimina-palavra-palestina-de-materiais-expositivos-museus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/273528\/","title":{"rendered":"Museu Brit\u00e2nico elimina palavra \u201cPalestina\u201d de materiais expositivos | Museus"},"content":{"rendered":"<p>O Museu Brit\u00e2nico retirou a palavra Palestina de alguns materiais expositivos, nomeadamente de mapas que identificavam a costa leste do mar Mediterr\u00e2neo e os povos que l\u00e1 viviam como \u201cPalestina\u201d e \u201cde ascend\u00eancia palestiniana\u201d, respectivamente. No in\u00edcio do m\u00eas, o grupo de lobbying UK Lawyers for Israel (UKlif) assumiu estar a pressionar a institui\u00e7\u00e3o para corrigir aquilo que seria, no entender desta organiza\u00e7\u00e3o, um \u201cuso historicamente impreciso\u201d do termo. As altera\u00e7\u00f5es entretanto implementadas suscitaram j\u00e1 uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica com milhares de signat\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os textos expositivos e pain\u00e9is informativos em causa est\u00e3o na ala dedicada \u00e0 Hist\u00f3ria do M\u00e9dio Oriente e dos territ\u00f3rios do antigo Levante e do Egipto entre 1795 e 332 a.C. A refer\u00eancia ao termo \u201cPalestina\u201d nesses materiais hist\u00f3ricos \u00e9, para o UKlif, \u201canacr\u00f3nica\u201d, como consta da carta enviada ao director do Museu Brit\u00e2nico, Nicholas Cullinan. \u201cO uso repetido do termo \u2018Palestina\u2019 para descrever a regi\u00e3o que hoje compreende Israel e as \u00e1reas adjacentes durante per\u00edodos hist\u00f3ricos em que este nome n\u00e3o existia distorce o registo hist\u00f3rico e obscurece a Hist\u00f3ria de Israel e do povo judeu\u201d, argumenta o grupo. \u201cA UKlif defende que a aplica\u00e7\u00e3o retroactiva do nome \u2018Palestina\u2019 [abrangendo uma sequ\u00eancia] de milhares de anos cria uma falsa impress\u00e3o de continuidade hist\u00f3rica e apaga o surgimento e a exist\u00eancia de reinos judaicos e da identidade nacional judaica na regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Outros textos, como aqueles que se referem a David, por exemplo, descrevem-no como origin\u00e1rio da Palestina, atribui\u00e7\u00e3o que o grupo pr\u00f3-israelita contraria, considerando que as suas ra\u00edzes s\u00e3o \u201co reino de Israel e a Judeia\u201d. O UKlif cita fontes que indicam que o primeiro uso conhecido do nome &#8220;Palestina&#8221; data do quinto s\u00e9culo antes de Cristo, quando Her\u00f3doto (c. 485 a.C-c. 425 a.C.) descreveu uma faixa costeira do Mediterr\u00e2neo habitada pelos filisteus. O texto cl\u00e1ssico refere-se \u00e0 regi\u00e3o que equivale grosso modo aos actuais territ\u00f3rios de Israel e da Palestina, classificando os seus habitantes com s\u00edrios\/fen\u00edcios da Palestina.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica indica que h\u00e1 tr\u00eas mil\u00e9nios que o termo tem vindo a ser usado para identificar uma regi\u00e3o com fronteiras vari\u00e1veis e diferentes estatutos pol\u00edticos. A atribui\u00e7\u00e3o a Her\u00f3doto da primeira apari\u00e7\u00e3o da palavra n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime, uma vez que, segundo outras fontes, h\u00e1 inscri\u00e7\u00f5es e hier\u00f3glifos possivelmente referentes \u00e0 Palestina (&#8220;Peleset&#8221;) ou a uma parte do territ\u00f3rio hoje em contenda que remontam \u00e0 Vig\u00e9sima Dinastia do Antigo Egipto (1189-1077 a.C.).<\/p>\n<p>O Museu Brit\u00e2nico informou, citado pelo di\u00e1rio brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/culture\/2026\/feb\/16\/british-museum-removes-word-palestine\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Guardian<\/a>, que as altera\u00e7\u00f5es da sinal\u00e9tica museol\u00f3gica foram feitas em 2025, na sequ\u00eancia de reac\u00e7\u00f5es dos visitantes e de uma actualiza\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o sobre o per\u00edodo em causa. Segundo o di\u00e1rio escoc\u00eas <a href=\"https:\/\/uk.news.yahoo.com\/thousands-call-british-museum-reinstate-112224036.html?guccounter=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The National<\/a>, o museu nega ter feito estas mudan\u00e7as sob press\u00e3o do UKLfi. A institui\u00e7\u00e3o considera que o nome Palestina deixou de ser \u201cneutro\u201d e que a sua utiliza\u00e7\u00e3o pode ser lida como reconhecimento de um territ\u00f3rio pol\u00edtico. Em Setembro passado, e assim como outros pa\u00edses, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/21\/politica\/noticia\/portugal-reconhece-estado-palestina-pede-cessarfogo-exorta-relacao-israel-2148009\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">incluindo Portugal<\/a>, o Reino Unido reconheceu oficialmente o Estado da Palestina.<\/p>\n<p>\u201cPara as galerias do M\u00e9dio Oriente, e no que diz respeito aos mapas que identificam antigas regi\u00f5es culturais, o termo \u2018Cana\u00e3\u2019 \u00e9 apropriado para [designar] o Sul do Levante no final do segundo mil\u00e9nio a.C.\u201d, explicou um porta-voz do museu \u00e0quele jornal. O UKlif reclamava precisamente que as regi\u00f5es cuja nomenclatura considerava problem\u00e1tica fossem renomeadas, sugerindo designa\u00e7\u00f5es como Cana\u00e3, reino de Israel ou Judeia.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>\u201cUtilizamos a terminologia da ONU em mapas que mostram fronteiras modernas, por exemplo, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2009\/01\/18\/jornal\/gaza-e-uma-maldicao-biblica-292006\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Gaza<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/Cisjordania\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cisjord\u00e2nia<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/Israel\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Israel<\/a>,<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/Jord\u00e2nia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> Jord\u00e2nia<\/a>, e referimo-nos a &#8216;palestiniano&#8217; como um identificador cultural ou etnogr\u00e1fico quando apropriado&#8221;, afirmou ainda o porta-voz do museu.<\/p>\n<p>O Museu Brit\u00e2nico est\u00e1 em obras nalgumas alas e segundo o Guardian haver\u00e1 mais mudan\u00e7as nos materiais expositivos nos pr\u00f3ximos anos. Um painel informativo nas galerias dedicadas ao Antigo Egipto fala agora de \u201cascend\u00eancia canaanita\u201d e n\u00e3o, como antes, de \u201cascend\u00eancia palestiniana\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, uma <a href=\"https:\/\/www.change.org\/p\/erasing-a-word-erases-a-people-reinstate-palestine-in-the-british-museum\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">peti\u00e7\u00e3o no site Change.org<\/a>, intitulada \u201cApagar uma palavra apaga um povo: Reinstaurar a Palestina no Museu Brit\u00e2nico\u201d, j\u00e1 foi assinada, at\u00e9 \u00e0 hora de publica\u00e7\u00e3o desta not\u00edcia, por mais de sete mil pessoas que contestam as refer\u00eancias hist\u00f3ricas usadas para proceder \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o do termo Palestina. A medida \u201cn\u00e3o \u00e9 apoiada por provas hist\u00f3ricas e contribui para um padr\u00e3o mais amplo de apagamento da presen\u00e7a palestiniana da mem\u00f3ria p\u00fablica\u201d, alegam os subscritores.<\/p>\n<p>A peti\u00e7\u00e3o socorre-se do supracitado texto de Her\u00f3doto e cita o Otelo, de William Shakespeare, para apontar o dedo \u00e0quela que \u00e9 uma das mais importantes institui\u00e7\u00f5es culturais do Reino Unido: \u201cSe o Museu Brit\u00e2nico est\u00e1 genuinamente preocupado com a etimologia, ent\u00e3o a coer\u00eancia exigiria um escrut\u00ednio semelhante de termos como \u2018Gr\u00e3-Bretanha\u2019, que \u00e9 em si uma constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica relativamente moderna. No entanto, o termo \u2018Gr\u00e3-Bretanha\u2019 permanece incontestado nas galerias do museu.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEsta remo\u00e7\u00e3o selectiva sugere inconsist\u00eancia nos padr\u00f5es curatoriais e levanta preocupa\u00e7\u00f5es sobre a influ\u00eancia da press\u00e3o pol\u00edtica na apresenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d, diz a peti\u00e7\u00e3o, que pede que sejam repostas as refer\u00eancias \u00e0 Palestina onde adequado e que o Museu Brit\u00e2nico descreva com transpar\u00eancia o processo de decis\u00e3o interno que esteve na base das recentes altera\u00e7\u00f5es terminol\u00f3gicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Museu Brit\u00e2nico retirou a palavra Palestina de alguns materiais expositivos, nomeadamente de mapas que identificavam a costa&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":273529,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,315,1413,15,16,14,1757,25,26,21,22,432,62,40709,17544,12,13,19,20,431,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-273528","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cultura","tag-cultura-ipsilon","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-ipsilon","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-medio-oriente","tag-mundo","tag-museu-britanico","tag-museus","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-palestina","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116086234443982895","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273528\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/273529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}