{"id":27354,"date":"2025-08-13T10:17:07","date_gmt":"2025-08-13T10:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/27354\/"},"modified":"2025-08-13T10:17:07","modified_gmt":"2025-08-13T10:17:07","slug":"ate-ao-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/27354\/","title":{"rendered":"at\u00e9 ao fim do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Wim Wenders nasceu em D\u00fcsseldorf, a 14 de agosto de 1945 \u2014 o que quer dizer que amanh\u00e3 celebra o seu 80\u00ba anivers\u00e1rio. A sua filmografia envolve um curioso paradoxo. Por um lado, <strong>identificamo-lo como uma figura indissoci\u00e1vel de uma certa \u201cnova vaga\u201d germ\u00e2nica dos anos 60\/70,<\/strong> ele que em 1972 assinou A Ang\u00fastia do Guarda-Redes no Momento do Penalty, um dos t\u00edtulos resultante da sua colabora\u00e7\u00e3o com Peter Handke; ao mesmo tempo, por outro lado, h\u00e1 no seu trabalho um incans\u00e1vel desejo de viagem, para sempre cristalizado em Paris, Texas (1984), filme que, junto de muitos cin\u00e9filos, lhe deu o estatuto de \u201cautor de culto\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A partir de amanh\u00e3, precisamente, no cinema Nimas, a Medeia Filmes prop\u00f5e uma revisita\u00e7\u00e3o de seis filmes de Wenders que poder\u00e3o definir uma esp\u00e9cie de \u201cn\u00facleo duro\u201d da sua trajet\u00f3ria. N\u00e3o s\u00e3o exatamente revela\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que, felizmente, o mercado portugu\u00eas sempre acolheu as suas produ\u00e7\u00f5es: lembremos os exemplos recentes de Dias Perfeitos e Anselm &#8211; O Som do Tempo, uma fic\u00e7\u00e3o e um document\u00e1rio, ambos revelados no Festival de Cannes de 2023. Estamos perante momentos emblem\u00e1ticos de uma vis\u00e3o em que a pluralidade geogr\u00e1fica decorre de um novo mapa cultural em que as fronteiras se diluem nas emo\u00e7\u00f5es vividas e, por assim dizer, transportadas pelas personagens.\u00a0<\/p>\n<p>Destaquemos, por isso, neste ciclo que se prolonga at\u00e9 1 de setembro, a presen\u00e7a de um dos objetos mais radicais de Wenders, dos mais incompreendidos ou, pelo menos, dos menos vistos. Chama-se At\u00e9 ao Fim do Mundo (1991) e funciona como uma verdadeira f\u00e1bula moderna centrada num conjunto de personagens a viver um nomadismo refor\u00e7ado pela descoberta das novas tecnologias, em particular dos poderes sedutores e perturbantes da Realidade Virtual. Escusado ser\u00e1 sublinhar que o seu simbolismo n\u00e3o se perdeu, antes se refor\u00e7ou. Ponto importante: difundido em v\u00e1rias montagens \u201cabreviadas\u201d, o filme ser\u00e1 mostrado na vers\u00e3o do autor (com a dura\u00e7\u00e3o de 287 minutos).\u00a0<\/p>\n<p>Resultante de uma coprodu\u00e7\u00e3o Alemanha\/Fran\u00e7a\/Austr\u00e1lia\/EUA, At\u00e9 ao Fim do Mundo \u00e9, literalmente, um dos t\u00edtulos mais internacionais de Wenders, desde logo gra\u00e7as a um elenco que inclui Solveig Dommartin, William Hurt, Sam Neill, Rudiger V\u00f6gler, Jeanne Moreau e Max von Sydow. O seu esp\u00edrito cumpre-se tamb\u00e9m atrav\u00e9s de uma fascinante pan\u00f3plia de lugares, de Veneza a Sydney, passando por Berlim, Paris e Portugal (com uma cena no interior do Eden, na Pra\u00e7a dos Restauradores, em Lisboa, para lembrar aos mais distra\u00eddos que j\u00e1 houve ali um cinema&#8230;).\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Wim Wenders nasceu em D\u00fcsseldorf, a 14 de agosto de 1945 \u2014 o que quer dizer que amanh\u00e3&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27355,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[145],"tags":[211,210,470,315,306,114,115,32,33,9061],"class_list":{"0":"post-27354","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-celebridades","8":"tag-celebridades","9":"tag-celebrities","10":"tag-cinema","11":"tag-cultura","12":"tag-edicao-impressa","13":"tag-entertainment","14":"tag-entretenimento","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-wim-wenders"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27354"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27354\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}