{"id":27356,"date":"2025-08-13T10:18:10","date_gmt":"2025-08-13T10:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/27356\/"},"modified":"2025-08-13T10:18:10","modified_gmt":"2025-08-13T10:18:10","slug":"os-arquitetos-suicos-que-fazem-azulejos-a-partir-de-algas-e-conchas-de-ostra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/27356\/","title":{"rendered":"Os arquitetos su\u00ed\u00e7os que fazem azulejos a partir de algas e conchas de ostra"},"content":{"rendered":"<p>Jeremy Morris tinha acabado de chegar a Portugal quando, h\u00e1 dois anos, conheceu Luca Carlisle no Guincho. Conversa puxa conversa, descobriram que n\u00e3o era s\u00f3 o surf  que os unia: n\u00e3o s\u00f3 partilhavam a nacionalidade su\u00ed\u00e7a (uma das v\u00e1rias que os dois t\u00eam), como ambos gostavam de arquitetura e partilhavam uma conce\u00e7\u00e3o que passa por constru\u00e7\u00f5es e materiais naturais. \u201cForam coincid\u00eancias engra\u00e7adas\u201d, explica agora Luca, numa conversa no Jardim da Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian. <\/p>\n<p>Juntos, Jeremy e Luca formam o coletivo Fahrenheit 180, cujo projeto \u00c0 flor do azulejo, a cor do Tejo esteve precisamente exposto ali mesmo, em dois recantos no meio das \u00e1rvores, n\u00e3o muito longe da Engawa, a pala inspirada nas casas tradicionais japonesas que fica junto ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian.<\/p>\n<p>\u201cTudo come\u00e7ou com uma open call da Bauhaus of the Seas Sails [iniciativa que liga o Pacto Ecol\u00f3gico Europeu aos espa\u00e7os e experi\u00eancias de vida das pessoas, guiada pelos valores da sustentabilidade, inclus\u00e3o e criatividade] que foi apoiada pela Uni\u00e3o Europeia e depois teve como anfitri\u00f5es a Gulbenian, BioLab e a C\u00e2mara de Lisboa\u201d, continua Jeremy. Este ano o tema era Radical Waters Concrete Matters \u201ce a ideia era pensar em materiais biorregionais dos cursos de \u00e1gua de Lisboa\u201d, explica o arquiteto do Bureau, uma empresa com sede em Genebra e em Lisboa. Antes de prosseguir: \u201cComo somos os dois surfistas, o Luca mais do que eu, estamos muito ligados \u00e0 \u00e1gua, aos oceanos. E come\u00e7\u00e1mos a pensar nas ostras e nas algas como mat\u00e9ria-prima. Ao mesmo tempo surgiu ent\u00e3o a ideia de trabalhar com azulejos. Porque \u00e9 uma heran\u00e7a t\u00e3o forte em Portugal. E Portugal est\u00e1 muito investido na economia azul, o que nos levou a pensar como seria um azulejo se fosse um biomaterial.\u201d<\/p>\n<p>Come\u00e7aram, portanto, pelas ostras e pelas algas. E assim descobriram que o estu\u00e1rio do Tejo &#8211; e o do Sado tamb\u00e9m &#8211; foi o maior banco natural de ostras da Europa, dos anos 1950 ao in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970. \u201cTent\u00e1mos traduzir a viragem de Portugal para economia azul atrav\u00e9s dos azulejos &#8211; por isso junt\u00e1mos aspetos culturais do passado e do presente. E as ostras faziam todo o sentido\u201d, explica Luca. <\/p>\n<p>Mas <strong>transformar cascas de ostras em azulejos exige que se encontre um aglutinante. \u00c9 a\u00ed que as algas entram na equa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Luca e Jeremy viram nas esp\u00e9cies invasoras que aparecem nas praias portuguesas \u201cuma fonte incr\u00edvel de alginato, que \u00e9 o que usamos como aglutinante\u201d, continua o luso-su\u00ed\u00e7o-brit\u00e2nico, de 27 anos, e que vive em Portugal desde os 2.<\/p>\n<p>Sentados num banco feito com os seus azulejos, os dois amigos v\u00e3o alternando nas explica\u00e7\u00f5es. E \u00e9 o su\u00ed\u00e7o-brit\u00e2nico-sul-africano Jeremy, de 28 anos, quem prossegue: <strong>\u201cQuisemos criar um produto que pudesse voltar ao ambiente e desintegrar-se.<\/strong> Assim, literalmente, cheg\u00e1mos a uma solu\u00e7\u00e3o em que podemos atirar estes azulejos de volta para dentro de \u00e1gua e eles ir\u00e3o desintegrar-se.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jeremy Morris tinha acabado de chegar a Portugal quando, h\u00e1 dois anos, conheceu Luca Carlisle no Guincho. 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