{"id":274489,"date":"2026-02-18T09:33:09","date_gmt":"2026-02-18T09:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/274489\/"},"modified":"2026-02-18T09:33:09","modified_gmt":"2026-02-18T09:33:09","slug":"o-que-pombos-ensinam-sobre-nossa-fixacao-por-celulares-18-02-2026-tec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/274489\/","title":{"rendered":"O que pombos ensinam sobre nossa fixa\u00e7\u00e3o por celulares &#8211; 18\/02\/2026 &#8211; Tec"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 50 anos, psic\u00f3logos come\u00e7aram a documentar um fen\u00f4meno estranho entre animais, incluindo pombos, guaxinins e ratos. Embora n\u00e3o percebessem na \u00e9poca, esse comportamento ajudaria a explicar por que nossa sociedade <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/vicio-de-idosos-em-celular-aumenta-risco-de-doencas-e-golpes-digitais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">desenvolveu uma necessidade t\u00e3o intensa e frequentemente incontrol\u00e1vel de usar o celular<\/a>.<\/p>\n<p>Os dispositivos e seus aplicativos n\u00e3o nos proporcionam &#8220;gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea&#8221;, como costumamos acreditar, mas, em vez disso, desencadeiam o oposto: desejo e vontade constantes.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, cientistas colocaram pombos famintos em uma caixa comprida e ensinaram \u00e0s aves que uma luz piscando em uma extremidade da caixa sinalizava o aparecimento de comida na outra ponta. A luz se tornou um sinal de recompensa.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, os pombos ignoravam amplamente a luminosidade e passavam o tempo no lado da caixa perto da comida. Eles queriam e precisavam da comida. Mas, com o tempo, a luz passou a atrair os pombos como um \u00edm\u00e3. &#8220;Era incr\u00edvel de assistir&#8221;, relembra o psic\u00f3logo Robert Boakes, da Universidade de Sydney, que foi um dos primeiros cientistas a documentar esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>&#8220;Os p\u00e1ssaros passavam tanto tempo bicando a luz que n\u00e3o tinham tempo de pegar a comida&#8221;, recorda. Boakes chamou esse comportamento de &#8220;rastreamento de sinal&#8221; porque os animais perseguiam o &#8220;sinal&#8221; da recompensa. Tec, tec, tec.<\/p>\n<p>Em um experimento, um pombo bicou a luz milhares de vezes por hora. A luz distra\u00eda tanto os p\u00e1ssaros que eles passavam fome.<\/p>\n<p>Hoje, quase todo mundo nos Estados Unidos se tornou igualmente distra\u00eddo. As pessoas s\u00e3o &#8220;exatamente como os pombos&#8221;, afirma Peter Balsam, professor de psicologia da Universidade Columbia. Porque, segundo ele, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/tec\/2026\/02\/ue-exige-que-tiktok-mude-design-viciante-e-ameaca-impor-multas-milionarias.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">carregamos um dispositivo que provoca esse comportamento bizarro<\/a>: nossos celulares. Desliza, desliza, desliza. Rola, rola, rola. Toca, toca, toca.<\/p>\n<p>Os smartphones \u2014assim como suas plataformas de redes sociais, aplicativos de mensagens e videogames\u2014 podem nos enganar a ponto de n\u00e3o buscarmos mais o que precisamos em nossas vidas. Come\u00e7amos a valorizar, desejar e at\u00e9 nos tornar obcecados por sinais em nossos dispositivos que associamos \u00e0s nossas necessidades fundamentais, como pertencimento.<\/p>\n<p>&#8220;Como criaturas sociais, as pessoas s\u00e3o levadas a considerar a intera\u00e7\u00e3o social t\u00e3o atraente quanto comida, \u00e1gua, sexo e sal&#8221;, avalia o neurocientista Read Montague, de Virginia Tech.<\/p>\n<p>    Colunas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o de colunas da Folha<\/p>\n<p>Celulares, tablets e aplicativos fornecem um caleidosc\u00f3pio de imagens e sons que sinalizam a possibilidade de pertencimento, assim como a luz sinalizava comida na caixa do pombo. Esses sinais incluem os \u00edcones coloridos dos aplicativos, os pontos vermelhos de notifica\u00e7\u00e3o sobre eles e os sinos, chiados, vibra\u00e7\u00f5es e toques que os acompanham. At\u00e9 o pr\u00f3prio dispositivo se transforma em um sinal potente para as pessoas.<\/p>\n<p>Neurocientistas descobriram que a subst\u00e2ncia qu\u00edmica cerebral dopamina nos atrai para esses sinais. Antigamente, acreditava-se que a dopamina codificava prazer, mas uma vasta quantidade de evid\u00eancias acumuladas nas \u00faltimas d\u00e9cadas sugere que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>Em vez disso, ela desempenha v\u00e1rios pap\u00e9is. Ela desencadeia motiva\u00e7\u00e3o e desejo por necessidades fundamentais. Ela faz voc\u00ea querer o bolo \u00e0 sua frente, declara o neurocientista Kent Berridge, da Universidade de Michigan. Mas n\u00e3o faz voc\u00ea gostar do bolo ou se sentir satisfeito depois. A dopamina n\u00e3o tem a ver com gratifica\u00e7\u00e3o. Querer e gostar s\u00e3o, de certa forma, componentes separ\u00e1veis dentro do c\u00e9rebro, acrescenta Berridge.<\/p>\n<p>O sistema da dopamina tamb\u00e9m identifica sinais em nosso ambiente que apontam e preveem a chegada dessas necessidades cr\u00edticas. Ele se ativa quando voc\u00ea v\u00ea o logotipo da confeitaria na rua ou quando v\u00ea seu celular em cima da mesa.<\/p>\n<p>O que muitos pais podem n\u00e3o perceber, diz Montague, \u00e9 que o conte\u00fado nas redes sociais e aplicativos de mensagens \u00e9 um mero sinal de pertencimento. Por isso, ele n\u00e3o pode satisfazer a necessidade de uma crian\u00e7a por intera\u00e7\u00f5es e relacionamentos presenciais. Em vez disso, representa uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o &#8220;esquel\u00e9tica&#8221; de uma vida social real, indica. Uma que pode &#8220;sufocar&#8221; a vida social real de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Para proteger nossos filhos (e a n\u00f3s mesmos) desses sinais poderosos, precisamos criar momentos e lugares em nossas vidas onde dispositivos, aplicativos e jogos n\u00e3o sejam simplesmente limitados, mas indispon\u00edveis, analisa o neurocientista de Virginia Tech.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as precisam de santu\u00e1rios em suas vidas onde atividades que realmente satisfa\u00e7am suas necessidades possam florescer. Montague d\u00e1 como exemplo uma regra familiar de que seus filhos adolescentes s\u00f3 podem usar seus celulares em lugares onde a fam\u00edlia se re\u00fane, como a cozinha, nunca em seus quartos.<\/p>\n<p>Quando as crian\u00e7as t\u00eam um desejo intenso por esses produtos, nem sempre significa que est\u00e3o obtendo prazer e satisfa\u00e7\u00e3o intensos deles. Na verdade, essas tecnologias podem eliminar o prazer e deixar as crian\u00e7as com pouca gratifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cortar o acesso n\u00e3o significa privar ou negar prazer \u00e0s crian\u00e7as na vida. Na verdade, pode significar o oposto. Se buscarmos e proporcionarmos \u00e0s crian\u00e7as atividades que lhes tragam satisfa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o podemos preencher suas vidas com prazer duradouro enquanto tamb\u00e9m atendemos genuinamente \u00e0s suas necessidades.<\/p>\n<p>Montague explica a seus filhos adolescentes como ficar sozinho no quarto tirando selfies na verdade impede voc\u00ea de satisfazer sua necessidade de conex\u00e3o social. &#8220;Eu digo: &#8216;Como isso \u00e9 legal? Parece pat\u00e9tico e solit\u00e1rio. Saia e se apresente a pessoas de verdade'&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 mais de 50 anos, psic\u00f3logos come\u00e7aram a documentar um fen\u00f4meno estranho entre animais, incluindo pombos, guaxinins e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":274490,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[109,1403,236,116,549,32,4740,33,548,117,1030,1007,110],"class_list":{"0":"post-274489","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-ciencia","9":"tag-comportamento","10":"tag-folha","11":"tag-health","12":"tag-internet","13":"tag-portugal","14":"tag-psicologia","15":"tag-pt","16":"tag-redes-sociais","17":"tag-saude","18":"tag-saude-mental","19":"tag-smartphone","20":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116090949054645367","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274489\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}