{"id":276261,"date":"2026-02-19T17:30:11","date_gmt":"2026-02-19T17:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/276261\/"},"modified":"2026-02-19T17:30:11","modified_gmt":"2026-02-19T17:30:11","slug":"a-cota-que-salvou-coimbra-e-como-foram-geridas-as-cheias-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/276261\/","title":{"rendered":"A cota que salvou Coimbra e como foram geridas as cheias \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Desde outubro passado, m\u00eas marcado pela esquecida tempestade Cl\u00e1udia, que o sinal de alerta estava aceso na ag\u00eancia p\u00fablica que gere a \u00e1gua. J\u00e1 se anunciava a chegada da Ingrid, a primeira de um comboio r\u00e1pido e quase sem paragens de sete tempestades, quando a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente (APA) decidiu baixar a cota limite de cheias da Aguieira. Passou de <strong>117 metros para 115 metros<\/strong> para preparar a grande barragem do centro para o risco de inunda\u00e7\u00f5es, o que implicou descargas preventivas e pequenas cheias controladas.<\/p>\n<p>\u201cCom esta medida evit\u00e1mos as cheias centen\u00e1rias em Coimbra. Estou convencido disso\u201d, afirmou o presidente da APA, Jos\u00e9 Pimenta Machado, durante um balan\u00e7o sobre a gest\u00e3o das cheias em Portugal realizado esta quarta-feira.<\/p>\n<p>Ter\u00e1 sido esta pequena folga que permitiu conter um pouco as descargas que ca\u00edam na bacia do Mondego \u2014 1.700 metros c\u00fabicos por segundo vinham do rio e da Aguieira, 600 metros c\u00fabicos vinham do rio Alva (onde fica a barragem de Fronhas) e 1.000 metros c\u00fabicos eram debitados pelo rio Ceira. Se estes 3.400 metros c\u00fabicos por segundo chegassem a Coimbra, a cidade ficaria totalmente inundada, indicou o presidente da APA.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente \u00e9 a autoridade m\u00e1xima da \u00e1gua e tem sob a sua responsabilidade 266 barragens. Todos as entidades que exploram estas infraestruturas s\u00e3o obrigadas a obedecer \u00e0s suas orienta\u00e7\u00f5es, desde as poderosas el\u00e9tricas at\u00e9 aos regantes. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es pontuais de resist\u00eancia, neste caso psicol\u00f3gica, como os regantes do Sado que, escaldados de d\u00e9cadas de seca, n\u00e3o queriam logo abrir as comportas para deixar a fugir a \u00e1gua que tanto tem faltado \u00e0 agricultura da regi\u00e3o. As cheias em Alc\u00e1cer do Sal foram hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>A principal linha orientadora na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos \u00e9 a de que as barragens devem cumprir as cotas de inverno, a um n\u00edvel mais baixo, de forma a assegurar que t\u00eam poder de encaixe. Quando se aproxima o ver\u00e3o, precisamente quando come\u00e7a haver menos \u00e1gua, a cota deve subir para assegurar que existem recursos para todos os usos. No cen\u00e1rio de risco de inunda\u00e7\u00f5es, a APA <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/01\/30\/agencia-do-ambiente-vai-provocar-pequenas-cheias-para-evitar-uma-cheia-descontrolada-com-chuva-prevista-para-a-proxima-semana\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">provoca cheias controladas<\/a> para evitar uma cheia descontrolada. Trata-se de reduzir o volume da albufeira para encaixar os picos de precipita\u00e7\u00e3o. Segundo dados divulgados esta quarta-feira, foram lan\u00e7ados 750 hect\u00f3metros c\u00fabicos de \u00e1gua que equivale \u00e0 quantidade que os portugueses consomem num ano.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/morar-ao-lado-da-barragem-que-engoliu-a-ponte-salazar-e-a-foz-do-dao-sem-a-aguieira-o-mondego-ficava-doido-doidinho\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Aguieira encheu at\u00e9 aos 99%<\/a> e, quando teve de libertar \u00e1gua, os diques n\u00e3o aguentaram porque o caudal ultrapassou o limite para o qual foram constru\u00eddos, mas evitou-se a cheia centen\u00e1ria. Ainda assim, foi a maior desde a hist\u00f3rica inunda\u00e7\u00e3o de 2001 no Baixo Mondego e j\u00e1 levou o Governo a acelerar a barragem de Girabolhos e a reavaliar todo o sistema de diques de prote\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         Girabolhos faria a diferen\u00e7a? <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>Considerando\u00a0que as albufeiras da Aguieira e Fronha (rio Alba) n\u00e3o chegam para controlar caudais num cen\u00e1rio de eventos extremos, a ministra do Ambiente justificou a decis\u00e3o do Governo de avan\u00e7ar j\u00e1 com a constru\u00e7\u00e3o da barragem de Girabolhos. Mas at\u00e9 Maria da Gra\u00e7a Carvalho reconhece que a nova barragem poderia n\u00e3o ter tido suficiente para evitar o cen\u00e1rio vivido no Baixo Mondego.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/02\/14\/mau-tempo-anuncio-da-barragem-de-girabolhos-e-inoportuno-e-manipulador-acusa-zero\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">associa\u00e7\u00e3o ambientalista Zero fez contas<\/a> \u00e0 chuva acumulada por metro quadrado entre 3 e 12 de fevereiro e concluiu que aplicando o valor \u00e0 \u00e1rea da bacia hidrogr\u00e1fica \u201cassociada \u00e0 famigerada barragem, estimada em 980 Km2 (menos de 15% do total da \u00e1rea da bacia hidrogr\u00e1fica do Mondego), obt\u00e9m-se um volume potencial de cerca de 309,3 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, valor superior \u00e0 capacidade total de encaixe da barragem, que \u00e9 de 244,7 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos (193 hm3 de Girabolhos + 51,7 hm3 no contra-embalse de Bogueira)\u201d.<\/p>\n<p>Para a ZERO, isto significa que, \u201cnum cen\u00e1rio idealizado de reten\u00e7\u00e3o total, que na realidade nunca ocorreria, a barragem poderia teoricamente encher em cerca de sete dias num cen\u00e1rio de precipita\u00e7\u00e3o semelhante\u201d.<\/p>\n<p>O baixo Mondego \u2014 com foco em Montemor-o-Velho, Soure e Coimbra, o vale do Tejo e Alc\u00e1cer do Sal onde as cheias foram hist\u00f3ricas numa das bacias mais afetadas pela seca, foram os casos com maior visibilidade, mas estas inunda\u00e7\u00f5es tiveram uma dimens\u00e3o nacional nunca vista. \u201cN\u00e3o me recordo de uma situa\u00e7\u00e3o que tenha ido de Bragan\u00e7a a Faro. Foi todo o pa\u00eds\u201d, disse o presidente da APA.<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o \u00edmpar que o pais viveu, algumas coisas ajudaram a gerir a crise. E foi poss\u00edvel minimizar ou at\u00e9 evitar alguns impactos, segundo explicou o presidente da APA numa conversa com o Observador realizada antes das cheias terem atingido o pico na regi\u00e3o do Mondego na semana passada.<\/p>\n<p>Este ano foi posta \u00e0 prova uma novidade no sistema hidroel\u00e9trico portugu\u00eas que foi usada favor do controlo de cheias: o sistema de bombagem do complexo hidroel\u00e9trico do Alto T\u00e2mega, a super barragem-bateria da Iberdrola que est\u00e1 em plena opera\u00e7\u00e3o desde 2024.<\/p>\n<p>De s\u00e1bado para domingo (3 de fevereiro) quando chegou a quinta tempestade do ano, a depress\u00e3o Leonardo, o T\u00e2mega estava a receber muito caudal do lado espanhol que poderia atingir Amarante. Foi ent\u00e3o usada a cascata do T\u00e2mega, composta por tr\u00eas barragens em n\u00edveis distintos, duas no mesmo curso do rio \u2014 Alto T\u00e2mega e Daiv\u00f5es e uma terceira a um n\u00edvel mais elevado, Gouv\u00e3es, com uma queda est\u00e1tica nominal de mais de 650 metros. As tr\u00eas est\u00e3o ligadas atrav\u00e9s de um circuito hidr\u00e1ulico por onde a \u00e1gua \u00e9 transportada atrav\u00e9s de um sistema de bombagem.<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/captura-de-ecra-2026-02-10-as-171233.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" width=\"995\" height=\"829\"\/>    <\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Como funciona o sistema de bombagem no empreendimento do Alto T\u00e2mega gerido pela Iberdrola<\/p>\n<p>Concebido para potenciar o armazenamento \u2014 precioso em tempo de seca porque permite que a \u00e1gua que passa pelas turbinas, produzindo energia, seja elevada atrav\u00e9s de bombas para voltar gerar energia \u2014 o sistema foi usado para travar o caudal do rio. Ou seja, para limitar as descargas no rio T\u00e2mega que estavam a ser efetuadas atrav\u00e9s de Daiv\u00f5es quando j\u00e1 estavam a ser descarregados 600 metros c\u00fabicos por segundo.<\/p>\n<p>Se abrisse o quarto grupo, a descarga atingiria os 800 metros c\u00fabicos por segundo e podia alagar a baixa de Amarante, explicou ao Observador Pimenta Machado. As bombas foram ativadas e puxaram essa \u00e1gua de Daiv\u00f5es de volta para Gouv\u00e3es, evitando a inunda\u00e7\u00e3o na margem esquerda da cidade.<\/p>\n<p>Outro dos fatores positivos destacado pelo presidente da APA foi a capacidade de encaixe que existia no in\u00edcio do ano do outro lado da fronteira. Alc\u00e2ntara, a maior barragem do Rio Tejo, estava a 60% e conseguiu encher 400 hect\u00f3metros. Foi fundamental para controlar as cheias no Tejo. Sem isso teria sido pior logo mais cedo.\u00a0 O presidente da APA garante que Espanha \u201cesteve sempre connosco\u201d, elogiando a excelente coopera\u00e7\u00e3o com o lado de l\u00e1 da fronteira. At\u00e9 que Alc\u00e2ntara, tamb\u00e9m gerida pela Iberdrola, atingiu os 96% e abriu as comportas para realizar grandes descargas. Foi no dia 4 de fevereiro.<\/p>\n<p>Numa reuni\u00e3o de acompanhamento das cheias realizada na sede da Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente e seguida pela comunica\u00e7\u00e3o social, os respons\u00e1veis da APA e a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Gra\u00e7a Carvalho, subiram o tom de alerta. Quinta-feira (5 de fevereiro) ia ser o \u201cdia mais dif\u00edcil\u201d e \u201ccomplicado\u201d na gest\u00e3o das inunda\u00e7\u00f5es. O <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/02\/04\/pico-das-cheias-chega-quinta-feira-e-afeta-mais-o-centro-alivio-no-fim-de-semana-da-janela-para-preparar-novo-evento\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">progn\u00f3stico cumpriu-se <\/a>e o Tejo e afluentes come\u00e7aram a inundar as zonas mais baixas de v\u00e1rias povoa\u00e7\u00f5es ribatejanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde outubro passado, m\u00eas marcado pela esquecida tempestade Cl\u00e1udia, que o sinal de alerta estava aceso na ag\u00eancia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":276262,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[10711,964,5455,27,28,442,1431,476,2270,12701,15,16,14,29525,25,26,21,22,8532,606,1009,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-276261","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-agu00eancia-portuguesa-do-ambiente","tag-ambiente","tag-barragens","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-ciu00eancia","tag-desastres-naturais","tag-economia","tag-energia","tag-energia-renovu00e1vel","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-inundau00e7u00f5es","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mau-tempo","tag-meteorologia","tag-natureza","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276261"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276261\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/276262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}