{"id":277888,"date":"2026-02-21T00:03:26","date_gmt":"2026-02-21T00:03:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/277888\/"},"modified":"2026-02-21T00:03:26","modified_gmt":"2026-02-21T00:03:26","slug":"trump-disse-que-a-energia-eolica-e-para-pessoas-estupidas-a-europa-respondeu-cinco-dias-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/277888\/","title":{"rendered":"Trump disse que a energia e\u00f3lica \u00e9 para &#8220;pessoas est\u00fapidas&#8221;. A Europa respondeu cinco dias depois"},"content":{"rendered":"<p>\t                Estados Unidos seguem em claro contraste com os parceiros europeus<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=r9YdMzYAN84\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">discurso<\/a> em Davos no m\u00eas passado, o presidente norte-americano criticou as &#8220;turbinas e\u00f3licas&#8221; como &#8220;perdedoras&#8221; e chamou &#8220;pessoas est\u00fapidas&#8221; \u00e0s na\u00e7\u00f5es que as compram. Apenas cinco dias depois, nove pa\u00edses europeus assinaram um acordo para construir um vasto centro de energia e\u00f3lica offshore no Mar do Norte, o epicentro da ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s do continente.<\/p>\n<p>O acordo &#8211; n\u00e3o uma resposta direta ao discurso de Trump contra a energia e\u00f3lica &#8211; oferece um enorme pr\u00e9mio potencial para a Europa: poder\u00e1 aumentar a seguran\u00e7a energ\u00e9tica e libertar o continente da sua forte depend\u00eancia do petr\u00f3leo e g\u00e1s dos EUA, numa altura em que os EUA se revelam um <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2026\/02\/05\/business\/europe-economic-independence-united-states-intl\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">parceiro vol\u00e1til<\/a>.<\/p>\n<p>A Europa \u00e9 uma das v\u00e1rias pot\u00eancias econ\u00f3micas importadoras de energia que veem cada vez mais as renov\u00e1veis como sin\u00f3nimo de independ\u00eancia energ\u00e9tica: a \u00cdndia est\u00e1 a <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2026\/02\/11\/climate\/clean-energy-china-india-electrostates\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">adicionar energia solar<\/a> a um ritmo acelerado e a China instalou mais energia e\u00f3lica e solar em 2024 do que a quantidade total de energia renov\u00e1vel em funcionamento nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os EUA est\u00e3o em claro contraste, apostando tudo nos combust\u00edveis f\u00f3sseis enquanto<a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2026\/02\/02\/climate\/trump-offshore-wind-resume-construction\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> tentam encerrar projetos de energia e\u00f3lica e solar<\/a>. Na energia, os EUA est\u00e3o agora mais &#8220;alinhados com petroestados como a Ar\u00e1bia Saudita, os Emirados \u00c1rabes Unidos, a R\u00fassia&#8221;, explica Thijs Van de Graaf, professor associado de pol\u00edtica internacional na Universidade de Ghent.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/6997210bd34e6a48f446bab0.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   A plataforma Maersk Invincible vista a partir da torre de perfura\u00e7\u00e3o, no meio do Mar do Norte em 2019. O Mar do Norte \u00e9 o epicentro da ind\u00fastria europeia de petr\u00f3leo e g\u00e1s. (Niels Christian Vilmann\/Ritzau Scanpix\/AFP\/Getty Images) <\/p>\n<p>O gigantesco projeto europeu de energia e\u00f3lica offshore ser\u00e1 &#8220;o maior centro de energia limpa do mundo&#8221;, de acordo com a <a href=\"https:\/\/www.bundeswirtschaftsministerium.de\/Redaktion\/EN\/Downloads\/M-O\/nordsee-gipfel-2026\/the-hamburg-declaration.pdf?%5F%5Fblob=publicationFile&amp;v=5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">declara\u00e7\u00e3o conjunta<\/a>, assinada por B\u00e9lgica, Dinamarca, Fran\u00e7a, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Pa\u00edses Baixos, Noruega e o Reino Unido na Cimeira do Mar do Norte realizada na Alemanha em janeiro.<\/p>\n<p>Espera-se que produza 100 gigawatts de energia e\u00f3lica offshore &#8211; o suficiente para abastecer cerca de 50 milh\u00f5es de casas &#8211; ligadas aos pa\u00edses atrav\u00e9s de cabos submarinos de alta tens\u00e3o. \u00c9 apresentado como uma forma de refor\u00e7ar a resili\u00eancia energ\u00e9tica, fornecer eletricidade acess\u00edvel e salvaguardar a seguran\u00e7a energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>A Europa, ao contr\u00e1rio dos EUA, n\u00e3o tem vastas reservas de combust\u00edveis f\u00f3sseis dom\u00e9sticos, e a produ\u00e7\u00e3o interna est\u00e1 a diminuir. Um enorme campo de g\u00e1s nos Pa\u00edses Baixos foi reduzido ap\u00f3s anos a provocar sismos, e a produ\u00e7\u00e3o da envelhecida bacia de petr\u00f3leo e g\u00e1s do Mar do Norte est\u00e1 em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>O bloco importa atualmente <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Energy_statistics_-_an_overview\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">quase 60%<\/a> da sua energia. Este n\u00edvel de depend\u00eancia &#8220;\u00e9 uma esp\u00e9cie de vulnerabilidade\u2026 sobre a qual outros podem pressionar&#8221;, segundo Louise van Schaik, investigadora s\u00e9nior no Clingendael, um think tank de rela\u00e7\u00f5es internacionais com sede nos Pa\u00edses Baixos.<\/p>\n<p>E, nos \u00faltimos anos, os pa\u00edses t\u00eam pressionado bastante essa vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A R\u00fassia &#8220;usou realmente o g\u00e1s como arma&#8221; contra a Europa desde que invadiu a Ucr\u00e2nia em 2022, acrescenta van Schaik. \u00c0 medida que a R\u00fassia reduziu os fluxos, os pre\u00e7os dispararam, aumentando as faturas de energia e ajudando a alimentar uma crise do custo de vida.<\/p>\n<p>A Europa moveu-se rapidamente para reduzir a depend\u00eancia da R\u00fassia, mas, em vez de diversificar, trocou a depend\u00eancia da R\u00fassia por uma depend\u00eancia dos Estados Unidos, disse van Schaik. Quase 60% das importa\u00e7\u00f5es europeias de g\u00e1s natural liquefeito em 2025 v\u00eam agora dos EUA.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o do GNL norte-americano a alimentar a Europa foi uma substitui\u00e7\u00e3o importante para o g\u00e1s russo, mas tamb\u00e9m exp\u00f4s o bloco a pre\u00e7os vol\u00e1teis do g\u00e1s natural que podem subir quando h\u00e1 mais procura.<\/p>\n<p>&#8220;Vimos muitos impactos na economia real por n\u00e3o termos o g\u00e1s russo barato, passando depois para GNL, que era muito mais caro&#8221;, afirma Linda Kalcher, fundadora do think tank europeu Strategic Perspectives.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/6997210cd34e28842c80d057.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O navio-tanque de g\u00e1s natural liquefeito, Energy Glory, chega a um terminal ingl\u00eas vindo dos Estados Unidos a 10 de fevereiro de 2025. (Dan Kitwood\/Getty Images) <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, embora depender dos EUA pudesse ter parecido uma aposta segura h\u00e1 alguns anos, parece cada vez mais inst\u00e1vel sob uma administra\u00e7\u00e3o Trump que n\u00e3o mostrou hesita\u00e7\u00e3o em usar o seu poder econ\u00f3mico contra advers\u00e1rios e aliados.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o passado, \u00e0 medida que Trump aumentava as amea\u00e7as de tarifas, a Europa comprometeu-se a comprar <a href=\"https:\/\/policy.trade.ec.europa.eu\/news\/joint-statement-united-states-european-union-framework-agreement-reciprocal-fair-and-balanced-trade-2025-08-21_en\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">250 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a> por ano em petr\u00f3leo, g\u00e1s e nuclear americanos durante os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos &#8211; <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/sustainability\/boards-policy-regulation\/eus-250-billion-per-year-spending-us-energy-is-unrealistic-2025-07-28\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mais do triplo<\/a> do que atualmente importa dos EUA.<\/p>\n<p>Em outubro, a administra\u00e7\u00e3o Trump <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2025\/10\/17\/climate\/imo-shipping-carbon-tax-trump\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">ajudou a fazer colapsar<\/a> os planos da ind\u00fastria mar\u00edtima para o &#8220;primeiro imposto global sobre carbono do mundo&#8221; e, em novembro, publicou uma estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a nacional que criticava duramente as pol\u00edticas de energia limpa da Europa e dizia explicitamente que expandir as exporta\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas dos EUA <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2025-National-Security-Strategy.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">&#8220;permite-nos projetar poder&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>Mas as exig\u00eancias de Trump para possuir a Gronel\u00e2ndia &#8211; com breves receios de que pudesse considerar usar for\u00e7a militar para a obter &#8211; foram o verdadeiro &#8220;momento galvanizador&#8221;, refere Van de Graaf. Foi um enorme golpe na rela\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Os EUA est\u00e3o a recorrer a &#8220;t\u00e1ticas de intimida\u00e7\u00e3o&#8221;, segundo Jennifer Morgan, antiga enviada alem\u00e3 para o clima. &#8220;Acho que isso acabou por despertar a UE para o facto de estar agora muito dependente e vulner\u00e1vel a outro l\u00edder&#8221;.<\/p>\n<p>A energia limpa oferece um caminho para se afastar da depend\u00eancia dos EUA e avan\u00e7ar para a seguran\u00e7a energ\u00e9tica, disseram especialistas \u00e0 CNN. \u00c9 algo que o continente tem em abund\u00e2ncia, desde o sul ensolarado at\u00e9 ao norte ventoso. O Mar do Norte, com as suas \u00e1guas pouco profundas e clima ventoso, \u00e9 a &#8220;\u00e1rea mais promissora do mundo&#8221; para energia e\u00f3lica offshore, afirma Van de Graaf.<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica e solar <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/sustainability\/climate-energy\/wind-solar-overtake-fossil-fuels-eu-power-supply-2026-01-21\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">geraram 30% da eletricidade da Uni\u00e3o Europeia<\/a> em 2025, ultrapassando os combust\u00edveis f\u00f3sseis pela primeira vez. A e\u00f3lica domina, gerando 19% da eletricidade da UE no ano passado. &#8220;J\u00e1 n\u00e3o se pode falar destas fontes de energia como alternativas; este \u00e9 o novo pilar da nossa oferta de eletricidade&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Globalmente, a ind\u00fastria das energias renov\u00e1veis enfrenta desafios: as mat\u00e9rias-primas e a m\u00e3o de obra est\u00e3o mais caras, os n\u00edveis de investimento t\u00eam vacilado e, nos EUA, Trump est\u00e1 a tentar &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2026\/02\/02\/climate\/trump-offshore-wind-resume-construction\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">ainda sem sucesso<\/a>\u00a0&#8211; travar projetos e\u00f3licos, o que afeta ainda mais a confian\u00e7a dos investidores. Mas o acordo europeu de energia e\u00f3lica offshore espera reduzir custos com a sua enorme escala e a \u00eanfase na interliga\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses.<\/p>\n<p>A forma como a Europa pensa a energia limpa mudou, segundo Morgan. Onde antes se tratava de pol\u00edtica clim\u00e1tica, agora trata-se de custo e pol\u00edtica. A energia renov\u00e1vel &#8220;mudou a economia. Mudou a economia pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a administra\u00e7\u00e3o Trump se afasta da energia limpa e aposta nos combust\u00edveis f\u00f3sseis, est\u00e1 a ajudar a acelerar este movimento de energia limpa do outro lado do Atl\u00e2ntico, acrescenta Van de Graaf. &#8220;Apesar de toda a sua ret\u00f3rica, (Trump) est\u00e1, na verdade, a fazer um favor ao neg\u00f3cio das renov\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estados Unidos seguem em claro contraste com os parceiros europeus Num discurso em Davos no m\u00eas passado, o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":277889,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[609,836,611,27,88,607,608,333,832,604,42595,135,610,92,476,89,90,5040,301,830,603,570,831,46186,833,62,834,13,835,602,52,32,33,50701,29],"class_list":["post-277888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-davos","tag-desporto","tag-direto","tag-donald-trump","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-energia-eolica","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-mar-do-norte","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-turbinas-eolicas","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116105694644036404","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277888\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/277889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}