{"id":278766,"date":"2026-02-21T17:54:46","date_gmt":"2026-02-21T17:54:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/278766\/"},"modified":"2026-02-21T17:54:46","modified_gmt":"2026-02-21T17:54:46","slug":"porque-o-sismo-das-1216-na-regiao-de-lisboa-teve-mais-elevada-perigosidade-que-o-das-1214","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/278766\/","title":{"rendered":"Porque o sismo das 12:16 na regi\u00e3o de Lisboa teve &#8220;mais elevada perigosidade&#8221; que o das 12:14"},"content":{"rendered":"<p>\t                O segundo sismo n\u00e3o foi uma r\u00e9plica, explicam os especialistas, que classificam como &#8220;interessante&#8221; o facto de terem existido estes dois sismos da maneira que aconteceram. &#8220;O potencial destrutivo&#8221; do segundo sismo &#8220;\u00e9 maior&#8221;. Mas aten\u00e7\u00e3o: &#8220;O que mata n\u00e3o s\u00e3o os sismos, s\u00e3o as constru\u00e7\u00f5es que existem&#8221;<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Lisboa foi abalada no in\u00edcio desta tarde, n\u00e3o por um mas <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/geral\/sismo-de-magnitude-4-0-sentido-em-lisboa\/20260219\/6996ff01d34e6a48f446b86e\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">dois sismos de magnitude 4,1<\/a> na escala de Richter. O primeiro, com epicentro a cerca de quatro quil\u00f3metros Oeste-Noroeste de Alenquer, fez-se sentir \u00e0s 12:14 &#8211; e dois minutos depois, o ch\u00e3o voltou a tremer. Desta vez com o epicentro a cerca de quatro quil\u00f3metros a Norte daquele munic\u00edpio, com a mesma magnitude.<\/p>\n<p>A sism\u00f3loga e investigadora da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, Susana Cust\u00f3dio, relembra no entanto que \u201cesta zona \u00e9 bastante conhecida por ter um sistema de falhas ativo\u201d, pelo que \u201cn\u00e3o \u00e9 inesperado\u201d que se registem abalos como os desta quinta-feira.<\/p>\n<p>Trata-se da zona do Vale inferior do Tejo, uma \u00e1rea com \u201csismicidade ativa\u201d j\u00e1 conhecida, com estudos feitos no \u00e2mbito neotect\u00f3nico, explica \u00e0 CNN Portugal Filipe Rosas, ge\u00f3logo e diretor do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa. \u201cS\u00e3o objetos conhecidos que s\u00f3 se mexem muito de vez em quando e as pessoas s\u00f3 se lembram deles quando mexem.\u201d<\/p>\n<p>Nos card\u00e1pios dos registos hist\u00f3ricos est\u00e3o documentados sismos que ocorreram nos anos de 1344, 1531 e 1909, com uma magnitude m\u00e1xima de 6 a 7 estimada para aquela zona. E no que diz respeito \u00e0 ocorr\u00eancia em si, os especialistas sublinham que n\u00e3o h\u00e1 nada de especial a registar, embora um pormenor salte \u00e0 vista: o segundo sismo, \u00e0s 12:16, ocorreu mais perto da superf\u00edcie, com um hipocentro ligeiramente mais superficial do que o do primeiro, a 14 quil\u00f3metros de profundidade.<\/p>\n<p>Nesses casos, \u201co potencial destrutivo \u00e9 maior\u201d, mesmo que a magnitude seja igual. \u201cSe a quantidade de energia que se liberta \u00e9 a mesma, quanto mais pr\u00f3ximo da superf\u00edcie est\u00e1 o hipocentro mais elevada \u00e9 a perigosidade\u201d, junta Filipe Rosas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o ge\u00f3logo classifica como um evento \u201cinteressante\u201d o facto de existirem dois sismos, sublinhando que n\u00e3o se trata de uma r\u00e9plica, porque essas, \u201cpor defini\u00e7\u00e3o, t\u00eam sempre uma magnitude inferior\u201d.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o sempre aquilo que resulta da dissipa\u00e7\u00e3o final da energia que se acumula, ou seja, s\u00e3o um extrator final &#8211; \u00e9 como se fosse o reequil\u00edbrio final da dissipa\u00e7\u00e3o da energia s\u00edsmica\u201d, explica.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo destaca a import\u00e2ncia de comparar a dimens\u00e3o dos abalos &#8211; aquilo a que se chama a \u201cconversa entre falhas\u201d &#8211; uma vez que da sequ\u00eancia de sismos pode resultar a ativa\u00e7\u00e3o de uma falha diferente, o que permitir\u00e1 avaliar \u201cse o movimento numa das falhas se antecipa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 uma falha que vai ter um sismo daqui a 20, 100 ou 200 anos e se houve outra na proximidade, o que acontece \u00e9 que a liberta\u00e7\u00e3o de energia neste sistema de falhas pode fazer com que esta energia se acumule nessa outra que est\u00e1 mais pr\u00f3xima, antecipando o sismo, que era s\u00f3 daqui a muitos anos, nessa outra falha\u201d, acrescenta, embora o investigador sublinhe que a complexidade dos fen\u00f3menos n\u00e3o permite fazer previs\u00f5es exatas.<\/p>\n<p>Ainda assim, para o sism\u00f3logo Jo\u00e3o Fonseca \u201cuma coisa \u00e9 certa\u201d: \u201cOnde ocorreram sismos no passado, ocorrer\u00e3o sismos no futuro com caracter\u00edsticas semelhantes.\u201d E essa \u00e9 a \u00fanica coisa que sabemos com certeza, assinala o especialista, relembrando o car\u00e1ter c\u00edclico do fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>\u201cSe aconteceu um, de certeza que vai voltar a acontecer. N\u00e3o sabemos \u00e9 se \u00e9 daqui a cinco mil anos ou para a semana\u201d, resume.<\/p>\n<p>Epicentro na Terra &#8220;causa sempre mais destrui\u00e7\u00e3o&#8221; <\/p>\n<p>Os sismos em causa nasceram de falhas ativas no interior da placa tect\u00f3nica euroasi\u00e1tica, que tem estado em constante aproxima\u00e7\u00e3o com a placa africana. Estas falhas s\u00e3o zonas de fraqueza, que se criaram com o tempo, e com o aproximar das placas mexem, acabando por romper, detalha Filipe Rosas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 liberta\u00e7\u00e3o de energia &#8211; e \u00e9 uma liberta\u00e7\u00e3o de energia que ocorre quando o material excede o seu limite de elasticidade. Aquilo rompe por ali, a energia propaga-se na forma de ondas s\u00edsmicas, que s\u00e3o ondas mec\u00e2nicas e el\u00e1sticas, e, portanto, o que est\u00e1 em cima abana.\u201d<\/p>\n<p>Desta vez, o foco foi na terra e n\u00e3o no mar, o que deixaria a adivinhar efeitos mais destrutivos, depois de n\u00e3o serem constatados danos significativos. Isto porque um sismo em Terra \u201ccausa sempre mais destrui\u00e7\u00e3o, estando debaixo dos nossos p\u00e9s, possivelmente debaixo de uma popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Susana Cust\u00f3dio.<\/p>\n<p>A principal diferen\u00e7a, diz, \u00e9 que \u201cas ondas s\u00edsmicas v\u00e3o perdendo energia \u00e0 medida que se propagam\u201d. Portanto, \u00e0 medida que se afastam da zona epicentral perdem intensidade, uma caracter\u00edstica que beneficia a popula\u00e7\u00e3o caso o sismo ocorra no mar, a uma maior dist\u00e2ncia do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cAs ondas s\u00edsmicas de um sismo no mar v\u00e3o atenuar, v\u00e3o perder energia at\u00e9 chegar a Terra \u00e0s popula\u00e7\u00f5es\u201d, destaca a investigadora.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa que estejamos longe do perigo se o epicentro se registar no oceano, dado que a\u00ed a probabilidade de se gerar um tsunami aumenta significativamente, alerta Jo\u00e3o Fonseca.<\/p>\n<p>\u201cO que mata n\u00e3o s\u00e3o os sismos, s\u00e3o as constru\u00e7\u00f5es que existem\u201d <\/p>\n<p>Por sua vez, Filipe Rosas associa a perigosidade do fen\u00f3meno a v\u00e1rios fatores, a maior parte deles, diz, extr\u00ednsecos \u00e0 pr\u00f3pria natureza do sismo: \u201cO que mata n\u00e3o s\u00e3o os sismos, s\u00e3o as constru\u00e7\u00f5es que existem\u201d.<\/p>\n<p>O fator de destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 assim altamente dependente da infraestrutura humana, \u201cda qualidade e do cuidado com que \u00e9 erigida\u201d, afirma o ge\u00f3logo, trazendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos poderes governativos para cima da mesa.<\/p>\n<p>\u201cA preven\u00e7\u00e3o faz-se tamb\u00e9m a n\u00edvel oficial, atrav\u00e9s do controlo da qualidade das estruturas, dos edif\u00edcios, com decis\u00f5es cr\u00edticas sobre onde deve ser constru\u00eddo um hospital, onde deve ser constru\u00edda uma escola. Tudo isso deve ser tido em conta na preven\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7a o sism\u00f3logo Jo\u00e3o Fonseca, sublinhando que o recente acontecimento n\u00e3o deve deixar-nos \u201cmais alerta hoje ou amanh\u00e3 do que ontem\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver danos pessoais ou materiais a registar, de acordo com a Autoridade Nacional de Emerg\u00eancia e Prote\u00e7\u00e3o Civil (ANEPC), h\u00e1 que ter em conta que estes sismos \u201ct\u00eam um valor pedag\u00f3gico\u201d, alerta Filipe Rosas.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas t\u00eam de interiorizar a circunst\u00e2ncia de viverem numa zona s\u00edsmica. Isto devia fazer parte da nossa cultura\u201d, afirma, acrescentando que a popula\u00e7\u00e3o tende a fazer uma de duas coisas: \u201cOu n\u00e3o liga nenhuma ou tem pesadelos com isso, mas isto trata-se de procurar estarmos preparados e informados, saber o que fazer antes, durante e depois de um sismo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O segundo sismo n\u00e3o foi uma r\u00e9plica, explicam os especialistas, que classificam como &#8220;interessante&#8221; o facto de terem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":275992,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[609,611,50849,27,28,607,608,604,610,539,15,16,14,350,603,25,26,50848,570,50494,21,22,606,12,13,19,20,602,32,1283,23,24,33,14217,58,605,17,18,29,30,31],"class_list":["post-278766","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-alerta","tag-ao-minuto","tag-atividade-sismica","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-crime","tag-direto","tag-educacao","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-ipma","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-lisboa-e-vale-do-tejo","tag-live","tag-magnitude","tag-main-news","tag-mainnews","tag-meteorologia","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pais","tag-portugal","tag-previsoes","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-sismos","tag-sociedade","tag-tempo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278766","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=278766"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278766\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/275992"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=278766"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=278766"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=278766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}