{"id":280355,"date":"2026-02-23T01:46:12","date_gmt":"2026-02-23T01:46:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280355\/"},"modified":"2026-02-23T01:46:12","modified_gmt":"2026-02-23T01:46:12","slug":"catastrofe-demografica-ucrania-esta-a-tornar-se-uma-nacao-de-viuvas-e-orfaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280355\/","title":{"rendered":"\u201cCat\u00e1strofe demogr\u00e1fica\u201d. Ucr\u00e2nia est\u00e1 a tornar-se uma na\u00e7\u00e3o de vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom:11px\">Olena Bilozerska e o marido sempre souberam que queriam ter filhos. Ela tinha 34 anos e estavam prontos para come\u00e7ar a tentar quando a guerra eclodiu no leste da Ucr\u00e2nia em 2014. O casal juntou-se aos combates e decidiu que um beb\u00e9 teria de esperar. Quando Bilozerska deixou o ex\u00e9rcito, aos 41 anos, os m\u00e9dicos disseram-lhe que as suas chances de engravidar eram praticamente nulas. Era tarde demais.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a guerra na Ucr\u00e2nia entra no seu quinto ano, a taxa de natalidade do pa\u00eds est\u00e1 a colapsar, com um n\u00famero crescente de pessoas a enfrentar problemas de fertilidade ou a adiar a decis\u00e3o de ter filhos. Ao mesmo tempo, as mortes aumentam nas linhas de frente e milh\u00f5es de pessoas refugiadas estabeleceram-se no estrangeiro. O resultado \u00e9 uma das piores crises demogr\u00e1ficas do mundo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma cat\u00e1strofe\u201d, diz Ella Libanova, uma importante dem\u00f3grafa ucraniana, \u00e0 CNN. \u201cNenhum pa\u00eds pode existir sem pessoas. Mesmo antes da guerra, a densidade populacional da Ucr\u00e2nia era baixa e muito desigual.\u201d<\/p>\n<p>Libanova ressalta que a Ucr\u00e2nia perdeu cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas desde o in\u00edcio da guerra \u2013 entre os que foram mortos, os que deixaram o pa\u00eds e os que vivem em \u00e1reas sob ocupa\u00e7\u00e3o russa. E embora a taxa de natalidade do pa\u00eds tenha vindo a diminuir h\u00e1 anos \u2013 uma tend\u00eancia comum em toda a Europa \u2013 agora entrou praticamente em colapso.<\/p>\n<p>A agress\u00e3o n\u00e3o provocada da R\u00fassia obrigou milh\u00f5es de ucranianos a colocar as suas vidas em suspenso. Mas, para muitas mulheres, essa decis\u00e3o pode ter um custo alt\u00edssimo.<\/p>\n<p>Quando voltou da linha de frente, Bilozerska foi informada de que a sua chance de ter um filho biol\u00f3gico era de 5%, no m\u00e1ximo. &#8220;Os m\u00e9dicos aconselharam-me a n\u00e3o perder tempo e a usar \u00f3vulos doados imediatamente&#8221;, recorda. Sem gostar da ideia, iniciou um tratamento de fertilidade, mesmo sabendo que as probabilidades estavam altamente contra ela.<\/p>\n<p>&#8220;Os soldados vivem um dia de cada vez, vivem para ver o anoitecer, para ver o dia seguinte. T\u00eam necessidades urgentes \u2013 como conseguir dinheiro para drones, para consertar o carro. N\u00e3o planeiam nada para o futuro&#8221;, diz Bilozerska \u00e0 CNN em Kiev.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811171_934_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Foto de Olena Bilozerska tirada durante o seu servi\u00e7o militar na frente de batalha na Ucr\u00e2nia. foto Olena Bilozerska <\/p>\n<p>\u201cConsidero ser meu dever moral dizer \u00e0s mulheres [militares] que, se desejarem ter filhos no futuro, aconselho-as a fazerem exames e a congelar os seus \u00f3vulos. Compartilho a minha hist\u00f3ria para que menos mulheres se encontrem nessa situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para maximizar as chances de sucesso de um procedimento de fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro (FIV), os m\u00e9dicos geralmente tentam recolher entre 10 e 15 \u00f3vulos em cada ciclo. No caso de Bilozerska, conseguiram apenas um, alertando-a imediatamente de que as chances de que fosse saud\u00e1vel eram pequenas. Ap\u00f3s fertiliz\u00e1-lo com o esperma do marido, alertaram-na novamente: os riscos de insucesso eram altos.<\/p>\n<p>Os dias seguintes foram de tortura, com o casal \u00e0 espera para ver se o embri\u00e3o sobreviveria. Quando sobreviveu, Bilozerska, ent\u00e3o com 42 anos, estava pronta para aproveitar a sua \u00fanica chance de ter um beb\u00e9.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que a R\u00fassia lan\u00e7ou a sua <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/interactive\/2023\/02\/europe\/russia-ukraine-war-timeline\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia<\/a>. Como oficial militar plenamente treinada, Bilozerska foi imediatamente requisitada para a linha de frente. O embri\u00e3o permaneceu em Kiev, congelado e armazenado num banco de criopreserva\u00e7\u00e3o com cerca de 10 mil outros.<\/p>\n<p>\u201cVoltei para a guerra e fiquei com tanto medo de que a cl\u00ednica fosse bombardeada que liguei para l\u00e1, perguntei o que ia acontecer, se o banco de criopreserva\u00e7\u00e3o seria transferido para o estrangeiro, se era seguro\u201d, conta Bilozerska \u00e0 CNN. Foi tranquilizada com a informa\u00e7\u00e3o de que a cl\u00ednica possu\u00eda uma parede refor\u00e7ada que protegia os embri\u00f5es. N\u00e3o resistiria a um impacto direto, mas proteg\u00ea-los-ia de estilha\u00e7os e destro\u00e7os.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811171_760_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Valery Zukin, diretor da cl\u00ednica de medicina reprodutiva Nadiya, em Kiev, diz que a guerra tornou o trabalho da cl\u00ednica ainda mais importante. foto Svitlana Vlasova\/CNN <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811171_826_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Milhares de embri\u00f5es congelados est\u00e3o armazenados num criobanco na cl\u00ednica Nadiya, em Kiev. foto Ivana Kottasov\u00e1\/CNN <\/p>\n<p>Valery Zukin \u00e9 um dos pioneiros da medicina reprodutiva na Ucr\u00e2nia e diretor da cl\u00ednica onde o embri\u00e3o de Bilozerska foi armazenado. A cl\u00ednica chama-se Nadiya, que significa \u2018Esperan\u00e7a\u2019 em ucraniano.<\/p>\n<p>\u00c0 CNN, diz que a guerra est\u00e1 a ter um impacto devastador nas taxas de fertilidade da Ucr\u00e2nia. &#8220;Eu consigo ver com os meus pr\u00f3prios olhos. Estamos a ver mais complica\u00e7\u00f5es, mais anomalias, mais dificuldades em levar a gravidez a termo&#8221;, diz o m\u00e9dico, explicando que os testes gen\u00e9ticos de rotina em embri\u00f5es abortados revelaram que a incid\u00eancia de anomalias cromoss\u00f3micas aumentou drasticamente desde o in\u00edcio da guerra.<\/p>\n<p>Alla Baranenko, especialista em reprodu\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica Nadiya, refere que tamb\u00e9m est\u00e1 a ver mais casos de menopausa precoce em mulheres jovens.<\/p>\n<p>\u201cA qualidade dos \u00f3vulos est\u00e1 pior e a quantidade est\u00e1 a diminuir \u2013 e isso deve-se ao stress. N\u00e3o se trata apenas dos meus pacientes, mas tamb\u00e9m das doadoras de \u00f3vulos, que s\u00e3o mulheres sem problemas reprodutivos. Mesmo assim, a qualidade dos \u00f3vulos delas est\u00e1 pior\u201d, indica, acrescentando que a qualidade do esperma dos homens ucranianos, especialmente daqueles que retornam da frente de batalha, tamb\u00e9m est\u00e1 pior.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a preservar esperma h\u00e1 30 anos. Quando comparamos a qualidade do esperma dos militares de hoje com a dos homens comuns antes da guerra, \u00e9 claro que \u00e9 pior. O stress tamb\u00e9m afeta os homens, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o stress, s\u00e3o tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es em que vivem.\u201d<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811171_497_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Alla Baranenko, especialista em reprodu\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica Nadiya, em Kiev, diz que pode ver em primeira m\u00e3o o impacto da guerra na sa\u00fade das suas pacientes. foto Ivana Kottasov\u00e1\/CNN <\/p>\n<p>Um pa\u00eds de vi\u00favas <\/p>\n<p>Iryna Ivanova apresentava todos os sinais de uma gravidez precoce. Mas n\u00e3o queria contar ao marido at\u00e9 ter a certeza. Ele estava muito animado com a possibilidade de ter filhos, e Ivanova n\u00e3o queria criar falsas esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Quando finalmente teve a certeza de que estava gr\u00e1vida, j\u00e1 era tarde demais para lhe contar. Pavlo Ivanov, o seu marido, o amor da sua vida e um dos <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2024\/08\/04\/europe\/ukraine-f16s-zelensky-arrival-intl\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">pilotos de elite de ca\u00e7as F-16 da Ucr\u00e2nia<\/a>, foi morto em combate a 12 de abril de 2025.<\/p>\n<p>Quando a sua filha nasceu em dezembro, Ivanova batizou-a Yustyna \u2013 o nome que o casal tinha escolhido em conjunto quando sonhavam em ter filhos. Yustyna tem os olhos azuis claros de Pavlo e parece ter herdado a calma do pai.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a ouvi chorar, naquele primeiro momento, foi como se eu come\u00e7asse a respirar&#8221;, disse Ivanova \u00e0 CNN, com l\u00e1grimas a escorrer pelo rosto. \u201cSentimos a maior alegria e a maior dor, e simplesmente acostumamo-nos ao facto de que isso faz parte de n\u00f3s e da nossa vida.\u201d<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811171_951_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Iryna Ivanova com o marido. foto Iryna Ivanova <\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia n\u00e3o divulga os seus dados sobre baixas, mas um <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2026\/01\/28\/europe\/russia-ukraine-casualties-csis-report-intl-hnk-ml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">relat\u00f3rio publicado em janeiro<\/a> pelo Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos e Internacionais (CSIS), um think tank com sede nos EUA, estimou que entre 100 mil e 140 mil ucranianos foram mortos desde o in\u00edcio da invas\u00e3o em grande escala, faz na ter\u00e7a-feira quatro anos.<\/p>\n<p>A idade de alistamento militar relativamente alta no pa\u00eds e a isen\u00e7\u00e3o dos recrutas mais jovens do servi\u00e7o na linha de frente fazem com que a idade m\u00e9dia de um soldado ucraniano seja de cerca de 43 anos, significativamente maior do que em muitos pa\u00edses ocidentais.<\/p>\n<p>Por causa disso, a maioria dos homens e mulheres que perdem a vida na linha de frente s\u00e3o casados \u200b\u200be t\u00eam filhos \u2013 e a Ucr\u00e2nia est\u00e1 a tornar-se um pa\u00eds de vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os. Estat\u00edsticas oficiais mostram que existem atualmente 59 mil crian\u00e7as a viver sem os seus pais biol\u00f3gicos na Ucr\u00e2nia, a maioria delas em lares adotivos.<\/p>\n<p>Oksana Borkun conhece bem o estigma de ser uma jovem vi\u00fava. O seu marido, Volodymyr Hunko, foi morto em Bakhmut no ver\u00e3o de 2022. Tendo crescido numa cultura em que o luto deve ser privado e as mulheres sem marido s\u00e3o frequentemente mal vistas, fez sua miss\u00e3o tornar a vida das vi\u00favas ucranianas mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Sentada num caf\u00e9 aconchegante no centro de Kiev, Borkun e duas amigas, Juliia Seliutina e Olena Biletska, compartilham hist\u00f3rias enquanto tomam caf\u00e9 e chocolate quente, com o gerador a diesel do caf\u00e9 \u2013 necess\u00e1rio devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel da infraestrutura energ\u00e9tica da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia \u2013 a zumbir ao fundo.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811172_538_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Oksana Borkun (ao centro) e as suas duas amigas, Juliia Seliutina (\u00e0 esquerda) e Olena Biletska, encontram-se num caf\u00e9 em Kiev. foto Ivana Kottasov\u00e1\/CNN <\/p>\n<p>As tr\u00eas mulheres, todas vi\u00favas, uniram-se pela dor compartilhada e pelo desejo de ajudar outras pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o. O seu grupo de apoio online para vi\u00favas de militares conta agora com mais de 6 mil membros, e organizam encontros presenciais regulares, noites de homenagem e outros eventos.<\/p>\n<p>Borkun \u00e9 a for\u00e7a motriz por tr\u00e1s de muitos dos projetos, e foi ela quem convenceu Biletska a envolver-se num projeto que visa conseguir presentes de anivers\u00e1rio para os filhos de soldados mortos em combate.<\/p>\n<p>\u201cAconteceu que o [meu marido] Vovchik e eu n\u00e3o t\u00ednhamos filhos, ent\u00e3o eu tinha medo de que fosse muito doloroso para mim. N\u00f3s quer\u00edamos muito ter um filho, mas n\u00e3o deu certo\u2026 [trabalhar neste projeto] ajudou-me a superar isso\u201d, diz, acrescentando que o grupo envia atualmente, em m\u00e9dia, 200 presentes por m\u00eas.<\/p>\n<p>Vi\u00fava aos 45 anos, Biletska conformou-se com o fato de que provavelmente n\u00e3o ter\u00e1 um filho biol\u00f3gico. Ela e o marido tentaram ter filhos e estavam em tratamentos quando ele foi para a guerra.<\/p>\n<p>\u201cA guerra roubou-me os anos em que eu poderia ter tido filhos\u201d, diz \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>Iryna e Pavlo Ivanov estavam decididos a ter muitos filhos \u2013 definitivamente mais de tr\u00eas, conta \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>A taxa de fertilidade da Ucr\u00e2nia, ou seja, o n\u00famero de filhos que uma mulher m\u00e9dia tem ao longo da vida, caiu para menos de um, em compara\u00e7\u00e3o com 1,4 na Europa e 1,6 nos EUA.<\/p>\n<p>Mesmo antes da guerra, era incomum um casal jovem como os Ivanov cogitar ter mais de dois filhos. Eram exatamente o tipo de pessoa que a Ucr\u00e2nia precisava para superar a sua grave crise demogr\u00e1fica. Mas esse sonho morreu junto com o marido dela.<\/p>\n<p>Fuga de c\u00e9rebros <\/p>\n<p>Seliutina diz que o movimento delas busca empoderar mulheres vi\u00favas para que se tornem membros ativos da sociedade \u2013 algo que, acredita, ser\u00e1 especialmente importante ap\u00f3s o fim da guerra e o in\u00edcio da reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Cerca de 6 milh\u00f5es de pessoas, na sua maioria mulheres jovens e crian\u00e7as, fugiram e registaram-se oficialmente como refugiadas no estrangeiro desde o in\u00edcio da guerra em larga escala, em 2022. A grande maioria ainda vive no exterior, e Libanova diz que, quanto mais tempo o conflito durar, menores ser\u00e3o as chances de retorno.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811172_374_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Uma mulher com duas crian\u00e7as atravessa a fronteira entre a Eslov\u00e1quia e a Ucr\u00e2nia em Ubla, no leste da Eslov\u00e1quia, perto da cidade ucraniana de Welykyj Beresnyj, em 25 de fevereiro de 2022, um dia depois da invas\u00e3o em larga escala. foto Peter Lazar\/AFP\/Getty Images <\/p>\n<p>\u201cA cada m\u00eas que passa, a destrui\u00e7\u00e3o aumenta e, por outro lado, mais e mais dos nossos migrantes de guerra est\u00e3o a adaptar-se \u00e0 nova vida no estrangeiro, h\u00e1 menos gente a regressar\u201d, diz \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>O enorme \u00eaxodo tamb\u00e9m representa uma grande fuga de c\u00e9rebros da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cEspero que as pessoas mais qualificadas retornem. [\u2026] A economia e a infraestrutura v\u00e3o precisar de ser reconstru\u00eddas. Precisaremos de trabalhadores, principalmente qualificados. Se n\u00e3o tivermos m\u00e3o de obra suficiente, teremos de trazer estrangeiros, o que talvez n\u00e3o seja mau. Mas duvido que muitos estrangeiros qualificados venham para c\u00e1 em grande n\u00famero.\u201d<\/p>\n<p>Seliutina diz que \u00e9 aqui que as vi\u00favas de guerra, especialmente as mais jovens, podem ajudar a garantir o futuro da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cAs jovens que perderam os seus entes queridos conhecem o pre\u00e7o da perda. Elas sabem porque \u00e9 que os nossos homens foram para l\u00e1 e porque \u00e9 que n\u00e3o podem deixar o pa\u00eds agora. N\u00e3o podemos simplesmente ficar sentadas \u00e0 espera que algu\u00e9m fa\u00e7a algo por n\u00f3s. J\u00e1 n\u00e3o d\u00e1\u201d, diz.<\/p>\n<p>No ano passado, ao completar 45 anos, Bilozerska percebeu que estava a envelhecer. N\u00e3o apenas pela maternidade, mas tamb\u00e9m pela guerra. Ela servia como atiradora de elite.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o conseguia realmente fazer mais o trabalho de combate. A maioria dos homens [na minha unidade] s\u00e3o jovens atletas\u2026 \u00e9 claro que eu n\u00e3o conseguia mais acompanh\u00e1-los\u201d, conta \u00e0 CNN. Os seus comandantes tinham vindo a sugerir h\u00e1 tempos que ela assumisse uma posi\u00e7\u00e3o diferente, longe da linha de frente, mas ela resistia.<\/p>\n<p>Quando a sua m\u00e3e morreu, deixando sozinho o seu pai portador de defici\u00eancia, soube que era hora de voltar para Kiev.<\/p>\n<p>O embri\u00e3o dela ainda estava dentro de Nadiya, \u00e0 espera dela h\u00e1 tr\u00eas anos. &#8220;Senti que essa era a minha \u00faltima chance de ter um filho. Fui \u00e0 cl\u00ednica buscar o meu embri\u00e3o. E foi assim que Pavlus nasceu quando eu tinha 46 anos&#8221;, partilha com a CNN durante um passeio num parque de Kiev no inverno.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771811172_737_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Olena Bilozerska leva o seu filho beb\u00e9 Pavlo num passeio por Kiev. foto Ivana Kottasov\u00e1\/CNN <\/p>\n<p>Baranenko, que tratou Bilozerska na cl\u00ednica Nadiya, diz que, de todos os casos em que trabalhou, a hist\u00f3ria dela foi a que mais a marcou. Ao longo de seus 20 anos de carreira, ela ajudou a conceber 5 mil beb\u00e9s.<\/p>\n<p>Agasalhado e parecendo um pequeno boneco de neve no seu macac\u00e3o azul-claro, Pavlus olha para ela enquanto o ergue delicadamente para um abra\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cO nome do meio dele \u00e9 Bohdan, que significa \u2018um presente de Deus\u2019\u201d, conta. \u201cPego-lhe ao colo e ele simplesmente derrete-se. Estende a m\u00e3o para ti, sorri e ficas completamente apaixonada por ele, \u00e9 imposs\u00edvel de descrever.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Olena Bilozerska e o marido sempre souberam que queriam ter filhos. 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