{"id":28037,"date":"2025-08-13T19:57:14","date_gmt":"2025-08-13T19:57:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/28037\/"},"modified":"2025-08-13T19:57:14","modified_gmt":"2025-08-13T19:57:14","slug":"praga-pre-historica-saltou-de-especie-desconhecida-para-ovelhas-e-depois-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/28037\/","title":{"rendered":"Praga pr\u00e9-hist\u00f3rica saltou de esp\u00e9cie desconhecida para ovelhas \u2014 e depois humanos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Bj\u00f6rn Reichhardt<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-694417 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/44fdb916a558ef6739cfa6378de4995a-4-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Ossos arqueol\u00f3gicos de ovelhas descobertos em s\u00edtio arqueol\u00f3gico da Idade do Bronze na estepe euro-asi\u00e1tica<\/p>\n<p><strong>Um novo estudo descobriu ADN de peste antiga em ossos de ovelhas com 4.000 anos, lan\u00e7ando luz sobre como o pat\u00f3geno conseguiu infetar milhares de pessoas em todo o mundo.<\/strong><\/p>\n<p>A bact\u00e9ria Yersinia pestis era uma <strong>forma inicial de peste bub\u00f3nica<\/strong> que circulou durante os per\u00edodos Neol\u00edtico Tardio e Idade do Bronze h\u00e1 cerca de 5.000 a 2.000 anos.<\/p>\n<p>Este pat\u00f3geno \u00e9 uma forma geneticamente<strong> \u00fanica<\/strong> <strong>e pr\u00e9-hist\u00f3rica<\/strong> da peste que infetou humanos em toda a Eur\u00e1sia \u2014 antes de presumivelmente se extinguir.<\/p>\n<p>Um novo <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell\/fulltext\/S0092-8674(25)00851-7\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a>, apresentado num artigo publicado nesta segunda-feira na revista Cell, descobriu agora ADN desta peste antiga em ossos de ovelhas com 4.000 anos.<\/p>\n<p>\u201cTemos mais de 200 genomas de Y. pestis de humanos antigos, mas os humanos n\u00e3o s\u00e3o um hospedeiro natural da peste\u201d, diz <strong>Ian Light-Maka<\/strong>, investigador do Instituto Max Planck, na Alemanha, e autor principal do estudo, citado pela <a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/science\/biology\/plague-eurasian-steppe-sheep\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Cosmos<\/a>.<\/p>\n<p>A maioria dos <strong>pat\u00f3genos humanos<\/strong>, como a peste, s\u00e3o de <strong>origem zoon\u00f3tica<\/strong>. Isto significa que a peste passou por um processo conhecido como <strong>spillover<\/strong>, a transmiss\u00e3o de um pat\u00f3geno entre esp\u00e9cies, onde neste caso espec\u00edfico o pat\u00f3geno<strong> saltou dos animais para os humanos<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cUm dos primeiros passos para compreender como uma doen\u00e7a se espalha e evolui \u00e9 <strong>descobrir onde se esconde<\/strong>, mas ainda n\u00e3o fizemos isso no campo do ADN antigo\u201d, diz Light-Maka.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\">Rocky Mountain Laboratories, NIAID, NIH<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-694418\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/338a47eb5999d866c775c8a801056a37-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Microfotografia eletr\u00f3nica de varrimento que mostra uma massa de bact\u00e9rias Yersinia pestis (a causa da peste bub\u00f3nica) no intestino anterior do vetor da pulga<\/p>\n<p>A equipa de investigadores do Instituto Max Planck, da Universidade de Harvard, Universidade de Arkansas e Universidade de Seul, investigou os ossos e dentes de gado da Idade do Bronze no s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Arkaim, na R\u00fassia, para rastrear este spillover.<\/p>\n<p>Conduziram ent\u00e3o uma <strong>an\u00e1lise gen\u00e9tica<\/strong> que revelou que humanos e ovelhas foram infetados por <strong>estirpes de peste Y. pestis quase id\u00eanticas<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Se n\u00e3o soub\u00e9ssemos que era de uma ovelha<\/strong>, todos teriam assumido que era mais uma infe\u00e7\u00e3o humana \u2013 \u00e9 quase indistingu\u00edvel\u201d, diz <strong>Christina Warinner<\/strong>, professora de Arqueologia Cient\u00edfica na Universidade de Harvard nos EUA e coautora do estudo.<\/p>\n<p>Com infe\u00e7\u00f5es de animais para humanos a aumentar \u2013 devido a mudan\u00e7as causadas pelo homem no <strong>clima, uso da terra, densidade populacional <\/strong>e conectividade \u2013 o estudo demonstra o <strong>impacto que a domestica\u00e7\u00e3o animal<\/strong> tem na propaga\u00e7\u00e3o e emerg\u00eancia de doen\u00e7as zoon\u00f3ticas.<\/p>\n<p>A equipa formula a hip\u00f3tese de que a peste ter\u00e1 sido neste caso transmitida atrav\u00e9s <strong>de um animal selvagem desconhecido<\/strong> para ovelhas e depois para humanos.<\/p>\n<p>O pat\u00f3geno em quest\u00e3o tem uma evolu\u00e7\u00e3o distinta que carecia da maquinaria gen\u00e9tica necess\u00e1ria para passar atrav\u00e9s de pulgas. Isto sugere que o spillover em <strong>n\u00e3o aconteceu de pulgas para ovelhas<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Arkaim fazia parte do complexo cultural Sintashta<\/strong> e ofereceu-nos um \u00f3timo local para procurar pistas de peste\u201d, diz <strong>Taylor Hermes<\/strong>, investigador da Universidade de Arkansas e tamb\u00e9m coautor do estudo.<\/p>\n<p>\u201cEram <strong>sociedades pastoris antigas<\/strong> sem o tipo de armazenamento de gr\u00e3os que atrairia ratos e as suas pulgas, e indiv\u00edduos Sintashta anteriores foram encontrados com infe\u00e7\u00f5es de Y. pestis. <strong>Poderia o seu gado ser um elo em falta?<\/strong>\u201c, questiona Hermes.<\/p>\n<p>Os investigadores sugerem que as descobertas se enquadram no contexto hist\u00f3rico da Idade do Bronze, pois houve um <strong>aumento na cria\u00e7\u00e3o de gado<\/strong> que pode ter levado a maior contacto entre humanos e ovelhas.<\/p>\n<p>\u201cA cultura Sintashta-Petrovka \u00e9 <strong>famosa pelo seu extenso pastoreio<\/strong> sobre vastas pastagens auxiliado por tecnologias inovadoras de cavalos, isto proporcionou muitas oportunidades para o seu gado entrar em contacto com animais selvagens infetados por Y. pestis\u201c, diz Warinner.<\/p>\n<p>Embora <strong>permane\u00e7am quest\u00f5es<\/strong> sobre como os pat\u00f3genos se espalharam t\u00e3o longe num curto per\u00edodo de tempo, os investigadores esperam que este estudo seja apenas o in\u00edcio. \u201cHaver\u00e1 cada vez mais interesse em analisar estas cole\u00e7\u00f5es\u201d, diz Key, \u201cElas d\u00e3o-nos perspetivas que nenhuma amostra humana pode\u201d.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754948982_360_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754948983_518_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" 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