{"id":280439,"date":"2026-02-23T03:50:13","date_gmt":"2026-02-23T03:50:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280439\/"},"modified":"2026-02-23T03:50:13","modified_gmt":"2026-02-23T03:50:13","slug":"virus-do-resfriado-se-esconde-e-se-multiplica-nas-amigdalas-e-adenoides-mesmo-em-pessoas-sem-sintomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280439\/","title":{"rendered":"V\u00edrus do resfriado se \u2018esconde\u2019 e se multiplica nas am\u00edgdalas e adenoides mesmo em pessoas sem sintomas"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Sa\u00fade\n                            <\/p>\n<p>                            V\u00edrus do resfriado se \u2018esconde\u2019 e se multiplica nas am\u00edgdalas e adenoides mesmo em pessoas sem sintomas<\/p>\n<p class=\"summary\">Estudo conduzido na USP mostra que o pat\u00f3geno pode persistir por longos per\u00edodos nesses tecidos, ser transmitido de forma insuspeita e gerar novos surtos da doen\u00e7a<\/p>\n<p>\n                                 Sa\u00fade\n                            <\/p>\n<p>                                                        V\u00edrus do resfriado se \u2018esconde\u2019 e se multiplica nas am\u00edgdalas e adenoides mesmo em pessoas sem sintomas<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Estudo conduzido na USP mostra que o pat\u00f3geno pode persistir por longos per\u00edodos nesses tecidos, ser transmitido de forma insuspeita e gerar novos surtos da doen\u00e7a<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/57226.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(57226,'files\/post\/57226.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">O rinov\u00edrus consegue infectar linf\u00f3citos dos tipos B, produtores de anticorpos e T CD4, que atuam como maestros da resposta imunol\u00f3gica local (imagem: <a href=\"https:\/\/www.rcsb.org\/structure\/1K5M\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">PDB<\/a>\/<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:1k5m.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Wikimedia Commons<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Estudo conduzido na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) revela que tecidos como am\u00edgdala e adenoide podem servir como \u201cesconderijo\u201d para o rinov\u00edrus, causador do resfriado e respons\u00e1vel pela maior parte das infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias do mundo.<\/p>\n<p>Conduzido com amostras de 293 crian\u00e7as que passaram por cirurgia para a retirada desses tecidos, o trabalho mostrou que o pat\u00f3geno consegue infectar c\u00e9lulas de defesa conhecidas como linf\u00f3citos e l\u00e1 permanecer por longos per\u00edodos sem provocar sintomas, podendo eventualmente ser transmitido para outras pessoas de forma insuspeita.<\/p>\n<p>\u201cO v\u00edrus tem um encontro marcado com a popula\u00e7\u00e3o infantil. Todos os anos, cerca de duas ou tr\u00eas semanas depois que as aulas come\u00e7am em regi\u00f5es de clima temperado, ocorre um surto de rinov\u00edrus. E as crian\u00e7as levam para os pais e av\u00f3s. A gente sempre teve essa d\u00favida: o que tem a ver o in\u00edcio das aulas? Ora, juntam-se crian\u00e7as em um espa\u00e7o fechado, e algumas delas com o v\u00edrus na garganta podem semear o surto na escola mesmo estando assintom\u00e1ticas\u201d, comenta o rinovirologista <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2297\/eurico-de-arruda-neto\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Eurico de Arruda Neto<\/strong><\/a>, professor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP) e coordenador da investiga\u00e7\u00e3o, apoiada pela FAPESP (projetos\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/143264\/replicacao-de-rinovirus-em-explantes-de-tecidos-linfoepiteliais-de-tonsilas-humanas-infectados-ex-vi\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>13\/06380\u20100<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/83524\/estudos-sobre-infeccoes-persistentes-por-paramyxovirus-respiratorios-humanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>13\/16349\u20102<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/176461\/rinovirus-em-tecidos-linfoides-humanos-relacao-virus-celula-e-investigacao-de-persistencia-viral\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>17\/25654\u20104<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>Como explica o pesquisador, j\u00e1 se sabia que o rinov\u00edrus infecta o epit\u00e9lio do nariz e da garganta (a camada mais superficial da mucosa), sequestra o maquin\u00e1rio celular para se multiplicar e, terminado esse trabalho, provoca o rompimento da c\u00e9lula hospedeira para liberar sua prog\u00eanie apta a gerar novas infec\u00e7\u00f5es. Por esse motivo os cientistas o consideram um v\u00edrus l\u00edtico (que causa a lise ou ruptura celular). Esse ciclo r\u00e1pido e destrutivo chama rapidamente a aten\u00e7\u00e3o do sistema imune, que, na maioria dos casos, elimina o v\u00edrus do organismo em torno de cinco a sete dias.<\/p>\n<p>A grande novidade do trabalho foi mostrar que, al\u00e9m do epit\u00e9lio, o rinov\u00edrus consegue atingir camadas mais profundas dos tecidos das am\u00edgdalas e adenoides e infectar linf\u00f3citos dos tipos B (produtores de anticorpos) e T CD4 (que atuam como maestros da resposta imunol\u00f3gica local). Essas c\u00e9lulas t\u00eam vida longa e guardam a \u201cmem\u00f3ria\u201d do sistema imune. Em vez de mat\u00e1-las, o rinov\u00edrus permanece dentro delas por per\u00edodos longos de tempo, em um estado de persist\u00eancia similar \u00e0 lat\u00eancia que ocorre com os v\u00edrus herpes, HPV e citomegalov\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cAs amostras que analisamos s\u00e3o de crian\u00e7as operadas porque sofriam com ronco, apneia do sono ou infec\u00e7\u00f5es recorrentes relacionadas com a hipertrofia de am\u00edgdalas e adenoides. No momento da cirurgia elas estavam obrigatoriamente sem sintomas. Ainda assim, detectamos o rinov\u00edrus em uma quantidade bem grande de participantes\u201d, conta Arruda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das am\u00edgdalas e adenoides, tamb\u00e9m foi analisada a secre\u00e7\u00e3o nasal das crian\u00e7as. Segundo dados <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12831225\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>divulgados<\/strong><\/a> no Journal of Medical Virology, o v\u00edrus estava presente em ao menos um dos tr\u00eas locais (am\u00edgdala, adenoide ou secre\u00e7\u00e3o) em 46% dos volunt\u00e1rios. Tamb\u00e9m foram observados nesses tecidos a presen\u00e7a de prote\u00ednas virais e de outros ind\u00edcios de que o rinov\u00edrus estava se multiplicando e, portanto, apto a infectar outra pessoa.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o contou com a colabora\u00e7\u00e3o do virologista Ronaldo Martins, da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto (FCFRP-USP), e dos professores Wilma Anselmo-Lima, Edwin Tamashiro e Fabiana Valera, da FMRP-USP.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20260212-abre-agencia.jpg\" style=\"height:563px; width:1000px\"\/><br \/>&#13;<br \/>\n(imagem: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><strong>Horta de v\u00edrus<\/strong><\/p>\n<p>Em trabalhos anteriores, a equipe de Arruda j\u00e1 havia detectado em amostras de am\u00edgdalas e adenoide, tamb\u00e9m de crian\u00e7as operadas, a presen\u00e7as do <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/jmv.25441\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>adenov\u00edrus<\/strong><\/a> (outro causador do resfriado), do <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC7163139\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>influenza A<\/strong><\/a> (gripe) e do <a href=\"https:\/\/journals.asm.org\/doi\/10.1128\/spectrum.01347-23\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>SARS-CoV-2<\/strong><\/a> (COVID-19). Estes dois \u00faltimos j\u00e1 s\u00e3o conhecidos por causar, em alguns pacientes, infec\u00e7\u00f5es mais prolongadas. J\u00e1 no caso do rinov\u00edrus isso foi uma surpresa.<\/p>\n<p>\u201cTenho a impress\u00e3o de que qualquer v\u00edrus comum que formos procurar vamos encontrar. E n\u00e3o s\u00f3 nas am\u00edgdalas e adenoides, mas em outros tecidos linfoides do organismo, como linfonodos e g\u00e2nglios. J\u00e1 temos algumas evid\u00eancias preliminares de que os tecidos linfoides s\u00e3o uma esp\u00e9cie de \u2018horta\u2019 de v\u00edrus. E nossa hip\u00f3tese \u00e9 que isso \u00e9 algo do bem. Funciona como um refor\u00e7o da mem\u00f3ria imunol\u00f3gica, o que faz com que anticorpos continuem a ser produzidos mesmo ap\u00f3s longos per\u00edodos da exposi\u00e7\u00e3o inicial\u201d, avalia Arruda.<\/p>\n<p>No caso de pessoas que sofrem de asma, contudo, tal fato pode ser um problema. Uma das hip\u00f3teses levantadas pelos autores no artigo \u00e9 que a presen\u00e7a de v\u00edrus infeccioso nos linf\u00f3citos T CD4 das am\u00edgdalas pode induzir a libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias capazes de agir nos pulm\u00f5es e causar uma crise asm\u00e1tica. O que j\u00e1 se sabe \u00e9 que resfriados e gripes est\u00e3o entre as causas mais comuns de crises de asma, especialmente em crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0171049\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>estudo<\/strong><\/a> anterior do grupo detectou v\u00edrus respirat\u00f3rios em adenoide normal (sem hipertrofia) \u2013 que fica ao lado da tuba auditiva \u2013, podendo ser a raz\u00e3o pela qual algumas crian\u00e7as sofrem de otites m\u00e9dias recorrentes.<\/p>\n<p>\u201cEsse v\u00edrus pode passar da adenoide para o ouvido m\u00e9dio e l\u00e1 causar uma inflama\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a n\u00e3o vai ficar espirrando ou tossindo, mas o ouvido vai inflamar e isso fecha a tuba auditiva, que \u00e9 muito fina, gerando um ac\u00famulo de l\u00edquido no qual a pr\u00f3pria flora bacteriana local passa a se proliferar\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Arruda, a partir desses achados, os pediatras devem atentar para a possibilidade de confus\u00e3o diagn\u00f3stica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s causas das doen\u00e7as infantis.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo: uma crian\u00e7a com am\u00edgdala hipertr\u00f3fica chega ao pronto-socorro com uma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria e sintomas de bronquiolite causada pelo v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio, mas o teste do cotonete na garganta detecta o rinov\u00edrus que est\u00e1 ali desde uma infec\u00e7\u00e3o anterior. Ou seja, pode ser que os testes feitos nas secre\u00e7\u00f5es nem sempre reflitam o que de fato est\u00e1 ocorrendo no pulm\u00e3o\u201d, diz o pesquisador. \u201cTemos evid\u00eancias de que mesmo em pessoas com am\u00edgdalas e adenoides de tamanho normal tamb\u00e9m pode ocorrer essa persist\u00eancia viral.\u201d<\/p>\n<p>Outra hip\u00f3tese a ser investigada, diz o cientista, \u00e9 se os v\u00edrus que persistem nos tecidos linfoides podem se tornar um problema para pacientes imunossuprimidos. \u201cPacientes que fazem transplante de medula, por exemplo, frequentemente desenvolvem infec\u00e7\u00e3o pulmonar e bronquiolite. A culpa costuma recair sobre m\u00e9dicos, enfermeiros e estudantes de medicina, que levariam o v\u00edrus para a ala de alto risco. Mas ser\u00e1 que o v\u00edrus j\u00e1 n\u00e3o estava nas am\u00edgdalas e adenoides do pr\u00f3prio paciente, e agora est\u00e1 reativado por causa da baixa imunidade? N\u00e3o precisa ser uma transmiss\u00e3o de fora para dentro. \u00c9 isso que come\u00e7amos a investigar em camundongos\u201d, conta.<\/p>\n<p>O artigo Rhinovirus infects B and CD4 T lymphocytes in hypertrophic tonsils in children pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12831225\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12831225\/<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sa\u00fade V\u00edrus do resfriado se \u2018esconde\u2019 e se multiplica nas am\u00edgdalas e adenoides mesmo em pessoas sem sintomas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":280440,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[51099,51098,838,116,32,33,3227,117],"class_list":["post-280439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-adenoides","tag-amigdalas","tag-criancas","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-resfriado","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116117912249200048","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280439\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/280440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}