{"id":280728,"date":"2026-02-23T11:06:12","date_gmt":"2026-02-23T11:06:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280728\/"},"modified":"2026-02-23T11:06:12","modified_gmt":"2026-02-23T11:06:12","slug":"amanda-viajou-dos-eua-para-ir-trabalhar-para-a-china-uma-escala-na-europa-mudou-a-sua-vida-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280728\/","title":{"rendered":"Amanda viajou dos EUA para ir trabalhar para a China. Uma escala na Europa mudou a sua vida para sempre"},"content":{"rendered":"<p>\t                Amanda Meyer Barkley, natural do Louisiana, com o marido, Blake, que conheceu em Praga, e os dois filhos. Cortesia Amanda Barkley<\/p>\n<p>Em 2018, Amanda Meyer Barkley deixou a sua casa no Louisiana para o que seriam umas curtas f\u00e9rias em Praga. Amanda planeava ficar algumas semanas e depois regressar aos Estados Unidos antes de seguir para a China, onde ia trabalhar como professora.<\/p>\n<p>Quase uma d\u00e9cada depois, Amanda continua na capital checa \u2013 agora com mais de 30 anos, casada e a criar dois filhos pequenos.<\/p>\n<p>Praga, um destino frequentemente chamado de Cidade das Cem Torres, tornou-se a sua casa.<\/p>\n<p>Amanda e o marido passam os ver\u00f5es com os filhos em parques como Letn\u00e1, Stromovka e Riegrovy Sady, ou no Museu Nacional da Agricultura, situado a poucos passos do seu apartamento. Os muitos d\u011btsk\u00e9 koutky da cidade \u2013 recantos de recreio infantil escondidos em caf\u00e9s e espa\u00e7os p\u00fablicos \u2013 tornam o dia-a-dia com crian\u00e7as pequenas mais tranquilo, at\u00e9 mesmo f\u00e1cil.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 realmente a cidade mais bonita, com tanta hist\u00f3ria\u201d, descreve Amanda. \u201cEntre a beleza da arquitetura, a cidade em si, todos os parques e espa\u00e7os ao ar livre, (&#8230;). \u00c9 limpa. \u00c9 segura. \u00c9 simplesmente um lugar incr\u00edvel para se viver. Sinto-me muito sortuda por viver aqui.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 oito anos, Amanda jamais imaginaria esta vida. Quando chegou a Praga, em janeiro de 2018, preparava-se para se mudar para a China em trabalho. Tinha-se inscrito num curso presencial de ensino de ingl\u00eas como l\u00edngua estrangeira na capital checa, depois de descobrir que precisava de uma certifica\u00e7\u00e3o para conseguir o emprego na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Uma viagem que mudou a vida para sempre <\/p>\n<p>Amanda ficou t\u00e3o encantada com a cidade que n\u00e3o embarcou no voo de regresso no m\u00eas seguinte.<\/p>\n<p>Praga n\u00e3o era novidade para Amanda, que j\u00e1 tinha visitado a cidade pela primeira vez em 2015, durante uma viagem pela Europa, e, apesar de ter admirado os pontos tur\u00edsticos famosos da cidade \u2013 o Castelo de Praga, a Pra\u00e7a da Cidade Velha -, sentiu-se mais atra\u00edda por Berlim. &#8220;Eu podia viver na Alemanha&#8221;, pensou, na altura.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771844771_249_1000.webp\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>    Amanda Barkley, nesta fotografia em Praga em 2018, pretendia ficar apenas algumas semanas na cidade, mas decidiu prolongar a estadia. Cortesia Amanda Barkley <\/p>\n<p>De regresso aos Estados Unidos, Amanda trabalhou como professora e continuou a viajar, tendo inclusive viajado durante um ano na Austr\u00e1lia. Quando mais tarde surgiu uma oportunidade de dar aulas na China, Praga pareceu-lhe uma paragem pr\u00e1tica \u2013 um local para obter a certifica\u00e7\u00e3o e depois seguir em frente.<\/p>\n<p>Esta escala transformou completamente o rumo da sua vida.<\/p>\n<p>Amanda chegou \u00e0 cidade apenas com uma mochila \u00e0s costas e a inten\u00e7\u00e3o de se concentrar no seu curso de um m\u00eas. Mas as coisas come\u00e7aram a descambar quando descobriu que, como j\u00e1 tinha um diploma de professora, o emprego na China n\u00e3o exigia mais qualifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Inicialmente, Amanda sentiu-se frustrada e chateada por ter gastado dinheiro com a escala em Praga e com o alojamento que pagou para aquela viagem de um m\u00eas. No entanto, rapidamente passou a desfrutar da cidade, &#8220;convivendo com pessoas simp\u00e1ticas&#8221; da capital checa.<\/p>\n<p>Um ano de mudan\u00e7as <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"750\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771844771_649_1000.webp\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Amanda e o marido, que tamb\u00e9m \u00e9 norte-americano, adoram viver em Praga, mas est\u00e3o abertos \u00e0 possibilidade de regressar a casa no futuro. Cortesia Amanda Barkley <\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, eu meio que mudei de ideias e pensei: \u2018O que seria necess\u00e1rio para eu ficar aqui agora?\u2019\u201d, questionou-se.<\/p>\n<p>Poucas semanas depois, Amanda enviou um e-mail a informar que ia desistir do trabalho na China. Depois veio a parte dif\u00edcil: encontrar um emprego e um lugar para viver numa cidade que ela nunca imaginou que chamaria de lar.<\/p>\n<p>Amanda aceitou v\u00e1rios trabalhos a tempo parcial como professora e bartender antes de conseguir um emprego a tempo inteiro ainda nesse ano. Come\u00e7ar uma nova vida no outro lado do mundo tamb\u00e9m significava que precisava de comprar roupa nova para \u201cpoder usar algo al\u00e9m das seis t-shirts\u201d que tinha levado para a viagem.<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o foram f\u00e1ceis no in\u00edcio. Como a mudan\u00e7a para Praga n\u00e3o foi planeada, Amanda confessa que n\u00e3o estava preparada para aqueles meses a fazer contas \u00e0 vida. Tendo em conta que precisava de viajar para os seus v\u00e1rios empregos, mas tinha pouco dinheiro, Amanda tentava gastar o m\u00ednimo poss\u00edvel, recorrendo por vezes a uma dieta de ovos e batatas para poupar.<\/p>\n<p>&#8220;Esse foi definitivamente o meu per\u00edodo mais dif\u00edcil, a n\u00edvel financeiro&#8221;, confessa.<\/p>\n<p>Mas, socialmente, tudo estava a correr bem. Amanda formou um c\u00edrculo \u00edntimo de amigos, muitos dos quais conheceu durante o curso de forma\u00e7\u00e3o de professores. Um deles era Blake, outro americano.<\/p>\n<p>\u201cFomos apenas amigos durante muito tempo\u201d, come\u00e7a por contar Amanda. \u201cMas, cerca de tr\u00eas anos e meio depois, dissemos: \u2018Talvez n\u00e3o sejamos apenas amigos\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Casaram-se em 2022. Os seus dois filhos &#8211; um com um ano e outro com dois &#8211; nasceram na Rep\u00fablica Checa. Hoje, Amanda tem um cart\u00e3o de funcion\u00e1rio, que \u00e9 uma autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia de longa dura\u00e7\u00e3o, v\u00e1lida at\u00e9 dois anos, para cidad\u00e3os de pa\u00edses n\u00e3o pertencentes \u00e0 Uni\u00e3o Europeia que permane\u00e7am no pa\u00eds por mais de 90 dias em trabalho.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, o casal discutiu a possibilidade de regressar aos Estados Unidos. Para j\u00e1, optaram por ficar, concluindo que \u00e9 o melhor para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia vive num apartamento de dois quartos em Hole\u0161ovice, um bairro tranquilo a norte do rio. O casal aprecia a facilidade com que pode viajar com os filhos pela Europa. As viagens de carro pela \u00c1ustria, Alemanha e It\u00e1lia tornaram-se parte da vida familiar.<\/p>\n<p>\u201cEstas oportunidades e experi\u00eancias seriam muito mais dif\u00edceis de lhes proporcionar se viv\u00eassemos noutra parte do mundo\u201d, comenta Amanda.<\/p>\n<p>Viver em Praga exigiu adapta\u00e7\u00e3o cultural. Amanda, que partilha a sua vida na cidade na sua conta de Instagram, diz que aprendeu rapidamente a deixar de lado o seu \u201csorriso americano\u201d. Os checos \u201cn\u00e3o fazem isso de todo\u201d, comenta, acrescentando que, para onde quer que olhe, s\u00f3 recebe \u201colhares vazios\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAgora j\u00e1 estou muito habituada, mas sou do sul dos Estados Unidos, onde toda a gente sorri e conversa com toda a gente\u201d, diz, acrescentando que agora tem de se lembrar de sorrir para as pessoas quando visita os Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cDiria que os checos, em geral, s\u00e3o muito mais reservados do que as pessoas de muitas outras partes do mundo ocidental\u201d, observa Amanda, sublinhando que os considera \u201cgenuinamente muito calorosos, gentis e generosos\u201d, mesmo que esse calor demore a revelar-se.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o cultural <\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"750\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771844772_664_1000.webp\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>    A fam\u00edlia de Amanda passeia por Praga num dia de neve. Cortesia de Amanda Barkley <\/p>\n<p>\u00a0Apesar de terem feito alguns amigos checos, a maioria dos amigos do casal \u00e9 estrangeira, uma realidade que Amanda atribui em parte \u00e0 barreira lingu\u00edstica e em parte ao facto de trabalhar sobretudo em ambientes de l\u00edngua inglesa. Amanda tem aulas de checo &#8220;de vez em quando&#8221; e diz que &#8220;consegue desenrascar-se&#8221;, embora as tarefas burocr\u00e1ticas continuem a ser um desafio.<\/p>\n<p>Uma das diferen\u00e7as mais significativas, segundo a pr\u00f3pria, tem sido a forma como o pa\u00eds olha para a vida familiar.<\/p>\n<p>Na Rep\u00fablica Checa, as m\u00e3es t\u00eam direito a 28 semanas de licen\u00e7a de maternidade remunerada, podendo prolongar essa licen\u00e7a at\u00e9 tr\u00eas anos com o consentimento do empregador. Amanda est\u00e1 de licen\u00e7a de maternidade desde 2023 e planeia regressar ao ensino no final de 2026.<\/p>\n<p>\u201cTem sido incr\u00edvel poder ficar em casa com as crian\u00e7as\u201d, admite. \u201cTer a op\u00e7\u00e3o de ficar em casa com elas durante uns tempos. Quando me mudei para c\u00e1, era solteira. Tinha vinte e poucos anos e nem sequer pensava nisso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPortanto, o simples facto de ter vindo parar a este lugar que nos deu a oportunidade de estarmos presentes em grande parte da inf\u00e2ncia dos nossos filhos \u00e9 realmente maravilhoso\u201d, confessa.<\/p>\n<p>Amanda nota que o ritmo de vida \u00e9 diferente em Praga \u2013 menos impulsionado pelo que chama de \u201ccultura da correria\u201d americana.<\/p>\n<p>\u201cTenho a certeza de que h\u00e1 pessoas que se sentem assim. Mas sinto que o foco aqui \u00e9 mais nas pessoas, nas fam\u00edlias e em aproveitar a vida.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Amanda, tudo parece \u201cum pouco mais minimalista\u201d na Rep\u00fablica Checa, e isso, diz, \u201cacaba por se refletir em v\u00e1rias \u00e1reas da vida\u201d.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o dos filhos tamb\u00e9m parece diferente. Ali, h\u00e1 uma abordagem mais liberal, que promove a independ\u00eancia e a confian\u00e7a nas crian\u00e7as &#8211; incluindo crian\u00e7as que viajam sozinhas nos transportes p\u00fablicos desde pequenas. Como professora, Amanda tamb\u00e9m reparou que em Praga h\u00e1 mais respeito pelos educadores.<\/p>\n<p>Embora adore viver em Praga, Amanda ainda sente a atra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, que se intensifica com o passar do tempo.<\/p>\n<p>\u201cEstar t\u00e3o longe da fam\u00edlia j\u00e1 era dif\u00edcil, mas \u00e9 um n\u00edvel de dificuldade diferente quando se tem filhos\u201d, admite. \u201cE est\u00e3o a crescer e a mudar t\u00e3o r\u00e1pido.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma recente visita na altura do Natal, Amanda confessa que ver os seus filhos com os av\u00f3s e primos levantou algumas d\u00favidas &#8211; que suspeita que desaparecer\u00e3o com o regresso do tempo quente. \u201cNunca vou sair de Praga, porque este lugar \u00e9 incr\u00edvel\u201d, imagina-se a dizer daqui a uns meses.<\/p>\n<p>Por vezes, Amanda ainda se pergunta o que teria acontecido se tivesse embarcado naquele voo para a China.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 incr\u00edvel como a vida pode mudar&#8221;, diz. &#8220;E, para ser sincera, acho que n\u00e3o teria durado muito tempo na China. Talvez acabasse por vir parar aqui.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Amanda Meyer Barkley, natural do Louisiana, com o marido, Blake, que conheceu em Praga, e os dois filhos.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":280729,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,51120,836,611,27,28,607,608,333,832,604,135,610,476,413,15,16,301,830,14,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,17569,17,18,29,30,31,1080,63,64,65],"class_list":{"0":"post-280728","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-amanda-meyer-barkley","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-cnn","15":"tag-cnn-portugal","16":"tag-comentadores","17":"tag-costa","18":"tag-crime","19":"tag-desporto","20":"tag-direto","21":"tag-economia","22":"tag-eua","23":"tag-featured-news","24":"tag-featurednews","25":"tag-governo","26":"tag-guerra","27":"tag-headlines","28":"tag-justica","29":"tag-latest-news","30":"tag-latestnews","31":"tag-live","32":"tag-main-news","33":"tag-mainnews","34":"tag-mais-vistas","35":"tag-marcelo","36":"tag-mundo","37":"tag-negocios","38":"tag-news","39":"tag-noticias","40":"tag-noticias-principais","41":"tag-noticiasprincipais","42":"tag-opiniao","43":"tag-pais","44":"tag-politica","45":"tag-portugal","46":"tag-principais-noticias","47":"tag-principaisnoticias","48":"tag-republica-checa","49":"tag-top-stories","50":"tag-topstories","51":"tag-ultimas","52":"tag-ultimas-noticias","53":"tag-ultimasnoticias","54":"tag-viagens","55":"tag-world","56":"tag-world-news","57":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280728\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/280729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}