{"id":280760,"date":"2026-02-23T11:34:11","date_gmt":"2026-02-23T11:34:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280760\/"},"modified":"2026-02-23T11:34:11","modified_gmt":"2026-02-23T11:34:11","slug":"vsr-um-risco-subestimado-para-a-saude-cardiovascular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/280760\/","title":{"rendered":"VSR: um risco subestimado para a sa\u00fade cardiovascular"},"content":{"rendered":"<p>O impacto da gripe nas pessoas com doen\u00e7as cardiovasculares \u00e9 uma certeza que fundamenta a recomenda\u00e7\u00e3o da vacina contra a gripe para este grupo, considerado de risco. A pandemia tornou claro que a mesma certeza se estende a outras infe\u00e7\u00f5es virais, como a causada pelo SARS-CoV-2 (COVID-19), refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da vacina\u00e7\u00e3o. Mas o conhecimento cient\u00edfico vai mais longe. Uma recente Declara\u00e7\u00e3o de Consenso Cl\u00ednico da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) destaca que a vacina contra o V\u00edrus Sincicial Respirat\u00f3rio (VSR) deve tamb\u00e9m ser recomendada, uma vez que este tipo de infe\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria pode desencadear complica\u00e7\u00f5es severas em pessoas com doen\u00e7a cardiovascular e gerar custos significativos para os sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>De acordo com o documento da ESC, infe\u00e7\u00f5es como a causada pelo VSR podem agravar a insufici\u00eancia card\u00edaca e aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves. O que significa que, al\u00e9m de prevenir estas infe\u00e7\u00f5es, a vacina\u00e7\u00e3o contribui para reduzir complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares, sobretudo em doentes de risco, pelo que a ESC considera a vacina\u00e7\u00e3o um pilar fundamental da preven\u00e7\u00e3o cardiovascular, colocando-a ao mesmo n\u00edvel de outras medidas j\u00e1 estabelecidas.<\/p>\n<p>S\u00e3o conclus\u00f5es que n\u00e3o surpreendem e v\u00eam confirmar dados j\u00e1 observados em Portugal. O \u00fanico estudo nacional sobre o impacto do VSR em adultos, realizado em contexto hospitalar, revelou que esta infe\u00e7\u00e3o tem um peso superior ao da gripe em v\u00e1rios aspetos: est\u00e1 associada a doentes com mais comorbilidades, apresenta maior mortalidade e implica custos de sa\u00fade mais elevados.<\/p>\n<p>Ainda que com uma preval\u00eancia inferior \u00e0 da gripe, o VSR revelou um impacto mais significativo no per\u00edodo analisado (entre abril de 2018 e mar\u00e7o de 2024): maior mortalidade hospitalar (20% face a 13% para doentes com Influenza), custos diretos mais elevados por hospitaliza\u00e7\u00e3o (\u20ac4.757 para doentes com VSR e \u20ac3.537 para doentes com Influenza) e um n\u00famero acrescido de complica\u00e7\u00f5es. Resultados que evidenciam que o VSR pode ser mais severo e exigir uma resposta de sa\u00fade p\u00fablica robusta.<\/p>\n<p>Tudo isto refor\u00e7a a import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o contra o VSR. E, se argumentos faltassem, surge agora um de grande peso: o Safe Hearts Plan, o Plano de Sa\u00fade Cardiovascular da Uni\u00e3o Europeia (UE), que identifica a vacina\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as preven\u00edveis pela vacina\u00e7\u00e3o, incluindo o VSR, como \u201cuma das estrat\u00e9gias mais eficazes para prevenir complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares em grupos de risco\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Neste plano, estruturado em tr\u00eas pilares principais, um dos quais a preven\u00e7\u00e3o, a vacina\u00e7\u00e3o contra as infe\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias \u201cem pessoas com 65 anos ou mais, bem como naquelas com doen\u00e7as cardiovasculares\u201d s\u00e3o identificadas como uma ferramenta essencial para reduzir o risco de ataques card\u00edacos, AVC e outros eventos agudos, pelo que a Comiss\u00e3o Europeia incentiva os estados-membros a aumentar a cobertura vacinal.<\/p>\n<p><strong>\u201cSer\u00e1 dado apoio aos estados-membros n\u00e3o s\u00f3 para que possam identificar a popula\u00e7\u00e3o-alvo para a vacina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ao n\u00edvel da vigil\u00e2ncia e, sobretudo, do aumento da sua cobertura vacinal.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o anuncia mesmo que tenciona propor uma recomenda\u00e7\u00e3o do Conselho para promover a imuniza\u00e7\u00e3o como medida de preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as cardiovasculares, atrav\u00e9s de uma abordagem ao longo da vida, com foco sobretudo nos grupos de maior risco. Para isso, ser\u00e1 dado apoio aos estados-membros n\u00e3o s\u00f3 para que possam identificar a popula\u00e7\u00e3o-alvo para a vacina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ao n\u00edvel da vigil\u00e2ncia e, sobretudo, do aumento da sua cobertura vacinal.\u00a0<\/p>\n<p>Embora a vacina contra o VSR j\u00e1 esteja dispon\u00edvel em Portugal, a comparticipa\u00e7\u00e3o \u00e9 atualmente limitada \u00e0s crian\u00e7as, dado ser um dos agentes mais comuns de infe\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias na inf\u00e2ncia. No entanto, a realidade \u00e9 que o VSR \u00e9 tamb\u00e9m uma das principais causas de pneumonia e insufici\u00eancia respirat\u00f3ria em adultos mais velhos, podendo agravar doen\u00e7as cr\u00f3nicas como a DPOC, asma, insufici\u00eancia card\u00edaca ou diabetes. A aus\u00eancia de comparticipa\u00e7\u00e3o para estes grupos deixa uma lacuna evidente entre o que diz a ci\u00eancia e a pr\u00e1tica de sa\u00fade p\u00fablica e o duro choque com a realidade.<\/p>\n<p>Tendo em conta o conhecimento acumulado e os resultados do estudo de impacto econ\u00f3mico da vacina\u00e7\u00e3o desenvolvido pela Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA), que demonstrou que vacinar adultos com 60 ou mais anos poderia prevenir dezenas de milhares de infe\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, evitar centenas de epis\u00f3dios de urg\u00eancia e hospitaliza\u00e7\u00f5es, salvar vidas e reduzir custos para o sistema de sa\u00fade, torna\u2011se claro que \u00e9 tempo de olhar para as vacinas como um investimento estruturante na prote\u00e7\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia cient\u00edfica \u00e9 clara, as recomenda\u00e7\u00f5es europeias s\u00e3o inequ\u00edvocas e os dados nacionais refor\u00e7am a urg\u00eancia: proteger os adultos mais velhos e os doentes cr\u00f3nicos atrav\u00e9s da vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida de sa\u00fade p\u00fablica que salva vidas e reduz custos. O desafio que se coloca agora \u00e9 transformar este conhecimento em a\u00e7\u00e3o, garantindo que as pol\u00edticas de vacina\u00e7\u00e3o acompanham a ci\u00eancia e que a prote\u00e7\u00e3o chega, efetivamente, a quem mais dela precisa.<\/p>\n<p>\u00a9 2026 Guimar\u00e3es, agora!<\/p>\n<p><strong>Partilhe a sua opini\u00e3o nos coment\u00e1rios em baixo!<\/strong><\/p>\n<p>Siga-nos no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/guimaraesagora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Facebook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.x.com\/guimaraesagora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">X<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/guimaraesagora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">LinkedIn<\/a>.<br \/>Quer falar connosco? 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