{"id":282251,"date":"2026-02-24T16:18:08","date_gmt":"2026-02-24T16:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/282251\/"},"modified":"2026-02-24T16:18:08","modified_gmt":"2026-02-24T16:18:08","slug":"elas-trocaram-a-ucrania-por-portugal-acordo-a-pensar-se-a-minha-familia-esta-viva-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/282251\/","title":{"rendered":"Elas trocaram a Ucr\u00e2nia por Portugal: \u201cAcordo a pensar se a minha fam\u00edlia est\u00e1 viva\u201d | Guerra na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos que o \u201cprimeiro pensamento\u201d de Kateryna Avdysh quando acorda \u00e9 o mesmo: \u201cA minha fam\u00edlia estar\u00e1 viva?\u201d \u00c9 a nuvem imposs\u00edvel de dissipar que paira por cima da cabe\u00e7a de algu\u00e9m que, a viver em paz, n\u00e3o esquece a guerra que atormenta quem l\u00e1 ficou.<\/p>\n<p>Foi aos 19 anos que se mudou para Portugal, tinha a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/23\/mundo\/analise\/guerra-ucrania-quatro-anos-2165614?ref=guerra-ucrania&amp;cx=stack\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">R\u00fassia invadido a Ucr\u00e2nia<\/a> h\u00e1 dois meses. Veio com a m\u00e3e e o irm\u00e3o. Para tr\u00e1s ficou, obrigatoriamente, o pai, em idade de servi\u00e7o militar e, por isso, impedido de sair do pa\u00eds. E a ideia de gravar o seu primeiro \u00e1lbum deixou de ser priorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Primeiro para Lagos, depois para Lisboa, onde hoje continua a viver. A m\u00e3e e o irm\u00e3o acabaram por voltar a Kiev dois meses depois de terem fugido: \u201cO meu pai estava sozinho e era muito dif\u00edcil. A minha m\u00e3e \u00e9 professora de Hist\u00f3ria e, para ela, a sua miss\u00e3o \u00e9 estar na Ucr\u00e2nia com as crian\u00e7as\u201d, conta.<\/p>\n<p>Vir para Portugal foi uma sugest\u00e3o de amigos que c\u00e1 se tinham refugiado duas semanas antes: \u201cDisseram-me que era o pa\u00eds mais seguro. E o mais longe de tudo aquilo.\u201d N\u00e3o se arrepende. Foi assim que descobriu um pa\u00eds banhado pelo oceano, que se tornou a sua \u201ccoisa favorita\u201d \u2013 e que foi at\u00e9 inspira\u00e7\u00e3o para uma das m\u00fasicas do seu \u00e1lbum, que entretanto conseguiu gravar.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        \u201cO voo para Kiev s\u00e3o quatro horas, mas agora preciso de 36, entre avi\u00f5es e comboios. \u00c9 extenuante&#8221;&#13;<br \/>\nRui Gaud\u00eancio                    &#13;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a Anna Krotova, 28 anos, recomendaram a vida em Portugal. \u201cA di\u00e1spora aqui \u00e9 enorme, sempre me disseram coisas boas sobre as pessoas, o clima, tudo. Mas, para ser honesta, a coisa que mais pesou foi a rapidez para obter documentos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Naquele 24 de Fevereiro de 2022, tamb\u00e9m a sua vida, como a de milh\u00f5es de ucranianos, n\u00e3o voltou a ser a mesma. Casara-se h\u00e1 dois anos, a sua filha tinha um. Estava ainda de licen\u00e7a de maternidade do seu emprego de professora numa escola em Kiev quando teve de fazer as malas e fugir para a Pol\u00f3nia e, de l\u00e1, para a Alemanha.<\/p>\n<p>Foi com o marido, filha, m\u00e3e, irm\u00e3, sobrinhos, sogra. \u201c\u00c9ramos muitos. Eles n\u00e3o tinham trabalho. S\u00f3 n\u00f3s \u00e9 que consegu\u00edamos trabalhar e ganhar algum dinheiro. A minha fam\u00edlia acabou por voltar para a Ucr\u00e2nia. A fam\u00edlia do meu marido ficou na Alemanha.\u201d<\/p>\n<p>Anna, o marido e a filha seguiram para Vila Nova de Gaia, onde actualmente vivem. O marido conseguiu um trabalho numa empresa no Porto e Anna d\u00e1 aulas online a alunos ucranianos. A vida est\u00e1 estabelecida, principalmente depois de terem feito amigos, encontrado uma comunidade e terem conseguido jardim-de-inf\u00e2ncia para a filha. \u201cO primeiro ano foi mesmo dif\u00edcil\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Os cerca de quatro mil quil\u00f3metros que separam Portugal da Ucr\u00e2nia v\u00e3o sendo encurtados atrav\u00e9s de mensagens di\u00e1rias e \u201cmonitoriza\u00e7\u00e3o a toda a hora\u201d: \u201c\u00c0s vezes acordo a meio da noite e vou ver se h\u00e1 alertas de drones, para saber se est\u00e3o em perigo. Leio todos os dias not\u00edcias sobre a Ucr\u00e2nia.\u201d<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        \u201c\u00c0s vezes acordo a meio da noite e vou ver se h\u00e1 alertas de drones, para saber se est\u00e3o em perigo\u201d&#13;<br \/>\nNelson Garrido                     &#13;<\/p>\n<p>\u201cPara mim, \u00e9 superdif\u00edcil porque s\u00e3o duas realidades diferentes. As pessoas que vivem aqui n\u00e3o sabem o que est\u00e1 a acontecer l\u00e1\u201d, aponta Kateryna. \u201cRegressei h\u00e1 pouco tempo de uma visita \u00e0 Ucr\u00e2nia e, em pleno Inverno, havia um apag\u00e3o total. Imagina uma cidade, uma capital moderna, onde \u00e0s vezes s\u00f3 h\u00e1 electricidade durante algumas horas. E l\u00e1 fora est\u00e3o -20\u00baC. Os meus pais tiveram de comprar coisas como pequenos fog\u00f5es a g\u00e1s para sobreviver.\u201d<\/p>\n<p>Ao quotidiano desestabilizado, juntam-se as vidas perdidas. Apesar de ser dif\u00edcil apurar os n\u00fameros, uma vez que a Ucr\u00e2nia n\u00e3o divulga n\u00fameros oficiais relativos a mortes e se acredita que a R\u00fassia os subestime, dever\u00e3o ser 1,8 milh\u00f5es nos dois pa\u00edses \u2014 600 mil na Ucr\u00e2nia e 1,2 milh\u00f5es na R\u00fassia \u2014, de acordo com uma <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/28\/mundo\/noticia\/12-milhoes-baixas-preco-extraordinario-russia-paga-ganhos-minimos-ucrania-2162722\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">an\u00e1lise <\/a>do Centro para Estudos Estrat\u00e9gicos e Internacionais (CSIS, na sigla original).<\/p>\n<p>Ambas sonham com o fim da guerra \u2014 ainda um desejo <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/22\/mundo\/noticia\/fim-quatro-anos-guerra-ucrania-so-contar-europa-apoio-militar-2165494\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sem concretiza\u00e7\u00e3o \u00e0 vista<\/a> \u2014, mas j\u00e1 n\u00e3o pensam em voltar: \u201cA Ucr\u00e2nia \u00e9 sempre o meu plano B. A nossa vida l\u00e1 era mais rica, por assim dizer, porque t\u00ednhamos empregos melhores e t\u00ednhamos o nosso apartamento, n\u00e3o precis\u00e1vamos de pagar renda \u2013 que \u00e9 uma loucura aqui. Mas gostamos de viver c\u00e1, sentimo-nos muito bem e queremos melhorar, aprender a l\u00edngua\u201d, diz Anna.<\/p>\n<p>Para Kateryna, o ideal seria \u201cpoder estar aqui e l\u00e1\u201d. \u201cO voo para Kiev s\u00e3o quatro horas, mas agora preciso de 36, entre avi\u00f5es e comboios. \u00c9 extenuante. A fotografia perfeita para mim \u00e9 viver em Kiev por alguns meses, e alguns meses aqui. Comecei a minha carreira aqui e fiquei muito surpreendida porque os portugueses gostam da m\u00fasica que fa\u00e7o. Tenho muito respeito por este pa\u00eds.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 quatro anos que o \u201cprimeiro pensamento\u201d de Kateryna Avdysh quando acorda \u00e9 o mesmo: \u201cA minha fam\u00edlia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":282252,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[27,28,445,15,16,889,14,25,26,21,22,12,13,19,20,534,542,32,23,24,33,2336,839,17,18,840,29,30,31],"class_list":["post-282251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-europa","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-guerra-na-ucrania","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-p3","tag-para-redes","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-refugiados","tag-russia","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ucrania","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116126515576012588","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/282252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}