{"id":282679,"date":"2026-02-25T00:17:34","date_gmt":"2026-02-25T00:17:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/282679\/"},"modified":"2026-02-25T00:17:34","modified_gmt":"2026-02-25T00:17:34","slug":"ct-da-galp-teme-que-negocio-com-moeve-condene-refinaria-de-sines-a-um-encerramento-progressivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/282679\/","title":{"rendered":"CT da Galp teme que neg\u00f3cio com Moeve &#8220;condene&#8221; refinaria de Sines a &#8220;um encerramento progressivo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>        Trabalhadores da petrol\u00edfera recordam encerramento da refinaria do Porto e receiam perda de controlo maiorit\u00e1rio, considerando que a decis\u00e3o \u201cacarreta riscos severos para a soberania e economia nacional\u201d.    <\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Trabalhadores (CT) da Galp receia que o neg\u00f3cio com a Moeve \u201ccondene\u201d a refinaria de Sines a \u201cum encerramento progressivo\u201d.<\/p>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o da CT \u00e9 que perda de controlo maiorit\u00e1rio pela Galp \u201cacarreta riscos severos para a soberania e a economia nacional: a retirada da Refinaria de Sines do Grupo Galp torna a infraestrutura mais fr\u00e1gil perante a pol\u00edtica de elimina\u00e7\u00e3o progressiva da refina\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia, reduzindo drasticamente a sua capacidade de investimento aut\u00f3nomo\u201d.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o entre a Galp e a Moeve vai juntar a refinaria de Sines a duas refinarias na Andaluzia que ficar\u00e3o na sociedade RetailCO, onde a Galp ficar\u00e1 com uma participa\u00e7\u00e3o de 20%, com o restante capital nas m\u00e3os dos americanos do fundo americano Carlyle Group e dos emiratis do Mubadala, os acionistas da Moeve.<\/p>\n<p>Recordando o fecho da refinaria do Porto, \u201cteme-se que este arranjo acionista \u2014 onde a Galp ter\u00e1 apenas cerca de 20% de participa\u00e7\u00e3o \u2014 condene a unidade de Sines a um encerramento progressivo para salvaguardar margens de lucro de fundos internacionais\u201d.<\/p>\n<p>A refinaria de Sines abastece 90% dos combust\u00edveis consumidos em Portugal, sendo crucial para a independ\u00eancia energ\u00e9tica do pa\u00eds. \u00c9 a maior empresa exportadora a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>No comunicado divulgado, a CT aponta que a \u201ccessa\u00e7\u00e3o do modelo integrado elimina a capacidade de usar os lucros da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera para alavancar a produ\u00e7\u00e3o nacional e financiar a descarboniza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, deixando os ativos industriais expostos \u00e0s varia\u00e7\u00f5es adversas do mercado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA CCT considera que este neg\u00f3cio privilegia o retorno imediato aos acionistas em detrimento da estabilidade dos postos de trabalho e da autonomia energ\u00e9tica de Portugal, configurando o que classificamos como um \u201ccrime econ\u00f3mico e social\u201d contra o pa\u00eds\u201d, pode-se ler.<\/p>\n<p>Com 6.500 postos de trabalho diretos e indiretos ligados \u00e0 refinaria de Sines, a CT considera que a \u00a0\u201chist\u00f3ria mostra que quando se fecha uma refinaria, n\u00e3o se perde apenas uma unidade industrial \u2014 perde\u2011se emprego, conhecimento, economia local e capacidade estrat\u00e9gica do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO modelo de neg\u00f3cio proposto \u00e9 incerto e pode fragilizar ainda mais Portugal. A aposta na exporta\u00e7\u00e3o de hidrog\u00e9nio para o centro da Europa, dependente de subs\u00eddios e de infraestruturas ainda por construir, n\u00e3o garante viabilidade econ\u00f3mica nem estabilidade para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Este neg\u00f3cio, tal como est\u00e1 desenhado, parece servir sobretudo os interesses imediatos dos acionistas, deixando para tr\u00e1s a soberania energ\u00e9tica, a capacidade produtiva e a seguran\u00e7a laboral\u201d, segundo a CT.<\/p>\n<p>Na sua an\u00e1lise, a CT da Galp reconhece que h\u00e1 um \u201ccontexto adverso na Uni\u00e3o Europeia\u201d contra as refinarias, pois o setor industrial tem de reduzir as suas emiss\u00f5es em mais de 60% em 2030 face aos n\u00edveis de 2005.<\/p>\n<p>Este \u00e9 tamb\u00e9m o \u00faltimo ano em que vigoram as licen\u00e7as gratuitas de carbono: a partir de 2027 ter\u00e3o de ser pagas e o n\u00famero de licen\u00e7as dispon\u00edveis vai tamb\u00e9m cair 8%, sendo de prever uma subida dos pre\u00e7os das licen\u00e7as com impacto negativo nos bolsos dos consumidores que v\u00e3o ter de pagar isto tudo.<\/p>\n<p><strong>Refinarias europeias lutam pela sobreviv\u00eancia contra o resto do mundo, avisa co-CEO da Galp<\/strong><\/p>\n<p>As refinarias europeias est\u00e3o a lutar por sobreviver perante a feroz concorr\u00eancia do resto do mundo, numa altura em que as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o apertam e colocam press\u00e3o sobre o setor refinador.<\/p>\n<p>O alerta foi deixado no final de janeiro pela Galp semanas depois de ter anunciado a fus\u00e3o da sua refinaria de Sines com as da Moeve, que conta com duas refinarias na Andaluzia.<\/p>\n<p>\u201cA cria\u00e7\u00e3o deste cluster ib\u00e9rico permite ganhar escala e capacidade de otimizar investimentos. As refinarias na Europa lutam contra outras refinarias em todo o mundo. E lutam para sobreviver na pr\u00f3xima d\u00e9cada, de forma sustent\u00e1vel e com os retornos certos\u201d, disse a co-CEO da petrol\u00edfera Maria Jo\u00e3o Carioca a 27 de janeiro.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a diversificar no nosso portf\u00f3lio: ainda h\u00e1 crescimento na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo&amp;g\u00e1s, mas vamos construir na Ib\u00e9ria uma plataforma\u201d que vai contribuir para a \u201cindepend\u00eancia energ\u00e9tica europeia\u201d, afirmou a gestora em entrevista \u00e0 \u201cCNBC\u201d.<\/p>\n<p><strong>Refinaria de Sines portuguesa? \u201c\u00c9 melhor\u201d, defende ministra do Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>A ministra do Ambiente e da Energia disse a 23 de janeiro que \u201c\u00e9 melhor\u201d ter uma refinaria de Sines controlada por Portugal.<\/p>\n<p>\u201cEstamos coordenados ao n\u00edvel do Governo. Do ponto de vista de independ\u00eancia energ\u00e9tica, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o melhor. Vamos ver os mecanismos que existem\u201d, disse Maria da Gra\u00e7a Carvalho na altura.<\/p>\n<p>A governante foi questionada sobre a posi\u00e7\u00e3o do ministro da Economia que disse esta semana que era \u201cmelhor\u201d que a refinaria de Sines fosse \u201ctotalmente controlada\u201d a partir de Portugal.<\/p>\n<p>Agora, Maria da Gra\u00e7a Carvalho destacou o tema da independ\u00eancia energ\u00e9tica do pa\u00eds. \u201c[Vamos] ver as ferramentas que existem. Claro que \u00e9 melhor [refinaria controlada por Portugal]. Estamos a estudar os assuntos, ser\u00e1 comunicado em conjunto com todo o Governo. Os ministros coordenam-se\u201d, afirmou a ministra \u00e0 margem de um evento organizado pela ATIC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cimento.<\/p>\n<p>\u201cEstamos num mercado interno com as suas regras, na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). Isso \u00e9 algo que est\u00e1 a ser estudado com o acompanhamento do primeiro-ministro, ministro das Finan\u00e7as, ministro da Economia e eu\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo o acordo n\u00e3o-vinculativo assinado recentemente, a refinaria de Sines vai pertencer a uma sociedade em que a Galp fica com 20% e os restantes 80% ficam nas m\u00e3os da espanhola Moeve, que \u00e9 controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi (Mubadala), com mais de 61%, e pelo fundo norte-americano Carlyle Group, com 38%.<\/p>\n<p>Espanha conta com oito refinarias: quatro da Repsol, duas da Moeve e uma da BP. O pa\u00eds foi o terceiro maior produtor europeu de produtos petrol\u00edferos em 2023.<\/p>\n<p>O Estado det\u00e9m 8% da Galp, com a fam\u00edlia Amorim a deter 20% e a Sonangol a ter 16%. O neg\u00f3cio deve ser fechado este ano, mas tem de ser aprovado por reguladores.<\/p>\n<p>Governo procura condicionar neg\u00f3cio da refinaria de Sines<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornaleconomico.sapo.pt\/noticias\/governo-procura-condicionar-negocio-da-refinaria-de-sines\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Tal como o JE revelou a 23 de janeiro<\/a>, h\u00e1 um cen\u00e1rio em cima da mesa que passa pela exig\u00eancia de garantias por parte do Governo \u00e0s duas petrol\u00edferas, que pode passar pela exig\u00eancia de cl\u00e1usulas a garantir que a refinaria n\u00e3o ser\u00e1 vendida no futuro ou que as empresas continuam a investir no desenvolvimento desta unidade, numa esp\u00e9cie de acordo parassocial.<\/p>\n<p>Mais. Portugal tem uma \u2018bomba at\u00f3mica\u2019 que d\u00e1 armas ao Governo em fun\u00e7\u00f5es para travar a venda de ativos estrat\u00e9gicos do pa\u00eds. Visa impedir que investidores de fora da Uni\u00e3o Europeia metam a m\u00e3o em setores cruciais, como a energia. Foi criada h\u00e1 12 anos, mas nunca foi usada. A d\u00favida agora \u00e9 saber se pode vir a ser usada no neg\u00f3cio Galp\/Moeve.<\/p>\n<p>H\u00e1 condi\u00e7\u00f5es a cumprir para usar esta \u2018bomba at\u00f3mica\u2019, como provar a exist\u00eancia de amea\u00e7as, neste caso, ao funcionamento da refinaria de Sines, ao pipeline que vai at\u00e9 Aveiras (para abastecer a regi\u00e3o de Lisboa) e ao abastecimento de combust\u00edvel ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>O ministro da Economia, Castro Almeida, j\u00e1 defendeu que seria \u201cmelhor\u201d ter \u201cuma refinaria totalmente controlada a partir de Lisboa.\u201d<\/p>\n<p>Recorde-se que a ministra do Ambiente e da Energia (que tutela o setor) chegou a aplaudir o neg\u00f3cio, considerando que a Galp fica a ganhar com a participa\u00e7\u00e3o numa sociedade que fica com tr\u00eas refinarias, uma em Portugal, duas em Espanha. Curiosamente, o minist\u00e9rio da Economia demorou quase uma semana ap\u00f3s o neg\u00f3cio ser revelado para reagir em comunicado, apesar de nem deter a tutela da refinaria.<\/p>\n<p>Para a \u2018bomba at\u00f3mica\u2019 ser usada h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es a cumprir. No cen\u00e1rio de o Governo decidir cancelar o neg\u00f3cio, uma decis\u00e3o mal fundamentada ser\u00e1 previsivelmente contestada em tribunal e revertida.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura do contrato, o Governo tem 30 dias para dar \u201cin\u00edcio a um procedimento de avalia\u00e7\u00e3o, mediante decis\u00e3o fundamentada, a fim de avaliar o risco de tal opera\u00e7\u00e3o para a defesa e seguran\u00e7a nacional ou para a seguran\u00e7a do aprovisionamento do Pa\u00eds em servi\u00e7os fundamentais para o interesse nacional\u201d.<\/p>\n<p>O regime de salvaguarda de ativos estrat\u00e9gicos estabelece que o Conselho de Ministros \u201cpode opor-se (\u2026) \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es das quais resulte, direta ou indiretamente, a aquisi\u00e7\u00e3o de controlo, direto ou indireto, por uma pessoa ou pessoas de pa\u00edses terceiros \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (\u2026) nos casos em que se determine que possam p\u00f4r em causa, de forma real e suficientemente grave, a defesa e seguran\u00e7a nacional ou a seguran\u00e7a do aprovisionamento do Pa\u00eds em servi\u00e7os fundamentais para o interesse nacional\u201d.<\/p>\n<p>Quais as amea\u00e7as visadas pela lei? Amea\u00e7as \u00e0 \u201cseguran\u00e7a f\u00edsica e integridade dos ativos estrat\u00e9gicos\u201d; \u00e0 \u201cpermanente disponibilidade e operacionalidade\u201d.<\/p>\n<p>Mas o poder est\u00e1 l\u00e1: \u201cO Conselho de Ministros (\u2026) pode decidir opor-se \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de decis\u00e3o fundamentada (\u2026) e no respeito pelos princ\u00edpios legais aplic\u00e1veis, em particular o princ\u00edpio da proporcionalidade\u201d. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea que a empresa compradora possa solicitar ao Governo a \u201cconfirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o ser\u00e1 adotada uma decis\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mesma\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Trabalhadores da petrol\u00edfera recordam encerramento da refinaria do Porto e receiam perda de controlo maiorit\u00e1rio, considerando que a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":254453,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,51398,89,90,4851,42664,32,33,20222,6746,18565],"class_list":["post-282679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-ct","tag-economy","tag-empresas","tag-galp","tag-moeve","tag-portugal","tag-pt","tag-refinaria","tag-sines","tag-trabalhadores"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116128399088485986","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282679\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}