{"id":282725,"date":"2026-02-25T01:01:07","date_gmt":"2026-02-25T01:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/282725\/"},"modified":"2026-02-25T01:01:07","modified_gmt":"2026-02-25T01:01:07","slug":"comandantes-que-matam-os-proprios-soldados-e-homens-lancados-como-carne-para-canhao-ex-soldados-russos-denunciam-brutalidade-na-linha-da-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/282725\/","title":{"rendered":"Comandantes que matam os pr\u00f3prios soldados e homens lan\u00e7ados como &#8220;carne para canh\u00e3o&#8221;: ex-soldados russos denunciam brutalidade na linha da frente"},"content":{"rendered":"<p>\t                Quatro russos relatam \u00e0 BBC a viol\u00eancia a que foram sujeitos e a que assistiram na linha da frente da guerra na Ucr\u00e2nia. Os ex-soldados explicam a &#8220;l\u00f3gica militar&#8221; do Ex\u00e9rcito russo, que passa por lan\u00e7ar homens para a linha da frente como &#8220;carne para canh\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Quatro ex-soldados russos denunciam, num document\u00e1rio da BBC, a brutalidade das condi\u00e7\u00f5es no seu lado da linha da frente na Ucr\u00e2nia, com descri\u00e7\u00f5es de tortura daqueles que se recusavam a combater como &#8220;carne para canh\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>No document\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/cz7gw3l395ro\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Zero Line: Inside Russia&#8217;s War<\/a>\u00a0(A Linha Zero: Por Dentro da Guerra Russa, traduzido para portugu\u00eas), a BBC exp\u00f5e testemunhos de quatro homens que foram enviados para a linha da frente ap\u00f3s a invas\u00e3o russa de larga escala da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Dois dos soldados relatam que viram os comandantes das brigadas a ordenar a execu\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios homens, em miss\u00f5es que descreve como homens a serem enviados para a linha da frente como &#8220;carne para canh\u00e3o&#8221;, com o objetivo de desgastar os soldados ucranianos e irromper nas defesas.<\/p>\n<p>Ilya, um professor que dava aulas a crian\u00e7as com necessidades especiais, em Kungur, recorda quando a pol\u00edcia apareceu em casa dos seus pais e o informou de que estava a ser convocado para o Ex\u00e9rcito. Est\u00e1vamos em maio de 2024.<\/p>\n<p>O jovem de 35 anos foi mobilizado juntamente com outros 78 homens, num centro de recrutamento da cidade de Perm. Ilya lembra como &#8220;quase todos estavam b\u00eabados&#8221;. &#8220;Avante para a batalha! Vamos pegar no Zelensky e hastear a nossa bandeira!&#8221;, recorda-se de gritarem.<\/p>\n<p>&#8220;Eu observava-os e pensava: &#8216;Como \u00e9 que vim parar aqui?&#8217; Eu estava com muito medo&#8221;, confessa.<\/p>\n<p>Assim que chegaram \u00e0 Ucr\u00e2nia, Ilya conta que a maioria dos homens foi enviada diretamente para a linha da frente. O jovem professor n\u00e3o queria disparar nem matar ningu\u00e9m e acabou num posto de comando. A sua fun\u00e7\u00e3o era identificar e contabilizar os mortos.<\/p>\n<p>Ilya diz ter testemunhado quatro pessoas a serem baleadas \u00e0 queima-roupa por um comandante porque tinham fugido da linha da frente e se recusavam a regressar. &#8220;O mais triste \u00e9 que os conhecia&#8221;, desabafa. &#8220;Lembro-me de um deles gritar &#8216;N\u00e3o disparem, eu fa\u00e7o qualquer coisa! &#8216;, mas ele [o comandante] alvejou-os na mesma.&#8221;<\/p>\n<p>Dima, um jovem de 34 anos que trabalhava em Moscovo como t\u00e9cnico de repara\u00e7\u00e3o de eletrodom\u00e9sticos antes de ser enviado para a guerra, diz que matar os pr\u00f3prios homens \u00e9 considerado &#8220;normal&#8221; no Ex\u00e9rcito russo.<\/p>\n<p>Tal como Ilya, Dima foi convocado para a guerra de um momento para o outro, quando estava a ir para o trabalho. Dima tamb\u00e9m n\u00e3o queria matar ningu\u00e9m e, apesar de n\u00e3o ter experi\u00eancia na \u00e1rea da sa\u00fade, juntou-se a uma unidade de param\u00e9dicos. Mais tarde,\u00a0foi transferido para uma brigada onde tinha de retirar os soldados feridos da linha da frente.<\/p>\n<p>Foi ali, na 25.\u00aa Brigada, que Dima diz ter visto os seus camaradas serem executados por ordem do seu comandante. &#8220;Vi \u2013 a apenas dois metros, a tr\u00eas metros. Ouve-se click, clack, e um estrondo. N\u00e3o \u00e9 drama, n\u00e3o \u00e9 um filme, \u00e9 a vida real&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Esse comandante, Alexei Ksenofontov, foi condecorado\u00a0com a Estrela de Ouro, a mais alta medalha do Estado, e nomeado &#8220;Her\u00f3i da R\u00fassia&#8221; em 2024. Muitos familiares que sabiam o que se passava no terreno enviaram diretamente uma carta a Putin, em janeiro passado, a pedir para que investigasse as acusa\u00e7\u00f5es de tortura e morte \u00e0 queima-roupa na sua unidade, revela Dima.<\/p>\n<p>Os quatro soldados que fugiram da R\u00fassia explicam como os homens eram lan\u00e7ados como &#8220;carne para canh\u00e3o&#8221;.\u00a0&#8220;Vi-os [os comandantes] enviar homens atr\u00e1s de homens como carne contra os ucranianos, para que ficassem sem muni\u00e7\u00f5es e drones e outra debandada pudesse atingir o seu objetivo&#8221;, revela outro ex-soldado, Denis.<\/p>\n<p>&#8220;Envias tr\u00eas tipos, depois mais tr\u00eas. N\u00e3o funcionou, envias 10. N\u00e3o funcionou com 10, envias 50&#8221;, complementa Dimas.\u00a0&#8220;Eventualmente, v\u00e3o conseguir romper as linhas inimigas. Essa \u00e9 a l\u00f3gica militar&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos 200 mortos em tr\u00eas dias. No primeiro ataque, derrotaram-nos. O nosso regimento foi aniquilado em apenas tr\u00eas dias&#8221;, conta Dimas.<\/p>\n<p>Apesar de j\u00e1 estarem longe da linha da frente, os soldados confessam que n\u00e3o conseguem esquecer o que ali viram. &#8220;Tenho pesadelos. Vejo uma floresta cheia de cad\u00e1veres, pessoas com a cara mutilada, bocas brancas e sujas de sangue. O cheiro n\u00e3o \u00e9 um cheiro, \u00e9 um sabor&#8221;, descreve Dima.<\/p>\n<p>&#8220;Sou um criminoso, e ningu\u00e9m se importa \u2014 o meu crime \u00e9 simplesmente n\u00e3o querer matar&#8221;, lamenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quatro russos relatam \u00e0 BBC a viol\u00eancia a que foram sujeitos e a que assistiram na linha da&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":282726,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,333,832,604,135,610,51402,476,15,16,301,830,889,14,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,839,51401,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-282725","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-comentadores","16":"tag-costa","17":"tag-crime","18":"tag-desporto","19":"tag-direto","20":"tag-documentario-bbc","21":"tag-economia","22":"tag-featured-news","23":"tag-featurednews","24":"tag-governo","25":"tag-guerra","26":"tag-guerra-na-ucrania","27":"tag-headlines","28":"tag-justica","29":"tag-latest-news","30":"tag-latestnews","31":"tag-live","32":"tag-main-news","33":"tag-mainnews","34":"tag-mais-vistas","35":"tag-marcelo","36":"tag-mundo","37":"tag-negocios","38":"tag-news","39":"tag-noticias","40":"tag-noticias-principais","41":"tag-noticiasprincipais","42":"tag-opiniao","43":"tag-pais","44":"tag-politica","45":"tag-portugal","46":"tag-principais-noticias","47":"tag-principaisnoticias","48":"tag-russia","49":"tag-soldados-russos","50":"tag-top-stories","51":"tag-topstories","52":"tag-ultimas","53":"tag-ultimas-noticias","54":"tag-ultimasnoticias","55":"tag-world","56":"tag-world-news","57":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282725\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/282726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}