{"id":284507,"date":"2026-02-26T10:39:13","date_gmt":"2026-02-26T10:39:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/284507\/"},"modified":"2026-02-26T10:39:13","modified_gmt":"2026-02-26T10:39:13","slug":"cientistas-apontam-a-portugal-falhas-estruturais-que-agravam-efeitos-das-tempestades-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/284507\/","title":{"rendered":"Cientistas apontam a Portugal falhas estruturais que agravam efeitos das tempestades | Clima"},"content":{"rendered":"<p>As nove tempestades que atingiram a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e o Norte de \u00c1frica entre <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/tempestade-kristin\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Janeiro e Fevereiro de 2026<\/a> deixaram um rasto de destrui\u00e7\u00e3o que, segundo uma nova an\u00e1lise do cons\u00f3rcio cient\u00edfico World Weather Attribution (WWA), revelam tanto a crescente press\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas como fragilidades profundas no ordenamento do territ\u00f3rio e na protec\u00e7\u00e3o civil portuguesa.<\/p>\n<p>Desde 16 de Janeiro, nove tempestades atingiram a regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, trazendo chuvas torrenciais e ventos de for\u00e7a quase cicl\u00f3nica. A ci\u00eancia confirma: este Inverno n\u00e3o foi uma excep\u00e7\u00e3o \u2014 <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/12\/azul\/opiniao\/nao-acaso-inverno-2026-confirma-padrao-crise-climatica-2164527\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">foi um aviso<\/a>.<\/p>\n<p>Os cientistas analisaram as altera\u00e7\u00f5es nas precipita\u00e7\u00f5es extremas num \u00fanico dia na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica ocidental e no norte de Marrocos entre Outubro e Mar\u00e7o, para tentar compreender como estes eventos muito perigosos est\u00e3o a mudar \u00e0 medida que o mundo aquece.<\/p>\n<p>Como explica a WWA, \u201cos dias mais chuvosos est\u00e3o agora cerca de um ter\u00e7o mais h\u00famidos do que antes de o planeta aquecer 1,3 graus Celsius\u201d, com aumentos observados de 36% nos eventos extremos de um dia na regi\u00e3o sul estudada [Sul da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e Norte de Marrocos] e 29% no norte [Norte da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica].<\/p>\n<p>Em Portugal, a viol\u00eancia da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/tempestade-kristin\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">tempestade Kristin<\/a> \u2014 com <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/12\/azul\/opiniao\/nao-acaso-inverno-2026-confirma-padrao-crise-climatica-2164527\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">rajadas at\u00e9 202 km\/h<\/a> \u2014 provocou seis mortes e deixou um milh\u00e3o de pessoas sem electricidade, segundo o resumo t\u00e9cnico da WWA. Por\u00e9m, os n\u00fameros oficiais contabilizaram, pelo menos, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/06\/sociedade\/noticia\/ha-13-mortes-relacionadas-tempestades-ultimos-dias-2163955\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">16 mortes<\/a> relacionadas de alguma forma com as tempestades. O Governo j\u00e1 se <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/01\/sociedade\/noticia\/kristin-15-medidas-governo-apoiar-familias-empresas-afectadas-2163253\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">comprometeu<\/a> com um pacote de 2500 milh\u00f5es de euros para apoiar fam\u00edlias e empresas afectadas.<\/p>\n<p><strong>Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas: impacto claro, mas complexo<\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise mostra que, apesar de nove tempestades terem atingido as regi\u00f5es de estudo, o evento de precipita\u00e7\u00e3o extrema apresenta per\u00edodos de retorno muito distintos: cerca de 40 anos no Sul, mas apenas cinco anos no Norte \u2014 embora, localmente, algumas das chuvas correspondam a eventos \u201ccom per\u00edodos de retorno superiores a 100 anos\u201d.<\/p>\n<p>No Norte, os modelos clim\u00e1ticos permitem identificar um sinal humano claro: \u201cUm aumento de cerca de 11% na intensidade da precipita\u00e7\u00e3o pode ser directamente atribu\u00eddo \u00e0s emiss\u00f5es de carbono\u201d. No Sul, os modelos n\u00e3o reproduzem a tend\u00eancia observada, sugerindo que outros factores atmosf\u00e9ricos podem estar a influenciar os resultados.<\/p>\n<p>\u201cSeja o aumento de 11% que podemos atribuir directamente \u00e0s actividades humanas, como a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, ou as tend\u00eancias muito mais elevadas que observamos no terreno ao longo das d\u00e9cadas, estamos confiantes de que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tornam estas chuvas intensas mais severas\u201d, refere <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/02\/04\/azul\/entrevista\/partimos-principio-mundo-vivemos-melhor-mundo-possivel-disparate-2078695\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Friederike Otto<\/a>, professora de Ci\u00eancia Clim\u00e1tica no Centro de Pol\u00edtica Ambiental do Imperial College London.<\/p>\n<p>Na confer\u00eancia de imprensa, Maja Vahlberg, tamb\u00e9m fez a chamada \u00e0 realidade que se imp\u00f5e: \u201cEstudos como este mostram realmente que as <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/alteracoes-climaticas\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/a> n\u00e3o s\u00e3o algo que est\u00e1 a acontecer a outras pessoas ou no futuro. Acho que existe esta percep\u00e7\u00e3o de que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o um problema abstracto, que est\u00e1 a chegar e que \u00e9 algo com que teremos de lidar, mas, na verdade, j\u00e1 est\u00e1 aqui. Os impactos est\u00e3o a acontecer agora. As pessoas est\u00e3o a morrer agora. As pessoas est\u00e3o a perder as suas casas agora\u201d.<\/p>\n<p>Friederike Otto completa: \u201cTemos as ferramentas e o conhecimento para impedir que isto piore, mas precisamos da vontade de as p\u00f4r em pr\u00e1tica mais rapidamente e mudar os nossos sistemas sociais para melhor. Vale a pena lutar pela redu\u00e7\u00e3o de cada frac\u00e7\u00e3o de um grau de aquecimento, ou as chuvas torrenciais s\u00f3 ir\u00e3o piorar.\u201d<\/p>\n<p>Apesar da clara rela\u00e7\u00e3o com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a investiga\u00e7\u00e3o sublinha que os padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o extrema na regi\u00e3o continuam dif\u00edceis de interpretar. \u201cAs tend\u00eancias em termos de precipita\u00e7\u00e3o extrema no Sul de Espanha e Portugal dever\u00e3o ser variadas (&#8230;), pelo que os efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poder\u00e3o ser dif\u00edceis de detectar e caracterizar utilizando apenas m\u00e9todos probabil\u00edsticos\u201d.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>\u201cEm algumas partes da regi\u00e3o estamos a assistir a aumentos dram\u00e1ticos na precipita\u00e7\u00e3o extrema que s\u00e3o atribu\u00edveis ao aquecimento causado pelo homem\u201d, alerta Clair Barnes, investigadora associado em condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no Centro de Pol\u00edtica Ambiental do Imperial College London, citada na nota de imprensa.<\/p>\n<p>\u201cOs fortes aumentos observados em algumas regi\u00f5es devem servir de alerta para n\u00f3s. Sabemos que uma atmosfera mais quente transporta mais humidade e, portanto, quanto mais carbono emitirmos, mais perigoso ser\u00e1 o cen\u00e1rio para tempestades de Inverno como estas\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Desigualdades e turistas em risco<\/strong><\/p>\n<p>O padr\u00e3o geral apresentado pelos cientistas \u00e9 claro: eventos extremos est\u00e3o a tornar-se mais frequentes e mais destrutivos, e Portugal permanece &#8220;altamente exposto&#8221;.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade portuguesa \u00e9 assinalada de forma not\u00f3ria no relat\u00f3rio, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Filipe L. M. Santos, da Universidade de \u00c9vora, e \u00e9, dizem os cientistas, marcada por desigualdades territoriais e sociais.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da WWA refor\u00e7a que centros urbanos densamente povoados, sobretudo onde o turismo expandiu a constru\u00e7\u00e3o para <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/11\/06\/azul\/noticia\/portugal-60-areas-risco-significativo-inundacao-veja-mapa-2110771\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">zonas inund\u00e1veis<\/a>, enfrentaram n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o particularmente elevados.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o aponta o dedo a d\u00e9cadas de decis\u00f5es urban\u00edsticas que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/29\/azul\/noticia\/kristin-forca-natureza-associada-incompetencia-irresponsabilidade-2162972\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">aumentaram<\/a> a exposi\u00e7\u00e3o ao risco. Em muitas zonas costeiras e ribeirinhas, \u201cn\u00e3o h\u00e1 \u2018espa\u00e7o para a \u00e1gua\u2019, uma vez que a constru\u00e7\u00e3o urbana (&#8230;) impermeabilizou o solo, aumentando significativamente o risco de inunda\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o tur\u00edstica e imobili\u00e1ria em antigas dunas e zonas baixas p\u00f4s milhares de pessoas em \u00e1reas de risco. O relat\u00f3rio \u00e9 claro: \u201cA expans\u00e3o impulsionada pelo turismo (&#8230;) est\u00e1 a deixar os turistas em risco, em \u00e1reas de alta ocupa\u00e7\u00e3o, como praias e parques de campismo, durante eventos de tempestade.\u201d<\/p>\n<p>As desigualdades socioecon\u00f3micas tamb\u00e9m pesam: \u201cAs comunidades de baixos rendimentos e socioeconomicamente desfavorecidas (&#8230;) enfrentam riscos agravados devido a habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e capacidade de recupera\u00e7\u00e3o limitada\u201d.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Estudos como este mostram realmente que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o algo que est\u00e1 a acontecer a outras pessoas ou no futuro. Os impactos est\u00e3o a acontecer agora. As pessoas est\u00e3o a morrer agora. As pessoas est\u00e3o a perder as suas casas agora.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nMaja Vahlberg                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p><strong>Um duro golpe na economia<\/strong><\/p>\n<p>Na confer\u00eancia de imprensa David Garcia-Garcia, investigador de Geodesia por Sat\u00e9lite para Observa\u00e7\u00e3o da Terra e Estudos Clim\u00e1ticos, do Departamento de Matem\u00e1tica Aplicada e Engenharia Aeroespacial na Universidade de Alicante, em Espanha, enumerou os fen\u00f3menos clim\u00e1ticos que explicam a for\u00e7a destrutiva das tempestades: um deles foi o bloqueio anticicl\u00f3nico sobre a Gronel\u00e2ndia e a Pen\u00ednsula Escandinava que empurrou uma tempestade depois da outra, e o outro a posi\u00e7\u00e3o do anticiclone dos A\u00e7ores (que normalmente nos protege) para uma posi\u00e7\u00e3o mais a sul do que o habitual.<\/p>\n<p>\u201cA chegada de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/04\/azul\/entrevista\/vem-ai-rio-atmosferico-territorio-fragilizado-causar-danos-2163545\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">rios atmosf\u00e9ricos<\/a> que transportam massas de ar carregadas de humidade do Atl\u00e2ntico e se originam nas Cara\u00edbas foi facilitada\u201d, disse o investigador. Al\u00e9m da chuva forte, \u201cem Espanha, foram registados ventos com for\u00e7a de furac\u00e3o de categoria 2, enquanto <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/29\/azul\/noticia\/ciclonebomba-ferrao-vento-208-kmh-marcaram-desastre-chamado-kristin-2162892\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">em Portugal <\/a>foram relatados ventos de categoria 3, que excederam os 200 quil\u00f3metros por hora\u201d, relatou. \u201cAs precipita\u00e7\u00f5es bateram recordes nos tr\u00eas pa\u00edses\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/09\/azul\/noticia\/portugal-viveu-comboios-tempestades-longo-ha-memoria-2164228\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">sucess\u00e3o de tempestades<\/a> provocou danos de grande escala. No distrito de Leiria, os ventos fortes destru\u00edram infra-estruturas industriais e at\u00e9 aeronaves militares. O relat\u00f3rio destaca \u201cuma destrui\u00e7\u00e3o parcial do centro desportivo municipal de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/28\/local\/reportagem\/kristin-devastou-leiria-desligoua-mundo-pior-apagao-2162833\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Leiria<\/a>\u201d e danos significativos em f\u00e1bricas, empresas, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/19\/sociedade\/noticia\/tempestades-afectaram-menos-32700-alunos-deixam-nu-fragilidades-escolas-2165305\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">escolas<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/12\/culturaipsilon\/noticia\/mau-tempo-120-museus-monumentos-danos-causados-tempestades-2164660\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">monumentos<\/a>.<\/p>\n<p>A economia sofreu um golpe duro: \u201cAlgumas f\u00e1bricas est\u00e3o completamente danificadas e inoperacionais, e outras tiveram de interromper a produ\u00e7\u00e3o e as opera\u00e7\u00f5es por v\u00e1rios dias\u201d. A queda de mais de \u201c450 linhas de alta tens\u00e3o\u201d agravou o impacto econ\u00f3mico. S\u00f3 em Meirinhas, no munic\u00edpio de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/30\/local\/reportagem\/dias-tempestade-vida-agua-luz-trabalho-2163140\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Pombal<\/a>, \u201c95% das casas ficaram danificadas\u201d, exemplificam.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>As estimativas dos cientistas ficam-se por mais de 4000 milh\u00f5es de euros em custos directos de reconstru\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/18\/economia\/noticia\/mau-tempo-valor-indemnizacao-pagar-seguradoras-ja-vai-360-milhoes-2165204\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">entre 300 e 450 milh\u00f5es de euros <\/a>em perdas cobertas por seguros.<\/p>\n<p><strong>Crise humanit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>As cheias provocaram tamb\u00e9m milhares de deslocados \u2014 <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/10\/sociedade\/noticia\/proteccao-civil-especial-atencao-rio-mondego-risco-inundacao-2164367\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">3000<\/a> em Portugal, mais precisamente em Coimbra. O documento acrescenta que, em Espanha, 12.400 pessoas foram retiradas de casa, 115.000 ficaram afectadas na Sierra de C\u00e1diz, e o Governo espanhol j\u00e1 mobilizou 9000 milh\u00f5es de euros, com mais 1780 milh\u00f5es da Andaluzia.<\/p>\n<p>Em Marrocos, as cheias provocaram 43 mortes, 300.000 deslocados e danos em 110.000 casas, levando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um plano de recupera\u00e7\u00e3o de 280 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Maja Vahlberg, consultora t\u00e9cnica do Centro Clim\u00e1tico da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, deixa o aviso: \u201cAs vidas perdidas e as centenas de milhares de pessoas deslocadas em Marrocos, Espanha e Portugal s\u00e3o uma tr\u00e1gica lembran\u00e7a de que as nossas defesas est\u00e3o a ser sobrecarregadas. Embora os sistemas de alerta precoce tenham melhorado, \u00e9 um grande desafio proteger totalmente as pessoas quando chove com este n\u00edvel de intensidade\u201d.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Sabemos que uma atmosfera mais quente transporta mais humidade e, portanto, quanto mais carbono emitirmos, mais perigoso ser\u00e1 o cen\u00e1rio para tempestades de Inverno como estas.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nClair Barnes, investigadora                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Para a investigadora, \u201cn\u00e3o estamos apenas a lutar contra uma mudan\u00e7a no clima, estamos a lutar contra uma crise humanit\u00e1ria impulsionada por uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica.\u201d<\/p>\n<p>As autoridades europeias e internacionais n\u00e3o registaram surtos epid\u00e9micos associados \u00e0s cheias, embora o risco exista: \u201cAs inunda\u00e7\u00f5es criam condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios agentes patog\u00e9nicos (&#8230;), aumentando significativamente o risco de epidemias e surtos\u201d.<\/p>\n<p>O documento refor\u00e7a que a satura\u00e7\u00e3o dos solos ao longo~e.s da esta\u00e7\u00e3o agravou as inunda\u00e7\u00f5es subsequentes, aumentando o impacto cumulativo das tempestades.<\/p>\n<p>O evento de precipita\u00e7\u00e3o mais extremo foi causado por um rio atmosf\u00e9rico que foi intensificado ao passar por uma onda de calor marinho muito forte no Atl\u00e2ntico. As temperaturas mais quentes da superf\u00edcie do mar fizeram com que mais humidade fosse captada e transportada para a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e Marrocos, caindo como chuva. Segundo os especialistas da WWA, a probabilidade de uma onda de calor marinha como esta acontecer aumentou dez vezes, devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Danos das tempestades de 2026&#13;<br \/>\nTiago Bernardo Lopes                     &#13;<\/p>\n<p><strong>Um sinal do futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Os investigadores sublinham que a variabilidade natural \u2014 em particular a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/08\/12\/azul\/noticia\/colapso-circulacao-atlantico-historia-so-comecou-2060023\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Oscila\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico Norte<\/a> (NAO, na sigla em ingl\u00eas) \u2014 pode amplificar ou mascarar o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u201cAs fortes influ\u00eancias de modos de variabilidade, como a NAO, podem amplificar (ou enfraquecer) os sinais associados ao aquecimento global\u201d, escrevem. A NAO contribuiu com 5% adicionais para a intensidade da precipita\u00e7\u00e3o extrema no Sul, e 2% no Norte.<\/p>\n<p>Ainda assim, todas as linhas de evid\u00eancia apontam para \u201cum aumento da intensidade dos eventos de precipita\u00e7\u00e3o mais extrema\u201d, especialmente no Norte da regi\u00e3o estudada, adiantam os cientistas.<\/p>\n<p>A climat\u00f3loga Friederike Otto resume: \u201cIsto \u00e9 exactamente o que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas parecem: padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos que antes se conseguia gerir e que est\u00e3o agora a transformar-se em desastres perigosos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo confirma que a atmosfera mais quente, criada pelas nossas emiss\u00f5es colectivas de carbono, cria um padr\u00e3o de chuvas mais extremas e intensas, para o qual os decisores pol\u00edticos precisam de se preparar e adaptar para proteger vidas, meios de subsist\u00eancia e infra-estruturas na nossa regi\u00e3o\u201d, alerta David Garc\u00eda-Garc\u00eda.<\/p>\n<p>O resumo t\u00e9cnico destaca que os sistemas de aviso pr\u00e9vio funcionaram bem nos tr\u00eas pa\u00edses, permitindo evacua\u00e7\u00f5es atempadas e reduzindo o n\u00famero de v\u00edtimas. \u201cA combina\u00e7\u00e3o de aviso antecipado e resposta decisiva reduziu significativamente o custo humano do evento\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>A Protec\u00e7\u00e3o Civil em Portugal mobilizou \u201c26.504 funcion\u00e1rios e 10.505 activos terrestres\u201d em apenas seis dias, incluindo vigil\u00e2ncia a\u00e9rea com helic\u00f3pteros e o Governo aprovou apoios de emerg\u00eancia at\u00e9 30 mil euros por fam\u00edlia. Mas a WWA alerta para problemas estruturais: \u201cOs relat\u00f3rios destacam casos de falta de planeamento urbano adequado e uma depend\u00eancia excessiva de infra-estruturas de engenharia pesada\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As nove tempestades que atingiram a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e o Norte de \u00c1frica entre Janeiro e Fevereiro de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":284508,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[2335,785,27,28,2271,15,16,14,1228,9412,25,26,21,22,8532,12,13,19,20,48766,32,23,24,33,46659,17,18,1456,29,30,31,40944],"class_list":{"0":"post-284507","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-alteracoes-climaticas","9":"tag-azul","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-clima","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-imobiliario","17":"tag-inundacoes","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-mau-tempo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-ordenamento-do-territorio","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-tempestade-kristin","33":"tag-top-stories","34":"tag-topstories","35":"tag-turismo","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-wwa"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=284507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/284508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=284507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=284507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=284507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}