{"id":28554,"date":"2025-08-14T04:31:25","date_gmt":"2025-08-14T04:31:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/28554\/"},"modified":"2025-08-14T04:31:25","modified_gmt":"2025-08-14T04:31:25","slug":"riley-sager-autor-de-thrillers-a-veja-quero-que-meus-livros-sejam-faceis-de-ler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/28554\/","title":{"rendered":"Riley Sager, autor de thrillers, a VEJA: \u201cQuero que meus livros sejam f\u00e1ceis de ler\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Numa noite qualquer do ver\u00e3o de 1994, uma crian\u00e7a de 10 anos \u00e9 sequestrada de dentro de uma barraca de acampamento em Princeton, Nova Jersey. Al\u00e9m de um rasgo grande na lateral da tenda, outra marca profunda que o crime deixou foram os traumas na outra crian\u00e7a presente na cena do crime, mas que saiu ilesa. Trinta anos depois e de volta \u00e0 casa onde tudo aconteceu, o sobrevivente Ethan vai se deparar com mist\u00e9rios que provam que o desaparecimento de seu melhor amigo, Billy, ainda tem diversas pontas soltas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO passado nunca desaparece de fato\u201d, diz<strong> Riley Sager<\/strong>, o criador dessa hist\u00f3ria contida no livro No Meio da Noite, que acaba de chegar no Brasil pela editora <strong>Intr\u00ednseca<\/strong>. O autor, que j\u00e1 vendeu mais de 3 milh\u00f5es de c\u00f3pias de livros no mundo todo, tem fasc\u00ednio em escrever sobre fragmentos do passado que retornam \u00e0 vida dos seus personagens e usa desse artif\u00edcio para elaborar reviravoltas, motivo pelo qual foi descrito como \u201cmestre das reviravoltas\u201d pelo jornal The New York Times.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu livro O massacre da fam\u00edlia Hope, lan\u00e7ado em 2024 no Brasil, vendeu 45 000 c\u00f3pias no pa\u00eds desde o lan\u00e7amento e traz a hist\u00f3ria de Lenora, a \u00fanica sobrevivente de um massacre que vitimou toda sua fam\u00edlia em 1929. Anos depois, idosa e sem a capacidade de falar, ela buscar\u00e1 formas de contar tudo o que sabe sobre o crime. O livro foi inspirado no caso real de Lizzie Borden, que ocorreu em Massachusetts no ano de 1892.\u00a0<\/p>\n<p>    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"No Meio da Noite\" class=\"wp-image-5866698 size-medium\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Capa-nomeiodanoite-300dpi.jpg\" border=\"0\" title=\"Capa-nomeiodanoite-300dpi\" width=\"200\" height=\"300\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Intr\u00ednseca\" data-image-caption=\"Capa do livro \" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n     Capa do livro \u201cNo Meio da Noite\u201d, de Riley Sager (Intr\u00ednseca\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema familiar e o olhar ao passado parecem se repetir em No Meio da Noite. \u201cEu queria falar sobre a escurid\u00e3o que sempre espreita os sub\u00farbios dos Estados Unidos\u201d, contou Sager em entrevista a <b>VEJA. <\/b>\u201cTodos que moram neste bairro t\u00eam algum tipo de segredo ou vergonha\u201d.\u00a0Ao investigar um crime n\u00e3o resolvido de 30 anos atr\u00e1s, o livro vai desnudar os traumas ocultos de um bairro suburbano que acaba por refletir grandes flagelos da sociedade americana, como o abuso de drogas e o bullying nas escolas. A linguagem simples que usa o passado como ferramenta para envolver o leitor e faz\u00ea-lo refletir sobre dramas coletivos coloca Riley Sager entre os principais nomes do thriller da atualidade. Confira a conversa do autor com <b>VEJA<\/b>:\u00a0<\/p>\n<p><b>Por que se tornou um escritor de suspense? <\/b>Acho que sempre quis escrever porque sempre fui um grande leitor. Em casa, meus pais liam, minha irm\u00e3 lia, ent\u00e3o eu tamb\u00e9m passei a fazer isso. Em algum momento pensei que, se ler \u00e9 divertido, talvez escrever fosse tamb\u00e9m. E desde muito jovem fui atra\u00eddo por coisas assustadoras, mist\u00e9rios e thrillers. Comecei a ler Agatha Christie muito novo, provavelmente antes do que deveria, e depois passei para Stephen King e coisas assim. Ent\u00e3o, naturalmente, quando pensei que escreveria algo, teria que ser suspense ou thriller.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><b>O que chama sua aten\u00e7\u00e3o em casos do passado? <\/b>Sou fascinado por hist\u00f3ria. Leio muita n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria e at\u00e9 fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, e acho que o passado nunca desaparece de fato. Ele molda quem somos como indiv\u00edduos, o passado da nossa fam\u00edlia, e molda quem somos como na\u00e7\u00e3o. Acho que o passado realmente tem um poder sobre o presente e n\u00e3o percebemos isso at\u00e9 que algo nos lembre dele ou que nos tire daquela sensa\u00e7\u00e3o do presente. Eu realmente gosto de contar hist\u00f3rias que remontam ao passado e mostram o que as pessoas acham que aconteceu, mas que tamb\u00e9m trazem o presente e mostram como isso as afetou. E como algu\u00e9m no presente, por meio da investiga\u00e7\u00e3o, descobre que o que pensava ser verdade naquela \u00e9poca n\u00e3o era necessariamente verdade. \u00c9 um assunto fascinante para mim e volto a ele v\u00e1rias vezes, e provavelmente voltarei at\u00e9 me cansar. Acho que nunca vou me cansar.<\/p>\n<p><b>No Meio da Noite chega ao Brasil quase um ano depois do lan\u00e7amento de O Massacre da Fam\u00edlia Hope, um livro que se tornou um sucesso entre os leitores brasileiros e nas redes sociais. O que os leitores que gostaram de O Massacre da Fam\u00edlia Hope v\u00e3o gostar em No Meio da Noite? <\/b>Isso \u00e9 muito interessante porque s\u00e3o livros muito diferentes, mas acho que eles t\u00eam o mesmo esp\u00edrito do passado assombrando o presente. H\u00e1 linhas do tempo duplas em ambos e ambos s\u00e3o sobre uma pessoa no presente tentando resolver algo que aconteceu d\u00e9cadas antes e se surpreendendo com o que descobre. Ent\u00e3o, definitivamente h\u00e1 muitas reviravoltas. N\u00e3o tantas em No Meio da Noite quanto em O Massacre da Fam\u00edlia Hope. Esse eu sei que as pessoas ficaram pensando que era um livro com reviravolta ap\u00f3s reviravolta, e algumas pessoas disseram: \u201cAdorei isso\u201d, e outras disseram: \u201cFoi reviravolta demais\u201d, e eu discordo. Acho que nunca s\u00e3o reviravoltas demais.\u00a0<\/p>\n<p><b>No que voc\u00ea se inspirou para criar o Ethan, esse personagem que \u00e9 t\u00e3o ligado ao pr\u00f3prio trauma? <\/b>Eu moro em uma rua sem sa\u00edda em Princeton, Nova Jersey. E o livro se passa em uma rua sem sa\u00edda em Princeton, Nova Jersey. Em uma noite, eu tive dificuldade para dormir, o que \u00e9 algo que Ethan e eu temos em comum. Eram cerca de 2h da manh\u00e3 e eu estava olhando pela janela do quarto e conseguia ver as outras casas na rua sem sa\u00edda. E todos n\u00f3s temos essas luzes sens\u00edveis ao movimento acima de nossas garagens. Ent\u00e3o, quando um carro entra na garagem, a luz acende. Eu estava olhando pela janela e, na casa do outro lado da rua sem sa\u00edda, a luz acima da garagem acendeu. E n\u00e3o havia nada l\u00e1 para acion\u00e1-la. Eu pensei: \u201cIsso \u00e9 muito estranho. Deve ser um inseto ou algo assim.\u201d A luz apagou, e ent\u00e3o, na casa ao lado, a luz acima da garagem deles apagou. E eu pensei: \u201cIsso \u00e9 meio assustador.\u201d A luz disparou e, na casa do meu vizinho, a luz acima da garagem dele se apagou. Foi quando eu pensei: \u201cOk, tem um fantasma na rua\u201d. Eu n\u00e3o acredito em fantasmas, mas naquele momento eu pensei que aquilo era uma \u00f3tima ideia para um livro. <\/p>\n<p><strong>Qual parte?<\/strong> Um fantasma numa rua sem sa\u00edda. E ent\u00e3o decidi escrever um livro sobre algo horr\u00edvel que aconteceu nesta rua sem sa\u00edda em Princeton, Nova Jersey. E pode haver um fantasma vagando pela vizinhan\u00e7a e como isso afeta um homem de 40 anos que, quando crian\u00e7a, passou por algo traum\u00e1tico. Foi assim que o Ethan nasceu. A\u00ed eu comecei a pensar: \u201cpor que o Ethan est\u00e1 acordado no meio da noite?\u201d. Bem, porque ele n\u00e3o consegue dormir. E \u201cpor que ele n\u00e3o consegue dormir?\u201d Porque ele tem pesadelos. \u201cE por que ele tem pesadelos?\u201d Porque ele sonha com a \u00e9poca em que tinha 10 anos e seu vizinho foi sequestrado dentro de uma tenda em seu quintal. E assim tudo se encaixou e foi isso que acabou se tornando o livro.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><b>Esse tipo de ideia surge naturalmente ou passa muito tempo pensando nelas? <\/b>Elas surgem naturalmente para mim. Tenho muitas ideias e nunca as escrevo porque imagino que, se eu n\u00e3o conseguir parar de pensar nelas, vale a pena passar um ano escrevendo um livro sobre elas. Eu tenho ideias o tempo todo e a maioria delas desaparece no dia seguinte. Nem consigo me lembrar quais eram. Ent\u00e3o, as que ficam aqui s\u00e3o aquelas que v\u00e3o virar um livro um dia.<\/p>\n<p><b>Alguns de seus livros se passam em ambientes familiares ou envolvem casos em fam\u00edlia. H\u00e1 alguma inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s disso? <\/b>Sim, eu queria que parecesse o bairro de todo mundo. A verdade \u00e9 que eu escrevi sobre a rua onde eu moro. E Ethan mora na minha casa. \u00c9 como se o quintal de onde Billy foi sequestrado fosse o meu quintal. Agora, tudo isso \u00e9 fic\u00e7\u00e3o, mas eu usei meu bairro como inspira\u00e7\u00e3o. Eu queria que parecesse com qualquer bairro suburbano. Porque o que torna o crime neste livro t\u00e3o chocante \u00e9 que ele aconteceu em um lugar onde nada de ruim acontece e \u00e9 um crime que nunca foi resolvido. E t\u00eam aspectos sobre ele que s\u00e3o inexplic\u00e1veis e estranhos. S\u00f3 por ambient\u00e1-lo em um lugar t\u00e3o inocente e livre de crimes, eu achei que o crime pareceria mais assustador e estranho e teria mais impacto. Como se houvesse uma raz\u00e3o para as pessoas ainda pensarem sobre esse sequestro 30 anos depois, e isso \u00e9 porque foi um acontecimento muito incomum para a \u00e9poca e o local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O livro apresenta um fato bastante alarmante sobre as mais de 500 000 pessoas desaparecidas anualmente nos Estados Unidos e tamb\u00e9m fala brevemente de um personagem que morreu de overdose. O que essas indica\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es querem dizer? <\/b>Eu queria dar uma dica sobre a escurid\u00e3o que sempre espreita nos sub\u00farbios. Como aqui nos Estados Unidos, os sub\u00farbios s\u00e3o vistos como um lugar maravilhoso e rico, onde nada de ruim acontece e todos s\u00e3o felizes. E simplesmente n\u00e3o \u00e9 o caso. Existem tantos livros e filmes que exploram isso, e No Meio da Noite \u00e9 apenas mais um que ilumina os sub\u00farbios estereotipados e mostra que, sim, \u00e9 um pouco mais sombrio do que se pensa. E \u00e9 por isso que tentei falar sobre os segredos e as tristezas de todas as pessoas que vivem naquele bairro. H\u00e1 um garoto que desapareceu e isso afeta a todos profundamente. Mas tamb\u00e9m havia outros pequenos traumas acontecendo em torno da rua, incluindo a overdose do vizinho ao lado e o estado de sa\u00fade prec\u00e1rio de uma das pessoas que moram l\u00e1. O mist\u00e9rio em torno da profiss\u00e3o dos outros vizinhos e o que eles faziam naquela \u00e9poca e o que fazem agora. Eu queria que fosse quase como uma novela. Teve uma s\u00e9rie que fez sucesso nos Estados Unidos h\u00e1 20 anos, chamada Desperate Housewives, que era sobre todos os segredos de mulheres suburbanas. Eu queria que fosse um pouco parecido com isso, onde todos que moram neste bairro t\u00eam algum tipo de segredo ou vergonha.<\/p>\n<p><b>O livro menciona muito o caso do O.J Simpson, que aconteceu na mesma \u00e9poca do sumi\u00e7o do Billy no livro. Na sua opini\u00e3o, por que alguns casos parecem importar mais do que outros? <\/b>\u00c9 algo com o qual ainda estamos lidando. A coisa do O.J. Simpson surgiu porque eu ambientei o livro em 1994, e a \u00fanica coisa sobre a qual as pessoas falavam em 1994 era o caso O.J. Simpson, a persegui\u00e7\u00e3o do Ford Bronco e os assassinatos, e eu queria realmente dar uma ideia daquele ver\u00e3o porque, para mim, pessoalmente, foi um ver\u00e3o fant\u00e1stico. Eu me diverti muito no ver\u00e3o de 1994. E ent\u00e3o eu me lembro de muita coisa sobre isso. O.J. Simpson era tudo sobre o que as pessoas falavam. Eu me lembro de ir ao cinema e ver Forrest Gump, O Rei Le\u00e3o e Velocidade M\u00e1xima, e eu s\u00f3 queria realmente dar uma ideia de como foi o ver\u00e3o de 94. E, honestamente, de certa forma, para me orgulhar, porque eu amei muito aquele ver\u00e3o. Eu queria que as pessoas se lembrassem com carinho e que os leitores dissessem: \u201c\u00c9, eu tamb\u00e9m me lembro disso. Eu me lembro onde eu estava quando assisti \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o de O.J. Simpson.\u201d E isso que voc\u00ea perguntou \u00e9 uma coisa muito triste que vivenciamos aqui nos Estados Unidos. <\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Como assim?<\/strong> Eu n\u00e3o pretendo ser grosseiro ou cruel quando digo isso, mas se voc\u00ea \u00e9 uma jovem bonita e desaparece, voc\u00ea estar\u00e1 em todos os notici\u00e1rios, especialmente se voc\u00ea for rica. Se voc\u00ea \u00e9 uma mulher negra, que n\u00e3o \u00e9 rica, e desaparece, \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea n\u00e3o tenha muita cobertura da m\u00eddia. No caso do desaparecimento de Billy, no livro, ele era uma crian\u00e7a e veio de uma fam\u00edlia rica de uma \u00e1rea rica. Ent\u00e3o, isso naturalmente teria muita cobertura da imprensa. Considerando que, se ele n\u00e3o fosse todas essas coisas, provavelmente n\u00e3o teria se tornado uma sensa\u00e7\u00e3o na m\u00eddia. H\u00e1 um desequil\u00edbrio entre o que \u00e9 coberto aqui na m\u00eddia dos EUA em rela\u00e7\u00e3o a certos crimes.<\/p>\n<p><b>Recentemente, no Brasil, o consumo de thrillers e mist\u00e9rios na literatura tem aumentado bastante, com nomes como Freida McFadden e Raphael Montes. Para voc\u00ea, qual o poder do thriller? <\/b>N\u00f3s lemos ou assistimos a essas coisas e nos sentimos sortudos por n\u00e3o estarem acontecendo conosco. E acho que as pessoas simplesmente gostam do aspecto misterioso de tentar juntar as pe\u00e7as e descobrir as coisas por conta pr\u00f3pria e ver se est\u00e3o certas. Eu, como leitor, gosto de ser surpreendido, gosto de continuar virando as p\u00e1ginas e mergulhar no suspense. Acho que muitas pessoas gostam disso e os thrillers est\u00e3o tendo um momento porque eles proporcionam isso. E \u00e9 isso que tento proporcionar com os meus [livros]. Quero que meus livros sejam muito f\u00e1ceis de ler, muito r\u00e1pidos de ler, muito surpreendentes, mas tamb\u00e9m tenham um pouco mais de profundidade. N\u00e3o muito, mas o suficiente para dar um toque especial. Acho que os leitores apreciam isso.<\/p>\n<p><b>Obras art\u00edsticas sobre crimes brutais ainda sofrem resist\u00eancia de alguns p\u00fablicos. Na sua vis\u00e3o, existe algo que os autores podem fazer para mudar essa realidade? <\/b>Sei que muitas pessoas pensam que, ao retratar a viol\u00eancia, voc\u00ea est\u00e1 tolerando ou incentivando a viol\u00eancia, e eu n\u00e3o acho que seja esse o caso. Com algumas exce\u00e7\u00f5es, meus livros tendem a n\u00e3o ser livres de viol\u00eancia, mas tento mant\u00ea-la fora da narrativa o m\u00e1ximo poss\u00edvel. N\u00e3o estou interessado em escrever passagens descritivas longas sobre pessoas sofrendo. Tento n\u00e3o exagerar. As pessoas resistem a essas coisas por causa disso. Sei disso por experi\u00eancia pr\u00f3pria, tenho amigos e familiares que odeiam filmes de terror. Eles se recusam a assisti-los, n\u00e3o gostam por causa da viol\u00eancia. E \u00e0 medida que envelhe\u00e7o, tamb\u00e9m fico assim. Gosto de sentir medo, mas simplesmente n\u00e3o gosto da viol\u00eancia extrema.<\/p>\n<p><b>Como v\u00ea o mercado de thrillers hoje? H\u00e1 algo que voc\u00ea mudaria dentro do g\u00eanero ou gostaria de experimentar? <\/b>Boa pergunta. Mudar, n\u00e3o exatamente. Pelo que percebi, as pessoas t\u00eam a mente muito aberta sobre o que um thriller pode ser. Porque alguns thrillers cont\u00eam mais elementos de mist\u00e9rio. Alguns thrillers cont\u00eam mais elementos de terror ou sobrenaturais. E uma das coisas que eu realmente gosto no g\u00eanero \u00e9 que voc\u00ea pode fazer muita coisa com ele e brincar um pouco, enquanto alguns g\u00eaneros eu acho que s\u00e3o muito mais restritos. Ent\u00e3o, o que eu gostaria de ver \u00e9 mais pessoas brincando com o que um thriller \u00e9 e pode ser. Isso \u00e9 muito empolgante para mim.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><b>Seu \u00faltimo livro foi um fen\u00f4meno no TikTok. Como enxerga o papel das redes sociais, especialmente o TikTok, no fun\u00e7\u00e3o de fomentar o interesse das pessoas na literatura? <\/b>\u00c9 muito importante. \u00c9 tamb\u00e9m algo que eu, como escritor, n\u00e3o posso controlar. As pessoas tentam se tornar uma sensa\u00e7\u00e3o no TikTok e n\u00e3o h\u00e1 como controlar isso. Simplesmente acontece. Ent\u00e3o, honestamente, eu n\u00e3o presto aten\u00e7\u00e3o nisso. Tenho uma conta no TikTok que jamais uso, nunca posto e nunca mexo. N\u00e3o olho o que as pessoas postam sobre mim porque sei que a \u00fanica coisa que posso controlar, no fim das contas, \u00e9 o que escrevo e o livro em si. Como esse livro ser\u00e1 recebido est\u00e1 fora do meu controle. O que as pessoas dizem no TikTok sobre isso tamb\u00e9m est\u00e1 fora do meu controle. Ent\u00e3o simplesmente n\u00e3o vejo sentido em assistir a tudo isso. Eu aprecio que esteja acontecendo, mas simplesmente fico de lado e n\u00e3o assisto, porque, al\u00e9m disso, para cada TikTok maravilhoso e feliz que voc\u00ea v\u00ea elogiando seu livro, provavelmente haver\u00e1 outro de algu\u00e9m dizendo que odeia o livro, que ele \u00e9 p\u00e9ssimo e que eu sou p\u00e9ssimo. Ent\u00e3o, eu prefiro n\u00e3o olhar para isso. Para mim, essa \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o. \u00c9 super importante, mas tamb\u00e9m est\u00e1 fora do nosso controle.<\/p>\n<p><b>Teme a cr\u00edtica ou simplesmente n\u00e3o liga? <\/b>Sinceramente, n\u00e3o me importo. Porque sei que haver\u00e1 pessoas que n\u00e3o gostar\u00e3o dos meus livros. E tudo bem, \u00e9 da natureza humana. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vejo sentido em ler ou ver esse tipo de coisa, porque n\u00e3o posso mudar o livro. Est\u00e1 pronto. Eu o escrevi, trabalhei duro nele e fiz o melhor que pude. Simplesmente n\u00e3o vejo sentido em ler cr\u00edticas ruins, porque fiz o melhor que pude. Se estou satisfeito com o livro, isso basta para mim.<\/p>\n<p>Acompanhe not\u00edcias e dicas culturais nos blogs a seguir:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/coluna\/tela-plana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Tela Plana<\/a> para novidades da TV e do streaming<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/coluna\/o-som-e-a-furia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">O Som e a F\u00faria<\/a> sobre artistas e lan\u00e7amentos musicais<br \/><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/coluna\/em-cartaz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/coluna\/em-cartaz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Em Cartaz<\/a> traz dicas de filmes no cinema e no streaming<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticias-sobre\/livro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Livros<\/a> para not\u00edcias sobre literatura e mercado editorial<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Numa noite qualquer do ver\u00e3o de 1994, uma crian\u00e7a de 10 anos \u00e9 sequestrada de dentro de uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28555,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-28554","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}