{"id":285600,"date":"2026-02-27T08:07:11","date_gmt":"2026-02-27T08:07:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/285600\/"},"modified":"2026-02-27T08:07:11","modified_gmt":"2026-02-27T08:07:11","slug":"portugal-deve-evitar-um-irritante-com-os-eua-mas-o-cenario-muda-se-houver-bombardeiros-a-descolar-das-lajes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/285600\/","title":{"rendered":"Portugal deve evitar um &#8220;irritante&#8221; com os EUA mas o cen\u00e1rio muda se houver bombardeiros a descolar das Lajes"},"content":{"rendered":"<p>\t                Qualquer opera\u00e7\u00e3o militar do Ir\u00e3o ter\u00e1 Portugal como centro nevr\u00e1lgico da estrat\u00e9gia e planeamento. O Governo j\u00e1 deu a sua autoriza\u00e7\u00e3o e, na verdade, &#8220;a margem da rea\u00e7\u00e3o portuguesa&#8221; seria sempre &#8220;limitada&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A preparar todas as op\u00e7\u00f5es para uma grande opera\u00e7\u00e3o militar contra o Ir\u00e3o, os Estados Unidos fazem da base das Lajes, na ilha Terceira, um dos pontos nevr\u00e1lgicos de qualquer a\u00e7\u00e3o futura. Foi assim no ano passado, com a m\u00edtica opera\u00e7\u00e3o que envolveu bombardeiros B-2, e voltar\u00e1 a ser assim caso Donald Trump d\u00ea mesmo a ordem que as negocia\u00e7\u00f5es v\u00e3o tentando evitar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">E se Portugal \u00e9 ponto de passagem, ent\u00e3o deve mesmo permiti-lo. A ideia \u00e9 do major-general Agostinho Costa, que lembra \u00e0 CNN Portugal que os Estados Unidos &#8220;s\u00e3o o nosso principal aliado militar&#8221;, j\u00e1 que \u201cos outros s\u00e3o uma fantasia\u201d, pelo que \u201cn\u00e3o devemos criar um irritante diplom\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">&#8220;N\u00e3o vale a pena alimentarmos um caso diplom\u00e1tico por um assunto que n\u00e3o \u00e9 fundamental. N\u00f3s n\u00e3o somos obrigados a saber, nem nos interessa minimamente saber, para onde os avi\u00f5es norte-americanos v\u00e3o\u201d, afirma o militar, j\u00e1 depois de o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros ter falado numa &#8220;autoriza\u00e7\u00e3o t\u00e1cita&#8221; para a utiliza\u00e7\u00e3o da base a\u00e7oriana.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o acontece numa altura em que 15 avi\u00f5es reabastecedores KC-46 Pegasus da For\u00e7a A\u00e9rea norte-americana continuam estacionados na Base das Lajes. Esta quarta-feira de manh\u00e3, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/videos\/eua-tem-15-aeronaves-reabastecedoras-kc-46-nas-lajes-em-junho-nao-vimos-tanta-concentracao-de-meios\/699f24bc0cf2d0ed34b7cf56\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">segundo apurou a CNN Portugal<\/a>, al\u00e9m dos 15 aparelhos &#8211; na mesma posi\u00e7\u00e3o h\u00e1 quase uma semana &#8211; encontrava-se apenas na pista um C-130 da Marinha norte-americana, uma aeronave normalmente utilizada para transporte de tropas e carga.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1772179631_297_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Avi\u00f5es americanos de abastecimento estacionados na Base das Lajes, a 18 de fevereiro (Ant\u00f3nio Ara\u00fajo\/Lusa) <\/p>\n<p>\u201cO que interessa saber a Portugal \u00e9 que aterram avi\u00f5es americanos no local e que tenham informado as autoridades portuguesas que est\u00e3o em tr\u00e2nsito pela base nos A\u00e7ores\u201d, defende Agostinho Costa, sublinhando que \u201cn\u00e3o nos interessa se s\u00e3o avi\u00f5es que v\u00e3o participar em exerc\u00edcios da NATO, se v\u00e3o fazer rota\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as posicionadas na Pol\u00f3nia &#8211; t\u00eam l\u00e1 uma unidade a\u00e9rea -, se s\u00e3o avi\u00f5es que v\u00e3o para o M\u00e9dio Oriente, ou se est\u00e3o a passar com maior intensidade\u201d.<\/p>\n<p>Na mesma linha, o tenente-general Rafael Martins confirma que existe um dever de notifica\u00e7\u00e3o por parte dos Estados Unidos sempre que utilizam a Base das Lajes, mas rejeita a ideia de que tal implique revelar inten\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>\u201cOs americanos devem notificar o movimento\u201d, explica, detalhando que deve ser comunicado \u201co tipo de aeronave, quantas pessoas leva, a que horas \u00e9 que passa, e se precisa de assist\u00eancia ou n\u00e3o\u201d, ou seja, um procedimento t\u00e9cnico, enquadrado no controlo do espa\u00e7o a\u00e9reo e na gest\u00e3o operacional da base.\u00a0<\/p>\n<p>Cen\u00e1rio muda caso as Lajes venham a receber bombardeiros <\/p>\n<p>Para Agostinho Costa, \u00e9 essencial n\u00e3o misturar planos. \u201cN\u00e3o devemos confundir uma base de tr\u00e2nsito com uma base que se destina a fazer um ataque\u201d, explica. A Base das Lajes, sustenta, n\u00e3o est\u00e1 a ser usada como plataforma ofensiva, e \u201cn\u00e3o ser\u00e1 naturalmente utilizada pelos norte-americanos para atacar diretamente o Ir\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para o especialista, a base situada na Ilha Terceira serve, \u201cna pr\u00e1tica, como posto de abastecimento de combust\u00edvel\u201d. Para explicar, Agostinho Costa tra\u00e7a uma met\u00e1fora: \u201cTal como quem viaja para o Algarve p\u00e1ra na A2 para abastecer, tamb\u00e9m muitos meios norte-americanos utilizam os A\u00e7ores como ponto interm\u00e9dio nas liga\u00e7\u00f5es entre os Estados Unidos e outros teatros de opera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio seria diferente se Washington decidisse posicionar nos A\u00e7ores uma esquadra de bombardeiros estrat\u00e9gicos, como B-52, B-2 ou B-1. Nesse caso, explica, \u201cantes de pousar, j\u00e1 s\u00e3o obrigados a dizer\u201d ao que v\u00eam. \u201cSe entendessem fazer os ataques a partir dali, naturalmente teriam de pedir autoriza\u00e7\u00e3o a Portugal\u201d, assumindo a base a\u00e7oriana como \u201cbase de partida\u201d ou \u201cbase de apoio para a opera\u00e7\u00e3o a\u00e9rea\u201d. Ainda assim, considera essa hip\u00f3tese pouco plaus\u00edvel, at\u00e9 porque existem alternativas mais pr\u00f3ximas, como Rota, em Espanha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o \u00faltimo ataque em que estiveram envolvidos os B-2, que aconteceu precisamente no Ir\u00e3o, viu os bombardeiros descolarem dos Estados Unidos diretamente para o Ir\u00e3o, num espetacular voo de 18 horas que culminou na destrui\u00e7\u00e3o de grande parte do programa nuclear iraniano.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 possibilidade de os atuais reabastecedores estacionados nos A\u00e7ores participarem indiretamente numa opera\u00e7\u00e3o, por exemplo abastecendo em voo bombardeiros estrat\u00e9gicos, o major-general desvaloriza, \u201cdesde logo porque um ataque desta natureza envolve secretismo e os americanos n\u00e3o s\u00e3o obrigados a dizer quem \u00e9 que reabastece no ar\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o reabastecimento decorre em espa\u00e7o internacional e \u201cisso n\u00e3o nos responsabiliza\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Portugal pode &#8220;censurar, mas n\u00e3o pode protestar&#8221; um ataque ao Ir\u00e3o <\/p>\n<p>Esses mesmos abastecedores em territ\u00f3rio portugu\u00eas poder\u00e3o vir a servir numa futura miss\u00e3o ao M\u00e9dio Oriente. Nesse cen\u00e1rio em que as Lajes tenham servido de suporte para o ataque, o tenente-general avisa que a margem de rea\u00e7\u00e3o portuguesa seria, ainda assim, limitada. \u201cAcredito que Portugal possa censurar, mas n\u00e3o pode protestar\u201d, afirma. Essa censura traduzir-se-ia numa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u201ca verbalizar um estado de alma que condenasse as a\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos\u201d, mas \u201ca consequ\u00eancia seria nula\u201d.<\/p>\n<p>Rafael Martins sublinha ainda que qualquer an\u00e1lise n\u00e3o pode ignorar o contexto do regime iraniano, recordando que se trata de \u201cum regime que n\u00f3s sabemos o que fez\u201d, bem como as suas atitudes face a outros pa\u00edses da regi\u00e3o, alguns deles \u201cmais moderados\u201d ou com \u201cuma outra vis\u00e3o do mundo e outro regime pol\u00edtico\u201d. Por isso, defende que deve existir prud\u00eancia na forma como Portugal se posiciona, evitando rea\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas apenas por alinhamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Na sua perspetiva, defender os interesses nacionais implica coer\u00eancia estrat\u00e9gica. Se Portugal quer \u201cestar bem com os nossos aliados\u201d, ent\u00e3o tem de, em determinados momentos, n\u00e3o ir \u201cem busca do politicamente correto\u201d, mas antes \u201cassumir plenamente a decis\u00e3o pol\u00edtica e a responsabilidade\u201d que essas escolhas acarretam.<\/p>\n<p>A mesma opini\u00e3o \u00e9 partilhada por Agostinho Costa, que considera que Portugal deve manter-se \u201cpositivamente \u00e0 margem\u201d. \u201cSe uma opera\u00e7\u00e3o militar pode ou n\u00e3o ser feita, \u00e9 um problema entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3o. N\u00e3o podemos ter um contencioso ou um irritante com os Estados Unidos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o nos deve interessar ter com o Ir\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Rangel esteve bem &#8220;do ponto de vista pol\u00edtico&#8221; (mas h\u00e1 um plano t\u00e9cnico) <\/p>\n<p>Mas a pol\u00e9mica e as d\u00favidas intensificaram-se quando, esta semana, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que qualquer opera\u00e7\u00e3o fora do acordo com os EUA\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/paulo-rangel\/irao\/irao-rangel-admite-que-eua-podem-usar-lajes-para-ataque-sem-avisar-portugal\/20260223\/699c4197d34e6a48f446e2b7\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u201cn\u00e3o tem de ser autorizada, nem conhecida, nem comunicada por Portugal\u201d<\/a>\u00a0e que \u201cnunca foi e n\u00e3o era agora que ia ser\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo que a declara\u00e7\u00e3o possa gerar d\u00favidas inicialmente, os especialistas ouvidos pela CNN Portugal avisam que a mesma faz sentido \u201cno plano pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm termos pol\u00edticos, o senhor ministro tem raz\u00e3o\u201d, come\u00e7a por explicar Agostinho Costa. \u201cPoliticamente, o Governo portugu\u00eas n\u00e3o tem que saber, nem deve saber. N\u00e3o lhe interessa\u201d, afirma, sublinhando que \u201cn\u00e3o est\u00e1 em causa soberania nem a cria\u00e7\u00e3o de um precedente\u201d para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ainda assim, lembra que existe um outro plano: o t\u00e9cnico. &#8220;O n\u00edvel pol\u00edtico \u00e9 uma coisa, o n\u00edvel t\u00e9cnico \u00e9 outro\u201d, real\u00e7a, lembrando que, neste \u00faltimo caso, n\u00e3o deve haver opacidade. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum avi\u00e3o norte-americano que aterre ou descole da base das Lajes que a autoridade aeron\u00e1utica portuguesa n\u00e3o saiba\u201d, afirma, salientando que o ministro \u201cdeveria ter sido mais claro\u201d, mas que, por ser advogado, \u201cnem deve dominar estas quest\u00f5es\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Qualquer opera\u00e7\u00e3o militar do Ir\u00e3o ter\u00e1 Portugal como centro nevr\u00e1lgico da estrat\u00e9gia e planeamento. 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