{"id":286143,"date":"2026-02-27T17:35:12","date_gmt":"2026-02-27T17:35:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/286143\/"},"modified":"2026-02-27T17:35:12","modified_gmt":"2026-02-27T17:35:12","slug":"john-morgan-pintou-rostos-populares-em-juri-da-inglaterra-vitoriana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/286143\/","title":{"rendered":"John Morgan pintou rostos populares em J\u00fari da Inglaterra vitoriana"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de habitar c\u00f3digos e tribunais, a Justi\u00e7a tamb\u00e9m se faz imagem.<\/p>\n<p>Em 1861, o pintor vitoriano John Morgan transformou o J\u00fari em protagonista ao retratar doze homens reunidos durante as Assizes realizadas no County Hall, em Aylesbury.<\/p>\n<p>A obra, intitulada &#8220;The Jury&#8221;, foi pintada no pr\u00f3prio local do julgamento e re\u00fane figuras reais da comunidade &#8211; identificadas por nome e profiss\u00e3o em placa sob a pintura.<\/p>\n<p>As Assizes eram tribunais itinerantes da Inglaterra, realizados periodicamente em cada condado, nos quais ju\u00edzes enviados pela Coroa julgavam crimes graves e causas civis relevantes. Funcionavam como sess\u00f5es solenes da Justi\u00e7a criminal e civil superior, reunindo magistrados, advogados, autoridades locais e, naturalmente, o J\u00fari Popular. Eram momentos centrais da vida jur\u00eddica e pol\u00edtica do condado.<\/p>\n<p>O County Hall, por sua vez, era o edif\u00edcio-sede da administra\u00e7\u00e3o e das cortes locais &#8211; equivalente a um pal\u00e1cio da Justi\u00e7a e centro c\u00edvico do condado.<\/p>\n<p>No caso de Aylesbury, o County Hall situado na Market Square concentrava as principais fun\u00e7\u00f5es administrativas e judiciais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Retrato de homens comuns<\/strong><\/p>\n<p>Diferentemente das alegorias cl\u00e1ssicas da Justi\u00e7a, Morgan opta por uma cena concreta.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 deuses, balan\u00e7as ou espadas, mas comerciantes, a\u00e7ougueiros, advogados, estalajadeiros, um fabricante de seda, um pedreiro.\u00a0O foco est\u00e1 nos rostos: atentos, cansados, pensativos, concentrados.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos aspectos mais singulares de The Jury \u00e9 que os doze homens n\u00e3o s\u00e3o figuras gen\u00e9ricas. Seus nomes e ocupa\u00e7\u00f5es aparecem registrados em placa sob a pintura, e muitos podem ser identificados em censos e diret\u00f3rios comerciais da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" alt=\" (Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" title=\"\" width=\"878\" height=\"498\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/https__img5.migalhas.com.br__SL__gf_base__SL__empresas__SL__miga__SL__imagens__SL__2026__SL__02__SL_.jpeg\"\/> <\/p>\n<p>(Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Fileira superior (da esquerda para a direita):<\/p>\n<ul>\n<li>Joseph Ivatts: comerciante de gado. Descendia de uma fam\u00edlia de sapateiros estabelecida na cidade desde o s\u00e9culo XVIII. Foi descrito pelo Bucks Herald, em 1882, como um &#8220;antigo, conhecido e estimado habitante da cidade&#8221;.<\/li>\n<li>Thomas Horwood: procurador de Temple Square. Tornou-se s\u00f3cio do escrit\u00f3rio James and Horwood e acumulou fun\u00e7\u00f5es como comiss\u00e1rio para juramentos, registrador do tribunal do arquidiaconato de Buckingham e secret\u00e1rio do banco de poupan\u00e7a local.<\/li>\n<li>William Ezra Eagles: identificado na placa como advogado.<\/li>\n<li>Charles Isaac Clark: a\u00e7ougueiro e tamb\u00e9m propriet\u00e1rio de estalagens.\u00a0<\/li>\n<li>Walter Batley Rudland: outro managing clerk de escrit\u00f3rio jur\u00eddico, sendo descrito pela imprensa local como &#8220;altamente respeitado&#8221;.<\/li>\n<li>Richard Loosely: moleiro e criador de gado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Fileira inferior (da esquerda para a direita):<\/p>\n<ul>\n<li>Thomas Smith: inicialmente comerciante de carv\u00e3o e sal, atuava como a\u00e7ougueiro na Walton Street quando retratado. Posteriormente passou a administrar a estalagem Bear Inn.<\/li>\n<li>Philip Payne: identificado na placa como comerciante de tecidos (draper). Propriet\u00e1rio de lojas na Market Street e Temple Street.<\/li>\n<li>Thomas Wootton: propriet\u00e1rio do Bell Inn, na Market Square. O estabelecimento era descrito como &#8220;commercial inn&#8221;, com aluguel de cavalos e carruagens.<\/li>\n<li>Joseph Howard: comerciante de carv\u00e3o h\u00e1 muitos anos, tamb\u00e9m negociava tijolos, cal e sal.\u00a0<\/li>\n<li>James Hobday: gerente de uma f\u00e1brica de seda. Posteriormente tornou-se livreiro e papelaria na Market Square.\u00a0<\/li>\n<li>John Dukes: descrito como pedreiro..\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Recep\u00e7\u00e3o e reconhecimento<\/strong><\/p>\n<p>Exibido na primavera de 1862 no British Institution, em Londres, o quadro recebeu elogios da imprensa.<\/p>\n<p>O Bucks Advertiser registrou que a obra foi posicionada &#8220;na situa\u00e7\u00e3o mais vantajosa&#8221; e celebrada por sua &#8220;fidelidade \u00e0 natureza&#8221;.<\/p>\n<p>Em 1863, foi produzida uma gravura em mezzotinta da pintura &#8211; a primeira obra de Morgan a ganhar reprodu\u00e7\u00e3o impressa. O sucesso foi tamanho que o artista passou a ser conhecido como &#8220;Jury Morgan&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje, a obra integra o acervo do Buckinghamshire County Museum.<\/p>\n<p><strong>Quem foi John Morgan?<\/strong><\/p>\n<p>John Morgan (1822\u20131885) foi um pintor vitoriano brit\u00e2nico de grande sucesso no s\u00e9culo XIX, especialmente conhecido por suas cenas de g\u00eanero &#8211; representa\u00e7\u00f5es do cotidiano, muitas vezes centradas na vida familiar e na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Nascido em Pentonville, Londres, iniciou sua forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica de maneira pr\u00e1tica: foi aprendiz em uma empresa que produzia molduras e mobili\u00e1rio art\u00edstico. Posteriormente estudou na School of Design, em Somerset House, e aperfei\u00e7oou-se em Paris sob a orienta\u00e7\u00e3o de mestres como Thomas Couture e Paul Delaroche, absorvendo uma t\u00e9cnica refinada e aten\u00e7\u00e3o minuciosa ao detalhe.<\/p>\n<p>Por volta de 1860, Morgan estabeleceu-se com a fam\u00edlia em Aylesbury, onde viveu at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1860.<\/p>\n<p>O censo de 1861 o descreve como &#8220;Artist Subject Painter in Oils&#8221;, ou seja, pintor de cenas narrativas em \u00f3leo. Foi nesse per\u00edodo que produziu obras voltadas \u00e0 vida local, entre elas The Jury (1861) e The Country Auction, consolidando sua reputa\u00e7\u00e3o como observador atento da sociedade vitoriana.<\/p>\n<p>Sua pintura dialogava com outros importantes artistas do g\u00eanero na Inglaterra, como Thomas Webster e William Powell Frith, combinando narrativa, teatralidade e realismo social. Morgan exp\u00f4s regularmente na Royal Academy, na British Institution e na Society for British Artists (SBA), da qual se tornou membro em 1875.<\/p>\n<p>De sa\u00fade fr\u00e1gil (sofria de problemas respirat\u00f3rios) mudou-se diversas vezes em busca de clima mais favor\u00e1vel, vivendo em Guildford e, posteriormente, em Hastings, onde faleceu em 1885.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>DISCOVER BUCKS COUNTY MUSEUM. The Jury by John Morgan, 1861. Aylesbury: Discover Bucks County Museum. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.discoverbucksmuseum.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/The-Jury-by-John-Morgan-1861.pdf. Acesso em: 26 fev. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Al\u00e9m de habitar c\u00f3digos e tribunais, a Justi\u00e7a tamb\u00e9m se faz imagem. 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